Transtornos psicológicos: o que são e como se manifestam?

Definir a anormalidade é difícil e complexo. No entanto, definir a anormalidade comportamental para diagnosticar um transtorno mental é muito mais simples.
Transtornos psicológicos: o que são e como se manifestam?
Bernardo Peña

Escrito e verificado por el psicólogo Bernardo Peña em 20 Julho, 2021.

Última atualização: 20 Julho, 2021

Psicopatologia é a área de estudo que se enfoca na anormalidade ou em distúrbios psicológicos. Tanto a psiquiatria quanto a psicologia são nutridas por ela. Dessa forma, ela focaliza seu objeto de estudo nos padrões comportamentais, cognitivos e emocionais que se distanciam do que é considerado como normal.

Neste artigo você descobrirá o que são os transtornos psicológicos, como eles se manifestam, o que é considerado como normalidade e os princípios que regem a psicopatologia.

O que é normalidade?

Definir o que é normal do ponto de vista psicológico é complicado e controverso. No entanto, de acordo com a RAE, normalidade é aquilo que por natureza está de acordo com as regras previamente estabelecidas. Desta forma, serve como uma regra geral a ser aplicada em um determinado contexto.

Normalidade, normal.

Em relação ao funcionamento psicossocial, existem vários critérios que devem ser atendidos para que um comportamento seja chamado de “normal” :

  • Critério normativo: apesar de o comportamento humano ser variado, existem regularmente certos padrões que se repetem internacionalmente. Por isso, esses padrões seriam usados para definir a normalidade.
  • Estatístico: um comportamento deve ser comparado quantitativamente com o grupo sociocultural ao qual o indivíduo pertence. Portanto, se estiver na média, seria normal.
  • Patológico: é considerado normal o que não faz mal. Portanto, o anormal ou patológico seria o prejudicial ou disfuncional.

Transtornos psicológicos ou anormalidade

A anormalidade ou transtornos psicológicos referem-se a padrões de comportamento que diferem significativamente da normalidade mencionada anteriormente. De fato, também existem critérios para a anormalidade no funcionamento psicossocial:

  • Sofrimento ou angústia pessoal: por exemplo, quando existe um estado emocional doloroso ou negativo, forte e prolongado que pode se tornar incapacitante. Além disso, esse sintoma pode estar acompanhado por uma miríade de sintomas físicos.
  • Deterioração: ocorre quando os níveis de sofrimento são exacerbados a ponto de que ocorram desequilíbrios no ambiente nos níveis de trabalho, social e familiar.
  • Irracionalidade ou incompreensibilidade: consideramos um comportamento anormal porque, visto de fora, é estranho ou difícil de compreender. Por exemplo as alucinações.
  • Comportamento social e cultural inaceitável: quando o comportamento não está de acordo nem tem relação com o contexto social em que se desenvolve.
  • Risco e periculosidade: quando a pessoa se comporta de forma que pode prejudicar a si mesma ou a outras pessoas.
  • Violação dos códigos ideais e morais: se o comportamento gera conflito com os valores da sociedade.
Transtorno mental raro.

Princípios gerais de psicopatologia

A psicopatologia, como dissemos antes, estuda as anormalidades ou transtornos psicológicos. Além disso, é regida por princípios claros:

  1. Nenhum critério, por si só ou isoladamente, é suficiente para definir um comportamento, sentimento ou atividade mental como desviante, anormal ou psicopatológico.
  2. Nenhum comportamento, emoção, sentimento ou atividade cognitiva é  psicopatológico por si só.
  3. Sofrer com uma psicopatologia representa um sério obstáculo para o desenvolvimento individual ou para o seu grupo social mais próximo.
  4. Os elementos que definem uma cognição ou comportamento como patológico não diferem daqueles que definem a normalidade, exceto em termos de grau, extensão e repercussões.
  5. A presença de psicopatologias não acarreta necessariamente numa ausência de saúde mental, visto que, como analisamos anteriormente, este é um conceito mais amplo.
  6. Saúde não significa a ausência completa de doenças.

Causas dos transtornos psicológicos

A seguir veremos as três principais causas dos transtornos psicológicos:

  • Biológicas: é importante considerar que eventos biológicos podem ser a causa do quadro da pessoa. Nesse caso, os profissionais tentam encontrar explicações genéticas ou funcionais, por exemplo: o hipotireoidismo do paciente poderia estar causando depressão?
  • Psicológicas: neste aspecto, são consideradas as experiências pessoais passadas que podem ser a causa do comportamento atual. Por exemplo, a forma de interpretar as experiências ou o déficit na regulação emocional.
  • Sociais: o ambiente sociocultural da pessoa é muito importante, porque é nele que o indivíduo se desenvolve. Entre as causas socioculturais podem estar: problemas com algum círculo social, trabalho, etc.
Transtorno mental psicológico, psicoterapia, terapia, ansiedade.

