O que é a síndrome do coração partido?

19 abril, 2021
This article has been written and endorsed by el médico Diego Pereira
Algumas condições estressantes podem desencadear mudanças temporárias na mecânica cardíaca. Em alguns pacientes, isso pode causar dor intensa.

A síndrome do coração partido é um evento cardiovascular geralmente desencadeado por situações muito estressantes. As manifestações clínicas são muito semelhantes às de um infarto do miocárdio, por isso ela geralmente representa um desafio diagnóstico.

Existem várias teorias a esse respeito que permitem explicar essa condição, também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo. Você tem interesse em saber um pouco mais sobre o assunto? Preparamos um breve artigo para falar sobre as suas principais características. Continue lendo!

Por que essa síndrome pode aparecer?

A síndrome do coração partido é causada por problemas com o sistema nervoso autônomo.
A conexão entre os sistemas nervoso e o cardiovascular é importante e complexa.

De acordo com este artigo de revisão científica (2016), a síndrome do coração partido pode ser consequência de alterações no sistema nervoso autônomo, fatores genéticos ou excesso de catecolaminas no sangue. A seguir, vamos explicar alguns aspectos básicos da fisiologia para que você entenda as teorias.

O sistema nervoso autônomo e as catecolaminas

A relação entre os eventos estressantes e o funcionamento do coração é estabelecida graças ao sistema nervoso autônomo. Ele é responsável por regular muitas funções inconscientes, incluindo os processos digestivos, a liberação de hormônios e a mecânica cardíaca.

Este sistema é dividido em um componente “simpático” e um “parassimpático”. O primeiro é responsável por regular os processos de luta ou fuga (como os eventos estressantes), enquanto o segundo influencia o relaxamento e a calma. São dois sistemas complementares que causam alterações fisiológicas em um grande número de órgãos.

As fibras nervosas que compõem cada um desses sistemas liberam substâncias para atingir esses objetivos. O sistema simpático libera noradrenalina e o parassimpático usa a acetilcolina.

Um coração cheio de noradrenalina, por exemplo, aumentará a sua frequência cardíaca e a força com que o sangue é bombeado. Esta substância faz parte do grupo das catecolaminas.

Como esses fatores afetam os pacientes com a síndrome do coração partido?

As teorias atuais tentam explicar a maior suscetibilidade do coração aos danos durante episódios estressantes muito intensos. Considerando o que mencionamos na seção anterior, os motivos podem ser os seguintes:

  • Existem alterações na regulação do sistema nervoso autônomo. Portanto, o componente parassimpático não age efetivamente para neutralizar a atividade do componente simpático.
  • Liberação excessiva de catecolaminas, como a noradrenalina. Uma grande quantidade dessa substância pode causar danos temporários à mecânica cardíaca.
  • Defeitos genéticos que implicam em aumento da suscetibilidade do coração à noradrenalina. Os genes que codificam a síntese dos receptores dessa última substância (chamados de “adrenérgicos”) podem estar alterados.

Embora as teorias sejam lógicas, por causa da pequena prevalência da doença, ainda não foram realizados grandes estudos para determinar as suas causas.

Gatilhos

Os fatores de risco da doença ainda não são conhecidos com exatidão, embora ela seja muito mais comum em mulheres na pós-menopausa. Também existem muitas condições que podem desencadear os sintomas da síndrome do coração partido.

  • Brigas intensas.
  • Morte de um ente querido.
  • Perder muito dinheiro.
  • Enfrentar uma situação de pânico, como, por exemplo, falar em público.
  • Abuso físico ou psicológico.

Em relação aos pacientes hospitalizados, esta pesquisa (2016) relatou uma associação significativa entre o risco de desenvolver arritmias ventriculares nesses pacientes e ter uma idade inferior a 55 anos, ter sofrido uma síncope e ter níveis elevados de troponina I no sangue.

