Gonorreia: sintomas, causas e tratamento

A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível cujo contágio ocorre através do sêmen e dos fluidos vaginais. Usar proteção é a melhor medida para combatê-la.
Gonorreia: sintomas, causas e tratamento
Samuel Antonio Sánchez Amador

Escrito e verificado por el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador em 22 Março, 2021.

Última atualização: 22 Março, 2021

Todos os dias, mais de 1 milhão de pessoas contraem uma infecção sexualmente transmissível (IST). Isso significa que, por ano, cerca de 376 milhões de pacientes no mundo todo sofrem os efeitos de uma dessas 4 doenças: gonorreia, clamídia, sífilis e tricomoníase.

Muitas pessoas geralmente veem as ISTs apenas como uma experiência ruim, uma coceira ou uma anedota, mas nada poderia estar mais longe da realidade: por exemplo, o papilomavírus humano (HPV) em mulheres é a causa de pelo menos 70% dos casos de câncer do colo do útero. Outras ISTs tem como resultado a infertilidade, abortos espontâneos e inflamações pélvicas graves.

Por todos esses motivos, hoje vamos abordar um dos 4 pilares mais essenciais quando falamos em ISTs: a gonorreia. Se você quiser conhecer os sintomas, as causas e o tratamento para essa doença, continue lendo.

A importância das ISTs no mundo

A gonorreia é uma IST.
A gonorreia não é a única infecção sexualmente transmissível.

Embora tenhamos apresentado alguns números chocantes como forma de introdução, eles não cobrem nem mesmo a ponta do iceberg. A Organização Mundial da Saúde (OMS), além dos dados já citados, mostra outros de grande interesse:

  • Mais de 370 milhões de pacientes são infectados a cada ano com uma dessas doenças: sífilis (12 milhões), gonorreia (62 milhões), clamídia (92 milhões) e tricomoníase (mais de 174 milhões).
  • Estima-se que mais de 500 milhões de pessoas sejam portadoras do vírus herpes simplex (HSV), que causa infecções genitais.
  • Mais de 290 milhões de mulheres estão infectadas com o papilomavírus humano (HPV). As variantes 16 e 18 causam pelo menos 70% dos casos de câncer de colo do útero no mundo todo. Isso se traduz em 311.000 mortes anualmente, quase todas em países de baixa e média renda.
  • Em 2016, mais de 980.000 mulheres grávidas contraíram a sífilis. Isso teve como resultado 200.000 mortes fetais prematuras.
  • Algumas ISTs podem facilitar a infecção pelo HIV.

Sem dúvida, esses dados caem como um balde de água fria, mas eles são necessários para entendermos que as ISTs não são nenhuma brincadeira.

Não estamos nos referindo apenas aos adultos, mas aos jovens que estão descobrindo a sexualidade: as notícias mostram que 1 em cada 4 estudantes vai contrair uma dessas infecções antes de terminar o ensino médio.

Diante de todos esses números, o alerta é um só: o uso do preservativo pode salvar vidas.

O que é a gonorreia?

Uma vez que já citamos a importância das ISTs globalmente, estamos prontos para seguir em frente. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a gonorreia é definida como uma infecção causada por uma bactéria sexualmente transmissível que afeta tanto homens quanto mulheres. O agente causador é a Neisseria gonorrhoeae.

Conhecendo a bactéria

Antes de abordar os sintomas e o tratamento da doença, é necessário conhecer brevemente o seu agente causador. Conforme indicado pelo portal Vircell, a Neisseria gonorrhoeae é uma bactéria gram-negativa, de difícil cultivo em condições experimentais e que se diferencia das outras espécies de Neisseria pela sua capacidade de fermentar apenas a glicose.

É aeróbica ou anaeróbica facultativa, ou seja, o oxigênio não impede o seu crescimento e, ao microscópio, apresenta-se na forma de um diplococo, com tamanho médio de 0,8 micrômetro. Este microrganismo cresce melhor em uma faixa de temperatura de 35-37 ° C, uma concentração de CO2 de 3-5% e um pH entre 7,2-7,6.

Atendendo às necessidades fisiológicas desse organismo, vemos que o lugar perfeito para a sua proliferação é a região genital do corpo humano.

Sintomas

A gonorreia, em mais de 50% dos casos de pacientes do sexo feminino, é assintomática. Conforme indicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), isso faz com que muitas das infecções nunca sejam tratadas e a taxa de contágio seja ainda maior, já que o paciente não percebe o seu potencial de transmissão.

Nos casos em que aparecem sinais clínicos quantificáveis, eles geralmente são prevalentes na área genital. Em mulheres fisicamente afetadas, são comuns os seguintes sintomas:

  • Aumento do corrimento vaginal.
  • Dor ao urinar.
  • Sangramento vaginal entre as menstruações, ou seja, fora do ciclo menstrual normal.
  • Dor abdominal ou pélvica.

Nos homens, o quadro clínico é mais evidente. De acordo com o portal MSD Manuals, cerca de 25% dos homens apresentam sintomas mínimos, mas quase nenhum é assintomático. Alguns dos eventos mais comuns no gênero masculino são os seguintes:

  • Dor ao urinar.
  • Corrimento de natureza purulenta na região do pênis.
  • Dor ou inchaço em um testículo.

Nos casos em que há dor em apenas um dos dois testículos, confirma-se que a bactéria se instalou no epidídimo, o tubo que transporta o sêmen para a parte posterior do testículo. Por causa da presença de agentes estranhos nocivos, esse ducto fica inflamado e assume um aspecto atípico.

É preciso ter em mente que, além disso, a bactéria causadora da gonorreia também pode se espalhar para outras partes do corpo. A seguir, vamos mostrar como o organismo responde diante de diferentes focos infecciosos.

