Hipotermia: tudo o que você precisa saber

A hipotermia é uma condição na qual a temperatura corporal diminui de forma abrupta, o que pode provocar múltiplas complicações. Felizmente, a maioria dos danos são reversíveis se o tratamento adequado for iniciado a tempo.
Hipotermia: tudo o que você precisa saber

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 06 Setembro, 2021

Última atualização: 06 Setembro, 2021

A temperatura corporal é resultado de um equilíbrio dinâmico entre os mecanismos reguladores internos e os fatores ambientais. Nesse sentido, condições locais e sistêmicas podem ocorrer quando o organismo é exposto a condições de temperaturas extremas. Uma dessas condições é a hipotermia. Te interessa aprender mais sobre ela? Continue lendo!

A hipotermia ocorre quando a temperatura corporal diminui para valores abaixo do normal, ao entrar em contato com um ambiente frio ou como resultado de uma doença que prejudique a capacidade de conservar o calor corporal. Estudos afirmam que esse fenômeno ocorre quando a temperatura central é inferior a 35 graus Celsius, provocando o aparecimento de sinais e sintomas característicos.

Sintomas

A hipotermia provoca muitos sintomas.
Quando a hipotermia progride podem ser provocados sintomas muito óbvios, como a perda de consciência.

As manifestações clínicas da hipotermia geralmente aparecem de forma progressiva ou repentina, dependendo da causa e gravidade do quadro.

Os calafrios costumam ser o primeiro sintoma a aparecer; eles surgem devido à ativação de mecanismos periféricos que buscam elevar e recuperar a temperatura corporal. Além disso, também é comum a manifestação dos seguintes sintomas:

  • Pele pálida e fria.
  • Cianose.
  • Respiração suave e superficial.
  • Dificuldade para se movimentar ou falta de coordenação.
  • Bradicardia.
  • Dormência nos dedos e extremidades.
  • Confusão e sonolência.

Em geral, pessoas com hipotermia tendem a experimentar um pensamento mais lento e, portanto, têm pouca compreensão do seu estado de saúde. Dessa forma, elas podem apresentar perda de consciência, parada cardíaca, choque e coma quando não recebem atendimento médico em tempo hábil.

Tipos de hipotermia

A hipotermia pode ser classificada de acordo com a origem da causa desencadeante e com base na temperatura da pessoa afetada.

Nesse sentido, falamos de hipotermia acidental primária quando a redução da temperatura corporal é decorrente da exposição ambiental ao frio extremo. A hipotermia acidental secundária ocorre como resultado de uma doença ou condição subjacente.

Da mesma forma, algumas pesquisas sugerem que a hipotermia pode ser classificada em 5 graus, com base nos sinais clínicos e sua relação com a temperatura central. Os graus existentes se baseiam em critérios de diferentes associações especializadas no tratamento da patologia, pelo que é possível classificá-la da seguinte forma:

  • Grau I (de 35 a 32 graus Celsius): a pessoa afetada está consciente, trêmula, com disartria e frequência cardíaca aumentada. Nesse ponto, todos os sintomas são reversíveis com um tratamento de reaquecimento.
  • Grau II (de 32 a 28 graus Celsius): o paciente geralmente está confuso e sonolento, mas sem tremores. Também ocorrem alterações na condução cardíaca que podem desencadear arritmias fatais.
  • Grau III (de 28 a 24 graus Celsius): ocorre quando os mecanismos termorreguladores do corpo falham. A pessoa pode perder a consciência ou estar inconsciente, mas com sinais vitais presentes.
  • Grau IV (de 24 a 13,7 graus Celsius): ocorre assistolia, e consequentemente uma ausência de sinais vitais e morte aparente. Neste ponto, a ressuscitação da pessoa afetada ainda é possível.
  • Grau V (menos de 13 graus Celsius): conhecida como hipotermia irreversível, na qual há incompatibilidade com a vida.

Por que a hipotermia ocorre?

A temperatura do corpo humano é determinada por um equilíbrio ativo entre a produção e a eliminação de calor.

Dessa forma, o centro termorregulador hipotalâmico, em conjunto com vários mecanismos periféricos, busca manter uma temperatura corporal ideal de 37,5 graus Celsius por meio da transpiração, vasodilatação e movimento muscular.

A hipotermia geralmente ocorre devido à perda excessiva de calor ou produção insuficiente do mesmo. Além disso, a alteração do centro regulador também pode ser responsável por essa condição.

Em geral, a exposição ambiental a condições de baixa temperatura é a principal causa da hipotermia, como ocorre no caso da imersão em água fria.

Por outro lado, alguns compostos como o etanol e os barbitúricos podem acelerar a perda de calor para o ambiente externo. Algumas pesquisas mostraram que até 20% dos pacientes experimentam hipotermia perioperatória não intencional enquanto estão sob efeito de anestésicos.

A maioria dos processos enzimáticos no corpo humano libera calor secundário à formação de energia, geralmente na forma de ATP. Dessa forma, a redução dos metabólitos necessários à produção dessa molécula favorece o surgimento da hipotermia. Portanto, esse fenômeno é comum em pessoas que sofrem de desnutrição grave, hipoglicemia ou marasmo.

