Endometriose e infertilidade: como se relacionam?

Uma das doenças ginecológicas mais comuns em todo o mundo é a endometriose, que pode até afetar a função reprodutiva da mulher.
Endometriose e infertilidade: como se relacionam?

Escrito por Maite Córdova Vena, 01 Setembro, 2021

Última atualização: 01 Setembro, 2021

A relação entre endometriose e infertilidade não é incomum. No entanto, isso não significa que todas as mulheres com a doença estão “condenadas” a não ter filhos. Em alguns casos, com um tratamento de fertilidade adequado é possível melhorar a função reprodutiva. Para chegar lá, o médico precisará avaliar a extensão das lesões.

A endometriose é uma doença crônica cujo principal sintoma é uma dor pélvica intensa, que costuma se acentuar durante a menstruação. Essa dor é consequência do crescimento do tecido endometrial (isto é, o tecido que reveste o útero internamente) em áreas onde isso não deveria acontecer. Esse crescimento é denominado tecido endometrial ectópico.

Conforme explicado pela Oficina de Salud para la Mujer, as áreas mais afetadas pela endometriose costumam ser os ovários (e sua superfície externa), as tubas uterinas e os tecidos de suporte do útero. Ela pode afetar a vagina, colo do útero, vulva, intestino, bexiga ou o reto, mas essas ocorrências são menos frequentes.

De acordo com o Manual MSD, o tecido endometrial ectópico não afeta apenas a um ponto específico, mas pode inclusive provocar uma irritação nos tecidos circundantes. Ele também pode causar a formação de aderências entre as estruturas do abdômen (que são faixas de tecido cicatricial).

Conforme afirma um estudo publicado na revista Medicina Legal de Costa Rica Edición Virtual, o número de mulheres com endometriose e problemas de infertilidade está entre 30 e 50%, aproximadamente. Por outro lado, é interessante saber que 25-50% dos casos de mulheres que sofrem de infertilidade são das que apresentam endometriose.

Causas da infertilidade

Endometriose e infertilidade: causas anatômicas e funcionais.
O tecido endometrial ectópico pode causar distúrbios físicos e funcionais capazes de prejudicar a fertilidade. Para muitas pessoas, essa é uma das maiores consequências da endometriose.

No portal da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma-se que a relação entre endometriose e infertilidade reside nos efeitos da própria doença na cavidade pélvica e nas principais áreas afetadas já mencionadas (ovários, útero e tubas uterinas).

Em suma, a presença de tecido endometrial ectópico em várias partes do aparelho reprodutor (principalmente nos ovários e tubas uterinas) é o que pode dificultar ou mesmo impedir a implantação do embrião.

Portanto, o bloqueio das tubas uterinas (e a irritação das áreas adjacentes) pelo tecido endometrial ectópico é o que pode causar a infertilidade. Para ajudar a entender isso, a Dra. Elisa Martín Cano explica o seguinte:

  • Em condições normais, o tecido endometrial reveste o útero (que é uma cavidade oca) e, mês a mês, ele se prepara para uma possível gestação. Portanto, é sensível às alterações hormonais.
  • Caso ocorra a fertilização, o tecido endometrial permite a implantação do embrião e evita que ele se desprenda.
  • O tecido endometrial ectópico também é sensível às alterações hormonais, de modo que, à medida em que a menstruação se aproxima, ele pode sangrar e causar muita dor. Isso pode ocorrer durante ou depois da menstruação.

Por outro lado, a OMS esclarece que a extensão das lesões endometriais nem sempre corresponde à gravidade ou duração dos sintomas da endometriose. Isso significa que o fato de uma mulher apresentar uma lesão maior não faz com que ela tenha menos probabilidade de engravidar do que uma mulher com lesões menores.

“A gravidade dos sintomas e os efeitos dessa doença na fertilidade e na função dos órgãos variam muito de uma mulher para outra”, afirma o Manual MSD.

O tecido ectópico pode obstruir a passagem do óvulo do ovário para o útero e causar infertilidade.

Tratamento

De acordo com o estudo citado anteriormente, o tratamento da endometriose e as técnicas de reprodução assistida podem contribuir para que a gravidez seja possível para essas pacientes. A este respeito, é importante considerar  que as taxas de sucesso são variáveis.

As opções de tratamento para a infertilidade por endometriose incluem as seguintes:

  • Estimulação ovariana com inseminação intrauterina (IIU).
  • Fertilização in vitro (FIV).
  • Remoção cirúrgica laparoscópica da endometriose.

Tratamento cirúrgico

Quando a mulher que sofre de endometriose apresenta infertilidade e deseja engravidar, costuma-se recorrer ao tratamento cirúrgico. Neste, busca-se eliminar a maior quantidade de tecido endometrial ectópico possível, mas tentando não lesionar os ovários para não afetar a função reprodutiva.

Dependendo do estágio da endometriose e do nível de comprometimento, a probabilidade da mulher engravidar após a cirurgia aumenta entre 40-70%.

Mesmo quando a cirurgia consegue eliminar todo ou quase todo o tecido endometrial ectópico, o tratamento ou acompanhamento médico não termina aí. Isso ocorre porque a endometriose é uma doença crônica e progressiva. A cirurgia é uma forma temporária de tratamento.

Quando todo o tecido não pode ser removido, a paciente pode receber tratamento pós-operatório com um agonista GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina).

No entanto, o Manual MSD afirma que, embora esses tipos de medicamentos sejam úteis no controle da progressão da endometriose, não se sabe se os agonistas podem melhorar a fertilidade em si.

  • Um agonista de GnRH ajuda a inibir a produção dos hormônios responsáveis pela ovulação, ciclo menstrual e progressão da endometriose.

Fertilização in vitro

Endometriose e infertilidade: a fertilização in vitro é um tratamento válido.
A fertilização in vitro é um procedimento relativamente simples e que pode resolver alguns casos de infertilidade feminina.

Os especialistas da Cochrane explicam que a fertilização in vitro é um processo no qual os óvulos são retirados dos ovários de uma mulher e, em seguida, fertilizados com esperma (do parceiro ou de um doador) para criar embriões. Posteriormente eles são recolocados no útero.

Embora o tratamento farmacológico às vezes seja prescrito antes da FIV, esta não precisa necessariamente ser feita após um tratamento com um agonista de GnRH por 6 meses ou mais.

Em geral, passa-se diretamente para a fertilização in vitro nos seguintes casos:

  • Quando a gravidez não ocorre depois de 6-12 meses do tratamento cirúrgico da endometriose.
  • As tubas uterinas estão obstruídas.
  • Existem outros problemas de fertilidade.

Riscos de aborto espontâneo

Mesmo quando a mulher com endometriose consegue engravidar, ela deve manter um controle e tratamento adequados, pois são vários os riscos de placenta prévia, parto prematuro e aborto espontâneo.

Além disso, não faz mal que as mulheres procurem manter um estilo de vida saudável, no qual predomina não apenas uma boa alimentação, mas também outros bons hábitos de vida, incluindo dormir o suficiente todos os dias.

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