Ondas de calor (fogachos) na menopausa: o que fazer

As ondas de calor não são uma doença propriamente dita, mas um sintoma que ocorre com frequência antes e durante a menopausa. Explicaremos esse assunto em detalhe a seguir.
Ondas de calor (fogachos) na menopausa: o que fazer

Escrito por Maite Córdova Vena, 29 Junho, 2021

Última atualização: 29 Junho, 2021

Quando pensamos na menopausa, quase instantaneamente visualizamos a imagem de uma mulher sentindo calor, com as bochechas coradas e abanando rapidamente um leque, uma folha de papel ou o que quer que esteja à mão para se arejar. Nesse sentido, é inegável que as ondas de calor ou fogachos são um dos principais sintomas desta fase particular da vida.

De acordo com um estudo publicado na revista Menopause em 2008, as ondas de calor são definidas como ‘súbitas sensações repentinas de calor, muitas vezes acompanhadas de vermelhidão na pele e suor’.

Em geral, elas começam a ser notados na região do tórax e se espalham ou irradiam para três pontos específicos na parte superior do corpo: rosto, cabeça e braços.

Elas podem ocorrer a qualquer hora e geralmente duram de 2 a 4 minutos. Não existe uma regra que indique quando elas vão começar, mas observou-se que geralmente aparecem na fase pré-menopausa e vão diminuindo com o passar do tempo.

O que mais há para saber sobre ondas de calor?

As ondas de calor que ocorrem durante a menopausa podem ser difíceis de lidar.
As ondas de calor são parte fundamental das manifestações clínicas da menopausa, e geralmente são percebidas como algo incômodo.

Embora façam parte das alterações típicas da menopausa, isso não significa que elas não sejam incômodas. Dependendo da frequência e intensidade, as ondas de calor podem reduzir significativamente a qualidade de vida de mulheres com sintomas da menopausa.

Humor, sono, desejo sexual, habilidades cognitivas (memória e concentração, especialmente) podem ser diminuídas pelas ondas de calor.

O mesmo estudo explica que aproximadamente 70% das mulheres experimentam ondas de calor durante os primeiros 5 anos da menopausa. No entanto, a incidência e a gravidade delas e os sintomas que elas trazem variam.

Em alguns casos, é possível conviver com os sintomas com relativa facilidade, pois eles não ultrapassam uma intensidade média; mas em outros, podem ser um desconforto difícil de enfrentar. De fato, observou-se que esses sintomas tendem a ser mais graves em mulheres que tiveram a menopausa induzida por procedimentos cirúrgicos ou pacientes com câncer.

Além das ondas de calor, as mulheres relatam outros desconfortos, como náusea, sudorese, taquicardia, formigamento, fadiga, ansiedade, depressão, estresse e emoções negativas associadas à frustração e vergonha.

Quais são as causas e gatilhos?

“Do ponto de vista fisiopatológico, embora seja amplamente conhecido que as ondas de calor apareçam com o declínio hormonal da menopausa, o estrogênio por si só não é a única causa, já que seus níveis plasmático e urinário não diferem significativamente em pacientes sintomáticos e assintomáticos”, explicam os autores de um estudo focado em Termorregulação e ondas de calor da menopausa.

Independentemente da origem, geralmente o que se costuma discutir são os gatilhos, ou seja, os fatores que podem contribuir para o surgimento desse sintoma.

Alguns dos fatores mais citados na consulta médica são: alimentos picantes, cigarros, fontes de cafeína (café, chocolate, etc.), álcool e tensão emocional (episódios estressantes ou situações desconfortáveis).

O que fazer para lidar com as ondas de calor?

A boa notícia é que existem várias maneiras de aliviar e lidar com as ondas de calor. Dependendo do estado de saúde de cada mulher e de suas necessidades particulares, diferentes combinações de tratamentos podem ser aplicadas.

No entanto, todas as opções geralmente incluem algumas mudanças no estilo de vida (como melhorar a dieta, evitar temperos picantes e outras especiarias, reduzir o consumo de café, parar de beber e fumar, etc.)

Beber agua fria

As ondas de calor que acontecem na menopausa têm tratamento.
A hidratação constante é essencial para o bom funcionamento do corpo, principalmente na menopausa, quando a sensibilidade à sede diminui.

Uma maneira simples e eficaz de lidar com as ondas de calor é beber água fria. Isso não só ajudará a refrescar o corpo, mas também a atenuar a sensação de “queimação” no rosto.

  • Também se recomenda umedecer as orelhas com um pouco de água fria para maximizar a sensação de frescor.
  • Caso seja necessário sair de casa, é aconselhável levar sempre uma garrafa de água.

Respiração profunda

A respiração profunda é uma prática que pode ser muito benéfica para o corpo e a mente quando incluída regularmente em um estilo de vida saudável. No caso das mulheres na menopausa, ao ajudar a controlar a tensão emocional e o estresse, ela também pode ajudar a aliviar as ondas de calor.

  • Esse tipo de prática é frequentemente associada à yoga, meditação, tai chi, mindfulness e similares.
  • A acupuntura também pode ser combinada com respiração profunda, mas os especialistas dizem que a primeira não se mostrou – até agora – mais eficaz do que o placebo.

Vestir-se em camadas

Vestir-se em camadas é uma das estratégias mais aplicáveis no dia a dia, e não apenas em países onde há 4 estações. Caso comece uma onda de calor, é possível retirar um ou dois itens, como um cardigã e um lenço ou cachecol, e ficar com a blusa ou camiseta até que a sensação de calor passe.

Evitar o calor

Banhos de sol por longos períodos de tempo quando se está passando por um período de ondas de calor constante não é a melhor ideia. Tanto quanto possível, evite a exposição ao calor. Isso significa que além de tomar sol com sabedoria, será preciso evitar duchas, banhos quentes e saunas.

Medicina natural

A Cimicifuga racemosa, raiz de maca, linhaça, soja (e seus derivados) e outros suplementos feitos de alimentos, plantas e ervas de diferentes partes do mundo podem ajudar com ondas de calor. Para usá-las da maneira mais benéfica possível, verifique primeiro com um médico.

Por fim, a terapia hormonal e o tratamento sintomático também são opções que o médico pode aprovar caso uma grande incidência de ondas de calor seja informada na consulta.

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