Transtorno de estresse pós-traumático: sintomas e características

O TEPT envolve fenômenos de flashbacks, pesadelos, angústia, fuga de lugares, palavras ou pessoas que lembrem o trauma. Em suma, gera uma queda muito perceptível na qualidade de vida do indivíduo.
Transtorno de estresse pós-traumático: sintomas e características
Bernardo Peña

Escrito e verificado por el psicólogo Bernardo Peña em 26 Julho, 2021.

Última atualização: 26 Julho, 2021

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) inclui as consequências psicológicas, imediatas e de longo prazo das experiências traumáticas de natureza extrema ou catastrófica.

Esses fenômenos foram estudados fundamentalmente em relação às guerras. De fato, seus sintomas eram tradicionalmente conhecidos como fadiga de combate ou neurose de guerra.

A origem do transtorno de estresse pós-traumático

Durante a Primeira Guerra Mundial, uma guerra de trincheiras e combate corpo a corpo, as baixas entre os combatentes por este transtorno chegaram a 23%. A Guerra do Vietnã gerou um grande debate nos Estados Unidos sobre as sequelas dos traumas psicológicos da guerra que, sem dúvida, foi o fenômeno mais estudado.

De acordo com alguns estudos, de 20 a 30% dos veteranos desta guerra tinham sintomas de TEPT e 50% apresentaram alguns dos  sintomas relacionados depois do combate.

Quanto à Segunda Guerra Mundial, um estudo sobre os sobreviventes do holocausto nazista obteve o resultado de que 75% dos internados nos campos de concentração, mesmo 50 anos depois, continuam apresentando sintomas graves de TEPT e ainda mostram alterações nos níveis de catecolaminas cerebrais.

A exposição a um forte estresse também aumenta a ocorrência de várias doenças médicas ao longo do tempo. Em uma amostra de 1.399 veteranos da Guerra do Vietnã 20 anos após a guerra, 332 deles sofreram ou sofriam de TEPT.

Em comparação com um grupo de controle de veteranos da mesma guerra, os combatentes com TEPT apresentaram uma maior prevalência de doenças cardiovasculares, digestivas, musculares, endócrinas, do sistema nervoso, respiratórias, infecciosas, etc., e este efeito foi mantido após o controle dos fatores clássicos de risco.

Transtornos mentais, amnésia mental, esquecimento de memórias.

Características do transtorno de estresse pós-traumático

Esse distúrbio ocorre quando uma pessoa experimentou ou presenciou um evento traumático que está fora da faixa de experiência humana normal e que seria muito traumático para quase todas as pessoas. A resposta a essas situações é um medo intenso ou desespero. Alguns exemplos são:

  • Mortes.
  • Ameaças à vida.
  • Catástrofes.
  • Violência.

O evento traumático é revivido persistentemente, seja por:

  • Memórias recorrentes (as memórias desses eventos podem ser muito vívidas).
  • Sonhos ou pesadelos.
  • Reação repentina ou sensação de que o evento aconteceria novamente.
  • Sofrimento psicológico intenso ou respostas fisiológicas perante a exposição a eventos que simbolizam ou lembram algum aspecto do acontecimento.

É comum que eles evitem persistentemente os estímulos associados ao trauma, bem como que ocorra o enfraquecimento da reatividade geral do indivíduo, conforme indicado pelos seguintes sintomas possíveis :

  • Evitar pensamentos ou conversas sobre o trauma.
  • Evitar atividades, lugares ou pessoas que inspirem memórias do trauma.
  • Incapacidade de se lembrar de um aspecto importante sobre o trauma, ou seja, a presença de amnésia psicogênica ou dissociativa. Para alguns autores, a amnésia psicogênica seria uma forma dissociativa de TEPT.
  • Redução acentuada no interesse ou participação em atividades significativas prévias (em crianças a perda de habilidades já adquiridas, como linguagem ou controle do esfíncter).
  • Sensação de desapego ou alienação dos outros.
  • Restrição da vida afetiva, por exemplo, incapacidade de ter sentimentos de amor.
  • Sensação de futuro encurtado (não terminar os estudos, perder o interesse em se casar, não ter esperança de conseguir um emprego…).
  • Sintomas persistentes de aumento no estado de excitação, como dificuldade para dormir, irritabilidade, dificuldades de concentração, hipervigilância ou respostas de sobressalto exageradas.
TOC.

Especificações

Existem especificações para o TEPT como agudo, se os sintomas duram menos de 3 meses, crônico se duraram mais de 3 meses, e de início tardio, quando pelo menos seis meses tiverem decorrido entre o evento traumático e o início dos sintomas. O TEPT é um transtorno com alta morbidade, resistência ao tratamento e desenvolvimento crônico.

Núcleo do trauma

O núcleo desse tipo de trauma está na memória repetitiva do evento traumático. Essa memória está mais ativa e isso condiciona as outras experiências psicológicas. Essas memórias ficam gravadas na amígdala, criando uma marca permanente do acontecimento.

A amígdala se torna hiperexcitável e se converte numa espécie de gatilho, pronto para disparar o alarme do cérebro ao menor indício de algo parecido com o que aconteceu.

O transtorno diminui muito o limiar de alarme no sistema nervoso, causando respostas defensivas às situações cotidianas como se fossem perigos reais, demonstrando uma suscetibilidade aumentada ao estresse psicológico em geral.

Aparentemente os atos violentos de natureza pessoal, como estupros, roubos ou situações de violência são mais prejudiciais do que os desastres naturais, e também apresentam índices mais elevados de suicídio. A razão pode ser que a vítima dessa violência gratuita sente que foi escolhida deliberadamente e isso mina sua confiança nos outros e na segurança do mundo interpessoal, desencadeando mais atribuições internas.

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Terapia para o transtorno de estresse pós-traumático

A terapia mais eficaz é a exposição com prevenção da resposta de evitação (ao vivo ou na imaginação, progressiva ou total) à situação temida. No caso do TEPT, isso é muito difícil pela própria natureza da situação temida, associada a um perigo real e certo.

Além disso, as mudanças cerebrais causadas pelo trauma são tão poderosas que qualquer reminiscência da situação original desencadeia uma ativação emocional tão forte que a resposta de pânico pode ser reforçada como se fosse a situação original. É difícil encontrar uma situação em que o objeto temido possa ser abordado com tranquilidade, o que dificulta o tratamento.

A reaprendizagem nesse distúrbio deve ocorrer a nível cortical (especificamente na zona pré-frontal), uma vez que o medo original registrado na amígdala nunca desaparecerá completamente. Portanto, é o córtex pré-frontal que deve inibir ativamente a resposta de pânico desencadeada pela amígdala.

Portanto, a lembrança consciente e deliberada, de forma tão cuidadosa quanto possível, é essencial na terapia do TEPT, pelo menos em adultos. É importante que o paciente relacione verbalmente todos os aspectos do trauma para que as memórias sejam colocadas sob o controle do neocórtex e as reações desencadeadas sejam melhor compreendidas e direcionadas.

Comentários finais

Em conclusão, o transtorno de estresse pós-traumático se enquadra nos transtornos por traumas e fatores de estresse descritos no DSM-5. A origem dele está no contato com uma situação traumática que ameaça a vida ou a integridade do indivíduo.

Essa experiência gera uma marca que é muito difícil de apagar da memória. Portanto, é necessária uma terapia cognitivo-comportamental que ajude a minimizar o impacto emocional dessa memória traumática.

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