Dieta BRAT: em que consiste?

Você bebeu demais e agora está com ressaca? Nesse caso provavelmente estará interessado em saber como lidar com essa situação por meio da alimentação. A dieta BRAT pode te ajudar.
Dieta BRAT: em que consiste?
Saúl Sánchez

Escrito e verificado por el nutricionista Saúl Sánchez em 17 Agosto, 2021.

Última atualização: 17 Agosto, 2021

A dieta BRAT é um protocolo alimentar que foi criado com o objetivo de combater a ressaca. A intoxicação por álcool gera uma alteração na fisiologia humana, podendo desencadear grandes desconfortos que condicionam a situação de bem-estar. Saber como agir do ponto de vista nutricional é a chave para acelerar a recuperação.

De qualquer forma, e embora a dieta BRAT consiga melhorar o controle da ressaca, é melhor evitar chegar a esse ponto. Hoje se sabe que o álcool é uma substância tóxica independente da quantidade consumida, portanto a sua ingestão deve ser evitada para prevenir problemas de saúde.

O que provoca a ressaca?

A dieta BRAT funciona para melhorar a ressaca.
Um indicador bastante confiável do abuso de álcool é quando a pessoa apresenta sintomas de ressaca. Isso ocorre como consequência das altas concentrações de toxinas no corpo.

A dieta BRAT foi criada com o objetivo de aliviar os sintomas da ressaca, mas antes é preciso conhecer a fisiopatologia que ela apresenta. Na verdade, esse processo é gerado por um acúmulo de fatores. Em primeiro lugar, destaca-se a desidratação causada pelo álcool, já que este tem a capacidade de aumentar a diurese (liberação de urina).

Por outro lado, há um acúmulo de metabólitos do álcool que também são capazes de danificar e alterar a homeostase (equilíbrio) no meio interno. Por isso, deve ser somado esse desequilíbrio na produção de neurotransmissores.

Ao mesmo tempo, durante a ressaca ocorre um aumento da inflamação sistêmica devido ao aumento do trabalho do fígado. A nível sérico isso pode ser observado por uma concentração mais elevada de transaminases, que normalmente estão elevadas em pessoas que ingerem álcool habitualmente ou em pacientes com doença hepática.

Segundo um estudo publicado no Journal of Clinical Medicine, a gravidade da ressaca depende de fatores individuais, além da quantidade de álcool consumida. Nem todo mundo tem a mesma taxa de eliminação de etanol ou os mesmos níveis de estresse oxidativo após consumir esse tipo de bebida. Ambos parâmetros modularão os sintomas no dia seguinte.

Componentes da dieta BRAT

A primeira coisa a ficar clara é que a dieta BRAT consiste em quatro alimentos: arroz, banana, purê de maçã e torrada. Todos eles se caracterizam por apresentarem uma digestão bastante simples, além de fornecerem uma quantidade significativa de carboidratos.

Por serem alimentos leves, eles não causarão mais problemas estomacais do que aqueles que já existem devido ao consumo excessivo de álcool. É pouco provável que depois do consumo a pessoa sinta náuseas, a menos que a bolsa estomacal ainda esteja muito danificada devido à agressão cometida contra ela.

Caso o organismo não tolere nenhum tipo de sólidos, é melhor começar garantindo uma boa hidratação corporal. Para isso é necessário consumir água mineral fresca, visto que ela apresenta um esvaziamento gástrico rápido. Além disso, o descanso é recomendado, já que esta é a melhor maneira de o corpo se recuperar.

Uma vez que apareça a sensação de apetite, pode-se começar a consumir os alimentos mencionados em proporções moderadas, aumentando gradativamente a quantidade de energia fornecida para o corpo. Desta forma as sensações irão melhorar gradualmente. Além disso, existem outros alimentos que também podem ajudar a curar a ressaca. Eles são os seguintes:

Manga

A manga é uma das frutas que podem ajudar a eliminar o álcool do corpo mais rapidamente. Isso se deve aos açúcares que estão concentrados no interior dessa fruta. Essa propriedade também está presente na banana, portanto, esses dois alimentos podem ser consumidos durante o período da ressaca para melhorar os sintomas.