Transtornos psicológicos e fatores culturais

Existem algumas doenças que aparecem em todas as culturas (universais) e outras que não (culturais). Por exemplo, na América do Sul existe um distúrbio denominado susto baseado em sintomas de ansiedade (irritabilidade, insônia, fobias, aspectos somáticos, etc.). A cultura determinará amplamente a explicação para esta doença.

O quadro será desenvolvido por pessoas submetidas à magia negra e à feitiçaria. O susto é considerado causado pelo mau-olhado e deve ser curado com magia e bruxaria. Isso mostra que a cultura influencia na forma e conteúdo do transtorno. Dependendo do local, a definição de um mesmo problema pode mudar.

Papéis de gênero

Os papéis de gênero costumam fazer muita diferença nos distúrbios psicológicos. Desse modo é mais bem visto que, durante uma crise de fobia, uma mulher grite e chore. Por outro lado, os homens expressam suas emoções de forma diferente, de forma mais agressiva ou consumindo álcool.

Fobia, agorafobia.

Fatores de risco e proteção contra distúrbios psicológicos

Referem-se a quando existe uma relação significativa entre um transtorno ou desvio de comportamento e elementos geográficos, ambientais e sociais. Conhecendo os fatores de risco, podemos evitar os transtornos.

  • Idade: os pacientes mais jovens e mais velhos têm maior probabilidade de sofrer de distúrbios psicológicos.
  • Estado civil: pessoas solteiras, divorciadas ou separadas têm maior probabilidade de sofrer de distúrbios psicológicos.
  • Educação: quanto maior o nível de escolaridade, menor a probabilidade de sofrer de transtornos.
  • Renda: quanto maior a renda, menor a possibilidade de sofrer de patologias mentais.
  • Condições de trabalho: pessoas com empregos têm menos probabilidade de sofrer de distúrbios psicológicos.
  • Apoio social: um maior número de amigos e o apoio social atuam como fatores de proteção contra transtornos.
  • Ajuste conjugal: quanto maior a satisfação conjugal, menor a probabilidade de sofrer de distúrbios psicológicos.
Divórcio, divorciado, transtornos psicológicos, psicoterapia.

Transtornos mentais versus resiliência

Muitas pessoas passam por momentos difíceis, angustiantes, situações extremas (como desastres naturais, morte de familiares, perigo de morte, etc.).

Essas situações inoculam uma forte carga de estresse no indivíduo, que pode levar à psicopatologia. Nestes casos, a resiliência é definida como a capacidade de lidar com essas situações e superar o sofrimento gerado por meio de mecanismos de enfrentamento psicológico positivo.

Pessoas resilientes são, portanto, menos propensas a sofrer de doenças mentais. Cabe destacar que as pessoas podem ser ensinadas a ter mais resiliência, a partir das manifestações da Psicologia Positiva.

Principais transtornos psicológicos

Os principais transtornos psicológicos estão listados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Ambos são manuais que permitem categorizar e classificar comportamentos anormais para fazer diagnósticos profissionais.

Agressividade bipolar, transtorno mental.

Portanto, alguns dos principais transtornos psicológicos seriam os seguintes:

  • Transtornos de personalidade.
  • Transtornos depressivos.
  • Espectro de esquizofrenia e outras psicoses.
  • Distúrbios no neurodesenvolvimento.
  • Transtornos de ansiedade.
  • Transtornos bipolares.
  • Transtornos sexuais, parafilias e disforia de gênero.
  • Distúrbios alimentares.
  • Vícios.
  • Transtornos relacionados a traumas e outros fatores de estresse.
  • Transtornos psicossomáticos.

Conclusão

Em conclusão, para os psicólogos, definir a normalidade é difícil e complexo. No entanto, definir anormalidades ou transtornos mentais é muito mais simples.

Dessa forma, tanto os fatores internos quanto os externos devem ser analisados para considerar um determinado padrão de comportamento como anormal ou transtornado.

Existem distúrbios psicológicos universais e culturais, por isso não devemos nos esquecer da importância do momento histórico e do contexto cultural na criação de realidades complexas e, por vezes, desviados da norma.

Existem manuais que coletam e classificam os principais transtornos mentais, como o DSM-5 e o CID-11. No entanto, muitos profissionais criticam a excessiva rigidez e, às vezes, a arbitrariedade desses manuais.

Por fim cabe dizer que, hoje em dia, as abordagens baseadas na saúde, resiliência e, em geral, na psicologia positiva são cada vez mais importantes. Já não se trata tanto de classificar fraquezas ou o que é anormal, mas sim de conhecer e implementar as forças do ser humano.

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