Gripe: tudo o que você precisa saber

A gripe é causada pelo vírus influenza. A melhor forma de prevenir a doença é se vacinar. Continue lendo!
Gripe: tudo o que você precisa saber
María Vijande

Escrito e verificado por la farmacéutica María Vijande em 28 Julho, 2021.

Última atualização: 28 Julho, 2021

Todos os anos, durante os meses de junho a setembro, a atividade dos vírus causadores da gripe (influenza) atinge seu máximo. Por isso, nesse período, a temida gripe está na boca de todos e costuma ser um dos motivos do colapso dos serviços de emergência.

Os dados sugerem que entre 10 e 20% da população sofre dessa doença a cada ano. Esse índice é tão alto porque a doença é transmitida de uma pessoa para outra muito rapidamente. Isso ocorre por meio de gotículas e partículas expelidas pela tosse ou espirro. Elas afetam principalmente o nariz, garganta, brônquios e, ocasionalmente, os pulmões.

A infecção viral geralmente dura uma semana e é caracterizada pelo aparecimento súbito de febre alta, dores musculares, dor de cabeça e mal-estar geral, entre outros sintomas que veremos mais adiante.

A gripe pode ser uma doença leve ou grave, até mesmo fatal. A hospitalização e morte são mais frequentes nos grupos de alto risco. Estima-se que as epidemias anuais causem de 3 a 5 milhões de casos graves e de 290.000 a 650.000 mortes. Nos países desenvolvidos, a maioria das mortes relacionadas à gripe ocorre em pessoas com mais de 65 anos.

Conhecendo um pouco sobre o vírus que causa a gripe

Como vimos, o vírus influenza é o causador da gripe, também conhecida como influenza. Este vírus pertence à família Orthomyxoviridae. Existem três cepas diferentes do vírus: A, B e C. Uma das principais características desse grupo é que os vírus sofrem mutações e recombinações genéticas com frequência, o que causa uma grande variabilidade nos antígenos, partículas que desencadeiam a resposta imune.

Quando somos vacinados contra a gripe, estamos lidando com uma mutação específica. O problema é que, com certeza, no próximo surto de gripe o vírus já terá sofrido mutação e a vacina não será eficaz, já que o antígeno é diferente. Vejamos cada tipo de vírus da gripe:

Tipo A

Foi descrito pela primeira vez em 1933. Os vírus da gripe tipo A que afetam os seres humanos são os que sofrem mutações mais facilmente. Isso torna necessário incluir variantes nas vacinas anuais para oferecer uma proteção adequada à população. Devido às epidemias e pandemias identificadas até o momento, esse é o vírus mais relevante na saúde pública.

Por outro lado, as estruturas do vírus A são formadas por uma membrana lipídica onde se encontram duas proteínas de origem viral:

  • Hemaglutinina (HA).
  • Neuraminidase (NA).

Esse tipo de vírus pode ser encontrado em diferentes combinações, uma vez que existem 18 hemaglutininas e 11 neuroaminidases.

Tipo B

Esta cepa é menos diversa, pois sofre menos mutações, embora com grau suficiente para impossibilitar a imunidade total. No entanto, como ela sofre menos mutação e como seu único hospedeiro é o ser humano, não há pandemias dessa cepa.

Tipo C

O tipo C causa apenas doenças respiratórias leves que, às vezes, não produzem sintomas.

Infecção por vírus, doenças infecciosas.

Sintomas de gripe

Os sintomas da gripe começam a se manifestar de 2 a 3 dias após o contato com alguém infectado, ou após a exposição a elementos que aumentam as chances de se contagiar com o vírus da doença, como frio ou contaminação.

Os principais sintomas da gripe são:

  • Febre: normalmente entre 38 e 40 ºC.
  • Calafrios.
  • Dor de cabeça.
  • Tosse, espirros e coriza.
  • Dores musculares, especialmente nas costas e nas pernas.
  • Dor de garganta.
  • Perda de apetite e cansaço.

Esses sintomas normalmente são repentinos e duram de 2 a 7 dias. A febre geralmente dura cerca de 3 dias, enquanto os outros sintomas desaparecem 3 dias após o desaparecimento dela.

Por outro lado, em algumas ocasiões, também podem aparecer sintomas digestivos como dores abdominais, náuseas ou diarreia. Os pacientes também podem apresentar, após o quadro clínico, um padrão de fadiga persistente denominado síndrome de astenia pós-viral.

Dentre as complicações, a mais comum é a pneumonia por influenza, assim como infecções no trato respiratório causadas por outros germes, principalmente bactérias.

Essas complicações são mais frequentes e graves em pacientes com doenças crônicas cardíacas, respiratórias e renais, entre outras. As crianças, especialmente quando tratadas com aspirina, podem sofrer da síndrome de Reye, com lesões no fígado e no cérebro que podem ser fatais.

