O que é metoprolol e para que serve?

O metoprolol é um medicamento frequentemente usado para tratar a hipertensão. Vamos te contar quando esse medicamento é recomendado, as contraindicações e quais as doses recomendadas pelos especialistas.
O que é metoprolol e para que serve?

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 24 Junho, 2021

Última atualização: 24 Junho, 2021

Conhecido sob os nomes comerciais de Lopressor, Tropol ou Tropol XL, o metoprolol é um medicamento usado para tratar doenças cardiovasculares. É aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) e pela European Medicines Agency (EMA). Possui versões de liberação rápida e prolongada.

Esse medicamento pode ser usado sozinho ou na companhia de outros remédios, e faz parte do grupo dos betabloqueadores. Todos os medicamentos desse grupo atuam relaxando os vasos sanguíneos, reduzindo a frequência cardíaca e, assim, aliviando a pressão no coração. Vamos ver para que esse medicamento é utilizado, suas contraindicações, dosagem e como conservá-lo.

Para que é usado o metoprolol?

O metoprolol é um agente bloqueador dos receptores beta adrenérgicos. Embora seu uso em baixas ou médias doses tenha um efeito preferencial sobre os adrenoceptores beta 1 (localizados no músculo cardíaco), em altas doses ele inibe os adrenoceptores beta 2 (localizados na musculatura vascular e brônquica).

Sabemos que após a ingestão o medicamento se desintegra em pequenos grânulos que atuam como células independentes e liberam a droga. Essa liberação é constante e dura de 20 a 24 horas. É um medicamento muito bem tolerado pelos pacientes, sendo o tratamento iniciado em doses baixas que aumentam nas semanas seguintes.

As propriedades do medicamento são usadas para as seguintes condições:

Hipertensão arterial

O metoprolol é eficaz para hipertensos.
O metoprolol pode ser usado como tratamento para a hipertensão, às vezes sendo combinado com outros medicamentos anti-hipertensivos ou diuréticos.

Vários estudos e investigações têm apoiado o uso do metoprolol como medicamento para tratar a hipertensão. Seu uso remonta a meados da década de 1970 devido ao efeito dilatador dos vasos sanguíneosque que ele possui, embora seu efeito seja um pouco mais lento que outras drogas da mesma classe.

É frequentemente usado na companhia de outros agentes (como diuréticos), com o objetivo de minimizar os efeitos colaterais da pressão arterial elevada. Seu uso persiste até hoje com a venda de nomes comerciais.

Angina de peito

O medicamento também demonstrou, por meio de ensaios e testes, ser eficaz no combate aos sintomas da angina de peito. Na verdade, esse é o segundo uso mais comum da droga.

A angina de peito é caracterizada por uma dor aguda causada pela diminuição do suprimento de sangue no músculo cardíaco. A doença arterial coronariana costuma ser a principal causa da angina.

Infarto do miocárdio

O metoprolol também demonstrou reduzir as chances de um infarto do miocárdio em administração única. Este é o seu uso mais frequente, embora ele também possa ser indicado como tratamento após o paciente ter sofrido um ataque. Alguns estudos sugerem que a redução do infarto pode chegar a 36%.

Essas são as três indicações mais comuns da droga. No entanto, em certas circunstâncias ela também pode ser usada como tratamento para palpitações na ausência de doença cardíaca, como profilaxia da enxaqueca, coadjuvante à tireotoxicose e para arritmias cardíacas.

Contraindicações do metoprolol

Apesar da versatilidade do medicamento, ele está sujeito a várias contraindicações. Segundo os boletins da Food and Drug Administration, o uso de metoprolol deve ser evitado nos seguintes casos:

  • Hipertensão e angina: é contraindicado na presença de bradicardia sinusal, bloqueio cardíaco de primeiro grau, insuficiência cardíaca evidente e choque cardiogênico.
  • Infarto do miocárdio: o uso não é recomendado para pacientes com frequência cardíaca inferior a 45 batimentos por minuto, bloqueios cardíacos de segundo ou terceiro grau ou pressão arterial sistólica inferior a 100 mmHg.

Seu uso não é recomendado em pessoas que sofrem de síndrome do nó sinusal, doença arterial periférica com risco de gangrena e pacientes em tratamento inotrópico que atua por agonismo com receptores beta.

Se o paciente sofre de diabetes, hipoglicemia, feocromocitoma ou hipotensão, seu uso deve ser evitado. Por outro lado, deve-se ter cuidado com a possibilidade de hipersensibilidade ou alergia aos componentes do medicamento. Se houver histórico de ingestão de outros betabloqueadores, a administração deve ser feita com cautela.

