Terçol: sintomas, causas e tratamento

O terçol é um processo infeccioso que geralmente ocorre nas bordas das pálpebras. Na maioria dos casos, não é necessário nenhum tipo de tratamento.
Terçol: sintomas, causas e tratamento
Samuel Antonio Sánchez Amador

Escrito e verificado por el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador.

Última atualização: 13 abril, 2021

O terçol é definido como uma infecção aguda e dolorosa do olho que aparece na pálpebra superior ou inferior. Uma vez que se trata de uma patologia muito comum, não é possível obter dados epidemiológicos específicos, mas sabe-se que a incidência aumenta acentuadamente em pacientes entre 30 e 50 anos.

Algumas das patologias mais comuns do aparelho ocular externo que afetam a população em geral são o terçol e o calázio, entidades clínicas diferentes mas com sintomas muito semelhantes. A incidência dessas 2 patologias combinadas é de 5,9% da população, sendo o terçol responsável por 4,8%, o calázio por 0,9% e ambas combinadas por 0,1%.

O terçol é causado pela presença de uma infecção bacteriana localizada, geralmente causada por Staphylococcus aureus, embora outros patógenos, tais como S. epidermidis, também sejam suspeitos em alguns casos isolados. Se você quer saber tudo sobre o terçol, incluindo os sintomas, causas e tratamento, recomendamos que continue lendo.

O que é o terçol?

O terçol é doloroso.
A dor é um dos sintomas mais característicos dessa condição.

Conforme já dissemos, o terçol é uma patologia de natureza infecciosa que se apresenta na forma de uma pequena protuberância vermelha e dolorosa que cresce na pálpebra superior ou inferior, seja na sua face interna ou externa. Por causa da sua forma avermelhada e conteúdo purulento, às vezes é confundido com uma “espinha” no olho.

Cabe ressaltar que o terçol ocorre principalmente nas pálpebras superiores e, além disso, pode ser diferenciado em 2 tipos de entidades clínicas, de acordo com o seu local de apresentação. A revista Farmácia Profesional nos ajuda a elucidar as peculiaridades dessa patologia, tão comum quanto complexa.

Terçol externo

O terçol externo é de natureza superficial, pois fica localizado na base dos cílios. Em geral, essa infecção é desencadeada pela obstrução de células que secretam compostos oleosos. São conhecidas como glândulas de Zeiss e têm a função de secretar substâncias oleosas para a porção média do folículo piloso dos cílios.

O terçol externo pode aparecer em qualquer lugar da pálpebra, mas é muito mais comum na extremidade do tecido, onde os cílios encontram a pálpebra. Conforme indicado pela American Academy of Ophthalmology  (AAO), esta variante assume uma forma bastante semelhante à de uma espinha.

Terçol interno

É menos comum que o terçol externo, mas é mais doloroso. Nesse caso, as glândulas afetadas são as glândulas de Meibomius, que estão localizadas nas placas tarsais da pálpebra. Em condições normais, essas células são responsáveis pela produção de lipídios, cuja função é promover a estabilidade da camada lacrimal e evitar a evaporação do líquido.

Essa variante geralmente afeta apenas um olho e, além disso, tende a se desenvolver muito rapidamente. É uma lesão mais profunda e que pode ser vista através da conjuntiva, em forma de uma área amarelada e elevada. Sua apresentação não é tão óbvia externamente quanto a do tipo descrito acima.

Em geral, o terçol interno é confundido com o calázio, pois ambos aparecem com sintomas físicos quase idênticos. No entanto, o calázio geralmente não é doloroso e se desenvolve mais atrás na pálpebra.

Causas do terçol

Assim, como podemos ver, o aparecimento do terçol está relacionado à obstrução das glândulas secretoras em nível palpebral. Conforme indicado pelo portal Kids Health, os canais dessas glândulas podem ficar obstruídos com sebo velho, células mortas da pele e colônias bacterianas presentes na superfície ocular. Se isso acontecer, o fluido fica acumulado, causando o inchaço.

Conforme os estudos indicam, entre 90 e 95% dos casos de terçol são causados pela bactéria Staphylococcus aureus, com quase todos os casos restantes sendo causados por Staphylococcus epidermidis. A invasão desses microrganismos nas glândulas citadas anteriormente resulta em supuração, inflamação e dor localizada, ou seja, em um abscesso.

No tecido afetado, geralmente se observa um conteúdo esbranquiçado, que corresponde à formação de pus. O pus é composto por soro, colesterol, glicose e células do sistema imunológico, que têm como objetivo deter a infecção. Portanto, quando é observada uma lesão de natureza purulenta, suspeita-se de crescimentos bacterianos.

S. aureus e o terçol

Muitas bactérias do gênero Staphylococcus vivem na superfície do nosso corpo sem nos causar nenhum dano. Conforme indicado pelo portal pediátrico Radys Children, esses microrganismos vivem principalmente ao redor do nariz, boca, órgãos genitais e ânus. Eles geralmente são inofensivos, mas, se ocorrerem lesões, eles podem se infiltrar e causar danos.

Em geral, o aparecimento do terçol está associado à má higiene dos olhos. Se o paciente colocar as mãos nos olhos sem lavá-las, isso pode permitir a entrada do S. aureus nos canais das glândulas já citadas, causando assim a patologia. Por esse motivo, ele também está associado a pessoas que usam lentes de contato sem limpá-las corretamente.

Sintomas

Já exploramos exaustivamente as variantes etiológicas e as causas do terçol, por isso é hora de mergulhar nos sintomas. Conforme você pode imaginar, o sinal clínico mais óbvio é a presença de um protuberância vermelha na pálpebra, de aparência semelhante a uma espinha.

