Diferenças entre colite ulcerosa e doença de Crohn

A colite ulcerosa e a doença de Crohn têm muitos sintomas em comum. Apesar disso, são duas manifestações diferentes. Vejamos a seguir quais são os sinais que as distinguem.
Diferenças entre colite ulcerosa e doença de Crohn

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 11 Julho, 2021

Última atualização: 11 Julho, 2021

As diferenças entre a colite ulcerosa (CU) e a doença de Crohn (DC) são frequentemente debatidas. A polêmica é grande, pois mesmo entre os especialistas surgem dúvidas sobre quando diagnosticar uma ou outra condição. De fato, existem distúrbios que estão no caminho entre as duas, de modo que os especialistas não têm escolha a não ser diagnosticá-los como colite indeterminada.

No entanto, na maioria dos casos é possível encontrar marcadores que podem inclinar a balança para um distúrbio específico. No decorrer deste artigo exploraremos esses marcadores, mostrando quais sinais são levados em consideração e quais são ignorados.

Principais diferenças entre colite ulcerosa e doença de Crohn

A primeira coisa que você deve saber, como indica a Harvard Health Publishing, é que tanto a colite ulcerosa quanto a doença de Crohn fazem parte do que é conhecido como doença inflamatória intestinal (DII).

Essas são as duas possíveis manifestações desse transtorno, por isso é natural que elas tenham características em comum. A evolução e tratamento de cada uma, entretanto, são muito diferentes.

Com isso em mente, vamos ver quais são as diferenças entre a colite ulcerosa e a doença de Crohn:

Sintomas

As diferenças entre a colite ulcerosa e a doença de Crohn incluem sintomas específicos em cada caso.
Algumas das manifestações clínicas mais óbvias, como diarreia, geralmente são compartilhadas por ambas condições.

Ambas condições compartilham sintomas como diarreia, dor abdominal, perda de peso e mal-estar geral. No entanto, segundo os pesquisadores, elas também desenvolvem sintomas únicos. O principal deles é a presença de sangramento e o muco nas evacuações. Este é um sinal clássico da CU, não da DC.

Poucos pacientes com DC apresentam fezes com presença de sangue ou muco que, quando ocorrem, são intermitentes. Aqueles que foram diagnosticados com CU têm que lidar com esse sintoma permanentemente, com casos de sangramentos crônicos que requerem intervenção cirúrgica.

Características fisiológicas

Talvez neste sintoma seja possível encontrar as maiores diferenças entre a colite ulcerosa e a doença de Crohn. A seguir resumimos qual o desenvolvimento fisiológico em cada caso:

  • A CU está limitada apenas ao cólon. Pode afetar o paciente de maneira total (pancolite), parcial (proctosigmoidite) ou apenas no reto (proctite).
  • A DC afeta todo o trato digestivo, com maior prevalência no intestino grosso e delgado.
  • A CU é caracterizada pela inflamação homogênea do cólon. Como já indicamos, ela pode afetar áreas específicas; mas essas áreas apresentam uma inflamação geral.
  • Na DC, entretanto, áreas saudáveis coexistem com áreas afetadas. Assim, manchas ou porções heterogêneas se desenvolvem ao longo do trato digestivo.
  • A CU afeta apenas o revestimento interno do cólon. Isso é verificado durante a biópsia.
  • A DC, por outro lado, afeta qualquer uma das camadas do trato intestinal. Sua concentração então é mais geral.

Essas são as manifestações características de ambas doenças autoimunes, a partir das quais é possível perceber as diferenças. Elas podem não parecer tão grandes para você, mas desempenham um papel importante no diagnóstico. Esses pequenos detalhes são usados pelos pesquisadores para a hipótese de que o quadro se trata de uma ou outra doença.

Prevalência

Embora as taxas de prevalência variem em cada país, se considerarmos os Estados Unidos e a Europa (as duas regiões com o maior número de casos), descobrimos que a colite ulcerosa é mais comum do que a doença de Crohn.

Segundo estudos, sua prevalência pode chegar a 237 casos por 100.000 habitantes. Em contraste, os pesquisadores estipularam que o valor é de 150 para DC.

Pelo menos do ponto de vista percentual, as pessoas têm maior probabilidade de desenvolver colite ulcerosa. Os relatos de casos das duas condições estão aumentando em áreas remotas do norte, mesmo estas já sendo as mais afetadas com a sua manifestação.

Complicações

As diferenças entre a colite ulcerosa e a doença de Crohn incluem as complicações que cada uma apresenta.
As complicações no trato gastrointestinal são possíveis em ambas condições. Por exemplo, uma pequena proporção de pacientes pode desenvolver câncer de cólon.

Apesar dos dados informados anteriormente, a DC tende a gerar mais complicações do que a CU. As evidências indicam que a doença de Crohn é propensa à seguintes:

  • Maior probabilidade de sofrer fraturas (em torno de 30-40%).
  • Embolia pulmonar e trombose venosa profunda (três vezes maior do que em pacientes saudáveis).
  • Câncer colorretal e intestino delgado (entre 1,4 e 27,1 maior em comparação com a população saudável).
  • Desenvolvimento de linfomas.
  • Taxa de mortalidade de 1,4%.

Além disso, a DC tende a desenvolver manifestações extra-intestinais, como asma, uveíte, bronquite, psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatoide, eritema nodoso e muito mais. Isso não significa que os pacientes com colite ulcerosa não estejam expostos a esses riscos, mas sim que eles são relativamente menores.

Fatores de risco

Ambas doenças apresentam fatores de risco comuns, como a presença de outras doenças autoimunes e predisposição genética. No entanto, uma das diferenças mais intrigantes entre a colite ulcerosa e a doença de Crohn é o tabagismo.

As evidências indicam que fumar pode proteger contra o desenvolvimento de CU. No entanto, seu efeito é oposto para DC. A razão para isso é desconhecida e, é claro, causa debate entre os críticos e defensores da teoria.

O fato é que quem fuma tende a ter maiores complicações se tiver a doença de Crohn, mas não tanto se tiver sido diagnosticado com colite ulcerosa. Na verdade, esta última é informalmente conhecida como doença dos não fumantes.

Essas são as diferenças mais notáveis entre os dois transtornos, embora, como apontamos no início, às vezes não seja tão fácil determiná-las.

De acordo com o Center for Inflammatory Bowel Diseases da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), 10% dos casos são diagnosticados como colite indeterminada. Ou seja, apresentam uma combinação dos dois distúrbios.

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