Como a clamídia é diagnosticada

A clamídia é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns atualmente. Hoje mostraremos técnicas e testes para diagnosticá-la, além das doenças com as quais ela pode ser confundida.
Como a clamídia é diagnosticada

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 18 Junho, 2021

Última atualização: 18 Junho, 2021

A clamídia é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. É a quarta DST mais comum nos Estados Unidos, de acordo com relatórios dos  Centers for Disease Control and Prevention (CDC). O diagnóstico da clamídia é relativamente simples e é a primeira etapa no tratamento da doença.

Ao contrário de várias doenças do seu grupo, a clamídia pode ser curada. Para isso, é importante fazer um diagnóstico precoce, já que não é incomum que alguns casos não tratados levem à infertilidade (como as evidências demonstram). Hoje veremos qual é o protocolo para detectá-la e o que você pode esperar dos testes disponíveis.

Exames laboratoriais para o diagnóstico de clamídia

O diagnóstico da clamídia é relativamente simples.
Embora os testes laboratoriais para diagnosticar a clamídia sejam simples, os tipos de coleta de amostras podem variar dependendo do paciente.

A primeira coisa que você deve saber é que a maioria das pessoas infectadas são assintomáticas. Portanto, não manifestar os sinais mais comuns não significa a ausência da doença.

A regra geral do CDC é fazer o teste anualmente se você for sexualmente ativo, tiver menos de 25 anos de idade ou não usar nenhum método de proteção. Se você faz parte desses grupos de risco, deve se familiarizar com o protocolo de diagnóstico de clamídia.

Ele pode variar dependendo do paciente. A evidência indica que o procedimento mais sensível são os testes de amplificação dos ácido nucléicos. Vamos conhecer quais são os métodos disponíveis:

Diagnóstico de clamídia em mulheres

Swabs vaginais ou endocervicais e exames de urina são geralmente usados. Estudos sugerem que a eficácia dos dois testes é quase idêntica, portanto, eles são opções seguras, rápidas e minimamente invasivas para o diagnóstico de clamídia em mulheres.

No primeiro caso, o especialista usa um espéculo para ter acesso ao colo do útero e, assim, obter uma amostra com o auxílio de um swab.

O material coletado é enviado para um laboratório e testado para detectar sinais de infecção. Embora hajam evidências de que a coleta de amostras por conta própria pode ser tão eficaz quanto a coleta especializada, o exame especializado é sugerido para uma amostragem mais segura.

O exame de urina será feito através da coleta da primeira micção e também irá ao laboratório para análise. Dependendo dos hábitos do paciente, o especialista pode sugerir um swab orofaríngeo ou retal como complemento. Pesquisas sugerem que este último não deve ser omitido para descartar a infecção em mulheres.

Diagnóstico de clamídia em homens

Os exames de urina são feitos desde a primeira micção e são complementados com uma amostrada coletada por um cotonete na cabeça do pênis (glande). Ambos os testes são analisados em laboratório em busca de padrões que permitam o diagnóstico da clamídia.

Como complemento, o especialista pode sugerir a realização de swab orofaríngeo ou anal. Embora tradicionalmente essa ação seja comum para homens que fazem sexo com homens, na realidade ela pode ser útil em todos os casos. Nesse sentido, lembre-se que a infecção pode ser transmitida por qualquer prática de sexo oral.

Se a bactéria provocou tracoma, o diagnóstico é diferente. Estudos indicam que o protocolo é um exame físico da área afetada (olhos), incluindo os cílios, córnea e pálpebras.

Amostras bacterianas desses locais serão enviadas ao laboratório para análises posteriores. Os testes de diagnóstico rápido (PDR) não são sugeridos em nenhum dos casos, pois alguns indícios sugerem baixa sensibilidade de detecção.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial da clamídia é extenso.
Os sintomas da clamídia são um tanto inespecíficos, podendo ser confundidos com os de outras doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia.

