Transtornos de atenção

Sem atenção é impossível memorizar; sem memória, é impossível aprender. Sem aprender, como direcionar nossas ações? Aí está a importância de identificar os transtornos de atenção.
Transtornos de atenção
Bernardo Peña

Escrito e verificado por el psicólogo Bernardo Peña em 21 Agosto, 2021.

Última atualização: 21 Agosto, 2021

Os transtornos de atenção são comuns em muitas psicopatologias. Seja de forma principal ou subsidiária, eles representam uma diminuição notável na capacidade de ação e coordenação dos demais processos cognitivos do indivíduo. Neste artigo examinaremos o que é a atenção, bem como as principais alterações ou distúrbios que ela apresenta.

A atenção

A atenção é um processo psicológico básico que orienta e coordena a atividade dos nossos sentidos e pensamentos para a seleção, distribuição e manutenção de todas as atividades cognitivas em geral.

Portanto, como processo, ela permite filtrar o fluxo de informações recebidas pelo organismo e focar a atividade psíquica em um determinado estímulo ou área no campo da consciência. Esse último é a capacidade de comunicação entre o meio interno e externo.

Esse processo é necessário para outros procedimentos mais complexos, como o aprendizado ou a memória, estabelecendo assim uma ordem hierárquica, onde o funcionamento de um condiciona os outros. Para que exista atenção, é essencial que haja algum grau de consciência e a alteração desta afeta a eficiência da atenção e, portanto, os demais processos psicológicos.

O processo de atividade atencional

Como mencionado antes, a atenção direciona os recursos mentais para estímulos específicos. Este processo pode ser dividido em três etapas:

  1. A captação atencional: consiste na captura da atenção de forma passiva ou ativa. O processo passivo ocorre involuntariamente, de forma que a atenção é capturada pelas várias mudanças que ocorrem no ambiente externo e interno. No processo ativo, discriminamos os estímulos de acordo com as necessidades do organismo.
  2. A ‘manutenção’ da atenção: consiste na permanência do foco no objeto para o processamento da informação.
  3. A cessação da atenção: consiste na mudança da atenção para outro estímulo relevante para o organismo. Isso pode ser devido a mecanismos de habituação e fadiga sensorial, bem como pela própria vontade do indivíduo, ou mesmo pela irrupção de um estímulo novo e moderadamente significativo.
Memórias cerebrais, distúrbios mentais.

Atenção: processos automáticos e controlados

Dentro das variações dos processos cognitivos, podem ser distinguidos aqueles nos quais é necessário um controle ativo ou aqueles em que não.

  • Os processos automáticos não envolvem um nível significativo de controle consciente. Podem ocorrer vários processos automáticos simultaneamente no indivíduo.
  • Os processos controlados requerem um certo nível de atenção e consciência. Esses processos ocorrem sequencialmente e sua duração pode ser maior do que os automáticos.

Os processos automáticos requerem um controle voluntário. Isso pode ser evidenciado na aprendizagem não associativa, como na habituação (diminuição da resposta resultante da exposição repetida a um estímulo) ou sensibilização (aumento da resposta resultante da exposição repetida a um estímulo). Também existem comportamentos que podem ser automatizados ao longo do tempo.

Quando alguém está aprendendo a dirigir, a princípio precisa de um controle consciente e focalizado da atenção em cada ação que realiza. Posteriormente, à medida em que essas ações vão evoluindo e a direção se torna mais eficiente, o controle consciente deixa de ser necessário, existindo um maior número de recursos cognitivos para outras ações simultâneas.

Ações automáticas

As ações tornam-se relativamente automáticas, mas a atenção pode ser direcionada a elas, caso necessário. Isso pode ser observado em qualquer comportamento ou movimento proposital, no qual o procedimento é tão internalizado que se torna estereotipado. O controle voluntário recai sobre o início e finalização da ação, como mascar chiclete ou andar de bicicleta.

Graças a isso, podem ser realizadas ações mais complexas, nas quais os procedimentos que não requerem a focalização atencional ficam em segundo plano, permitindo ao organismo manter a atenção nas demais ações que a solicitam.

Caso contrário, seria praticamente impossível combinar movimentos grossos e finos, como acontece na escrita ou na pintura. Não seria possível controlar conscientemente os movimentos dos dedos em um lápis e, simultaneamente, o movimento do braço.

Funções de atenção

As funções de atenção são precisamente aquelas afetadas quando ocorrem distúrbios ou alterações de atenção. As principais funções da atenção são:

  • Vigilância: é a capacidade de busca e localização no campo perceptivo para reconhecer padrões e significados.
  • Atenção seletiva: discriminação no campo perceptivo para selecionar um estímulo e eliminar os outros.
  • Sondagem: classificação dos estímulos como relevantes ou irrelevantes. Essa habilidade seria prejudicada em transtornos de déficit de atenção.
  • Capacidade atencional: refere-se à quantidade de elementos que o indivíduo pode atender ao mesmo tempo dentro de uma determinada atividade.
  • Atenção simultânea: capacidade de atender a diferentes elementos de diferentes conteúdos ao mesmo tempo.
TOC.

Componentes da atenção

A atenção pode ser do tipo:

  • Involuntária: é caracterizada por um estado de vigilância, arousal, estar acordado e alerta. O indivíduo não se orienta em relação a um estímulo específico no ambiente, não tem um interesse particular nele. Seria como uma atenção “rotineira”.
  • Espontânea: o surgimento repentino ou inesperado de estímulos chama a atenção, focalizando-os.
  • Voluntária: há um escrutínio, rastreamento ou busca intencional para encontrar um estímulo específico.
  • Sustentada: também chamada de concentração, refere-se à manutenção constante da atenção baseada em um escrutínio prolongado ao longo do tempo, onde várias áreas dos sentidos podem estar envolvidas.
  • Seletiva: os estímulos são filtrados e ocorre um foco no estímulo considerado relevante e eliminando os outros, considerados como distrações.
  • Alternada: também chamada de flexibilidade cognitiva, refere-se à mudança focal entre diferentes estímulos.
  • Dividida: ocorre atenção simultânea de mais de um estímulo; as informações relacionadas a ambos são processadas ao mesmo tempo.

Transtornos de atenção

Alterações quantitativas devido ao aumento da atenção:

  • Hiperprosexia: há uma exacerbação da atenção voluntária, o indivíduo se concentra de forma obsessiva em algo e os demais estímulos não conseguem chamar a atenção.
  • Despolarização da atenção: o aumento da atenção é polarizado para estímulos vindos de dentro do indivíduo (tudo), isolando-o dos estímulos externos (nada).

Alterações quantitativas devido à diminuição da atenção:

  • Hipoprosexia: há uma diminuição acentuada na capacidade de atenção.
  • Aprosexia: refere-se à incapacidade de prestar atenção.
  • Pseudoaprosexia: é semelhante a uma aprosexia, mas a atenção está voltada para o ambiente externo ao indivíduo.
  • Paraprosexia: ocorrem desvios involuntários da atenção. A atenção espontânea é exacerbada em detrimento da atenção voluntária. Além disso, um aumento psicomotor é observado.

Conclusões sobre os processos atencionais e suas alterações

A atenção é essencial para coordenar e direcionar os demais processos cognitivos, e também para realizar atos voluntários específicos. Os transtornos de atenção caracterizam uma falta de coordenação parcial ou total do nosso sistema cognitivo. Nestes casos, é conveniente diferenciar entre alterações leves ou patológicas, temporárias ou permanentes e se é necessário um tratamento neuropsiquiátrico.

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