Causas e fatores de risco da fibromialgia

Sexo, idade e predisposição genética são frequentemente considerados fatores que influenciam no desenvolvimento da fibromialgia. No entanto, ainda não está totalmente claro por quê.
Causas e fatores de risco da fibromialgia

Escrito por Maite Córdova Vena, 27 Junho, 2021

Última atualização: 27 Junho, 2021

Desde o seu reconhecimento como doença em 1992 pela Organização Mundial da Saúde, a fibromialgia tem se tornado cada vez mais visível em todo o mundo. No entanto, as causas e fatores de risco permanecem um enigma.

Rigidez matinal, mal-estar geral, dor e sensação de cansaço constantes, falta de energia e outros desconfortos generalizados, junto a outros sintomas inespecíficos e difusos, dificultam a determinação da origem da doença.

Enquanto há pessoas que percebem os sintomas em momentos específicos da vida (após um período de intenso estresse, por exemplo), outras não sabem quando começam a se sentir mal. Alguns até indicam que sempre se sentiram assim.

E apesar de inúmeras investigações terem sido realizadas, ainda faltam dados que nos permitam determinar a origem da doença. Porém, há consenso em torno de uma possível origem multifatorial, ou seja, a interação de diversos fatores internos e externos.

A ideia dq origem multifatorial é sustentada pela maneira como a fibromialgia afeta vários sistemas do corpo simultaneamente, como os sistemas nervoso, imunológico e endócrino, conforme aponta um artigo publicado na revista Clínica y Salud no ano de 2008.

Gênero

Os fatores de risco para fibromialgia incluem o gênero da pessoa.
Como acontece com muitas doenças reumatológicas, a fibromialgia é mais comum em mulheres.

O American College of Rheumatology indica que a fibromialgia é uma doença que afeta entre 2 e 4% da população em geral. Desse percentual, observou-se que ela tende a ser mais frequente nas mulheres que nos homens, embora ambos possam sofrer com a doença.

Embora o gênero feminino seja considerado um dos fatores de risco para a fibromialgia, conforme apontado em vários estudos, a doença não é exclusiva das mulheres de meia-idade, ao contrário do que se costumava acreditar inicialmente.

Idade

Novamente, levando em consideração o que afirma o American College of Rheumatology, temos que, embora possa surgir na adolescência ou na velhice, a fibromialgia tende a ser mais frequente em adultos de meia-idade.

“A faixa etária em que é mais diagnosticada é entre 25 e 60 anos”, explica a Asociación de Fibromialgia en Madrid ( AFIBROM ).

Genética

A fibromialgia também pode surgir como consequência de uma predisposição genética, embora os especialistas considerem que esta não seria a única causa. A respeito disso, um artigo de revisão explica o seguinte :

Foi observada uma predisposição genética para o desenvolvimento de fibromialgia com probabilidade oito vezes maior em parentes diretos de um paciente com essa patologia, além disso, em vários estudos foram descritos polimorfismos no gene da catecol-O-metiltransferase, existindo, portanto, um déficit na degradação de catecolaminas “.

Estresse

Os fatores de risco para fibromialgia incluem estresse.
Fatores emocionais podem ter um papel fundamental na origem da fibromialgia, embora os estudos ainda não sejam muito conclusivos.

Em 1984, Lazarus e Folkman postularam que experiências estressantes, a resposta da pessoa a elas e os recursos para administrar o estresse eram fatores que deveriam ser considerados na fibromialgia.

Desde então, alguns transtornos de humor ( ansiedade e depressão) e altos níveis de estresse têm sido frequentemente associados ao aparecimento da fibromialgia. No entanto, ainda não há clareza total em torno da ideia de estresse como o principal gatilho.

Embora tenha sido observado que ansiedade, depressão, estresse, síndrome da fadiga crônica e outros problemas de saúde coexistem com a fibromialgia, não há certeza se eles poderiam fazer parte da sua origem.

É preciso ter em mente que a fibromialgia é um distúrbio que vai além da esfera psicológica e emocional, pois a pessoa também é afetada fisicamente.

De acordo com o American College of Rheumatology, as investigações atuais sugerem que a fibromialgia não é uma doença auto-imune, nem é um problema músculo-esquelético, articular ou muscular. Por outro lado, para muitos a fibromialgia pode ser considerada como um distúrbio neurológico.

Outros possíveis fatores de risco para fibromialgia

Além dos fatores de risco de fibromialgia já mencionados, acredita-se que certas infecções (Epstein Barr, parvovírus e doença de Lyme) e doenças reumáticas (osteoartrite, artrite reumatoide, lúpus ou espondilite quilosante) podem aumentar o risco de fibromialgia. Da mesma forma, considera-se que a exacerbação pode ser mútua.

Embora a origem desta doença crônica permaneça intrigante, a ciência continua a investigar os fatores de risco para oferecer um melhor prognóstico e opções de tratamento.

A boa notícia é que, mesmo com uma origem misteriosa e crônica, ela pode ser tratada. Assim, os pacientes podem aprender a lidar com os sintomas e manter a qualidade de vida.

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