Viver com asma

A ignorância, a ausência de diagnóstico e as inseguranças podem desenvolver frustrações em alguns pacientes com asma. A seguir, revisamos o que pode ser feito para conviver com a doença sob um prisma maior de otimismo.
Viver com asma

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 11 Junho, 2021

Última atualização: 12 Junho, 2021

A asma é uma doença para a qual ainda não há cura. Os tratamentos indicados por especialistas têm como objetivo reduzir a gravidade dos sintomas e crises. Embora possa passar por longos períodos de remissão, ela sempre pode ser ativada por um catalisador externo. Viver com asma é algo que cada paciente deve aprender para lidar com a doença.

Há muitas coisas que você pode fazer para melhorar sua qualidade de vida após o diagnóstico. Conhecer os fundamentos básicos da doença e identificar os possíveis gatilhos é fundamental para o controle a curto, médio e longo prazo. Hoje mostramos algumas orientações que você pode incluir na sua rotina para lidar com a asma de uma forma mais agradável.

A importância do estilo de vida na asma

A primeira coisa que você precisa saber é que a mudança no estilo de vida demonstrou ter um impacto positivo no controle da asma. Essas mudanças são mais acessíveis, menos invasivas e melhor toleradas pelos pacientes; o que aumenta as chances de aderência a longo prazo.

Fazem parte dos chamados tratamentos conservadores para asma e são adaptados, em geral, de acordo com as possíveis causas ou gatilhos que geram as crises em cada pessoa. Viver com asma envolve manter seus catalisadores sob controle, portanto, as dicas a seguir são úteis após um diagnóstico médico:

Fazer exercício

Viver com asma inclui praticar exercícios regularmente
O exercício regular traz muitos benefícios à saúde.

Embora seja verdade que algumas crises de asma podem ser causadas por sessões de exercícios intensos, as evidências indicam uma relação favorável entre o controle dos sintomas e a atividade física. Muitos pacientes desconhecem essa relação e, até mesmo, sentem preconceito em relação aos exercícios, acreditando que isso agravará os episódios.

Centenas de atletas de alto impacto sofrem de asma, e isso não é uma limitação para o desenvolvimento de sua atividade profissional quando eles recebem tratamento. A atividade física recorrente é útil para fortalecer as vias aéreas, melhorar a capacidade aeróbica e fortalecer o espectro psicológico de cada paciente.

Adotar uma dieta balanceada

Pesquisas sugerem que uma dieta balanceada pode ser benéfica para lidar com a asma. Embora seja verdade, ainda faltam mais evidências a esse respeito. A ingestão desequilibrada de antioxidantes e ácidos graxos poliinsaturados somada a uma deficiência de vitamina D está associada a possíveis aumentos de casos nas últimas décadas.

Alguns pacientes relatam uma piora dos sintomas após comer certos grupos de alimentos. Cabe a cada um identificar os possíveis catalisadores e diminuir sua inclusão na dieta alimentar. Uma mudança nos hábitos alimentares também é benéfica de outras maneiras, como no controle de peso.

Manter um peso saudável

Embora os mecanismos ainda não estejam totalmente esclarecidos, sabemos que existe uma relação entre a obesidade e o desenvolvimento da asma. São muitas as hipóteses, desde redução da capacidade pulmonar em decorrência do aumento do peso, até as alterações hormonais que ele pode produzir.

Quaisquer que sejam as causas, é recomendável manter um peso saudável para evitar que episódios leves de asma evoluam para estágios moderados ou graves.

Para isso, pode-se fazer uma combinação de exercícios regulares e dieta alimentar, e ainda contar com o apoio de um especialista. A perda de peso também terá um impacto positivo em outros aspectos da vida do paciente.

Evitar agentes alérgicos

Foi sugerida uma relação entre alergia e asma. Na verdade, acredita-se que muitos quadros de asma são causados diretamente por catalisadores alérgicos. Caso ocorra suspeita se que os episódios sejam causados por alergia, diferentes modificações podem ser feitas nos hábitos para reduzir sua incidência. Entre os mais importantes, destacamos os seguintes:

  • Mantenha as salas e o local de trabalho livres de poeira.
  • Reduza a interação que você tem com animais de estimação (o pelo de alguns pode causar alergia).
  • Vacine-se durante a estação.
  • Use um casaco e roupas adequadas quando a temperatura cair.
  • Evite a exposição ao pólen durante a primavera.
  • Troque semanalmente os lençóis, limpe os móveis e adote outros hábitos para minimizar a presença de ácaros.

Se você levar essas mudanças em consideração, poderá conviver com a asma sem grandes incidentes. O médico pode recomendar outros hábitos conforme seja apropriado. Mesmo assim, lembre-se de que esses hábitos não substituem o tratamento medicamentoso; especialmente se os ataques forem moderados ou graves.

