Como o clima afeta a fibromialgia

De acordo com algumas hipóteses, as mudanças climáticas podem desencadear surtos de fibromialgia. Mas o que a ciência diz sobre isso? Nós vamos te contar a seguir.
Como o clima afeta a fibromialgia

Escrito por Maite Córdova Vena, 14 Junho, 2021

Última atualização: 14 Junho, 2021

Mesmo quando não querem, as pessoas com fibromialgia são suscetíveis a uma variedade de situações que exigem adaptação rápida. Por exemplo, mudanças no estilo de vida, uma viagem, uma visita, um evento especial, a chegada de um novo animal de estimação na casa, um ferimento, etc. Por isso, há quem se pergunte como o clima afeta a fibromialgia.

A fibromialgia é uma doença crônica de origem duvidosa. Muitas vezes é considerada como resultado da interação entre vários fatores, mas o porquê permanece um mistério. Somado a isso, cada caso é praticamente único.

Conforme indicado no Guia do Paciente para Síndrome de Fadiga Crônica e Fibromialgia, surtos de fibromialgia podem ocorrer a partir das situações acima mencionadas.

No entanto, ela podem ser produzidas por estresse, uma relação estressante com uma determinada pessoa, hiperatividade, falta de sono, outros problemas de saúde (agudos ou crônicos), flutuações na atividade hormonal e, de acordo com algumas hipóteses, por mudanças no clima.

A relação entre clima e fibromialgia

Para saber como o clima afeta a fibromialgia, é preciso entender os estudos
A relação entre o clima e o curso clínico da fibromialgia há muito é estudada, embora ainda haja controvérsia.

O fato de as pessoas com fibromialgia serem tão sensíveis à dor e a muitos tipos de mudanças em sua rotina levou à crença de que talvez pudesse haver uma relação entre o clima e a doença. Isso não excluiria a influência de outros fatores, mas considerou-se que ele poderia desempenhar um papel relevante para ajudar a entender mais sobre a doença.

Por mais de uma década, tentou-se dar uma resposta sobre como o clima afeta a fibromialgia, mas as limitações dos estudos (tamanho da amostra, métodos, etc.) não permitiram. Ainda assim, é interessante saber o que as investigações mostraram.

O que dizem as pesquisas

Em um estudo publicado em 2002, foi explicado que nenhuma relação estatisticamente significativa foi encontrada entre a dor fibromialgica e o clima na amostra selecionada. No entanto, era possível que um grupo de pacientes com fibromialgia menos crônica pudesse ser sensível às mudanças meteorológicas.

Os resultados de uma pesquisa publicada em 2007 mostraram que entre alguns dos principais fatores agravantes dos sintomas da fibromialgia estavam as mudanças no clima. Estas ocuparam a segunda posição na lista de fatores. A primeira posição correspondeu ao estresse emocional.

Em um estudo publicado em 2013, concluiu-se que “embora os pacientes com fibromialgia frequentemente relatem que certas condições climáticas agravam seus sintomas, os estudos empíricos não demonstraram essa relação de forma conclusiva”.

Outro trabalho publicado em 2019 sugere que a pressão barométrica influencia a dor na fibromialgia, mas de forma individual e associada a fatores emocionais. Também a umidade, embora em menor grau.

Até o momento, as evidências científicas sobre como o clima afeta a fibromialgia permanecem limitadas e, portanto, pouco significativas. É por isso que mais estudos são necessários para confirmar se as hipóteses feitas sobre o clima e os picos de desconforto em várias doenças crônicas são reais.

A relação entre o clima e outros problemas de saúde

Algumas pessoas que sofrem de enxaqueca podem sentir maior desconforto quando ocorrem gatilhos como: luz solar intensa, temperaturas extremas (quente ou frio), ar seco, mudanças na pressão atmosférica, alto nível de umidade no ambiente, vento ou tempestade.

Os especialistas da Mayo Clinic explicam que “em algumas pessoas, as mudanças no clima podem causar desequilíbrios nas substâncias químicas do cérebro, incluindo a serotonina, que pode causar enxaquecas”.

Por outro lado, existem pessoas com outros problemas de saúde (como osteoartrite, gota e artrite reumatóide) que relatam picos de desconforto quando há mudanças bruscas no clima (pressão ou temperatura), e também mudanças sazonais. Além disso, ressaltam que o desconforto é maior na estação fria (outono e inverno).

Levando tudo isso em consideração, não é surpreendente termos pensado que talvez as pessoas com síndrome da fadiga crônica e fibromialgia possam ser igualmente suscetíveis às mudanças climáticas.

O que você pode fazer a respeito?

Como o clima afeta a fibromialgia: cada caso é diferente
Cada caso é diferente, por isso, se for detectado o agravamento dos sintomas com alterações do tempo, é importante avisar ao médico.

Não é possível controlar as mudanças climáticas ou prevenir 100% desconforto. Porém, se você notou que há certas mudanças ( frio, alta umidade, mudanças sazonais, etc.) que te fazem se sentir mal, você pode tomar medidas para evitar que o desconforto seja muito intenso.

Conforme indicado no Guia do Paciente para Síndrome da Fadiga Crônica e Fibromialgia, após ter identificado o que te faz se sentir mal, o próximo passo é desenvolver uma estratégia (em conjunto com o médico) de como agir na próxima oportunidade. Para isso, pode ser útil manter um diário.

Em geral, é benéfico deitar, descansar, reduzir as atividades, limitar o contato com o estímulo que pode ter desencadeado o desconforto (luz, umidade, etc.) e aplicar técnicas de relaxamento.

Não hesite em comunicar ao especialista tudo o que considerar necessário para sanar as dúvidas e desenvolver a estratégia mais adequada para enfrentar com mais facilidade o desconforto.

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