Alergia ao pólen: tudo o que você precisa saber

A alergia ao pólen pode se manifestar por meio de sintomas respiratórios e oculares muito desconfortáveis. Felizmente, existem medicamentos capazes de aliviar a condição e medidas para reduzir a exposição.
Alergia ao pólen: tudo o que você precisa saber

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 19 Maio, 2021

Última atualização: 19 Maio, 2021

A primavera pode ser uma das épocas mais bonitas do ano devido ao grande número de flores e ao verde das plantas. Infelizmente, a alergia ao pólen causa muito sofrimento a milhões de pessoas durante esses meses. Você quer saber mais sobre esta condição? Continue lendo!

O pólen nada mais é do que minúsculos grânulos que contêm células espermáticas, essenciais para a reprodução das plantas. A produção desses grânulos aumenta bastante durante a primavera, de fato, eles podem ser encontrados na atmosfera em altas concentrações.

A alergia ao pólen ou polinose é definida como “ o aparecimento de sintomas desfavoráveis após a exposição ao pólen presente na atmosfera ”. Esta é uma patologia muito comum e, segundo dados da Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica (SEAIC),por exemplo, atinge mais de 8 milhões de pessoas em aquele pais.

Por que ocorre a alergia ao pólen?

Alergia ao pólen
Os anticorpos são uma parte importante dessa reação.

Em termos gerais, uma alergia é uma reação de hipersensibilidade que uma pessoa apresenta a certas substâncias conhecidas como alérgenos. Essas substâncias têm a particularidade de serem inofensivas em pessoas saudáveis, afetando apenas pessoas sensíveis.

O contato repetido com alérgenos estimula a produção de anticorpos específicos chamados imunoglobulinas E (IgE). Esses anticorpos se ligam à superfície de uma célula do sistema imunológico chamada mastócitos, que secretam grandes quantidades de histamina quando entram em contato com o alérgeno específico.

A secreção de histamina será responsável pelo aparecimento de vários sintomas alérgicos, principalmente processos inflamatórios. É importante saber que nem todo pólen de todas as plantas causa alergias, de fato, para ser considerado um alérgeno deve ter as seguintes características:

  • Ser leve.
  • Produzir-se em quantidades abundantes.
  • A planta que o produz deve ter ampla distribuição local.
  • Ter um tamanho entre 5 e 60 micrômetros.

Quais plantas causam alergia?

Os principais agentes etiológicos da doença podem variar dependendo da localização geográfica e da flora nativa da área. Nesse sentido, estudos determinaram que a causa mais comum de alergia ao pólen na Europa, por exemplo, é o pólen das gramíneas, ou seja, de plantas como trigo, milho e centeio.

Por outro lado, existem outras plantas muito abundantes, capazes de produzir pólen que gera polinose. Nesse sentido, a doença também pode se originar da ação das seguintes plantas:

  • Oliveiras.
  • Ciprestes.
  • Chenopodium album ou cenizo.
  • Bétula.
  • Parietaria.
  • Artemísias e ambrosia.

Sintomas

Uma das principais portas de entrada do pólen no organismo é o trato respiratório, por isso a maioria das manifestações da patologia ocorre nesse nível. Nesse sentido, a rinite alérgica é a forma de apresentação mais comum, portanto os pacientes podem relatar alguns dos seguintes sintomas:

  • Congestionamento nasal.
  • Espirros frequentes.
  • Comichão no nariz ou garganta.
  • Coriza
  • Dispnéia (dificuldade respiratória) e asma nos casos mais graves.

Por sua vez, o pólen também pode entrar em contato com a conjuntiva e causar o aparecimento de sintomas a este nível. Esta condição é conhecida como conjuntivite alérgica, então os pacientes podem sofrer de coceira nos olhos, olhos vermelhos e lacrimejamento constante. Algumas pessoas também apresentam sintomas gerais, incluindo os seguintes:

  • Dores de cabeça.
  • Fadiga.
  • Irritabilidade.
  • Coceira nas orelhas e palato.
  • Dificuldade em dormir.

Como você faz o diagnóstico?

O histórico médico geralmente é a única ferramenta necessária para fazer o diagnóstico de alergia ao pólen. A aparição dos sintomas está relacionada às estações do ano, sendo mais frequentes na primavera e no verão. O especialista pode perguntar sobre a aparição, duração e intensidade dos sintomas para fazer um diagnóstico preciso.