As evidências também apontam que o medicamento é contraindicado durante a gravidez e a lactação. Além disso, cuidados devem ser tomados na interação dele com outros medicamentos. A ingestão deve ser evitada na presença de barbitúricos, propafenona e verapamil.

Por sua vez, o médico pode ter que ajustar a dose na presença de: amiodarona, antiarrítmicos classe I, antiinflamatórios não esteroidais, digitálicos glicosídeos, difenidramina, adrenalina, clonidina, quinidina e rifampicina, entre outros.

Efeitos colaterais de tomar metoprolol

O metoprolol tem vários efeitos colaterais.
Apesar da sua eficácia clínica, o metoprolol também é caracterizado por ter vários efeitos adversos.

De acordo com a European Medicines Agency (EMA), 10% dos pacientes desenvolvem efeitos adversos. Normalmente, isso se deve à dose administrada. Seguindo esta organização, entre os principais efeitos colaterais encontram-se os seguintes:

  • Geral: ganho de peso e fadiga.
  • Cardíaco: bradicardia e palpitações. Os menos comuns são dores no peito e arritmias cardíacas.
  • Sistema nervoso: tonturas e dores de cabeça.
  • Oculares: secura e irritação nos olhos. A conjuntivite é um efeito colateral raro em pacientes.
  • Respiratórios: dispneia e outros sintomas de asma.
  • Gastrintestinais: diarreia, prisão de ventre, vômitos, náuseas e dores abdominais.
  • Vasculares: sensação de frio nas mãos e pés. A síncope é um efeito colateral muito raro.
  • Psiquiátricos: pesadelos, distúrbios do sono e depressão. Esses três não são frequentes.

Outro efeito colateral relativamente comum é a sonolência. Por isso, deve-se ter cuidado ao tomar o medicamento, principalmente caso o paciente trabalhe em um ambiente que exija estar sempre alerta.

Se você tiver uma reação alérgica, ela geralmente se manifestará por meio de urticária e erupções cutâneas. Se você apresentar este ou outros problemas, deve entrar em contato com o especialista em busca de um possível ajuste na dose.

Dose recomendada de metoprolol

A dose é administrada de acordo com a condição a ser tratada,  gravidade e características do paciente (peso, idade, altura, doenças subjacentes, ingestão de outros medicamentos e assim por diante). Com base no boletim da EMA citado na seção anterior, as doses mais utilizadas dependendo do caso são as seguintes:

  • Pressão alta: entre 100 e 200 miligramas por dia. Pode ser feita em ingestão única ou dividida em duas doses ao dia. Se os resultados esperados não forem obtidos, sugere-se combinar o metoprolol com diuréticos ou antagonistas do cálcio.
  • Angina pectoris: geralmente administrada em duas doses de 100 ou 200 miligramas. Pode ser combinado com nitratos, se necessário.
  • Arritmias cardíacas: duas ou três doses são administradas durante o dia, de 100 ou 200 miligramas. A dose pode ser aumentada de acordo com os critérios do especialista.
  • Infarto do miocárdio: 50 miligramas a cada 6 horas 15 minutos após a primeira injeção. Esse tratamento continua por dois dias após os quais o medicamento pode ser tomado com a frequência determinada pelo médico.
  • Enxaqueca: entre 100 e 200 miligramas sempre divididos em duas doses durante o dia.
  • Palpitações: quando há palpitações com ausência de cardiopatia, o médico costuma prescrever 100 miligramas em dose única, de preferência pela manhã.
  • Tireotoxicose: a dose é ajustada de acordo com a necessidade do paciente, embora geralmente comece com uma dose de 50 miligramas três vezes ao dia. Ela pode ser aumentada para um máximo de 100 miligramas.

Recomendações finais

Se possível, o metoprolol deve ser tomado com o estômago vazio, aumentando assim a absorção pelo corpo. No entanto, as instruções do médico devem ser seguidas de forma apropriada. O medicamento deve ser armazenado em seu recipiente e a uma temperatura entre 15 e 30 graus Celsius. Os compostos devem ser selados hermeticamente.

Lembre-se que você não deve começar a tomar esse medicamento sem a supervisão de um especialista. Se você suspeitar que sofre de alguma das doenças descritas acima, procure atendimento médico para fazer um diagnóstico preciso, descartar outras condições e ajustar a dose de acordo com o seu caso.

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