O que é tireotoxicose?

A tireotoxicose é uma condição na qual ocorre um desequilíbrio na secreção dos hormônios tireoidianos. Descubra o que pode causar esse distúrbio e qual o tratamento para ele.
O que é tireotoxicose?

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 08 Julho, 2021

Última atualização: 08 Julho, 2021

A tireotoxicose é definida como um “estado clínico em que o paciente apresenta concentrações muito altas de hormônios tireoidianos (tiroxina e triiodotironina) no organismo”.

Muitas vezes as pessoas a confundem com hipertireoidismo, mas na realidade a tireotoxicose é apenas uma dos muitos sintomas que podem ocorrer. Ela não é considerada uma doença, mas a manifestação de uma causa subjacente.

As evidências indicam que a sua prevalência é de 2% nas mulheres e 0,2% nos homens. Em termos simples, um paciente é diagnosticado com tireotoxicose quando há evidências clínicas de que os níveis de hormônio tireoidiano são excessivos. A próxima etapa é identificar as causas; falaremos sobre elas a seguir.

Causas de tireotoxicose

A tireotoxicose pode ser gerada por uma causa primária na (glândula tireoide) ou secundária, por exemplo, níveis elevados de hormônio estimulador da tireoide (TSH). Embora em teoria existam dezenas de catalisadores que podem desequilibrar os valores hormonais, os estudos identificaram os seguintes como os principais culpados:

Doença de Graves

A tireotoxicose e doença de Graves estão relacionadas.
A doença de Graves é um dos distúrbios mais comuns da tireoide. Seu aparecimento está relacionado a uma reação autoimune.

A doença de Graves é um distúrbio autoimune que ocorre quando a imunoglobulina estimuladora da tireoide (TSI) se combina e estimula o receptor do hormônio estimulador da tireoide (TSH) diretamente na membrana da tireoide. Isso resulta em secreção excessiva. A maioria dos episódios de tireotoxicose é causada pela doença de Graves.

Adenoma tóxico

A segunda causa subjacente mais comum desse distúrbio é o adenoma tóxico, também conhecido como nódulo tireoidiano hiperativo.

Trata-se de uma massa celular autônoma que começa a secretar quantidades excessivas de hormônio tireoidiano. Ela geralmente se desenvolve dentro da glândula, e a razão para o seu aparecimento ainda é desconhecida.

Tireoidite

A tireoidite é uma doença autoimune em que o corpo “ataca a si mesmo” e gera uma inflamação na glândula tireóide. É um termo geral que reúne muitas condições. A American Thyroid Association reconhece a doença de Hashimoto, silenciosa, aguda, subaguda, induzida por drogas, radiação e tireoidite pós-parto como pertencentes a esse grupo.

Hipertireoidismo

Finalmente, os episódios também podem ser uma manifestação inicial de hipertireoidismo. Os pesquisadores concordam que essas são duas condições diferentes. Os três distúrbios anteriores podem causar hipertireoidismo, embora também possam ser causados por uma ingestão excessiva de iodo, ou até por doses inadequadas de medicamentos para hipotireoidismo.

Outras causas possíveis de tireotoxicose são gravidez molar, carcinoma de tireoide e Struma ovarii. No entanto, esses episódios são raros, portanto, na maioria das vezes, a condição pode ser explicada com base nas quatro condições mencionadas anteriormente.

Sintomas de tireotoxicose

A tireotoxicose pode se manifestar com ou sem sintomas. A frequência deles depende de quão avançado está o distúrbio que causa o desequilíbrio. Em seus estágios iniciais, ela geralmente passa despercebida, enquanto os sinais são mais evidentes quando ela evolui para um nível superior. Nestes casos, o paciente pode desenvolver os seguintes sintomas:

  • Perda de peso.
  • Intolerância ao calor.
  • Episódios de suor extremo.
  • Ansiedade.
  • Tremores.
  • Fraqueza muscular.
  • Fadiga.
  • Alopecia.
  • Arritmia cardíaca.
  • Dor abdominal.
  • Depressão.
  • Amenorréia.

Com menos frequência, podem ocorrer ginecomastia, estado mental alterado, insuficiência cardíaca, função hepática prejudicada, febre, inchaço, dor no pescoço, disfonia, onicólise e bócio.

Diagnóstico de tireotoxicose

Embora as causas sejam múltiplas, todos os episódios de tireotoxicose são caracterizados por duas circunstâncias: o valor sérico do hormônio estimulador da tireoide (TSH) é baixo e as dosagens das secreções glandulares (tiroxina e triiodotironina) são altas. Esses valores podem ser determinados por meio de um teste sorológico.

Como complemento, o especialista pode realizar uma gamagrafia da tireoide ou captação de iodo radioativo para determinar as causas com maior precisão. Exames físicos, revisão dos sintomas e a análise do histórico médico também ajudam a complementar o processo diagnóstico.

Tratamento de tireotoxicose

Felizmente, a tireotoxicose é uma doença tratável. A abordagem específica que o especialista usará depende muito da causa subjacente, bem como dos sintomas que o paciente está apresentando. Os métodos mais usados são os seguintes:

Terapia medicamentosa

A tireotoxicose é tratável.
Felizmente, os medicamentos para tratar o hipertireoidismo e a tireotoxicose são bastante eficazes.

Baseada em medicamentos antitireoidianos, a terapia medicamentosa é a primeira opção para reverter os desequilíbrios na produção hormonal. As evidências indicam que o protocolo é prescrever carbimazol (metimazol) ou popiltiouracil.

O primeiro geralmente é administrado uma vez ao dia, enquanto o segundo duas ou três vezes, de acordo com os critérios do especialista.

A ingestão desse tipo de medicamento pode ser feita de forma ininterrupta por 12 ou 18 meses, após os quais é avaliada a condição do paciente. A terapia medicamentosa também pode incluir grupos específicos de remédios para tratar os sintomas.

Por exemplo, os pesquisadores sugerem o propranolol para controlar a frequência cardíaca e, assim, prevenir ansiedade e outros sintomas.

Iodo radioativo

Consiste na ingestão oral deste composto, que permite a regularização das funções da glândula tireóide. É um método eficaz que tem sido usado regularmente há mais de 60 anos. Como efeito colateral, pode fazer com que a glândula entre em estado de letargia, o que pode levar ao hipotireoidismo.

Apesar da especulação e medo dos pacientes em razão do nome do elemento, as evidências indicam que essa terapia não apresenta nenhum risco para o desenvolvimento de câncer a médio ou longo prazo.

Tireoidectomia

Caso o especialista julgue necessário ou o paciente não responda aos dois primeiros tratamentos, pode-se realizar uma cirurgia de retirada total ou parcial da glândula. Essa não é uma solução disponível para todos, pois é utilizada apenas em casos específicos, afinal, qualquer tipo de intervenção cirúrgica acarreta vários riscos.

Em caso de remoção total, o paciente deve tomar suplementos hormonais pelo resto da vida. Se for parcial, deve-se fazer um acompanhamento regular para determinar o funcionamento da glândula.

Além disso, e de acordo com a condição, o especialista pode sugerir a prática de esportes e o controle dos níveis de estresse como forma de amenizar os sintomas. Ele também pode sugerir um plano alimentar que forneça os valores de iodo necessários para o funcionamento da glândula.

Em qualquer caso, os pacientes devem estar cientes das opções e perguntar ao médico sobre elas.

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