Sinais e sintomas da clamídia

Os sinais e sintomas apresentados por pacientes com clamídia podem ser muito diversos e até passar despercebidos. Por isso, é fundamental identificá-los a tempo para evitar complicações.
Sinais e sintomas da clamídia

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 01 Junho, 2021

Última atualização: 05 Junho, 2021

A infecção por clamídia é uma das doenças sexuais de origem bacteriana mais prevalentes em todo o mundo. Os sintomas variam conforme a área do corpo afetada, seja a vagina, pênis, ânus, olhos ou garganta. Você está interessado em saber quais são os sinais e sintomas da clamídia? Descubra a seguir.

A clamídia é definida como uma ‘doença causada pela bactéria Chlamydia trachomatis’. Ela é transmitida por contato direto durante as relações sexuais ou durante o trabalho de parto. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que 70% das mulheres e 50% dos homens não apresentam sinais ou sintomas da infecção genital por clamídia.

Sinais e sintomas comuns de clamídia

Os pacientes infectados por clamídia podem estar assintomáticos ou apresentar sintomas muito leves da doença. Em geral, as manifestações clínicas aparecem após três semanas do contágio. No entanto, em algumas pessoas, essa infecção pode passar despercebida por anos.

Estudos afirmam que C. trachomatis pode causar uma grande variedade de infecções genitais e extragenitais em mulheres e homens. Os sintomas apresentados podem ser muito variados. No entanto, existem alguns sinais mais frequentes da infecção causada por clamídia. 

Corrimento

Sinais e sintomas da clamídia
A secreção pode ser um dos sintomas mais incômodos.

O corrimento vaginal e inodoro é considerado a manifestação mais comum de clamídia em mulheres. O corrimento vaginal pode variar de um líquido claro e mucoso a uma secreção amarela, turva e densa.

Por outro lado, a infecção uretral em homens se manifesta geralmente por uma secreção peniana translúcida a esbranquiçada. Alguns estudos afirmam que esse líquido costuma ser escasso e perceptível nas primeiras horas da manhã, antes do paciente urinar.

Dor ou ardência ao urinar

Os pacientes com clamídia urogenital costumam apresentar dor e sensação de ardência ao urinar. Na maioria dos casos, esse sintoma é resultado de inflamação e irritação da uretra, um duto responsável por conduzir o fluxo da urina.

A ardência ou dor ao urinar costumam ser muito incômodos e podem dificultar o esvaziamento da bexiga. Além disso, algumas pesquisas consideram esses que esses sintomas constituem um dos principais sinais de alerta da clamídia.

Vermelhidão e coceira genital

A sensação de comichão ou coceira nos lábios da vulva, bem como na glande e no prepúcio, fazem parte dos sintomas e sinais comuns em pacientes infectados com clamídia. Isso é resultado da invasão da mucosa genital por C. trachomatis.

Da mesma forma, a clamídia pode apresentar vermelhidão e inflamação da mucosa vulvar e peniana. Além disso, geralmente há um aumento da sensibilidade no tecido afetado.

Desconforto durante as relações sexuais

A dispareunia ou a dor durante as relações sexuais geralmente indica infecção do colo do útero. Este sintoma é comum durante a penetração profunda ou relação sexual intensa. O mesmo também se apresenta perante a invasão das tubas uterinas e pode  provocar a doença inflamatória pélvica (DIP) pela clamídia.

Dor abdominal e testicular

A dor na parte baixa do abdômen em mulheres está relacionada à DIP. Da mesma forma, podem ser evidenciadas dor pélvica, dor nas costas e na lombar. Por outro lado, nos homens a infecção por clamídia pode atingir os epidídimos, causando desconforto e dor na área dos testículos.

Sangramento após relações sexuais e metrorragia

O sangramento após a relação sexual costuma ser um sinal de alerta em mulheres infectadas. É indicativo de lesão e erosão da mucosa genital e pode levar ao agravamento do curso clínico da doença.

Por outro lado, algumas mulheres podem apresentar metrorragia ou sangramento vaginal espontâneo não relacionado à menstruação. Ambos os sintomas são frequentemente subestimados, porém, busque ajuda médica o mais rápido possível quando notar a sua presença do sangramento.

Dor e fluido retal

A transmissão da clamídia durante o sexo anal receptivo pode levar à secreção retal de fluido mucoide escasso ou abundante. Além disso, é geralmente acompanhada de dor, coceira, aumento da sensibilidade e sangramento.

Sinais e sintomas pouco comuns da clamídia

Em alguns casos, a clamídia pode afetar outras regiões do corpo, se manifestando com sintomas fora da esfera urogenital. Alguns sinais e sintomas pouco comuns da infecção por clamídia incluem:

Dor e secreção mucopurulenta na garganta

A invasão de C. trachomatis na mucosa faríngea e amígdala durante o sexo oral pode levar a sintomas similares aos de outras faringites bacterianas. Nesse sentido, alguns pacientes podem manifestar desconforto na garganta, dor ao engolir os alimentos e presença de placas na garganta com exsudato mucopurulento.

Dor abdominal superior

A síndrome de Fitz-Hugh-Curtis ou peri-hepatite é uma complicação rara da clamídia. A infecção da cápsula hepática causa dor no abdômen superior, geralmente no quadrante superior direito. Além disso, podem ocorrer outros sintomas como febre e calafrios.

Dor nas articulações

Os sinais e sintomas de clamídia incluem artrite
Podem aparecer casos de artrite, embora não sejam tão frequentes.

Nos casos em que exista uma artrite reativa secundária à infecção por clamídia, geralmente ocorrem dor e inflamação em várias articulações. Geralmente, as articulações dos tornozelos, pés e joelhos são afetadas.

