Sexologia e terapia sexual

A sexologia aborda a investigação e tratamento das necessidades sexuais humanas. Desta forma, oferece um quadro explicativo e técnicas específicas para tratar as disfunções sexuais em qualquer idade e contexto.
Sexologia e terapia sexual
Bernardo Peña

Escrito e verificado por el psicólogo Bernardo Peña em 19 Julho, 2021.

Última atualização: 19 Julho, 2021

Sexologia é a disciplina científica e humanística que estuda tudo o que diz respeito ao sexo e à sexualidade, do ponto de vista biopsicossocial e cultural.

Esta é uma ciência multidisciplinar, com contribuições de profissionais de saúde como psicólogos, médicos, enfermeiros, etc. Além deles, outros profissionais de destaque nas ciências humanas como antropólogos, filósofos, educadores e outros também contribuem nos estudos.

Sigmund Freud e sexologia

Embora os precursores da sexologia tenham sido R. von Krafft-Ebing e H. Havelock Ellis, foi Sigmund Freud quem descobriu primeiro que alguns transtornos psíquicos às vezes tinham origem em problemas sexuais e, em outros casos, estavam relacionados a desequilíbrios no comportamento sexual.

Para Freud, a sexualidade humana é uma fonte de energia vital que condiciona o comportamento humano. Ele chamou essa energia de libido. Essa energia vital está presente desde as primeiras semanas de vida.

Freud destacou em sua teoria do desenvolvimento psicossexual que a forma como a satisfação da libido é administrada na infância deixa vestígios importantes no inconsciente, que emergirão na vida adulta.

Fases do desenvolvimento psicossexual

Um dos elementos centrais da teoria freudiana é o desenvolvimento psicossexual do indivíduo, que deve passar pelas seguintes fases:

Fase oral (0-18 meses)

Nesta fase, a boca é a zona que mais gera prazer . Os bebês tendem a explorar o ambiente e tudo ao seu redor experimentando através da boca. É por esta razão que eles têm uma tendência especial para morder e chupar.

Fase anal (18-36 meses)

É a fase em que os bebês começam a controlar o esfíncter anal. Segundo Freud, essa atividade está relacionada ao prazer e à sexualidade.

Fase fálica (3-6 anos)

A zona erógena desta fase está associada aos genitais. As crianças começam a perceber que a genitália é diferente entre homens e mulheres. Esta fase está relacionada ao aparecimento do Complexo de Édipo. Os filhos são atraídos pela mãe e têm ciúmes do pai.

Fase de latência (7 anos até a puberdade)

Durante esta fase não existe uma zona erógena específica associada. Freud a descreveu como aquela em que a sexualidade está oculta. Esta fase está associada ao pudor e vergonha em relação à sexualidade.

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Fase genital (a partir da puberdade)

A fase genital está relacionada às mudanças físicas da adolescência. O desejo sexual aumenta e se intensifica. A zona erógena nesta fase são os genitais. Portanto, é o nascimento da sexualidade adulta.

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Neurose e distúrbios sexuais

Por fim, deve-se destacar que a conclusão correta de todas as fases do desenvolvimento psicossexual levaria, teoricamente, a uma vida adulta saudável e equilibrada. Por outro lado, a estagnação em qualquer uma dessas fases pode gerar sintomas neuróticos e até mesmo problemas sexuais na idade adulta.

Embora Freud tratasse os problemas neuróticos com o seu método psicanalítico, ele foi muito menos explícito com os sexuais. Mais tarde, a sexologia tentaria preencher essa lacuna, tanto na pesquisa quanto no tratamento.

Sexologia na atualidade

Como discutimos anteriormente, a sexologia é a ciência que investiga e trata os problemas sexuais. Atualmente essa é uma disciplina científica consagrada, que conta com pesquisadores de prestígio no cenário internacional. O método experimental é utilizado nas pesquisas e, em termos de tratamentos, há um nível suficiente de evidências, tanto na medicina quanto na psicologia.

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Sexologia e terapia sexual

Além do estudo científico das disfunções sexuais, a sexologia clínica tenta oferecer uma resposta terapêutica a elas. Este tratamento pode ser médico, psicológico ou combinado. No caso da exclusão de patologias orgânicas, a terapia de referência será psicológica, pois se entende que o elemento cognitivo ou emocional está por trás da disfunção.

A terapia sexual consiste no tratamento direto das disfunções sexuais. Geralmente, esse tratamento é realizado a partir da abordagem cognitivo-comportamental. Além disso, ela tem os seguintes objetivos:

  • Analisar as variáveis que mantêm o problema sexual.
  • Analisar os problemas que impedem o desempenho sexual.
  • Potencializar habilidades para melhorar a resposta sexual.
  • Trabalhar com pensamentos, comportamentos e emoções que influenciam o desenvolvimento sexual.

Exemplos de técnicas da terapia sexual

A seguir, veremos algumas das técnicas que são usadas na terapia sexual:

Técnicas para aumentar o desejo sexual

Essas técnicas buscam melhorar e intensificar a resposta sexual trabalhando a imaginação, fantasias sexuais, listas de desejos sexuais, contatos íntimos, etc. Da mesma forma, busca-se a melhoria na comunicação sexual, enquanto as relações sexuais são reativadas.

Técnicas para a ejaculação precoce

O objetivo dessas técnicas é retardar a ejaculação, não apenas no tempo, mas até que o paciente decida que quer que ela aconteça. Portanto, o paciente controlará a ejaculação parcial ou totalmente.

Ela é trabalhada condicionando os estímulos sensoriais que levam à ejaculação e indicam a sua iminência. Além disso, há uma série de técnicas manuais que permitem exercer um controle mais eficaz sobre ela. Veja a técnica de parar-reiniciar de Semans (1956).

Técnicas para a disfunção erétil

Disfunção erétil.

O objetivo principal, nesses casos, é conseguir uma ereção efetiva até, pelo menos, a completa realização do ato sexual. Para isso, técnicas paradoxais e de distração são frequentemente utilizadas. Em alguns casos, as preocupações com o desempenho e outros complexos geradores de ansiedade impedem as ereções.

Por exemplo, proibir o coito e as relações sexuais exerce uma influência paradoxal em direção oposta à usual. Da mesma forma, desviar a atenção para o parceiro e não para o desempenho em si pode aliviar a tensão do momento.

Técnicas para anorgasmia feminina

O objetivo principal, nesse caso, é que a mulher atinja o orgasmo, seja por meio da masturbação ou da relação sexual. Portanto, todas as variáveis cognitivas, emocionais e comportamentais que impedem que ele aconteça serão analisadas.

Além disso, a imaginação será aprimorada como um fator-chave para atingir o orgasmo. Por exemplo, ler romances eróticos, escrever suas fantasias sexuais, ver conteúdo erótico, etc.

Técnicas para dispareunia e vaginismo

Neste caso, o objetivo é que a penetração possa ocorrer sem dor, alcançando a lubrificação vaginal necessária para que isso seja possível. Dessa forma, são utilizados exercícios de dilatação vaginal progressiva, ao mesmo tempo em que se promove o relaxamento e a estimulação sensorial por meio de estímulos físicos ou da imaginação.

Conclusões sobre a sexologia

A sexologia é uma ciência relativamente nova. No entanto, seu desenvolvimento tem sido espetacular, principalmente a partir dos anos 60 e 70 do século passado. Atualmente a sexologia, tanto na pesquisa quanto em suas contribuições clínicas, está no patamar de uma ciência consolidada.

Além disso, a sexologia oferece uma resposta eficaz às necessidades humanas, seja a partir da psicologia, medicina ou ciências da educação.

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