Como a colite ulcerosa é diagnosticada?

A colite ulcerosa não é um distúrbio fácil de diagnosticar. Por essa razão, os especialistas solicitam vários exames para detectá-la. Conheça o protocolo usado a seguir.
Como a colite ulcerosa é diagnosticada?

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 11 Julho, 2021

Última atualização: 11 Julho, 2021

O diagnóstico da colite ulcerosa é feito a partir de diferentes conclusões baseadas em exames especiais e laboratoriais. Não existe um teste único e 100% eficaz para a sua detecção, mas a soma de vários elementos permite ao especialista dar um diagnóstico seguro. Como os sintomas são gerais, outras condições gastrointestinais são excluídas durante esse processo.

O diagnóstico precoce é muito importante durante o curso da doença, pois a colite ulcerosa é uma doença crônica que piora com o tempo. Se não for tratada adequadamente, ela pode causar complicações nos pacientes. Hoje mostraremos o protocolo usado para determinar a presença dessa condição.

Exames laboratoriais para o diagnóstico da colite ulcerosa

O primeiro passo para o diagnóstico da colite ulcerosa é fazer uma avaliação geral do paciente, como nos lembra a Cronh’s & Colitis Foundation. O médico levará em consideração a experiência do paciente nos últimos meses, sintomas, hábitos, histórico médico e familiar, entre outros.

Ele também fará uma avaliação em busca de inchaço abdominal, úlceras na boca e outras manifestações extra-intestinais. Com base nisso, podem ser descartadas várias hipóteses que explicam os sintomas. Para maior eficácia no diagnóstico serão solicitados os seguintes exames laboratoriais:

Exame de fezes

O diagnóstico da colite ulcerosa inclui a realização de um exame de fezes.
Os exames de fezes podem ser úteis para descartar outras causas dos sintomas, ou para compreender melhor a doença.

Embora ele não permita diagnosticar a colite ulcerosa, é muito útil para descartar a hipótese de infeccões bacterianas ou virais. De acordo com a Crohn’s & Colitis UK, o exame é menos eficaz em menores de 18 anos e maiores de 60 anos. Desta forma, é mais útil em pacientes entre 20 e 50 anos de idade.

Os pesquisadores concordam que a calprotectina fecal, lactoferrina, elastase e S100A12 são os melhores candidatos para detectar inflamações no intestino grosso. Esses marcadores alertam que o cólon está afetado e são o ponto de partida para realizar uma colonoscopia (veja abaixo).

Exame de sangue

Como no caso anterior, ele não é capaz de diagnosticar a colite ulcerosa sozinho. Seu objetivo é encontrar alguns marcadores comuns na doença; por exemplo, o processo inflamatório no cólon geralmente desequilibra a absorção de nutrientes, o pode levar à anemia por deficiência de ferro ou outros tipos semelhantes de desequilíbrio.

As evidências também sugerem que os níveis de proteína C reativa e a sedimentação de eritrócitos podem ser usados como marcadores. Ao mesmo tempo, os exames de sangue ajudam a descartar outras condições.

Exames especiais para o diagnóstico de colite ulcerosa

Os exames mencionados acima são o ponto de partida. O próximo passo é confirmar as suspeitas com a ajuda de testes mais específicos. Os preferidos pelos especialistas são os seguintes:

Colonoscopia

Como aponta o Stanford Health Care, a colonoscopia é o padrão de ouro durante o diagnóstico de colite ulcerosa. Com a ajuda dele, o profissional consegue ver o estado das paredes do intestino grosso, examinando toda a sua extensão para verificar o grau de deterioração.

Ele buscará evidências de inflamação e úlceras nas bordas. Também é provável que o tecido morto seja removido para exames laboratoriais (biópsia). O processo é feito sob sedação, portanto o paciente não sente desconforto durante o processo.

Sigmoidoscopia

É um procedimento semelhante ao anterior, mas menos invasivo. A sigmoidoscopia permite visualizar o estado do reto e a parte do cólon mais próxima a ele (sigmóide). A maioria dos episódios de colite ulcerosa começa no reto (proctite) antes de se espalhar para o lado esquerdo do cólon (proctosigmoidite) para eventualmente envolver todo o intestino grosso (pancolite).

Se os sintomas forem muito recentes ou se os exames laboratoriais mencionados anteriormente indicarem danos menores, o especialista pode optar apenas pela sigmoidoscopia. Apesar disso, esse não é considerado o exame padrão, uma vez que o distúrbio às vezes pode se desenvolver em outras partes do intestino grosso. É por isso que a colonoscopia é a melhor opção.

Endoscopia

O diagnóstico da colite ulcerosa inclui um exame de endoscopia.
A endoscopia é o padrão ouro para o diagnóstico de muitas doenças do sistema digestivo, incluindo a colite ulcerosa.

Se o especialista não encontrar sinais que apontem para colite ulcerosa, ele pode fazer uma endoscopia. Ela não é útil para detectar a doença em si, por isso é usada para descartar outras complicações gastrointestinais que estão causando os sintomas. Às vezes, o tecido pode ser removido para exames laboratoriais (biópsia).

Em alguns contextos, outros exames de imagem são necessários. Os pesquisadores sugerem o uso de raios-X para descartar a hipótese de megacólon tóxico. Enema opaco, enterografia e endoscopia por cápsula também são opções de exames válidos.

Diagnóstico diferencial da colite ulcerosa

Dezenas de complicações e doenças podem explicar o aparecimento dos sintomas, além da colite ulcerosa. A Stanford Medicine recomenda descartar infecções bacterianas, fúngicas e parasitárias primeiro. Outros diagnósticos diferenciais da colite ulcerosa incluem os seguintes:

  • Doença de Crohn: a doença de Crohn é muito semelhante a esse distúrbio; na verdade, ambas são possíveis manifestações da doença inflamatória intestinal (DII). Ela é mais comum em jovens do que em adultos.
  • Colite isquêmica: ocorre quando o fluxo sanguíneo que se irradia para o intestino grosso é reduzido. Geralmente desenvolve os mesmos sintomas da colite ulcerosa, embora neste caso a prevalência seja maior em adultos com mais de 60 anos de idade.
  • Colite microscópica: variante que se desenvolve após 50 anos, caracterizada pelos mesmos sinais, exceto pela presença de sangue nas fezes.

Embora essas manifestações tenham um quadro clínico muito semelhante, o tratamento para elas é diferente. Por isso é tão importante descartar essas possibilidades durante o diagnóstico da colite ulcerosa, evitando, assim, iniciar um tratamento que não seja eficaz para neutralizar a causa real.

Vale lembrar que esse distúrbio não tem cura, mas pode ser controlado com o auxílio de terapias farmacológicas. Se você tem uma doença autoimune, histórico da doença na família ou já experimentou esses sintomas, não hesite em procurar assistência médica.

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