O que é ramipril e para que serve?

O ramipril é um medicamento usado para diminuir a pressão arterial em pessoas hipertensas, e também para prevenir danos renais e possíveis patologias circulatórias.
O que é ramipril e para que serve?
Samuel Antonio Sánchez Amador

Escrito e verificado por el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador em 12 Agosto, 2021.

Última atualização: 12 Agosto, 2021

O ramipril é um medicamento que pertence ao grupo dos compostos que inibem a ação da enzima de conversão da angiotensina (ECA). Ele é utilizado no tratamento da hipertensão, insuficiência cardíaca e nefropatia diabética, embora também sirva como preventivo para evitar problemas cardiovasculares na população geriátrica de risco.

Ramipril é o composto ativo, mas existem medicamentos que o contêm e possuem outras denominações, como Acovil ® e Carasel ®. Existem também genéricos que levam diretamente o nome do medicamento, como Ramipril Aurovitas Spain®. Por fim, deve-se destacar que existem medicamentos multicomponentes com ramipril em sua composição, como o Triapin ®.

Esse medicamento foi patenteado em 1981 e seu uso foi aprovado na área médica em 1989. No ano de 2018 ele era o 155º medicamento em número de prescrições nos Estados Unidos, com mais de 3 milhões de prescrições por ano.

Para que o ramipril é usado?

Como já dissemos, o ramipril é uma droga que inibe a enzima conversora de angiotensina (ECA). Para explicar seu mecanismo de ação, devemos contextualizar o funcionamento do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA):

  1. A angiotensina é produzida no fígado e liberada na corrente sanguínea como um pró-hormônio. Por outro lado, a renina é uma enzima secretada nas células justaglomerulares do rim e liberada em estados de hipotensão arterial e hipovolemia.
  2. A renina atua diretamente sobre a angiotensina em sua forma de pró-hormônios, removendo 10 aminoácidos da sua estrutura. É assim que a angiotensina I é formada.
  3. A angiotensina I aumenta a pressão arterial por meio de mecanismos de vasoconstrição.
  4. Quando passa pelos pulmões, a angiotensina I é convertida em angiotensina II pela ação da ECA. Esse tipo de angiotensina provoca a vasoconstrição das arteríolas, promove a liberação de aldosterona e aumenta a liberação de compostos adrenérgicos do sistema nervoso central, o que resulta no aumento da pressão arterial.

O ramipril inibe a ação da enzima conversora da angiotensina (ECA), impedindo a síntese da angiotensina II. Portanto, a estimulação do sistema nervoso simpático é diminuída, a reabsorção renal é reduzida e o relaxamento dos músculos arteriais é promovido. Como resultado, a pressão arterial diminui.

Aplicações médicas

A seguir apresentamos algumas das patologias para as quais este mecanismo farmacológico pode ser útil:

  • Hipertensão: estima-se que um paciente tenha hipertensão arterial quando sua pressão sistólica e diastólica for maior que 130/80 milímetros de mercúrio, respectivamente. Em pacientes com a patologia, o ramipril é administrado 1 ou 2 vezes ao dia.
  • Redução do risco de insuficiência cardíaca (profilaxia): o ramipril é usado para prevenir que os pacientes em risco sofram infartos, derrames ou outras condições relacionadas. Em geral, seu uso é considerado para pessoas com mais de 55 anos de idade e antecedentes cardiovasculares.
  • Prevenção de danos renais: conforme indicam os estudos, este medicamento é útil para prevenir danos graves aos rins.

Como o ramipril é administrado?

O ramipril é vendido ao público em várias formas. Nos baseamos no prospecto de uma de suas variantes para informar tudo o que você precisa saber sobre a apresentação e dosagem desse medicamento.

Apresentação

Esse medicamento é comercializado na forma de comprimidos de administração oral, pois apenas essa administração está legalizada. Os comprimidos têm diferentes concentrações do princípio ativo por unidade: 1,25 miligramas, 2,5 miligramas, 5 miligramas e 10 miligramas.

Ramipril para hipertensão.
Um uso comum e frequente do ramipril é a prescrição para tratar hipertensão.

Dose

A dose dependerá da concentração do princípio ativo em cada comprimido, pois uma pilula de 10 miligramas equivale a 4 de 2,5 miligramas, por exemplo. O tratamento da doença subjacente geralmente é iniciado com a versão mais baixa (1,25 miligramas).

Apresentamos a seguir as doses para cada quadro clínico, mas cabe considerar que elas variam de acordo com a marca específica:

  • Tratamento da hipertensão: a dose inicial é de 1,25 miligramas ou 2,5 miligramas por dia.
  • Redução dos riscos cardiovasculares: a dose inicial é de 1 comprimido de 2,5 miligramas a cada 24 horas. A terapia de manutenção é de 10 miligramas por dia em dose única.
  • Tratamento para reduzir a progressão da lesão renal: começa com 1,25 ou 2,5 miligramas. A dose de manutenção é de 5 a 10 miligramas por dia.
  • Para insuficiência cardíaca: começa com 1,25 miligramas por dia. A dose máxima é de 10 miligramas por dia.
  • Tratamento após um ataque cardíaco: a dosagem é a mesma que para a insuficiência cardíaca.

