Tipos de meningite

A meningite é uma doença que se desenvolve a partir da infecção por um patógeno externo. A forma menos comum é a não infecciosa. Veremos a seguir quais são os tipos e como eles são tratados.
Tipos de meningite

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 07 Agosto, 2021

Última atualização: 10 Agosto, 2021

A meningite é uma doença que provoca a inflamação das meninges, e que tem diferentes formas de apresentação. Meninges são as membranas protetoras que revestem o cérebro e a medula espinhal.

Milhões de casos são relatados anualmente em todo o mundo, com uma estimativa de 318.000 mortes. Conhecer os tipos de meningite é importante como protocolo de prevenção, por isso mostraremos neste artigo as formas pelas quais ela pode se manifestar.

Quantos tipos de meningite existem?

A doença é classificada de acordo com o patógeno que a desencadeou. A maioria dos casos é leve e tratável, mas se o diagnóstico for demorado ou não for procurada assistência médica podem ocorrer complicações que colocam em risco a vida do paciente. O Centers for Disease Control and Prevention de Estados Unidos (CDC) distinguem os seguintes tipos de meningite:

Meningite viral

Como nos lembra a Johns Hopkins Medicine, a meningite viral é a manifestação mais comum. Essa é a forma mais branda, por isso está relacionada a poucas complicações durante a evolução.

Segundo os pesquisadores, entre 85% e 95% dos casos dessa variante são causadas por enterovírus. Outros patógenos identificados pelas evidências incluem os seguintes:

  • Parecovírus humano.
  • Herpes humanos 1 e 2.
  • Vírus varicela-zoster.
  • Vírus de Epstein Barr.
  • Influenza.
  • Arbovírus (especialmente vírus do Nilo Ocidental, vírus da encefalite equina oriental e vírus La Crosse).

Ou seja, pessoas infectadas por essas partículas virais podem desenvolver meningite, embora na maioria das vezes não ocorram complicações. Elas são mais comuns em certos grupos populacionais, como crianças menores de 5 anos, pessoas com mais de 65 anos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido.

Não existe um tratamento padrão para essa variante, por isso, na maioria das vezes os especialistas optam por acompanhar a evolução da doença. Em alguns contextos, quando surgem complicações, o paciente pode ser hospitalizado.

Vírus que causa um tipo de meningite.
Os vírus são os agentes causadores de meningite mais comuns em todo o mundo.

Meningite bacteriana

A meningite bacteriana é o segundo tipo mais comum, embora em comparação com a anterior seja considerada rara. Ela está associada a complicações maiores e, se não tratada adequadamente, pode ser fatal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica as seguintes bactérias entre os catalisadores mais comuns:

  • Streptococcus pneumoniae.
  • Haemophilus influenzae.
  • Neisseria meningitidis.

A N. meningitidis é a culpada pela meningite meningocócica, que está associada a epidemias potenciais. Dos 12 sorogrupos identificados dessa bactéria, 6 deles podem gerar surtos. É mais comum em bebês, crianças em idade escolar e jovens.

Outras bactérias como Escherichia coli, Enterobacter, Klebsiella, Pseudomonas aeruginosa e Listeria monocytogenes também podem causar a doença de acordo com os pesquisadores. Para esses casos existe um tratamento padrão: o uso de antibióticos.

Meningite fúngica

Os casos de meningite fúngica são considerados raros, embora alguns milhares sejam relatados a cada ano em todo o mundo. As evidências indicam que essa doença se desenvolve como resultado de infecções em outras partes do corpo, como os pulmões.

O CDC aponta os seguintes microrganismos como causadores:

  • Histoplasma.
  • Cryptococcus.
  • Coccidioides.
  • Blastomyces.
  • Candida.

Alguns deles podem viver dentro do corpo humano ou na pele sem maiores problemas, embora causem complicações em pacientes com um sistema imunológico comprometido. Eles são tratados com medicamentos antifúngicos, administrados por via intravenosa ou oral.

Meningite parasitária

A meningite parasitária geralmente se desenvolve quando as pessoas consomem carne infectada. Os parasitas mais comuns são Angiostrongylus cantonensis, Baylisascaris procyonis e Gnathostoma spinigerum.

A maioria dos casos é relatada no sudeste da Ásia, embora essa infecção também seja possível em países ocidentais. Essa variante é tratada com antimicrobianos e, em alguns contextos, é possível remover os parasitas cirurgicamente.

Meningite amebiana

A meningite amebiana é uma manifestação muito rara que costuma causar complicações com risco de vida. Também chamada de meningoencefalite amebiana primária, é causada pela Naegleria fowleri.

De acordo com os estudos, essa ameba é mais comum no solo ou água doce em locais com temperatura média de 30 graus Celsius. Portanto, as infecções se restringem a algumas áreas específicas do planeta.

Apenas alguns casos são relatados por ano e não existe um tratamento padrão para lidar com a doença. O CDC indica que nos Estados Unidos, entre 2009 e 2019, foram diagnosticados 34 pacientes, dos quais houveram apenas 3 sobreviventes. O processo de diagnóstico também é complexo, em parte devido ao desconhecimento da evolução e desenvolvimento da doença.

Meningite não infecciosa

Por último encontramos a meningite não infecciosa. Embora a maioria dos episódios possa ser explicada com base nos tipos de meningite citados anteriormente, em alguns casos a inflamação ocorre sem qualquer catalisador infeccioso externo. Ou seja, é sintoma de uma condição subjacente.

De acordo com o Boston Clinical Trials, os principais culpados são traumatismos cranioencefálicos, lúpus e câncer. Artrite reumatóide e sarcoidose também podem causar a doença.

Mulher com artrite reumatóide.
Doenças autoimunes e doenças com componentes inflamatórios significativos podem sofrer complicações causadas pela meningite não infecciosa.

Como se prevenir contra os tipos de meningite

Embora nem todos os tipos de meningite possam ser evitados, existem vacinas que protegem contra a maioria dos patógenos citados. A Meningitis Research Foundation recomenda iniciar os ciclos de imunização a partir dos 2 meses de idade, especialmente em áreas onde as epidemias são mais prováveis.

Parte da prevenção consiste em cozinhar bem os alimentos, lavar as mãos, higienizar objetos tocados com frequência, evitar beber água não tratada e limitar a interação com animais. Praticar exercícios, seguir uma dieta balanceada e manter as doenças diagnosticadas sob controle também é útil.

Por sua vez, é recomendado buscar um pronto-socorro caso algum dos sintomas seja percebido. O prognóstico será favorável se o tratamento for iniciado ainda nos estágios iniciais.

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