Ansiedade noturna: causas, consequências e como superá-la

A ansiedade noturna, conforme o próprio nome indica, é aquela que surge durante a noite. Como ela se manifesta e quais são as suas possíveis causas? Como combatê-la?
Ansiedade noturna: causas, consequências e como superá-la
Laura Ruiz Mitjana

Escrito e verificado por la psicóloga Laura Ruiz Mitjana em 21 Abril, 2021.

Última atualização: 21 Abril, 2021

Os transtornos de ansiedade, juntamente com os transtornos depressivos, são um dos transtornos mentais mais prevalentes na população mundial. Muitas pessoas sofrem de ansiedade durante o dia, mas e durante a noite? Também existem casos; por isso, vamos falar sobre a ansiedade noturna.

A ansiedade noturna aparece assim que vamos para a cama ou no meio da noite (o que nos faz acordar). Nesse segundo caso, ela pode se manifestar por meio de um ataque de pânico noturno ou através de uma superativação do organismo.

Uma pessoa que sofre de ansiedade noturna (assim como ocorre na ansiedade durante o dia) se sente nervosa, hiperativa, irritável, com diversos sintomas somáticos (sudorese, aumento da frequência cardíaca, náuseas, vômitos…) e, acima de tudo, com pensamentos que não consegue controlar. Mas por que ela aparece e como deve ser abordada?

Ansiedade e ansiedade noturna

A ansiedade noturna é comum.
São múltiplos os sintomas derivados da ansiedade noturna.

A ansiedade noturna é aquela que surge durante a noite, seja quando vamos para a cama ou no meio da noite. Mas, primeiramente, vamos falar um pouco sobre o que é a ansiedade.

A ansiedade é uma emoção adaptativa acompanhada por um estado fisiológico característico, que surge quando nos expomos a uma ameaça ou perigo iminente. Nesses casos, nosso corpo se prepara para agir (para fugir ou lutar).

Trata-se de um mecanismo ancestral, muito primitivo, que permitiu que nossos ancestrais sobrevivessem. Mas… será que agora esse é um mecanismo útil?

A ansiedade disfuncional

Quando a ansiedade aparece sem causa aparente (ou por uma causa “injustificada”), então estamos falando de  uma ansiedade desadaptativa ou disfuncional. Poderíamos dizer que, atualmente, este é o tipo de ansiedade mais frequente na sociedade do século XXI (desadaptativa), principalmente nas cidades.

Por quê? Porque em geral, no meio urbano, não temos que nos expor a grandes ameaças à nossa integridade física. Em outras palavras: estamos falando de uma ansiedade que surge por outros motivos, e não por causa de uma ameaça contra a própria vida.

A ansiedade: um problema global

De fato, em 2006, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (Can Psych Assoc, 2006), os transtornos de ansiedade foram os transtornos mentais mais comuns nos serviços de atenção primária no mundo todo.

Em 2005, dentre a população adulta, a prevalência de transtornos de ansiedade era de 12% (OMS, 2005). Atualmente, a prevalência anual de ansiedade generalizada é de 3%, e a prevalência global é de 5% na população.

Por que temos ansiedade?

Muitas vezes, essa ansiedade desadaptativa ou disfuncional (os transtornos de ansiedade) surge como resultado dos nossos pensamentos ou de certas preocupações.

Na verdade, na maioria dos casos, a ansiedade desadaptativa surge por causa de pensamentos focados no futuro (isto é, devido a coisas que ainda não aconteceram, mas que já estamos antecipando).

No entanto, pode haver outras causas por trás dessa alteração fisiológica e emocional (incluindo aqui a ansiedade noturna), conforme veremos ao longo do artigo.

Ansiedade noturna: quando vamos para a cama ou durante a noite

A ansiedade noturna pode surgir tanto na hora de dormir quanto durante o sono (quando acordamos no meio da noite, por exemplo). Nestes casos, quando ocorre assim que a pessoa vai para a cama, há uma grande dificuldade para adormecer (insônia).

Muitas vezes, isso se deve a esses pensamentos e preocupações e, portanto, a pessoa não consegue dormir. Por outro lado, quando a ansiedade noturna surge no meio da noite, pode ser por causa de um ataque de pânico noturno ou a outro tipo de ansiedade (a ansiedade generalizada, por exemplo).

Em casos extremos, a ansiedade noturna pode manter o sujeito acordado durante a noite toda. Além da incapacidade de dormir ou de um despertar ansioso no meio da noite, também podem aparecer outros sintomas fisiológicos/somáticos, comportamentais e psicológicos.

Causas da ansiedade noturna

As causas da ansiedade noturna podem ser múltiplas e, na verdade, já vimos algumas delas. As mais comuns são:

Pensamentos focados no futuro

Alguns especialistas afirmam que a ansiedade nasce de um “excesso de futuro”, enquanto a depressão nasce de um “excesso do passado”. Com esta expressão, eles se referem ao tipo de pensamento que a pessoa tem; na ansiedade, os pensamentos geralmente estão focados no futuro.

Essa forma de antecipação dos fenômenos (geralmente eventos negativos) pode causar a ansiedade noturna. Trata-se de pensamentos como, por exemplo: “Não sei como as coisas vão ser amanhã”, “O futuro é incerto”, “Não sei o que vai acontecer”.