É importante lembrar que a manga tem uma digestão muito fácil, pois apresenta um alto teor de água. Isso é muito positivo, pois também contribui para melhorar a hidratação do organismo. É importante lembrar que muitos dos sintomas após o consumo de álcool têm a ver com perda de água corporal, de acordo com um estudo publicado na revista Alcohol and Alcoholism.

Aspargos

O aspargo contém uma série de aminoácidos e minerais em seu interior que podem ajudar a combater a ressaca. Além disso eles são hepatoprotetores, o que ajuda a melhorar o funcionamento de um dos principais órgãos atacados após o consumo de álcool. Isso é evidenciado por uma investigação publicada na revista Food & Function.

Os carboidratos contidos nos aspargos permitem amenizar os danos gerados no fígado, o que é uma grande vantagem a médio prazo. Eles têm caráter antioxidante, pois estimulam a síntese de glutationa, um dos compostos endógenos capazes de neutralizar a formação de radicais livres.

Salmão

Durante a ressaca os níveis de inflamação aumentam no organismo. Por isso faz sentido consumir alimentos que contenham compostos moduladores dos níveis inflamatórios, como os ácidos graxos da série ômega 3. Eles têm se mostrado capazes de exercer um efeito significativo nesse sentido.

Dentre os alimentos com maior teor desses lipídios, destacamos o salmão. É aconselhável consumir este peixe no contexto da dieta BRAT para aumentar a ingestão de gorduras de qualidade. Além disso, este alimento também contém vitaminas B6 e B12.

Gengibre

A dieta BRAT pode ser complementada com gengibre.
O gengibre não é apenas ótimo para as náuseas da ressaca, mas também é útil por seu valor nutricional.

Um dos principais problemas da ressaca é a náusea. Nesse contexto, a alimentação é dificultada, pois os alimentos não são tolerados no corpo. No entanto, existem alguns remédios naturais que podem ser usados para aliviar esse problema e permitir a ingestão de nutrientes.

O mais eficaz de todos é o consumo de gengibre. Essa raiz tem características antieméticas, de acordo com um estudo publicado na revista Critical Reviews in Food Science and Nutrition. Ele costuma ser utilizado para aliviar as náuseas de mulheres grávidas ou durante a quimioterapia, mas também é útil no caso das ressacas.

Por outro lado, ele gera um efeito anti-inflamatório e antioxidante, o que permite que o fígado se recupere de forma mais rápida e eficiente. Na verdade, a maioria dos especialistas aconselha a inclusão desta raiz na alimentação habitual, por ela ser considerada muito saudável.

Nos casos de ressaca em que a náusea é significativa, recomenda-se o consumo de gengibre em pó com água. Desta forma é garantida a tolerância e a melhora nos sintomas, permitindo a ingestão subsequente de alimentos sólidos.

Maçã

Maçãs são alimentos que também podem ser adicionados à dieta BRAT, devido ao alto teor de água e potássio que apresentam. Elas são indicadas para melhorar a hidratação do organismo durante as ressacas. Além disso, têm a capacidade de neutralizar a produção de ácido endógeno em certa medida, o que alivia os sintomas de mal-estar estomacal.

Além disso, elas ajudam a combater a diarreia e a restaurar a microbiota danificada. Isso se deve à presença de pectinas em seu interior, um tipo de fibra solúvel. De acordo com pesquisas publicadas na Experimental & Molecular Medicine, esses compostos ajudam a aumentar a densidade das bactérias no corpo, além de serem considerados prebióticos.

Aveia

A aveia é capaz de desempenhar uma função semelhante à da maçã. Ela é caracterizada por concentrar fibras com potencial prebiótico em seu interior, os chamados beta-glucanos. Esses compostos ajudam a revitalizar a microbiota, servindo de substrato para as bactérias que habitam o organismo.

Por outro lado, o consumo de aveia está relacionado à neutralização dos ácidos gastrointestinais, o que reduz os sintomas da ressaca e facilita a alimentação posterior. Além disso, ela concentra em seu interior nutrientes de qualidade como carboidratos, vitaminas B e minerais essenciais.

