Anticoncepcionais e hipertensão: como se relacionam?

Os anticoncepcionais orais têm sido um dos métodos de prevenção de gravidez mais usados por décadas. Sua ingestão está associada ao desenvolvimento de vários efeitos colaterais; entre eles, um risco aumentado de hipertensão.
Anticoncepcionais e hipertensão: como se relacionam?

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 21 Junho, 2021

Última atualização: 22 Junho, 2021

Os anticoncepcionais orais são um dos métodos mais utilizados pelas mulheres para prevenir a gravidez e promover a menstruação regular. Sua ingestão está associada a uma variedade de efeitos adversos, como ganho de peso, acne, náuseas, dores de cabeça e distensão abdominal. Junto com isso, eles também podem estimular o desenvolvimento de pressão alta.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1 em cada 5 mulheres sofre ou sofrerá de hipertensão. Essa é uma doença crônica que, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações cardíacas, renais e cerebrovasculares. Hoje vamos te contar o que se sabe sobre o uso de anticoncepcionais e a hipertensão.

Pressão alta e uso de anticoncepcionais

Existe uma relação clara entre os anticoncepcionais e a hipertensão.
As pílulas anticoncepcionais costumam estar associadas a vários efeitos adversos, embora a maioria deles não justifique a interrupção do tratamento.

Algumas pesquisas indicam que o risco de desenvolver hipertensão com a ingestão de anticoncepcionais é de cerca de 5%. As causas dessa relação ainda não foram determinadas, mas acredita-se que seja devido às alterações fisiológicas geradas pelo aumento de progestógenos e estrógenos após a ingestão.

Isso explicaria, pelo menos em parte, por que o aumento da pressão arterial devido aos anticoncepcionais é maior quando se trata de pílulas combinadas (aquelas que usam os dois hormônios, e não apenas um).

Embora não hajam muitos estudos realizados nas últimas duas décadas, as hipóteses confirmam que o uso de anticoncepcionais acarreta num risco aumentado de desenvolver hipertensão.

Por exemplo, uma pesquisa publicada em 2004 no Journal of Human Hypertension indicou que os valores elevados da pressão arterial foram controlados em pacientes hipertensos com a descontinuação da pílula anticoncepcional.

Um ano antes, em 2003, um estudo foi publicado na Contraception no qual se descobriu um risco de aumento na pressão arterial em mulheres que tomavam anticoncepcionais orais. As evidências sugerem, independentemente da idade, peso ou possível tratamento hipertensivo, que os comprimidos podem desequilibrar os valores normais da pressão arterial.

O risco de desenvolver problemas vasculares aumenta à medida em que a ingestão se torna mais permanente. Embora muito raro, sabe-se que os anticoncepcionais orais podem causar hipertensão maligna. Esta é uma variante particularmente perigosa devido às complicações que geralmente ocasiona nas pacientes.

Recomendações sobre o uso de anticoncepcionais e hipertensão

Apesar de tudo o que foi mencionado há pouco, em geral os benefícios de tomar pílulas anticoncepcionais superam os riscos.

As evidências indicam que as complicações ocorrem apenas em um pequeno grupo percentual, e que com uma vida saudável as chances são ainda menores. Por causa disso, as mulheres que mantêm uma ingestão continuada devem considerar os seguintes cuidados:

  • Fazer exercícios regularmente. A OMS recomenda pelo menos 15 minutos de atividade aeróbica por semana.
  • Reduzir o consumo de álcool.
  • Evitar o consumo de tabaco (também passivamente) e episódios de estresse.
  • Ter uma dieta balanceada, com destaque para frutas, grãos e vegetais.
  • Reduzir a ingestão de sódio.
  • Manter um peso saudável.

Se você incluir isso na rotina, estará inclinando a balança a seu favor. Como complemento, você deve monitorar seus valores de pressão arterial regularmente. Lembre-se de que nem sempre essa condição desenvolve sintomas e alguns deles, como dor de cabeça ou tontura, podem ser confundidos com outras doenças ou condições.

Outras recomendações

O uso de anticoncepcionais e o desenvolvimento de hipertensão geralmente não levam à interrupção do tratamento.
As dúvidas mais importantes devem sempre ser perguntadas durante a consulta com o médico de confiança.

Se durante o monitoramento da pressão for detectado algum tipo de padrão de desequilíbrio, consulte um especialista para avaliar a possibilidade de alteração no tipo de medicamento. Por exemplo, pode ser recomendado o uso de pílulas que tenham apenas um componente hormonal. Elas são chamadas de minipílulas e são seguras contra quadros de pressão alta.

Além disso, você deve ter em mente uma possível predisposição genética. Se sua mãe, pai ou avós são hipertensos, é mais provável que você também seja. Isso, por sua vez, aumenta as chances de desenvolver a condição por meio da ingestão de anticoncepcionais orais.

Se você não quer se arriscar usá-los, também pode tentar outros métodos de controle de natalidade. De qualquer forma, lembre-se de que a relação entre os anticoncepcionais e a pressão alta não é grande o suficiente para parar de tomar o medicamento.

O uso deles é aprovado pela Food and Drug Administration ( FDA ) e pela European Medicines Agency ( EMA ). Se decidir deixar de tomá-los você corre o risco temporário de engravidar.

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