5 efeitos do clima na pele

26 abril, 2021
This article has been written and endorsed by el médico Diego Pereira
A exposição constante ao sol e à radiação ultravioleta, comum em climas quentes, pode favorecer o aparecimento de diversas condições e patologias desagradáveis.

Os efeitos do clima na pele são frequentes e, na maioria das vezes, evitáveis. Embora geralmente não coloquem a vida do paciente em risco, com o tempo, podem aparecer sintomas desconfortáveis que comprometem a saúde física e mental.

Para aumentar a conscientização sobre o assunto, preparamos o artigo a seguir, no qual falamos sobre algumas das consequências negativas que a exposição prolongada a determinados ambientes pode ter. Continue lendo!

Anatomia e fisiologia da pele

Os efeitos do clima na pele são complexos.
A pele é um órgão complexo com múltiplas camadas de células especializadas.

A pele é o maior órgão do corpo humano, cumprindo funções protetoras e termorreguladoras. Do ponto de vista estrutural, pode ser dividida em três camadas bem definidas: epiderme, derme e hipoderme.

A epiderme é aquela que fica em contato com o exterior e, dependendo da área, pode ser composta por 4 ou 5 camadas de queratinócitos. Este último termo é usado para definir as células capazes de produzir queratina, uma proteína vital para a pele.

Os queratinócitos sobem da parte mais profunda da epiderme conforme se desenvolvem e, portanto, na parte mais superficial (o estrato córneo), as células tendem a morrer, deixando uma densa camada de queratina.

Na derme e na hipoderme existem abundantes vasos sanguíneos e células do sistema imunológico; por isso, nestas camadas, ocorrem as reações que têm como objetivo proteger contra microrganismos estranhos.

Por causa da sua localização, a pele geralmente é o primeiro órgão a ser alterado diante de condições ambientais adversas, como o excesso de calor ou de frio.

Efeitos do clima na pele

A exposição constante ao calor, frio e luz solar pode ter consequências graves na pele. De fato, a maioria delas ocorre após a exposição constante, com exceção de alguns casos de reações alérgicas. A seguir, você encontrará 5 exemplos representativos (tanto estéticos quanto patológicos).

1. Envelhecimento térmico

Este termo é utilizado na dermatologia para se referir ao aparecimento prematuro de sinais de envelhecimento da pele em pacientes com exposição constante a altas temperaturas. Geralmente surge a partir dos 40 ºC, por isso é frequente nos meses de verão.

A frequência desses sintomas pode aumentar em alguns profissionais mais expostos a altas temperaturas, tais como cozinheiros, agricultores, ferreiros, mineiros e os que trabalham em fábricas de vidro ou borracha.

O envelhecimento térmico é consequência de fenômenos inflamatórios no tecido, incluindo a formação de radicais livres. Essas substâncias são caracterizadas por gerar estresse oxidativo, um mecanismo responsável pelo aparecimento de múltiplas doenças crônicas. Para isso, o consumo de alimentos ricos em antioxidantes pode ser benéfico.

2. Ressecamento e descamação

De acordo com este artigo de revisão científica (2008), de 10 a 15% do conteúdo do estrato córneo é constituído por água. De fato, para manter esse estado de hidratação, as células são capazes de secretar substâncias como o fator de hidratação natural. A desidratação pode causar descamação e ressecamento da pele.

Essa desidratação faz parte dos efeitos do clima na pele, no caso dos ambientes quentes. Pode piorar se não for realizada a hidratação oral de maneira adequada e, nesses casos, pode ser aconselhável usar substâncias emolientes.

Esses sintomas também podem ocorrer após a exposição constante a ambientes frios. Nessa situação, alguns pacientes desenvolvem a dermatite, um fenômeno inflamatório das camadas mais superficiais da pele.

3. Exantema ou rash cutâneo

Um dos efeitos mais característicos do clima na pele é a urticária induzida pelo frio. Os pacientes afetados por essa condição apresentam inchaço, lesões avermelhadas e coceira na pele exposta a baixas temperaturas.

Pode se manifestar em qualquer fase da vida, embora seja mais comum em adultos jovens. Do ponto de vista molecular, sabe-se que surge como resultado de reações típicas de fenômenos alérgicos.

Portanto, a participação de mastócitos, eosinófilos e basófilos, além da liberação de histamina e imunoglobulina E são fenômenos importantes para gerar os sintomas.

Em casos muito graves, pode ocorrer uma reação sistêmica conhecida como anafilaxia. Nesse caso, podem ocorrer edema generalizado e obstrução das vias aéreas e, por isso, esta é considerada uma emergência. Geralmente aparece após tomar banhos com água muito fria.

4. Acne

Os efeitos do clima na pele são diversos.
A acne pode piorar como resultado da exposição constante à luz solar.

É uma doença crônica e inflamatória da pele que consiste em um dos motivos mais frequentes de consultas ao dermatologista.

De acordo com uma publicação da Clínica Mayo, ela surge como consequência da obstrução dos folículos pilosos e das glândulas sebáceas, geralmente quando há um excesso de oleosidade ou de células mortas, infecções bacterianas e a influência da testosterona.

A maioria dos fatores de risco para o seu aparecimento já foram bem identificados e incluem idade, atrito constante, alterações hormonais e histórico familiar. No entanto, o papel da exposição à luz ultravioleta é controverso, pois os resultados de alguns estudos são contraditórios.

No entanto, de acordo com este artigo de revisão (2018), a referida exposição provoca um aumento no número de glândulas sebáceas e comedões. Estas últimas lesões são características da acne e são conhecidas pelo nome de “cravos”. Quando essas áreas se infeccionam e começa a produção de pus, surgem as lesões conhecidas como pústulas.

5. Melanomas

É um dos mais importantes e graves efeitos do clima na pele que incluímos nesta lista. O melanoma é um tumor de células epidérmicas ricas em melanina, o principal pigmento da superfície da pele.

Do ponto de vista clínico, pode ser fácil detectar lesões suspeitas, pois elas possuem as seguintes características:

  • Assimetria: se a lesão for dividida em duas metades quase iguais, o aspecto é diferente.
  • Bordas: geralmente são irregulares e mal definidas.
  • Coloração: a distribuição não é homogênea, podendo haver áreas internas em que a intensidade da cor é maior do que nas bordas.
  • Diâmetro: geralmente é maior que 5 mm.
  • Evolução: ao contrário das manchas típicas, os melanomas mudam de tamanho e aparência ao longo de semanas ou meses. Além disso, podem ocorrer sintomas como coceira, desconforto ou dor.

A exposição constante à luz ultravioleta é o principal fator de risco para o desenvolvimento de melanomas. Isso pode ocorrer quando se vive em regiões onde a luz do sol incide constantemente.

Para a sua prevenção, é aconselhável aplicar protetor solar nas superfícies expostas, várias vezes ao dia.

Proteger a pele melhora a saúde física e emocional

Embora muitos dos efeitos do clima na pele tenham apenas consequências estéticas, eles podem influenciar a saúde mental do paciente de forma negativa.

É aconselhável tomar medidas básicas para o cuidado adequado da pele, o que pode ser benéfico para evitar patologias mais perigosas. Em caso de dúvida, é aconselhável consultar um dermatologista de confiança.

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