A artrite reativa se origina como resultado de um processo autoimune, pela produção de anticorpos que atacam seus próprios tecidos.

Indicações de subgrupo

A clamídia genital é a forma de apresentação mais comum e aparece com os sintomas descritos anteriormente. Porém, há casos em que essa infecção pode se manifestar de diferentes formas, resultando no aparecimento de um linfogranuloma venéreo ou de um tracoma, que podem apresentar um quadro clinico particular.

Linfogranuloma venéreo (LGV)

O linfogranuloma venéreo é uma infecção sexualmente transmissível causada pelos sorotipos L1, L2 e L3 de C. trachomatis. Os sintomas geralmente aparecem 1 a 2 semanas após a infecção. Entre os principais sintomas e sinais de LGV devido à clamídia, estão os seguintes:

  • Febre e calafrios.
  • Nódulo genital que evolui para uma úlcera.
  • Gânglios linfáticos inchados e doloridos.
  • Dores musculares.

Tracoma

O tracoma por clamídia é a principal causa de perda de visão em todo o mundo.
Ela acontece pelo contato ocular com secreções purulentas contaminadas.

Geralmente, começa com a vermelhidão da conjuntiva palpebral, que é acompanhada pela inversão e crescimento dos cílios para dentro, ou triquíase. Além disso, os seguintes sintomas podem ser encontrados:

  • Dor nos olhos.
  • Sensibilidade à luz ou fotofobia.
  • Irritação ocular.
  • Secreção purulenta ou mucosa das pálpebras.
  • Inchaço ou aumento de volume o globo ocular.

Possíveis complicações

As complicações por clamídia geralmente são bastante graves e podem aparecer em pacientes que nunca apresentaram sintomas ou sinais de infecção. No entanto, eles podem ter um prognóstico positivo graças à detecção precoce e à abordagem adequada. Algumas complicações comuns na clamídia são as seguintes:

  • Doença inflamatória pélvica (DIP): se trata do avanço da clamídia pela vagina, resultando na invasão das trompas uterinas e ovários. Esta é uma das complicações mais comuns em mulheres com clamídia não tratada ou não diagnosticada.
  • Infertilidade feminina: o dano ao revestimento uterino e às Trompas de Falópio podem dificultar a passagem dos espermatozoides, tornando-se em um obstáculo para a fecundação. É importante ressaltar que uma grande proporção de mulheres com DIP enfrenta a infertilidade por esta causa. Além disso, esse fato aumenta o risco de desenvolver uma gravidez ectópica.
  • Complicações na gravidez: a infecção por clamídia durante a gravidez pode levar ao surgimento de várias doenças. Esse é o caso do trabalho de parto prematuro, endometrite pós-parto, sofrimento fetal e baixo peso ao nascer do bebê.
  • Conjuntivite e pneumonia neonatal: durante o trabalho de parto, os bebês podem ser infectados pelas mães com clamídia não tratada ao passarem pelo canal vaginal delas. Assim, uma grande proporção de recém-nascidos podem desenvolver conjuntivite. Também existe a possibilidade de desenvolver pneumonia nos primeiros meses após o parto, embora esse risco seja muito menor.

Quando procurar assistência médica?

As infecções por clamídia são comuns em pacientes jovens em idade reprodutiva. É importante destacar que deve-se procurar ajuda o mais rápido possível na presença de sinais e sintomas estranhos no nível genital.

O médico especialista é o único que poderá avaliar o quadro e indicar a melhor opção terapêutica. Alguns sinais de alerta a serem considerados para buscar ajuda médica incluem:

  • Dor e irritação genital.
  • Sangramento vaginal.
  • Secreção mucosa peniana e vaginal.
  • Dor abdominal e testicular intensa.
  • Dor durante a relação sexual.

A prevenção é essencial

Atualmente, a aparição de sinais e sintomas de clamídia é muito fácil de prevenir. O mais recomendado para sua prevenção é o uso de preservativos durante a relação sexual. Essa ferramenta nos permite reduzir o risco de clamídia e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Da mesma forma, é aconselhável fazer exames médicos periódicos para descartar qualquer doença genital. O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno são a chave para prevenir essas infecções.

Pode interessar a você...
As 5 doenças mais comuns em mulheres e seu tratamento
Muy Salud
Leia em Muy Salud
As 5 doenças mais comuns em mulheres e seu tratamento

Toda a matéria orgânica é finita e, portanto, sujeita ao envelhecimento e às doenças. Vamos mostrar as 5 doenças mais comuns em mulheres e seu trat...



  • Sutton T, Martinko T, Hale S, Fairchok M. Prevalence and High Rate of Asymptomatic Infection of Chlamydia trachomatis in Male College Reserve Officer Training Corps Cadets. Sexually Transmitted Diseases. 2003; 30(12): 901-904.
  • Malhotra M, Sood S, Mukherjee A, Muralidhar S, Bala M. Genital Chlamydia trachomatis: an update. Indian J Med Res. 2013 Sep;138(3):303-16.
  • Mohseni M, Sung S, Takov V. Chlamydia. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-.
  • Janssen K, Dirks J, Dukers-Muijrers N, Hoebe C et al. Review of Chlamydia trachomatis viability methods: assessing the clinical diagnostic impact of NAAT positive results. Expert Rev Mol Diagn. 2018;18(8):739-747.
  • Lane AB, Decker CF. Chlamydia trachomatis infections. Dis Mon. 2016;62(8):269-73.
  • Phillips JA. Chlamydia Infections. Workplace Health Saf. 2019;67(7):375-376.