A dieta BRAT, a melhor solução para a ressaca é evitar o consumo de álcool

Deve-se considerar que a ressaca ocorre quando uma quantidade excessiva de álcool é consumida. No momento em que é gerada a intoxicação por álcool, o organismo sofre uma forte agressão que se reflete nos sintomas do dia seguinte. É possível ingerir essa substância em proporções menores sem diminuir o bem-estar nas horas que se seguem.

Embora o consumo moderado de álcool não provoque ressaca, isso não significa que ele seja permitido no contexto de uma alimentação equilibrada e saudável. Quando o objetivo é prevenir patologias a médio prazo e retardar o envelhecimento, a exposição a esse tipo de bebida deve ser restringida ao máximo.

Embora por muitos anos se afirmasse que uma taça de vinho durante as refeições poderia ser benéfica para a saúde cardiovascular, hoje se sabe que esse hábito apresenta mais riscos do que vantagens a médio prazo.

Dieta BRAT: um método para aliviar a ressaca

Conforme discutido, é possível aliviar os sintomas da ressaca por meio da alimentação. Para isso, é necessário adotar a dieta BRAT. De qualquer forma, é possível incluir mais alimentos do que os 4 característicos, como vimos. Algumas frutas e temperos têm a capacidade de gerar uma sensação de bem-estar interno, essencial em períodos de ressaca.

Porém, não se esqueça que após a intoxicação por álcool o repouso é essencial. Será necessário superar algumas horas de desconforto, que são inevitáveis mesmo que a nutrição nesse período seja otimizada. Além disso, é fundamental garantir uma boa hidratação corporal, pois dessa forma as complicações são reduzidas.

A ressaca indica uma agressão ao organismo que não deve se repetir. Quanto menos vezes esse processo for experimentado ao longo da vida, melhor. Isso reduzirá o risco de desenvolvimento de muitas patologias crônicas e complexas que afetam a saúde.

Pode interessar a você...
O que é o prato de Harvard?
Muy SaludLeia em Muy Salud
O que é o prato de Harvard?

O prato de Harvard é um modelo alimentar que tem como objetivo melhorar os hábitos alimentares. A seguir, mais detalhes



  • Palmer E, Tyacke R, Sastre M, Lingford-Hughes A, Nutt D, Ward RJ. Alcohol Hangover: Underlying Biochemical, Inflammatory and Neurochemical Mechanisms. Alcohol Alcohol. 2019 May 1;54(3):196-203. doi: 10.1093/alcalc/agz016. PMID: 30916313.
  • Zhang Z, Fan S, Huang D, Xiong T, Nie S, Xie M. Polysaccharides from fermented Asparagus officinalis with Lactobacillus plantarum NCU116 alleviated liver injury via modulation of glutathione homeostasis, bile acid metabolism, and SCFA production. Food Funct. 2020 Sep 23;11(9):7681-7695. doi: 10.1039/d0fo01435d. PMID: 32901642.
  • Ishihara T, Yoshida M, Arita M. Omega-3 fatty acid-derived mediators that control inflammation and tissue homeostasis. Int Immunol. 2019 Aug 23;31(9):559-567. doi: 10.1093/intimm/dxz001. PMID: 30772915.
  • Marx W, Ried K, McCarthy AL, Vitetta L, Sali A, McKavanagh D, Isenring L. Ginger-Mechanism of action in chemotherapy-induced nausea and vomiting: A review. Crit Rev Food Sci Nutr. 2017 Jan 2;57(1):141-146. doi: 10.1080/10408398.2013.865590. PMID: 25848702.
  • Beukema M, Faas MM, de Vos P. The effects of different dietary fiber pectin structures on the gastrointestinal immune barrier: impact via gut microbiota and direct effects on immune cells. Exp Mol Med. 2020 Sep;52(9):1364-1376. doi: 10.1038/s12276-020-0449-2. Epub 2020 Sep 10. PMID: 32908213; PMCID: PMC8080816.
  • Mackus M, Loo AJV, Garssen J, Kraneveld AD, Scholey A, Verster JC. The Role of Alcohol Metabolism in the Pathology of Alcohol Hangover. J Clin Med. 2020 Oct 25;9(11):3421. doi: 10.3390/jcm9113421. PMID: 33113870; PMCID: PMC7692803.