E, sobretudo, pensamentos sobre o que devemos fazer no dia seguinte, que nos invadem bem na hora de dormir e sobre os quais às vezes começamos a dar voltas sem sentido.

Pensamentos negativos e preocupações

Por causa dos pensamentos focados no futuro, a ansiedade noturna também pode surgir como resultado de preocupações e pensamentos negativos ou pensamentos ruminativos.

Essa ruminação negativa nos faz ficar pensando nas coisas pouco antes de irmos para a cama, o que nos ativa e nos mantém acordados. Por esse motivo, pode surgir a ansiedade e a insônia ou a dificuldade para adormecer.

Transtornos de ansiedade

Sofrer de um transtorno de ansiedade de base também pode causar a ansiedade noturna. Entre eles, o mais comum é o transtorno de ansiedade generalizada (TAG).

Esse transtorno é caracterizado pelo aparecimento de preocupação ou ansiedade persistente sobre determinados assuntos, de forma desproporcional em relação ao impacto dos eventos.

Assim, a pessoa com TAG pensa demais em planos e soluções para todos os piores resultados possíveis, percebe situações e eventos como ameaçadores (mesmo quando não são), tem dificuldade para lidar com situações de incerteza, etc.

Outras causas

Os distúrbios do sono também podem ser uma das causas da ansiedade noturna (bem como uma de suas consequências). Estamos falando de insônia, terror noturno, pesadelos, síndrome das pernas inquietas…

Consequências

As consequências da ansiedade noturna são múltiplas. A principal é a insônia. Ao sofrer de ansiedade, a pessoa pode ter grande dificuldade para adormecer (insônia inicial) ou para permanecer dormindo (insônia de manutenção).

Neste segundo caso, o indivíduo acorda repetidamente durante a noite ou não consegue mais voltar a dormir depois de ter se despertado. Por outro lado, também há a insônia terminal (quando a pessoa acorda precocemente, muito antes do que gostaria, e não consegue mais voltar a dormir).

Interferência na nossa vida

A ansiedade noturna também pode causar outros distúrbios do sono e da vigília (por exemplo, despertares frequentes, pesadelos, terror noturno…). Assim, quando a pessoa se sente ansiosa, ela pode acabar sofrendo uma diminuição na quantidade e na qualidade das suas horas de sono.

Isso leva a outros efeitos, tais como menor desempenho profissional ou acadêmico, irritabilidade, preocupação, desconforto, cansaço, fadiga, etc. Em suma, isso reduz bastante a nossa qualidade de vida e a nossa saúde mental.

Como superá-la

A ansiedade noturna pode exigir terapia.
A terapia mental sempre é uma opção válida nesses casos.

Se tivermos um transtorno de ansiedade, seja ele de ansiedade noturna ou de outro tipo, o melhor que podemos fazer é procurar ajuda profissional (principalmente se essa ansiedade for recorrente ou se tiver se tornado crônica). Um profissional da saúde mental nos ajudará a controlar essa ansiedade (ou transtorno de ansiedade) por meio de tratamentos específicos para o caso.

Os tratamentos mais eficazes e usados para a ansiedade são as técnicas de relaxamento e/ou respiração e a terapia cognitiva. Por meio dessa segunda, os pensamentos do paciente são trabalhados através de estratégias úteis para combater os pensamentos negativos e trocá-los por outros mais realistas e funcionais.

Na terapia cognitiva (e também na terapia cognitivo-comportamental) parte-se da hipótese de que, ao trabalhar os pensamentos, há um impacto positivo nas emoções, comportamentos e atitudes da pessoa. Na ansiedade, isso é de grande importância.

Medidas para prevenir e combater a ansiedade noturna

Além da terapia, também encontramos algumas medidas ou estratégias que podem ser úteis para controlar a ansiedade noturna:

  • Parada do pensamento: é aplicada diante de pensamentos ruminativos ou invasivos, a fim de detê-los.
  • Higiene do sono: inclui uma série de medidas para promover uma boa qualidade das horas de descanso.
  • Praticar meditação ou mindfulness: essas técnicas podem funcionar muito bem para reduzir os níveis de ativação do corpo exatamente assim que vamos para a cama.
  • Técnicas de relaxamento ou respiração: são muito eficazes, assim como as anteriores, para reduzir os níveis de ativação (e até mesmo para diminuir o fluxo de pensamentos ansiosos).
  • Ter hábitos de vida saudáveis: praticar esportes (mas não logo antes de ir dormir), alimentar-se de forma balanceada, diminuir o consumo de estimulantes, manter horários fixos…

A ansiedade não deve ser ignorada

Ter ansiedade noturna pode interferir negativamente no nosso dia a dia, pois isso nos impede de descansar bem. Também sentimos desconforto durante noite, que é quando ela aparece. Assim, se você acha que pode estar sofrendo desse tipo de ansiedade, não hesite: peça ajuda profissional.

Um bom profissional vai trabalhar com você para entender as causas dessa ansiedade e combatê-las. Além disso, ele também pode te aconselhar e acompanhar no processo de combate a este sintoma para que você comece a recuperar o seu bem-estar pessoal.

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