Sintomas da síndrome do coração partido

Embora a maioria dos pacientes passem por um evento estressante que desencadeia as manifestações clínicas, ele pode estar ausente em algumas pessoas com transtorno de ansiedade generalizada.

Os sintomas da síndrome do coração partido são semelhantes aos da angina de peito ou do infarto do miocárdio, embora, felizmente, costumem ser reversíveis. Geralmente há dor precordial (no peito) que se irradia para um dos ombros, braços ou mandíbula. Essa sensação costuma ser intensa e vem acompanhada de transpiração e nervosismo.

De acordo com um comunicado da Sociedade Espanhola de Cardiologia, cerca de 30% dos pacientes podem apresentar insuficiência cardíaca reversível.

Este quadro clínico é caracterizado pela incapacidade do coração para atender às necessidades de sangue dos demais órgãos. Pode haver inchaço nas extremidades (edema) e dificuldade para respirar (dispneia).

Como diferenciá-la de uma síndrome coronariana aguda?

Tanto os sintomas quanto os gatilhos mencionados acima, para o bem ou para o mal, são indistinguíveis de uma síndrome coronariana aguda. É por isso que, ao chegar ao pronto-socorro, é provável que os médicos primeiramente pensem que se trata de um infarto do miocárdio ou condições semelhantes.

Para chegar a um diagnóstico preciso, são necessários múltiplos exames complementares, a fim de descartar a existência de uma obstrução coronariana e de danos ao miocárdio.

Complicações da síndrome do coração partido

Conforme mencionamos na seção anterior, uma proporção bastante considerável dos pacientes pode desenvolver algum grau de insuficiência cardíaca. Embora na maioria dos casos ela seja leve e reversível, os médicos geralmente optam pela internação para controlar o tratamento e prevenir outras complicações.

De acordo com este relato de caso (2017), a mortalidade hospitalar pode chegar a 4,5%, e as condições que podem causar a morte do paciente são as seguintes:

  • Choque cardiogênico.
  • Bloqueio atrioventricular.
  • Arritmias.
  • Formação de trombos dentro do coração.
  • Ruptura do ventrículo esquerdo.

Diagnóstico

A síndrome do coração partido requer exames adicionais para o seu diagnóstico.
Exames complementares são essenciais para o diagnóstico adequado dessa condição.

Os dados clínicos não serão suficientes para que o médico possa distinguir entre uma síndrome coronariana aguda e uma síndrome do coração partido. Por esse motivo, é provável que sejam indicados alguns exames complementares para chegar ao diagnóstico mais adequado. Eles são os seguintes:

  • Eletrocardiograma.
  • Ecocardiograma.
  • Angiografia coronária.
  • Ressonância magnética nuclear.

Esses métodos permitem avaliar a atividade do coração do ponto de vista elétrico e mecânico. Para fazer o diagnóstico definitivo, o cardiologista deve analisar todos eles até que seja possível descartar uma síndrome coronariana aguda com segurança.

Tratamento

Por causa da sua natureza reversível e da ausência de fatores de risco cardiovascular em alguns pacientes, até o momento, não há um consenso para o tratamento dessa doença. Portanto, tudo depende da situação clínica particular de cada pessoa.

Após uma internação hospitalar, o médico pode solicitar ou ajustar medicamentos anti-hipertensivos ou diuréticos e sugerir um check-up de rotina com um cardiologista.

Síndrome do coração partido: sempre é preciso ir ao pronto-socorro

Do ponto de vista prático, a origem dos sintomas não importa. Se houver forte dor no peito que irradia para os membros, fraqueza e nervosismo, é aconselhável ir ao pronto-socorro mais próximo.

A síndrome do coração partido ainda não é totalmente compreendida e, sem dúvida, representa um desafio diagnóstico para a maioria dos especialistas da área. Apesar disso, aos poucos, ela está ganhando mais importância e as pesquisas a esse respeito estão se tornando cada vez mais consistentes.

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