Alterações no sistema nervoso central, como isquemia e traumatismos, também estão associadas à hipotermia, que surge devido a lesões nas vias neurológicas responsáveis pela termogênese. Além disso, pessoas com hipopituitarismo, insuficiência adrenal e hipotireoidismo apresentam um maior risco de desenvolver essa condição.

Diagnóstico

A hipotermia geralmente requer hospitalização.
Muitos casos de hipotermia geralmente requerem internação hospitalar por pelo menos algumas horas.

O diagnóstico da hipotermia é baseado na detecção da temperatura corporal e sua associação com os sintomas do paciente. Nesse sentido, geralmente é utilizado um termômetro oral, retal ou timpânico para realizar a leitura. A detecção de uma temperatura abaixo de 35 graus Celsius permite corroborar o estado hipotérmico.

Valores abaixo de 36 graus Celsius também permitem medidas preventivas. Além disso, o médico fará uma associação entre as manifestações clínicas e a leitura do termômetro para classificar a hipotermia como leve, moderada ou grave.

A abordagem médica geralmente envolve um exame físico integral, bem como uma entrevista detalhada. Dessa forma o médico identificará a situação desencadeante da condição e sua possível relação com uma patologia subjacente, fenômeno ambiental ou uma intoxicação por medicamentos.

Tratamento

O tratamento da hipotermia busca solucionar e retardar a evolução do evento desencadeante. Dessa forma, o procedimento inicial é tirar a pessoa do frio e utilizar medidas de primeiros socorros, que buscarão aquecer o corpo de forma progressiva.

É importante retirar a roupa molhada após uma imersão, protegendo o corpo com casacos secos e colocando a pessoa afetada em um local aquecido. Em casos graves, é necessária a assistência imediata de uma equipe de emergência e a utilização de protocolos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

Após retirar o paciente do estado crítico será iniciado o tratamento médico, com o objetivo de reaquecer e recuperar a temperatura corporal normal. Entre os procedimentos utilizados estão os seguintes:

  • Reaquecimento externo passivo (PER): é utilizado em pessoas com hipotermia leve, e consiste em colocar a pessoa em um ambiente aquecido e isolado, elevando gradativamente a temperatura corporal central.
  • Reaquecimento do Núcleo Ativo (ACR): usado em casos moderados a graves, e envolve várias maneiras de aumentar a temperatura de forma direta e segura. Nesse sentido, pode-se fornecer ao paciente ar quente e umidificado, irrigar o abdome, administrar líquidos quentes por via intravenosa ou utilizar métodos de diatermia e reaquecimento sanguíneo por hemodiálise.

Prevenção da hipotermia

As medidas de prevenção do estado hipotérmico estão orientadas a evitar a perda de calor pela pele. Para isso, é aconselhável seguir as seguintes dicas:

  • Evitar ficar muito tempo em espaços com baixas temperaturas.
  • Não tomar banhos ou realizar atividades aquáticas em rios, lagos ou represas durante o inverno.
  • Utilizar medidas de proteção e isolamento corporal em ambientes frios.
  • Consumir bebidas mornas ou quentes.

Uma condição que não deve ser subestimada

Na maioria dos casos, a hipotermia pode ser uma condição que passa despercebida, sendo considerada como de pouca importância para algumas pessoas. No entanto, o comprometimento da temperatura corporal implica em múltiplas complicações cardiovasculares, respiratórias e neurológicas. Além disso, eventos de hipotermia grave podem provocar rapidamente a morte da pessoa afetada.

Por esse motivo, não hesite em procurar atendimento imediato em caso de tremores, espasmos musculares, palidez cutânea, respiração superficial, confusão e sonolência. Os médicos são treinados para identificar a condição e orientá-lo na recuperação da sua saúde.

Pode interessar a você...
12 segredos para cuidar da pele no frio
Muy SaludLeia em Muy Salud
12 segredos para cuidar da pele no frio

As baixas temperaturas é um gatilho para que a pele fique rígida, quebradiça, escamosa e irritada; portanto, cuidar a pele do frio é essencial.



  • Avellanas M, Ricart A, Botella J, Mengelle F et al . Manejo de la hipotermia accidental severa. Med. Intensiva. 2012; 36(3): 200-212.
  • Campos Chacón N. Hipotermia: a propósito de un caso. Med. leg. Costa Rica. 2016; 33(2): 159-164.
  • Hart SR, Bordes B, Hart J, Corsino D, Harmon D. Unintended perioperative hypothermia. Ochsner J. 2011;11(3):259-70.
  • Brandt S, Mühlsteff J, Imhoff M. Diagnosis, prevention and treatment of accidental and perioperative hypothermia. Biomedizinische Technik/Biomedical Engineering. 2012;57(5).
  • Avellanas Chavala M, Ayala Gallardo M, Soteras Martínez Í, Subirats Bayego E. Management of accidental hypothermia: A narrative review. Med Intensiva (Engl Ed). 2019;43(9):556-568.
  • García Iriarte A, Sáenz Mendía R, Marín Fernández B. La hipotermia [Hypothermia]. Rev Enferm. 2010;33(1):55-62.