Artrite psoriásica: tudo o que você precisa saber

A artrite psoriática é uma doença rara que piora rapidamente quando não é tratada. Vamos ver o que os especialistas têm a dizer sobre ela.
Artrite psoriásica: tudo o que você precisa saber

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 15 Agosto, 2021

Última atualização: 17 Agosto, 2021

A artrite psoriásica é uma doença crônica que afeta as articulações do organismo. De acordo com a National Psoriasis Foundation, estima-se que ela afete até 30% dos pacientes com diagnóstico de psoríase. Embora essa doença possa começar em qualquer idade, ela geralmente se desenvolve em adultos entre 30 e 50 anos.

Inicialmente os pesquisadores pensavam que se tratava da coexistência de duas doenças diferentes (artrite e psoríase), mas hoje em dia é amplamente aceito que esta é uma condição com características próprias. Hoje te mostraremos tudo o que se sabe sobre ela.

Causas da artrite psoriásica

Como aponta a Johns Hopkins Medicine, os médicos não descobriram as causas exatas da artrite psoriásica. Acredita-se que essa doença possa se desenvolver por uma multiplicidade de elementos, dentre os quais a genética, fatores ambientais e distúrbios imunológicos desempenham um papel preponderante.

A maioria dos pacientes que desenvolve esse tipo de artrite tem um parente de primeiro grau que sofre com ela. Os estudos a respeito indicam que esse padrão se repete em até 95% dos casos, com evidências de que a transmissão mantém uma linha não mendeliana (como na psoríase). No entanto, essa predisposição por si só não é suficiente para ativar a doença.

É necessário um catalisador externo para que a manifestação aconteça. Uma infecção, a ingestão de alguns medicamentos ou mesmo o contato com um vírus, segundo algumas hipóteses, pode desencadear o processo inflamatório.

Álcool, tabagismo, distúrbios endócrinos, estresse e outros fatores também foram apontados pelos pesquisadores como possíveis culpados. Não é incomum que, em alguns casos, seja impossível encontrar uma causa.

Vírus que desencadeia a artrite psoriásica.
As infecções virais podem ser desencadeantes para pacientes com predisposição à artrite psoriásica.

Tipos de artrite psoriásica

Essa doença não apresenta uma única manifestação. Os especialistas identificaram vários tipos com características, evoluções e prognósticos diferentes.

1. Interfalangeana distal predominante

Em média, 5% dos casos de artrite psoriásica correspondem a essa variação. Ela afeta as articulações das mãos e dos pés, principalmente as que estão localizadas próximas às unhas. Sua apresentação costuma ser assimétrica e a evolução progressiva.

2. Oligoarticular assimétrica

A forma assimétrica é a manifestação mais comum do transtorno. 70% dos pacientes diagnosticados apresentam essa variação.

Estudos a esse respeito indicam que ela afeta até 5 articulações ao mesmo tempo. Estas articulações podem ser interfalangeanas ou metacarpofalangeanas.

3. Poliartrite simétrica

Os sintomas neste caso são idênticos aos da artrite reumatóide, de modo que as duas são frequentemente confundidas. Ela é caracterizada por desenvolver manifestações simétricas em 5 ou mais articulações. Em média, 15% dos casos correspondem a este tipo.

4. Espondilite anquilosante

A espondilite anquilosante é uma das variações mais problemáticas, pois a linha que a separa da espondilite clássica é muito fina. Isso fez com que rios de tinta fossem despejados sobre esse assunto pelos pesquisadores. Grande parte do curso de evolução dessa variação é desconhecido.

5. Artrite mutilante

A forma mais grave da doença é a mutilante. Ela causa deformidades nas mãos e pés e a destruição das partes distais do osso. Sua incidência gira em torno de 5% dos pacientes, e alguns estudos sugerem que ela seja mais frequente em idades precoces.

Sintomas da artrite psoriásica

Cada tipo de artrite psoriásica apresenta sintomas diferentes. Mesmo entre os pacientes diagnosticados com a mesma variação, as manifestações clínicas diferem.

