Gengivite: sintomas, causas e tratamento

A gengivite é uma doença periodontal muito comum que passa despercebida. Infelizmente, ela pode avançar e ter consequências graves. Quer saber os seus sintomas, causas e tratamentos? Continue lendo!

A cavidade bucal é composta pelos dentes e por todos os tecidos que os sustentam, também conhecido como periodonto. Um dos principais tecidos de sustentação são as gengivas, que podem ser afetadas por diversas patologias. Dentre as doenças que afetam esses tecidos, se destaca a inflamação gengival ou gengivite.

Essa é uma das doenças gengivais mais frequentes em todo o mundo, e afeta entre 20 e 50% dependendo da população estudada. Essa patologia pode ser acompanhada por uma infecção do tecido e afetar outras estruturas profundas, sendo ela a primeira etapa da doença periodontal.

Existem diferentes graus desta doença, embora em termos gerais comece com um sangramento leve da gengiva no ato de escovar os dentes. Nos casos mais graves, a inflamação pode afetar os ligamentos periodontais e o tecido ósseo, causando sua destruição, por isso o tratamento oportuno é fundamental.

Causas da gengivite

Gengivite e halitose.
Muitas das causas da gengivite estão associadas ao mau hálito.

Uma das principais causas dessa doença é o efeito crônico da c consequência de escassez ou inadequação da higiene bucal. A boca contém uma grande quantidade de bactérias que se unem ao muco e a restos de comida, formando uma substância chamada placa que cobrirá o dente.

A placa bacteriana deve ser removida todos os dias com uma escovação correta, já que caso contrário surgirão condições como cáries ou halitose. Quando a placa não é removida, ela tende a se acumular na base do dente, endurecer e formar um depósito duro chamado tártaro.

Essa placa e o tártaro causam a inflamação das gengivas e consequentemente a gengivite. Ambos os fatores, aliados à higiene inadequada, favorecem o acúmulo de germes no tecido. Todos esses microrganismos produzem toxinas, o que piora muito a doença.

Fatores de risco

Apesar da grande frequência dessa doença, muitas investigações conseguiram determinar alguns fatores de risco que favorecem sua aplicação.

Esses fatores estão relacionados à fragilidade do sistema imunológico e às alterações anatômicas da boca, entre os quais se destacam:

  • Gravidez.
  • Idade avançada.
  • Dentes desalinhados que irritam as gengivas.
  • Estresse.
  • Alguns medicamentos como a fenitoína ou metais pesados.
  • Próteses dentárias mal ajustadas.
  • Diabetes mellitus não controlada.

Sintomas da gengivite

Os sintomas da gengivite são muito sutis e podem ser difíceis de perceber a primeira vista, já que não são extremamente incômodos. Nesse sentido, é importante conhecer o aspecto normal das gengivas para facilitar a identificação da patologia. As gengivas são um tecido rosa-claro, úmido, indolor ao toque e fixadas ao dente.

Um dos principais sintomas dessa doença é a gengivorragia ou sangramento das gengivas, especialmente após a escovação. O sangue expelido geralmente é escasso e vermelho brilhante. Muitas vezes é visto na espuma produzida pela pasta de dente em pequenas gotas ou em um tom rosado.

Por outro lado, as gengivas podem apresentar alterações em sua aparência pela inflamação e pela ação de bactérias. Nesse sentido, é possível perceber algum dos seguintes sintomas:

  • Gengivas dilatadas.
  • Cor avermelhada na mucosa bucal, semelhante a um tecido irritado.
  • Mau hálito.
  • Retração gengival.
  • Dor ou desconforto ao tocar nas gengivas.
  • Aspecto brilhante das gengivas.
  • Úlceras bucais nos casos mais graves.

Diagnóstico

O diagnóstico desta doença gengival é muito simples e se baseia em um rápido exame do dentista. Ele vai inspecionar a boca do paciente para verificar o estado das gengivas e comprovar a existência da doença.

O dentista pode tocar as gengivas com os dedos para estimular a região, verificando se existe sensibilidade e sangramento. Ele também pode fazer perguntas e assim identificar a existência de algum dos fatores de risco descritos acima.

Os dentistas costumam medir a profundidade do espaço entre a gengiva e o dente para verificar o risco da existência da gengivite, já que esse espaço deve ser inferior a 3 milímetros.

A realização de uma radiografia dentária é necessária, especialmente nos casos mais graves. Isso é feito para determinar se há diminuição da massa óssea, o que indicaria a presença de periodontite, uma das complicações mais frequentes da doença.

Tratamento da gengivite

A gengivite é tratável.
Ir ao especialista é sempre a melhor opção.

O tratamento da gengivite procura reduzir a inflamação e eliminar a infecção do tecido. Por outro lado, é necessário eliminar a causa direta da doença, por isso o implante dentário deve ser retirado e ajustado quando a irritação ocorre por um defeito do mesmo.

A gengivite é reversível desde que a placa bacteriana e o tártaro sejam removidos dos dentes. Nesse sentido, o dentista deve utilizar diversos instrumentos para remover os depósitos sólidos e realizar uma limpeza adequada.

Alguns especialistas recomendam o uso de enxaguante e antisséptico bucal nos dias anteriores à limpeza para reduzir a inflamação.

Depois que o tártaro e a placa são removidos, a inflamação das gengivas normalmente desaparece sozinha depois de alguns dias. A gengivite é uma doença com tendência a reaparecer, o que torna a boa higiene bucal e a avaliação dentária contínua fundamentais.

Como prevenir o aparecimento?

O melhor método para prevenir o aparecimento de qualquer doença odontológica ou gengival é ter uma boa higiene bucal e o cuidado correto dos dentes. A remoção da placa é muito importante, por isso vários dentistas recomendam escovar os dentes pelo menos 2 vezes ao dia com uma escova adequada.

Algumas pesquisas afirmam que as escovas elétricas são melhores para remover a placa bacteriana e o cálculo dentário, mas uma boa técnica de escovação também é essencial. Nesse sentido, é necessário tentar cobrir todos os dentes com as cerdas da escova, sem esquecer as estruturas anexas como a língua.

A escovação adequada dos dentes deve ser acompanhada do uso do fio dental pelo menos uma vez ao dia, já que é a forma mais eficaz de remover a placa bacteriana localizada entre os dentes. O uso de enxaguantes bucais também é muito recomendado, já que eles ajudam a eliminar os germes encontrados na boca e melhoram o hálito.

O tratamento oportuno é essencial

A gengivite é uma doença periodontal caracterizada pelo sangramento e inflamação das gengivas. Ela ocorre por muitos fatores, embora esteja intimamente relacionada à higiene bucal inadequada. Nesse sentido, a melhor forma de prevenir e tratar a gengivite é a remoção do tártaro e a escovação adequada dos dentes.

Embora não pareça tão grave, a gengivite pode progredir e se transformar em periodontite, que é uma doença que pode levar à destruição do tecido ósseo da boca. O diagnóstico precoce e o atendimento tem grande importância, então consultar um especialista em caso de qualquer sintoma suspeito é fundamental.

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