1. Reto

Geralmente é assintomático. Ocorre principalmente em homens que fazem sexo anal receptivo e em mulheres que também fazem sexo anal. Nos casos em que aparecem sinais clínicos, geralmente são detectados prurido anal, secreção purulenta no reto e manchas de cores vivas nas fezes, como se fosse um caso de hemorroida.

2 olhos

A gonorreia pode afetar bebês.
Os recém-nascidos também podem sofrer as consequências da gonorreia!

Os recém-nascidos são suscetíveis a infecções oculares causadas pelas bactérias Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. O bebê é infectado durante a passagem pelo canal do parto e, infelizmente, a bactéria se instala nos seus olhos.

De qualquer forma, este evento não se limita apenas aos recém-nascidos. Conforme mostrado por alguns relatórios, os adultos também podem apresentar essa infecção. Os olhos ficam vermelhos, purulentos, com lesões e há coceira e dor muito intensas.

3. Garganta

A faringite gonocócica geralmente é assintomática, mas há o risco de desenvolvê-la ao fazer sexo oral com uma pessoa infectada. Nos poucos casos em que há sinais aparentes, eles geralmente consistem em garganta inflamada, dificuldade para engolir, febre e gânglios linfáticos inchados.

4. Articulações

Se a bactéria passar para a corrente sanguínea, podem aparecer diferentes sintomas generalizados. Entre eles estão a dor nas articulações, que ficam inchadas, avermelhadas, quentes e muito doloridas.

Outras complicações

Quando a infecção gonocócica fica fora de controle e se torna generalizada, a condição do paciente piora consideravelmente. As pessoas com esse quadro clínico grave apresentam febre, dor migratória e bolhas na pele em forma de pústula. Pode ser confundida com outros transtornos, mas precisa ser tratada imediatamente.

Como ocorre o contágio?

Conforme indicado pelas fontes já citadas, a gonorreia é transmitida por meio do contato sexual e, por isso, faz parte do grupo das ISTs. Não estamos falando apenas de penetração, pois, conforme já dissemos, o sexo oral e o anal também são vias de transmissão potenciais. É preciso ter em mente que a bactéria se desloca juntamente com os fluidos genitais.

Também pode ser transmitida de mãe para filho através do canal de parto durante o nascimento da criança, embora isso não seja tão comum. Por fim, é necessário ressaltar que essa doença não é transmitida por atos como beijos, carícias ou compartilhamento de copos e talheres: o veículo de contágio são os fluidos sexuais, tais como sêmen e secreção vaginal.

Diagnóstico

Conforme indicado pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a gonorreia pode ser detectada rapidamente. Para isso, basta obter uma amostra da mucosa da área afetada e analisá-la ao microscópio. No entanto, embora esse exame seja o mais rápido, ele não é o mais seguro de todos.

O melhor método de detecção é o teste de DNA na amostra. Geralmente, são coletadas amostras da mucosa do colo do útero, da bexiga, da uretra, da vagina, do ânus ou da garganta com um cotonete e, em seguida, elas são submetidas a uma reação em cadeia da ligase (LCR). Embora esse teste seja mais caro e demorado, ele certamente não deixa margem para erros.

Tratamento

O possível tratamento deve levar em consideração a existência de cepas resistentes aos antimicrobianos (RAM).

Conforme indicado pela OMS, a gonorreia multirresistente é um grande problema de saúde atualmente, pois pode apresentar resistência a penicilinas, sulfonamidas, tetraciclinas, quinolonas e macrolídeos (incluindo a azitromicina) e até mesmo a antibióticos de último recurso, como as cefalosporinas.

Se não houver evidência da presença dessas cepas na sociedade de origem do paciente, geralmente é usada uma das seguintes opções de abordagem:

  1. Uma grande dose de antibióticos orais ou doses menores durante uma semana. No primeiro caso, a opção preferida é a cefixima em uma dose de 400 miligramas por via oral em dose única juntamente com a azitromicina em uma dose de 1 grama por via oral, em dose única.
  2. Antibióticos injetáveis e orais. Ceftriaxona em doses de 250 miligramas por via intramuscular em dose única e azitromicina em dose de 1 grama por via oral em dose única.
  3. Os casos mais graves podem exigir hospitalização e cuidados de saúde, além dos medicamentos descritos acima.

Prevenção

Neste ponto, a prevenção da gonorreia fica quase evidente por conta própria, não é mesmo? O uso do preservativo é a chave, não só para evitar a gonorreia, mas também todas as infecções sexualmente transmissíveis.

O sexo é necessário para o bem-estar físico e emocional das pessoas, mas isso não significa que não seja necessário tomar precauções antes de praticá-lo.

Além disso, curiosamente, é recomendado que mulheres sexualmente ativas em ambientes não monogâmicos (especialmente as jovens) façam o teste de gonorreia com relativa regularidade.

Conforme já dissemos, em muitos casos, a infecção é assintomática e, por isso, é sempre melhor prevenir do que propagar a doença.

Ter mais de um parceiro sexual não implica em um risco aumentado de gonorreia, desde que sejam tomadas as medidas cabíveis em todos os tipos de práticas.

Resumo

Conforme você deve ter visto ao longo dessas linhas, a gonorreia não é uma doença a ser subestimada. Embora não apresente complicações na maioria dos casos, quando isso ocorre, ela pode causar infecções generalizadas, infertilidade e cegueira em recém-nascidos, entre outros problemas.

Portanto, não poderíamos enfatizar mais a seguinte ideia: proteja-se e também proteja os outros, use preservativo. Por mais que o calor do ato sexual atrapalhe o raciocínio, você sempre deve pensar no seu eu do futuro e controlar as suas emoções com ele em mente.

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