Isso representa um obstáculo para o processo diagnóstico, uma vez que não existem sinais bem definidos entre elas. De forma geral e de acordo com a Arthritis Australia, os sintomas compartilhados em qualquer forma são os seguintes:

  • Dor, rigidez e inflamação em uma ou mais articulações do corpo.
  • Alterações no aspecto das unhas (cor, textura e espessura).
  • Dor nos olhos (às vezes acompanhada de vermelhidão).
  • Sensação de inflamação nos tendões (frequentemente acompanhada de dor).
  • Rigidez nas nádegas, parte inferior das costas ou pescoço.

Se a doença estiver em um estágio avançado, o paciente pode sofrer atrofia dos membros. Isso limita seus movimentos e compromete a qualidade de vida.

Diagnóstico de artrite psoriásica

Não existe nenhum exame para diagnosticar a artrite psoriásica. O método usado é descartar outras explicações para os sintomas.

Esse processo pode se estender se o médico não encontrar padrões claros que lhe permitam diferenciar esse tipo das outras manifestações reumáticas. De acordo com o American College of Rheumatology, alguns dos exames que podem ser feitos são os seguintes:

  • Ressonâncias magnéticas.
  • Radiografias.
  • Ultrassonografias.
  • Tomografias computadorizadas.
  • Exames de urina e sangue.
  • Biópsias de pele.

Tudo isso permitirá ao médico distinguir se o processo inflamatório é causado por outras condições (como lúpus, osteoartrite ou artrite reumatoide). A revisão do histórico médico é muito importante; se houver prevalência de psoríase na família, os sinais são ainda mais sólidos para confirmação do diagnóstico.

Tratamento da artrite psoriásica

Não existe cura para a artrite psoriásica, mas essa é uma doença que pode ser tratada. As terapias devem começar o mais rápido possível, uma vez que essa condição geralmente tem uma taxa de progressão acelerada. A Arthritis Ireland lista as seguintes opções entre as mais utilizadas.

Medicamentos anti-reumáticos modificadores da doença (DMARDs)

Os DMARDs são a principal terapia para interromper o processo inflamatório e prevenir a degeneração articular. A maioria desses medicamentos tem ação lenta, de forma que podem levar várias semanas ou meses para que a melhora seja percebida. Os mais usados são o metotrexato e a leflunomida.

Inibidores da fosfodiesterase 4

Em geral, eles são usados como alternativas aos medicamentos anteriores, principalmente em pacientes que não apresentaram melhora após alguns meses. Embora esse seja um grupo relativamente novo de medicamentos, estudos apoiam seu uso no tratamento de doenças inflamatórias. Um dos mais usados é o apremilast.

Terapias biológicas

Elas fazem parte do DMARDs, mas na prática muitos pesquisadores as classificam separadamente, devido às suas ações. A incorporação desses medicamentos é recente, com eles sendo utilizados quando não houve avanço com as opções anteriores. A maioria é administrada por injeção ou gotejamento.

Medicamento intravenoso para o tratamento da artrite psoriásica.
A maioria dos medicamentos biológicos é administrada por via intravenosa, em ambientes médicos e hospitalares.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

Os AINEs são usados para tratar a dor e a inflamação. Eles fazem parte da terapia principal, especialmente para pacientes que desenvolveram manifestações crônicas.

O ibuprofeno, a aspirina e o paracetamol são os mais usados, embora existam dezenas de opções.

Injeções de esteróides

Em alguns casos, o médico pode aprovar o uso de injeções de esteróides. Eles são usados apenas em pacientes graves ou quando não há alívio da dor ou inflamação por meio dos medicamentos já descritos. Elas são aplicadas de forma localizada, onde se concentra a doença.

A artrite psoriásica é uma doença complexa

A história de indefinição concreta sobre a posição que a artrite psoriásica deve ocupar na classificação das doenças revela que essa é uma condição complexa. No início dos sintomas, é comum que os profissionais deixem de considerá-la como uma opção.

A dor nas articulações deve ser estudada cuidadosamente. Quanto mais cedo a confirmação for obtida, mais fácil será estabelecer uma abordagem que melhore a qualidade de vida do paciente.

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