Diagnóstico da gripe

O diagnóstico da gripe é feito a partir do quadro clínico do paciente. Nos casos de influenza tipo A, o esfregaço nasal, faríngeo ou nasofaríngeo tem sido utilizado, bem como o seu posterior estudo por meio de técnicas genômicas.

No diagnóstico, a gripe pode ser confundida com uma rinite ou resfriado comum. Por isso, o médico é quem deve especificar qual é a doença, pois, embora a rinite seja uma condição benigna com pouca ou nenhuma febre, a gripe provoca febre alta e pode evoluir com complicações graves.

Sintomas de gripe.

A gripe pode ser prevenida?

A gripe é transmitida, como já dissemos, de pessoa para pessoa. Como a transmissão geralmente ocorre quando o paciente nem sabe que tem o vírus, a prevenção não é fácil. No entanto, certas medidas preventivas podem ser tomadas para tentar tornar o contágio o mais brando e controlado possível.

Algumas dessas medidas são:

  • Controlar a higiene: é importante lavar as mãos com frequência, principalmente após o contato com um objeto ou superfície externa, ou ao viajar de transporte público.
  • Pode ser utilizada uma solução de limpeza desinfetante.
  • Manter a casa bem limpa, desinfetada e ventilada.
  • É importante cobrir a boca ao espirrar ou tossir, de preferência com um lenço de papel descartável para evitar que as gotículas respiratórias se espalhem e contaminem outras pessoas.
  • Depois de assoar o nariz, jogue o lenço no lixo.
  • Levar uma vida saudável, mantendo uma alimentação balanceada e praticando exercícios físicos.

De qualquer forma, todos os anos é lançado um dispositivo médico que leva em consideração o tipo de vírus ativo e o perigo que ele representa para a população, além de ser fornecida uma vacina específica para grupos de risco, como idosos e doentes crônicos. A vacina é a melhor medida de prevenção.

A vacina contra a gripe

Atualmente, a vacinação contra a gripe é recomendada para pessoas que pertencem aos chamados grupos de risco, ou seja, mais vulneráveis a sofrer de uma doença mais grave ou complicações. Essas pessoas são:

  • Idosos com mais de 65 anos.
  • Crianças menores de 5 anos e maiores de 6 meses.
  • Grávidas.
  • Pacientes com doenças crônicas, cardiovasculares, neurológicas ou respiratórias e com doenças autoimunes.
  • Pacientes com diabetes mellitus, doença renal crônica, anemia ou doença celíaca, entre outras.
  • Todas as pessoas que convivem com indivíduos em grupos de risco.

Desta forma, a vacina também é recomendada para pessoas que podem transmitir a doença à população vulnerável, ou seja, profissionais de saúde, cuidadores de crianças, professores, etc. Porém, ela não é recomendada a alérgicos a ovos ou às suas proteínas, crianças menores de 6 meses ou pessoas que estiverem doentes durante a campanha de vacinação.

Como a gripe é tratada?

Existe uma série de medidas gerais a ser adotada por uma pessoa com gripe:

  • Repouso.
  • Tomar bastante líquido.
  • Medicamentos para combater os sintomas, como analgésicos simples. Como vimos, a aspirina não deve ser administrada em crianças pequenas.

Como a gripe é uma infecção viral, os antibióticos, que são medicamentos antibacterianos, não são indicados, uma vez que eles não são eficazes contra vírus. No entanto, se uma infecção bacteriana secundária for diagnosticada, esses medicamentos podem ser recomendados.

Por outro lado, os medicamentos antivirais são reservados para pessoas com alto risco de complicações, que são os grupos de alto risco que explicamos anteriormente. O ideal é começar o tratamento em até 2 dias após o aparecimento dos sintomas. Os dois tipos principais de antivirais são: inibidores da neuraminidase e inibidores M2.

Medicação.

Inibidores de neuraminidase

Esses medicamentos são a primeira escolha para tratar a infecção pelo vírus da gripe. No entanto, um estudo mostrou que a administração de tratamento antiviral em pacientes com influenza provoca o aparecimento de resistência durante a terapia, alterando o prognóstico da doença.

Alguns medicamentos inibidores da neuraminidase são zanamivir e oseltamivir. Este último é muito mais vulnerável ao desenvolvimento de resistência do que o zanamivir, devido ao seu mecanismo de ação.

Inibidores M2 ou adamantanos

Os medicamentos antivirais amantadina e rimantadina foram projetados para bloquear um canal iônico (proteína M2) e, assim, evitar a entrada do vírus nas células hospedeiras. Esses medicamentos geralmente são eficazes contra os vírus do tipo A, se administrados precocemente. No entanto, eles são sempre ineficazes contra o tipo B.

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