Se você desenvolveu os sintomas, perceberá que eles são muito vagos. Secreções genitais, dor ao urinar, dor ao fazer sexo ou pressão na parte inferior podem estar associados a várias condições. Entre as mais comuns destacamos os seguintes:

  • Gonorréia: a gonorreia é uma DST causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Seus sintomas também incluem dor ao urinar e secreções anormais da vagina e do pênis.
  • Vaginose bacteriana: produz inflamação vaginal, secreções anormais e mau cheiro. Ela se desenvolve devido a um desequilíbrio de bactérias anaeróbias na vagina.
  • Infecção vaginal por fungos: causada por uma infecção por fungos que causa queimação, secreção e erupções cutâneas.
  • Sífilis: a sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. É caracterizada, entre outras coisas, pelo aparecimento de feridas nos órgãos genitais (em seu primeiro estágio).

Estes são apenas alguns exemplos de doenças que podem ser detectadas durante o diagnóstico de clamídia. Conscientizar faz parte da prevenção, portanto, você deve evitar fazer sexo sem preservativo e ter múltiplos parceiros.

Se decidir manter esse hábitos, tente realizar exames anuais para avaliar a sua saúde e, assim, atacar a infecção antes que ela gere complicações.

Como se sabe que os pacientes podem ser reinfectados, você também deve manter este protocolo em mente após o término recente do tratamento ou o anos após o mesmo. Não confie apenas nos sintomas, a única forma de detectar a doença 100% é através dos métodos sugeridos.

Pode interessar a você...
Causas e fatores de risco da clamídia
Muy SaludLeia em Muy Salud
Causas e fatores de risco da clamídia

A clamídia é uma DST que atualmente tem uma alta porcentagem de prevalência . Vamos ver o que a causa e quais são os grupos de risco para contrair ...



  • Alexander, S., Ison, C., Parry, J., Llewellyn, C., Wayal, S., Richardson, D., … & Fisher, M. Self-taken pharyngeal and rectal swabs are appropriate for the detection of Chlamydia trachomatis and Neisseria gonorrhoeae in asymptomatic men who have sex with men. Sexually transmitted infections. 2008; 84(6): 488-492.
  • Cook, R. L., Hutchison, S. L., Østergaard, L., Braithwaite, R. S., & Ness, R. B. Systematic review: noninvasive testing for Chlamydia trachomatis and Neisseria gonorrhoeae. Annals of internal medicine. 2005; 142(11): 914-925.
  • Lunny, C., Taylor, D., Hoang, L., Wong, T., Gilbert, M., Lester, R., … & Ogilvie, G. Self-collected versus clinician-collected sampling for chlamydia and gonorrhea screening: a systemic review and meta-analysis. PloS one. 2015; 10(7): e0132776.
  • Mania-Pramanik, J., Kerkar, S., Sonawane, S., Mehta, P., & Salvi, V. Current Chlamydia trachomatis infection, a major cause of infertility. Journal of reproduction & infertility. 2012; 13(4): 204.
  • Meyer, T. Diagnostic procedures to detect Chlamydia trachomatis infections. Microorganisms. 2016; 4(3): 25.
  • Miller, K. E. Diagnosis and treatment of Chlamydia trachomatis infection. American family physician. 2006; 73(8): 1411-1416.
  • Mishori, R., McClaskey, E. L., & WinklerPrins, V. Chlamydia trachomatis infections: screening, diagnosis, and management. American family physician. 2012; 86(12): 1127-1132.
  • Sethupathi, M., Blackwell, A., & Davies, H. Rectal Chlamydia trachomatis infection in women. Is it overlooked?. International journal of STD & AIDS. 2010; 21(2): 93-95.
  • Solomon, A. W., Peeling, R. W., Foster, A., & Mabey, D. C. (2004). Diagnosis and assessment of t Clinical microbiology reviews. 2004; 17(4): 982-1011.