Prevenção de ataques de asma inesperados

Viver com asma é possível com pequenos cuidados
Ter medicamentos a mão é importante em caso de emergência.

Outro fator muito importante na qualidade de vida do paciente com asma é a prevenção. É necessário ter o tratamento prescrito pelo médico, estar atento às possíveis alterações dos sintomas e fazer consultas anuais para controlar a progressão da doença (esta última se os episódios graves forem frequentes).

Tenha sempre um kit com os medicamentos que fazem parte do seu tratamento para asma. Se você sair de férias, sair de casa por alguns dias ou se mudar, não se esqueça de levá-los com você; especialmente se você mantiver uma ingestão permanente de medicamentos. Este é um hábito obrigatório para viver com asma.

O uso do inalador é particularmente útil para aliviar os sintomas durante um ataque. Você nunca sabe quando o próximo vai acontecer, então não faz mal estar sempre com um inalador broncodilatador com você.

Para maior comodidade, você pode ter mais de um e deixá-los em lugares estratégicos: na casa dos seus pais, na mochila que você mais usa,  na sua mesa de trabalho e muitos outros lugares.

Por último, registre os ataques que você experimentou durante o mês. Se notar alguma alteração na frequência, não hesite em consultar o seu especialista. Não importa se eles são leves e curtos, podem ser um indicador de que o tratamento não está funcionando.

Dicas para pacientes asmáticos

Pesquisas destacam a importância dos pacientes conhecerem sua própria doença para manter perspectivas positivas para o futuro. As evidências sugerem que muitas pessoas acreditam que as convulsões não podem ser controladas, mesmo com tratamento personalizado.

Sabe-se que conviver com a asma pode levar a experiências psicossociais negativas. Os pacientes tendem a ficar constrangidos ao realizar certas atividades devido ao medo de ter um ataque, o que por sua vez pode causar ansiedade, reclusão, medo ou estresse. O apoio psicológico pode ser útil para lidar com essas sequelas.

De acordo com alguns estudos, é relativamente comum que as pessoas desenvolvam estratégias de autocontrole para evitar ou atenuar os sintomas da doença. Alguns recorrem aos exercícios respiratórios, praticam ioga, frequentam a acupuntura, massagens ou meditação, entre outras coisas.

Se algumas dessas atividades forem positivas para você, você pode incluí-las como um complemento, não um substituto, do tratamento principal. Lembre-se de que a asma tem vários tratamentos com medicamentos. Se você não tiver os benefícios que espera de um destes, pode sempre optar por outro sob a supervisão do seu especialista.

Pode interessar a você...
Sinais e sintomas da asma
Muy Salud
Leia em Muy Salud
Sinais e sintomas da asma

A asma é uma doença crônica que afeta as vias aéreas. Durante um ataque, elas ficam inflamadas e secretam muco, o que impede que o ar circule norma...



  • Allan, K., & Devereux, G. Diet and asthma: nutrition implications from prevention to treatment. Journal of the American Dietetic Association. 2011; 111(2): 258-268.
  • Avallone, K. M., & McLeish, A. C. Asthma and aerobic exercise: a review of the empirical literature. Journal of Asthma. 2013; 50(2): 109-116.
  • Couto, M., Moreira, A., & Delgado, L. Diagnosis and treatment of asthma in athletes. Breathe. 2012; 8(4): 286-296.
  • Creer, T. L., Backial, M., Burns, K. L., Leung, P., Marion, R. J., Miklich, D. R., … & Ullman, S. Living with asthma. Journal of Asthma. 1988; 25(6): 335-362.
  • Delgado, J., Barranco, P., & Quirce, S. Obesity and asthma. J Investig Allergol Clin Immunol. 2008; 18(6): 420-425.
  • Farah, C. S., & Salome, C. M. Asthma and obesity: a known association but unknown mechanism. Respirology. 2012; 17(3): 412-421.
  • Guibas, G. V., Mathioudakis, A. G., Tsoumani, M., & Tsabouri, S. Relationship of allergy with asthma: there are more than the allergy “eggs” in the asthma “basket”. Frontiers in pediatrics. 2017; 5, 92.
  • Jonsson, M., Egmar, A. C., Hallner, E., & Kull, I. Experiences of living with asthma–a focus group study with adolescents and parents of children with asthma. Journal of Asthma. 2014; 51(2): 185-192.
  • Oncel, S., Ozer, Z. C., & Yilmaz, M. Living with asthma: an analysis of patients’ perspectives. Journal of Asthma. 2012; 49(3):294-302.
  • Stoodley, I., Williams, L., Thompson, C., Scott, H., & Wood, L. Evidence for lifestyle interventions in asthma. Breathe. 2019; 15(2): e50-e61.