Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é a patologia neurodegenerativa motora com maior incidência no mundo. Aprenda como lidar com ela.
Doença de Parkinson

Escrito por Gilberto Sánchez, 31 Agosto, 2021

Última atualização: 31 Agosto, 2021

A primeira descrição da doença de Parkinson foi feita pelo médico britânico James Parkinson em 1817. Ela surgiu como resultado da observação de seis pacientes com os sintomas típicos da doença, que ele chamou de ‘paralisia agitante’. Mais tarde, o famoso neurologista francês Charcot deu a ela o nome atual.

A doença de Parkinson é a doença neurodegenerativa motora mais prevalente em todo o mundo. Atualmente não há cura para ela, mas existem vários tratamentos que aliviam alguns dos sintomas e retardam a evolução do quadro.

O que é a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é uma doença crônica e progressiva, ou seja, ela piora à medida em que a doença progride. A evolução é lenta e caracterizada por sintomas motores e não motores.

Ela é a doença neurodegenerativa mais comum depois da doença de Alzheimer. A idade é o fator de risco mais importante para o seu aparecimento. Os sintomas da doença são consequência da perda de neurônios que atuam sob a ação da dopamina, principalmente os do sistema nervoso da substância negra.

Idoso, demência.

Prevalência da doença

A doença de Parkinson é o tipo mais comum de parkinsonismo a nivel mundial. Aproximadamente 10 milhões de pessoas no mundo sofrem com ela, que afeta 1% da população com mais de 60 anos e 4-5% da população com mais de 85 anos.

O estudo EPINEURO constatou que existem 4,7 afetados por cada mil habitantes na América Latina. Essa doença ocorre com maior frequência em homens do que em mulheres, na proporção de 1,5: 1.

A sobrevida média em pacientes com doença de Parkinson é de 11-15 anos, sendo a pneumonia (11-28%), doenças cardiovasculares (12-19%) ou câncer (12-14%) as principais causas de morte.

Em pacientes de 25 a 39 anos de idade, a expectativa de vida chega a 38 anos; enquanto que, naqueles com mais de 65 anos, ela cai para cinco anos. A qualidade de vida do paciente se deteriora progressivamente e cria uma grande carga para seus cuidadores, que é aumentada por:

  • Transtornos do sono, cognição e comportamento.
  • Depressão.
  • Ansiedade.
  • Duração da doença e a deficiência que ela provoca.

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Como essa doença é provocada

Não se sabe por quanto tempo a doença está presente antes que os sintomas apareçam. Duas fases foram estudadas:

  1. A fase pré-sintomática: ocorre no momento da exposição do indivíduo, com ou sem carga hereditária, ao meio ambiente.
  2. A fase sintomática: inclui sinais e sintomas da doença. As manifestações clínicas estão diretamente relacionadas à gravidade da perda neuronal na substância negra.

A progressão da doença também é determinada por essa perda de neurônios. Estima-se que a quantidade de dopamina reduziu de 70 a 90% quando ocorrem manifestações clínicas. No entanto, de 60 a 70% dos neurônios dopaminérgicos já foram perdidos quando o primeiro sintoma aparece.

Existem evidências de que alguns sintomas não motores podem aparecer antes mesmo dos motores, como sintomas autonômicos (constipação) e hiposmia (diminuição do olfato).

Fatores predisponentes

  • Pesticidas.
  • Residência no campo.
  • Agricultura.
  • Alta ingestão de ferro.
  • Anemia crônica.
  • Trauma cranioencefálico grave.
  • Trabalhos de alta complexidade cognitiva.

Por outro lado, os principais fatores de proteção são:

  • Hiperuricemia.
  • Tabagismo.
  • Consumo de café.

Esses fatores, juntamente com os genéticos, poderiam explicar a maioria dos casos de doença de Parkinson, já que as causas genéticas por si só não são suficientes para que a doença se manifeste.

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Sintomas e sinais

Artrose, dor.

A doença de Parkinson é bastante variável, pois cada paciente apresenta sintomas e evolução diferentes. Não existe nenhum fator que nos permita prever o curso da doença.

Ela se manifesta clinicamente através de sintomas motores, que são:

  • Bradicinesia (movimentos lentos).
  • Tremor.
  • Rigidez e instabilidade postural.

Outros sintomas são micrografia (escrita pequena e ilegível) e dificuldade em realizar tarefas finas. Esses sintomas geralmente começam em um lado do corpo, e gradualmente afetam o lado oposto.

O sintoma inicial mais comum é o tremor em repouso. No entanto, embora esse seja o sintoma mais visível, ele não é o mais incapacitante. A rigidez é a resistência passiva ao movimento, tanto dos grupos flexores quanto dos extensores, e em toda a amplitude do movimento.

Outros sintomas não motores também são conhecidos, como:

  • Desordens autonômicas (perda do controle do esfíncter).
  • Disfunção sexual.
  • Distúrbios do sono.

Tratamento da doença de Parkinson

A levodopa continua sendo o medicamento mais eficaz, embora depois de meses ou anos o efeito terapêutico diminua. Essas características da levodopa provocam controvérsias sobre quando iniciar o tratamento.

Quando iniciado precocemente, podem ser gerados efeitos adversos, como discinesias (movimentos involuntários) e flutuações motoras. Por conta disso, existem controvérsias não apenas em relação ao início, mas também quanto à dose que deve ser utilizada.

O tratamento da doença de Parkinson apresenta os seguintes objetivos:

  • Melhorar os sintomas e sinais da doença (tratamento sintomático).
  • Interromper ou diminuir a progressão da doença.
  • Reverter a patologia subjacente.
  • Prevenir e detectar efeitos adversos.

Prognóstico da doença de Parkinson

De acordo com a revista News Medical, “a doença de Parkinson tem um prognóstico variável, que depende tanto da genética do paciente quanto do tratamento que ele recebe”.

Se não for tratada, a doença de Parkinson obviamente apresentará uma piora com o passar dos anos, podendo levar à deterioração de todas as funções cerebrais e a uma morte precoce. No entanto, a expectativa de vida é quase normal na maioria dos pacientes tratados.

As complicações associadas à doença geralmente levam a uma baixa expectativa de vida. Existem várias escalas de avaliação que podem ser usadas como ferramentas para entender a progressão da doença.

As escalas mais utilizadas se concentram nos sintomas motores. As escalas de uso geral são:

  • Hoehn e Yahr classificam os sintomas da doença em uma escala de 1 a 5. Nessa escala, dependendo das dificuldades da pessoa, os estágios classificados como 1 e 2 representam o estágio inicial; 2, 3, 4 e 5, o cenário avançado.
  • A escala da doença de Parkinson (UPDRS) é mais abrangente do que a escala Hoehn e Yahr. Ela considera as dificuldades cognitivas, capacidade de realizar as atividades diárias, comportamento, humor e as complicações do tratamento, além dos sintomas de movimento.