Como a síndrome dos ovários policísticos é diagnosticada?

A síndrome dos ovários policísticos, ainda gera dúvidas sobre as causas e sintomas que apresenta, e por essa razão o diagnóstico é um desafio. Te explicaremos mais sobre esse assunto em detalhes.
Como a síndrome dos ovários policísticos é diagnosticada?

Escrito por Maite Córdova Vena, 25 Junho, 2021

Última atualização: 25 Junho, 2021

Mesmo sendo uma condição comum em todo o mundo, o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos (SOP) não é fácil. Não apenas pela diversidade de causas que a doença possui, mas também pela variedade de sintomas que ela pode gerar.

Se por um lado há mulheres que apresentam sintomas característicos -e muito perceptíveis-, outras são totalmente assintomáticas. Existem também muitos casos em que os sintomas são difusos e de intensidade muito variável. Assim, cada mulher constitui um caso específico.

Ainda assim, os profissionais podem procurar três características típicas dessa síndrome para determinar se ela está presente ou não. Mas só assim o diagnóstico pode ser alcançado? Existe algum tipo de exame que ajude a confirmar a suspeita da SOP?

Aspectos importantes sobre o diagnóstico da SOP

O diagnóstico da síndrome do ovário policístico inclui uma entrevista médica.
As manifestações clínicas permitem guiar o diagnóstico em grande medida, levando em consideração os dados epidemiológicos.

Sobre os principais aspectos do diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos, um artigo publicado na Elsevier, afirma o seguinte:

  • O diagnóstico é feito por exclusão.
    • O médico deve saber diferenciar as alterações fisiológicas típicas da idade (não só na adolescência, mas também em outras fases da vida da mulher) de outros distúrbios, inclusive os hiperandrogênicos que requerem terapia específica.
    • Doenças da tireoide, hiperprolactinemia, síndrome de Cushing e hiperplasia adrenal congênita podem causar irregularidades do ciclo menstrual semelhantes à SOP.
  • Existem 3 características que ajudam a detectar a SOP: ausência de ovulação, níveis elevados de andrógenos e cistos nos ovários. Os médicos procuram essas características (ou diretrizes de Rotterdam ) para refinar o diagnóstico.
  • O diagnóstico deve ser informado de forma detalhada. As pacientes devem ser orientadas e educadas sobre a sua patologia para que entendam a importância do tratamento, acompanhamento médico e autocuidado.
  • Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento adequado, menor o risco de complicações que a mulher pode ter.

Infelizmente, atualmente não há nenhum teste especial para determinar se uma mulher sofre da SOP. Portanto, quando há suspeita, o médico deve avaliar várias questões, sendo o primeiro passo uma entrevista com a paciente.

Nessa entrevista o médico pedirá para saber mais detalhes sobre o ciclo menstrual, histórico da SOP ou infertilidade. Isso ocorre porque a síndrome é mais comum em mulheres com histórico familiar da doença.

Exame físico

Após a entrevista, o médico fará um exame físico pélvico completo, verificará a pressão arterial e o peso com base no índice de massa corporal, e também buscará possíveis sinais de hiperandrogenismo, como:

  • Acne.
  • Pele oleosa /seca.
  • Acantose nigricans.
  • Perda de cabelo (ou mesmo calvície de padrão masculino).
  • Crescimento excessivo de pelos em áreas como rosto, pescoço, tórax, costas e outras partes do corpo (hirsutismo).

Exames laboratoriais

O diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos requer exames de sangue.
Os exames de sangue são importantes para avaliar as concentrações séricas de certas substâncias no organismo.

Os exames laboratoriais de que o médico precisa para confirmar o diagnóstico de SOP são aqueles que verificam os níveis de andrógenos, colesterol e açúcar no sangue.

O Guía de práctica clínica del síndrome del ovario poliquístico  afirma que:

“Devido à facilidade de descarte de fatores durante a investigação para o diagnóstico, todas as mulheres com suspeita de SOP devem ser rastreadas para níveis de TSH, prolactina e 17-HP. A hiperprolactinemia pode se apresentar como hirsutismo ou dismenorreia”.

Ultrassom e ultrassom transvaginal

Como os cistos nem sempre são visíveis, a ultrassonografia nem sempre é usada para visualizar os ovários. No entanto, o médico pode prescrever esses exames em alguns casos para determinar a presença de cistos ou outras anormalidades.

Quando a mulher parece ter dores inexplicáveis, problemas de fertilidade ou outros transtornos no útero ou ovários, o médico também pode solicitar um ultrassom transvaginal. Este exame permite captar as estruturas pélvicas, ou seja, o útero, ovários, trompas, colo do útero e a zona pélvica da mulher.

Biópsia endometrial

Embora geralmente não seja necessário, em alguns casos (quando os períodos menstruais são anormais, ou quando foi observado na ultrassonografia que há um espessamento do revestimento do útero, por exemplo) pode ser importante solicitar uma biópsia endometrial como complemento para avaliar como está o tecido.

Segunda opinião

É importante observar que o diagnóstico da SOP pode demorar. Não é incomum buscar uma segunda opinião, especialmente quando um diagnóstico claro não foi possível anteriormente.

Os especialistas tentam superar as barreiras, porém a SOP continua sendo um desafio. É por isso que ainda existem muitos casos subdiagnosticados ou mesmo mal diagnosticados.

Se você está em idade fértil e tem preocupações sobre seu ciclo menstrual ou outros desconfortos, e também suspeita que pode ser síndrome dos ovários policísticos, faça um check-up com seu ginecologista de confiança o mais rápido possível. Conte a ele detalhadamente o que você percebeu e não guarde nenhuma preocupação, pois os dados ajudarão o especialista a encontrar um diagnóstico preciso.

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