A área da lesão fica avermelhada, sensível ao toque e com um foco cheio de pus. Além disso, o paciente geralmente sente dor e a presença de um corpo estranho no aparelho ocular, como se houvesse um grão de areia no olho. Em alguns casos, também há fotofobia (sensibilidade à luz), lacrimejamento e crostas ao longo da margem palpebral.

Ao lidar com um terçol, lembre-se de que os sintomas variam de acordo com a sua localização. Na lista a seguir, você poderá observar certas diferenças entre as entidades clínicas nomeadas:

  • O terçol externo é encontrado como um endurecimento do tecido com um ponto amarelado de pus no centro. Esse acúmulo de líquido geralmente se rompe simplesmente com o passar do tempo, fazendo com que o seu conteúdo seja drenado.
  • O terçol interno fica localizado em estruturas mais internas da pálpebra e, portanto, geralmente não se rompe e drena por conta própria. Ambas as variantes causam dor, mas esta é mais dolorosa.
  • Já o calázio, por sua vez, é ainda mais interno do que o terçol, geralmente com uma maior protuberância. Normalmente é indolor, mas pode causar visão turva se a massa inchada pressionar o globo ocular.

Citar as diferenças entre um terçol interno e um calázio é uma tarefa muito complexa, pois as fontes fornecem informações confusas sobre o assunto. No entanto, todas parecem concordar em uma premissa: o terçol (externo ou interno) é uma infecção aguda, enquanto o calázio é uma inflamação crônica da pálpebra.

Diagnóstico

O diagnóstico quase sempre é físico, ou seja, basta que o clínico geral observe o abscesso na pálpebra para confirmar que se trata de um terçol. De qualquer forma, conforme indica o portal de MSD Manuals , o terçol interno pode ser facilmente confundido com o calázio, principalmente nos primeiros dias.

Ambas as entidades clínicas são tratadas de forma semelhante, portanto, isso geralmente não é de grande importância. No entanto, se o calázio não desaparecer com o tempo e não responder ao tratamento, deve-se suspeitar de um tumor palpebral. Nestes casos, é necessária a extração de tecido (biópsia) para esclarecer a natureza do agente causador.

Tratamento

O terçol pode ser tratado com antibióticos.
Às vezes, podem ser necessários antibióticos.

A Clínica Mayo e outros portais médicos nos mostram tratamentos para o terçol. Em primeiro lugar, é necessário enfatizar que o terçol externo geralmente se rompe e drena sem a necessidade de tratamento e, portanto, ele se resolve sem nenhum tipo de ação médica.

Em geral, recomenda-se colocar compressas mornas sobre a pálpebra afetada durante 15 minutos, cerca de 3 vezes ao dia. Isso pode acelerar a abertura e a drenagem do abscesso e, portanto, pode acelerar um pouco o processo de recuperação. Além disso, pode ser prescrita eritromicina (de uso tópico) para aplicação diária, a fim de evitar a propagação da infecção.

Os estudos citados acima argumentam que não há evidências claras dos benefícios do uso da eritromicina. Ainda assim, o seu uso durante 7 a 10 dias muitas vezes continua sendo recomendado na clínica geral.

Também foi postulado que massagens na área do abscesso podem ajudar a desobstruir as glândulas obstruídas, embora seja necessário tomar cuidado com essas práticas. Se o paciente tocar no olho infectado sem higienizar as mãos primeiramente, a única coisa que será obtida é a piora do quadro clínico.

Se a infecção não responder aos tratamentos tópicos e se espalhar, são usados antibióticos orais. Nos casos em que o acúmulo de pus é muito evidente, o oftalmologista pode drenar o conteúdo do abscesso manualmente, a fim de reduzir os sintomas e promover a sua rápida recuperação.

Os antibióticos orais são considerados se houver evidência de celulite pré-septal.

Prevenção e considerações em casa

Se você estiver com um terçol e se sentir preocupado com a sua evolução, recomendamos que siga estes passos e orientações em casa:

  • Não toque na área lesionada: dissemos que a massagem no abscesso pode ajudar a desobstruir os canais glandulares, mas isso só pode ser feito por um profissional da saúde. Ao estourar a bolha de pus acidentalmente antes do tempo, a única coisa que se consegue é facilitar a entrada de mais bactérias na área.
  • Limpe a área: o local onde o terçol aparece é muito delicado. Portanto, recomenda-se a limpeza com xampu infantil diluído em água. Também podem ser usadas soluções salinas que, além de tudo, geralmente favorecem a eliminação de bactérias.
  • Interaja com o olho o mínimo possível: coloque óculos em vez de lentes de contato enquanto estiver com o terçol e limpe-os sempre que retirá-los. Evite também aplicar maquiagem e outros acessórios cosméticos nas pálpebras e na área dos olhos até que o terçol desapareça.

Se você não está com terçol mas quer evitar que isso aconteça, basta seguir uma regra geral: lavar as mãos antes de tocar nos olhos. Infelizmente, algumas pessoas com condições clínicas específicas (tais como blefarite ou rosácea) têm maior propensão a desenvolver o terçol. Esses pacientes devem discutir medidas preventivas mais específicas com o seu médico.

Uma patologia comum e de fácil resolução

Conforme você pode ver, o terçol é muito comum na sociedade, mas geralmente desaparece tão rapidamente quanto aparece. É uma doença autolimitada na grande maioria dos casos, ou seja, nem mesmo é preciso um tratamento para combatê-la.

Na maioria dos casos de terçol só há sintomas durante uma semana. Assim, se você estiver com um terçol, as compressas mornas e a higiene dos olhos serão as suas melhores aliadas. Porém, se o abscesso não drenar por conta própria nesse intervalo de tempo, é necessário procurar um oftalmologista para decidir o curso de tratamento.




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