Este medicamento pode ser tomado antes, durante ou após as refeições, e não deve ser esmagado ou mastigado.

Quem não deve tomar este medicamento?

Conforme indicado no portal Vademecum, o ramipril não deve ser administrado a pessoas com histórico de hipersensibilidade ao medicamento ou a outro inibidor da ECA. Tampouco é aconselhável o uso em pessoas que sofreram um angioedema ou que desenvolveram um edema após o tratamento com um medicamento deste tipo.

Por outro lado, o uso deve ser interrompido drasticamente caso ocorra hipercalemia, ou seja, níveis de potássio circulantes superiores a 5 miliequivalentes por litro. Como o ramipril altera o funcionamento da aldosterona, pode causar essa incompatibilidade.

Ramipril na gravidez

Conforme indicado pelo portal médico Statpearls, o tratamento com este medicamento é rigorosamente contraindicado em mulheres grávidas. Os inibidores da ECA têm sido associados a malformações esqueléticas em fetos, especialmente no segundo e terceiro trimestres da gravidez. Esse medicamento também não deve ser administrado durante a lactação.

Quais são os possíveis efeitos colaterais do ramipril?

Como qualquer medicamento, o ramipril pode provocar diversos efeitos colaterais. Apresentamos a seguir os mais significativos:

  • Efeitos secundários frequentes (afetam 1 em cada 10 pessoas): dor de cabeça, fadiga, tonturas, desmaios, hipotensão, tosse seca, cãibras musculares e erupções na pele.
  • Pouco frequentes (1 em 100 pessoas): vertigem, formigamento e coceira na pele, dificuldade para dormir, inquietação, ansiedade, congestão nasal, angioedema intestinal, anorexia, rubor, sudorese, produção excessiva de urina, febre, diminuição do desejo sexual e dor nas articulações.
  • Raros (afetam 1 em cada 1000 pessoas): confusão, vermelhidão da língua, erupções e descamação grave da pele.
  • Muito raros (1 em 10.000 pessoas): hipersensibilidade à exposição ao sol.

Embora esta lista de efeitos colaterais seja extensa, você não deve se preocupar se esse medicamento for prescrito para você. É comum que o paciente apresente tosse seca, hipotensão postural – tontura ao se levantar – e certos sintomas de ansiedade. Se esses sinais clínicos forem muito incômodos ou piorarem, não hesite em procurar ajuda médica.

Tosse com o uso de ramipril.
A tosse é o efeito colateral mais comum dos inibidores da ECA. Se ela se tornar persistente, o medicamento pode ser substituído por outro.

O que eu devo fazer se esquecer uma dose?

Em geral, a maioria dos pacientes toma este medicamento uma vez ao dia. Se você esquecer a dose, tome o comprimido o mais rápido possível.

Se já tiver se passado um dia inteiro é melhor pular a dose esquecida e continuar o tratamento normalmente. Nunca tome 2 comprimidos para compensar o esquecimento.

Como devo agir em caso de overdose?

A overdose de ramipril – a partir de 10 miligramas em 24 horas – pode causar hipotensão severa, devido aos seus efeitos vasodilatadores. O distúrbio se manifestará como visão turva, vertigem, desmaios, sonolência, fraqueza e tontura.

A diminuição da pressão arterial só ocorre a partir de 4 horas após o consumo do medicamento. Se houver suspeita de que foram ingeridos mais comprimidos do que o normal, é recomendável ir ao pronto-socorro e informar os profissionais sobre a situação. Lá eles irão monitorar seus sinais vitais.

Como armazenar ou descartar este medicamento?

Este medicamento deve ser sempre mantido fora do alcance e da vista das crianças. Além disso, é conveniente que os comprimidos permaneçam sempre no blister ou frasco de origem, a uma temperatura inferior a 30 graus Celsius e longe de fontes de umidade.

Por outro lado, se você quer descartar o medicamento porque não precisa mais dele ou porque o prazo de validade expirou, nunca o jogue diretamente no lixo ou no vaso sanitário. Para o bem do planeta, recicle qualquer medicamento que você não irá consumir. Na Espanha, por exemplo, a população tem à disposição um ponto SIGRE na entrada de quase todas as farmácias da península.

Ramipril: poucas contraindicações, mas proibido na gravidez

O ramipril é um medicamento muito útil, especialmente para pessoas que sofreram um problema cardíaco ou estão em risco de o sofrer. Ao inibir a ação da enzima conversora da angiotensina, ele permite a vasodilatação e reduz a pressão arterial. Isso pode prevenir quadros muito perigosos na população geriátrica em risco.

Além disso, ele possui poucas contraindicações, por isso costuma ser útil em quase todas os quadros. Por outro lado, este é um dos poucos medicamentos vendidos nas farmácias com receita médica que se mostrou muito prejudicial para o feto durante a gravidez.

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