Se você deseja determinar o tipo específico de pólen ao qual é alérgico, seu médico pode solicitar um teste cutâneo ou de prick test. Esse tipo de teste consiste em inocular a pele com uma pequena quantidade do alérgeno, e após alguns minutos deve-se observar uma pequena elevação na área da injeção em caso de o resultado ser positivo.

A elevação característica no prick test se deve à reação inflamatória que a substância produz no organismo. Também é possível quantificar a quantidade de IgE presente no sangue para um determinado alérgeno conhecido pelo paciente.

Tratamento de alergia ao pólen

Tratamento para a alergia ao pólen
Os anti-histamínicos orais são uma das opções mais utilizadas.

Como acontece com todas as alergias, o principal tratamento disponível é a prevenção e a não exposição ao alérgeno. Porém, isso é muito difícil quando se trata de pólen, pois fica no ar por alguns meses do ano. Nesse sentido, é melhor tratar os sintomas quando eles aparecem.

O uso de uma classe de medicamentos chamados anti-histamínicos tem se mostrado muito útil no tratamento dos sintomas da alergia ao pólen. Eles antagonizam a histamina, impedindo-a de exercer seu efeito nos tecidos e evitando o aparecimento de sintomas respiratórios e oculares.

Os descongestionantes nasais e os colírios também são úteis na eliminação dos sintomas, pois reduzem o contato do alérgeno com a mucosa. Atualmente, vem sendo desenvolvida uma espécie de vacina contra a alergia ao pólen conhecida como imunoterapia, que consiste em reduzir a sensibilidade ao alérgeno.

De modo geral, na imunoterapia, doses crescentes do alérgeno são administradas ao paciente para que o organismo crie anticorpos que capturem a substância antes que ela interaja com a IgE dos mastócitos. No entanto, estudos mostram que nem todos os pacientes são adequados para esse procedimento e devem ser avaliados por um alergista.

Prevenção da alergia ao pólen

Como mencionado anteriormente, evitar o contato com o pólen das plantas é quase impossível durante alguns meses do ano. No entanto, as pessoas podem tomar certas medidas para reduzir a exposição e evitar o aparecimento de sintomas característicos. Nesse sentido, as pessoas com alergia ao pólen podem seguir as seguintes dicas:

  • Evite sair em dias quentes, secos e ventosos : todas essas condições ajudam a espalhar o pólen no meio ambiente. O ideal é sair nos dias mais frios e nublados para diminuir a exposição.
  • Mantenha as janelas fechadas : o pólen pode entrar facilmente em qualquer área, por isso é recomendável evitar abrir muito as janelas. Também é aconselhável viajar de carro com os vidros fechados e com o ar condicionado ligado.
  • Limite as atividades ao ar livre : A concentração de pólen no ar pode ser maior em alguns dias do que em outros. Nesse sentido, recomenda-se não fazer nenhum tipo de atividade ao ar livre em dias com altas concentrações de pólen.
  • Troque de roupa quando chegar em casa : o pólen se adere facilmente a todos os tipos de tecidos, principalmente ao algodão. A melhor opção para evitar os sintomas no conforto do lar é tirar a roupa e tomar banho depois de sair.
  • Use óculos e máscara protetora : Pessoas com sintomas de alergia severa devem usar óculos escuros e máscaras protetoras antes de sair. Essa medida se torna mais importante quando a concentração atmosférica de pólen é alta.

Uma patologia frequente e incômoda

A alergia ao pólen é uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Pode ser causada por um grande número de plantas diferentes, embora o agente etiológico mais frequente geralmente sejam as gramíneas.

Seus sintomas aparecem poucos minutos após o contato com o alérgeno e afetam o trato respiratório e os olhos. A patologia em questão é muito incômoda e afeta muito a vida de quem a sofre, pois limita a realização de atividades ao ar livre em determinadas épocas do ano.

Diante do aparecimento de sintomas que indiquem a presença da doença é importante ir ao médico. Somente o especialista poderá indicar o tratamento mais adequado. Além disso, ele pode fornecer instruções para minimizar o impacto da alergia na vida diária.

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