Exame de sangue: como entendê-lo e quando é útil

26 março, 2021
This article has been written and endorsed by el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador
O exame de sangue é um exame de rotina realizado muitas vezes sem suspeita de doenças. Em outros casos, ele permite detectar uma patologia em seus estágios iniciais.

O exame de sangue, conforme o próprio nome indica, é um exame de rotina realizado para contar o número e os tipos de células presentes nesse fluido. Além da presença de glóbulos vermelhos, leucócitos e plaquetas, também é quantificada a concentração de certas substâncias de interesse médico.

É recomendável que a pessoa faça pelo menos um exame de sangue por ano, a fim de determinar os níveis de colesterol, triglicerídeos, ureia, glicose e, além disso, fazer um hemograma completo. Este último exame se refere à quantidade e à variação dos elementos do sangue, ou seja, as células circulantes.

As alterações em um exame de sangue nem sempre implicam em uma patologia, mas às vezes são indicativas de condições como dislipidemia, anemia, insuficiência renal e até mesmo da presença de alguns tipos de câncer. Se você quiser saber tudo sobre esse exame de laboratório tão comum quanto essencial, continue lendo.

A importância do sangue

O sangue é um tecido conjuntivo de natureza fluida que circula por veias, capilares e artérias, a fim de transportar oxigênio e nutrientes para cada uma das células, recolhendo resíduos ao longo do caminho.

Estima-se que um ser humano adulto tenha cerca de 5 litros de sangue circulando em seu interior e que, para mobilizá-lo corretamente, o coração deve bater entre 60 e 100 vezes por minuto.

Compreender a vida dos seres vivos sem o sangue é impossível, pois esse líquido permite a nutrição e o metabolismo dos corpos celulares. De acordo com o portal médico Roche Patients, a composição geral do sangue é distribuída da seguinte forma:

  • O plasma sanguíneo representa 55% do seu volume total. Trata-se de um fluido mais denso que a água, de cor amarelada translúcida e sabor salgado. Além de transportar as células circulantes – elementos figurados -, também serve como veículo para nutrientes e resíduos metabólicos.
  • Dentro do próprio plasma sanguíneo, 90% corresponde à água e 10% a substâncias biológicas, como proteínas. As proteínas plasmáticas são muito importantes, pois permitem a manutenção da pressão oncótica do organismo. A albumina é a mais relevante, representando 54% das proteínas plasmáticas.
  • Os elementos figurados constituem os outros 45% do sangue e podem ser medidos no hemograma. As células dominantes aqui são os glóbulos vermelhos, pois existem de 4,35 a 5,65 milhões de glóbulos vermelhos por microlitro de sangue nos homens, com uma proporção de 1000:1 quando comparados aos glóbulos brancos.

Funções do sangue

Apesar de ser de natureza fluida, o sangue desempenha funções imunológicas, de transporte, de armazenamento e muitas outras. De acordo com o Ministério da Saúde da Argentina, algumas das mais relevantes são as seguintes:

  • Participa da defesa contra infecções, pois transporta leucócitos para os tecidos afetados.
  • Transporta tanto o oxigênio proveniente dos pulmões quanto os nutrientes do sistema digestivo para as células que precisam deles.
  • Leva várias substâncias residuais para os rins e o dióxido de carbono para os pulmões.
  • Participa da termorregulação corporal.
  • Transporta hormônios, enzimas e muitas outras moléculas biológicas de natureza regulatória.
  • Participa da coagulação, pois as plaquetas viajam no seu interior.

A importância desse tecido é tão grande que, em eventos como o acidente vascular cerebral – em que o suprimento de sangue para o tecido cerebral é interrompido – bastam alguns minutos para que as células afetadas comecem a morrer.

O exame de sangue

Uma vez que já explicamos a composição e a função do sangue, é hora de responder às seguintes perguntas: quem deve fazer um exame de sangue? Como ele é feito? O que os seus resultados significam? Nas linhas a seguir, vamos responder a cada uma das questões levantadas aqui. Vamos lá.

Quem deve fazer um exame de sangue?

O exame de sangue deve ser realizado por profissionais em análises clínicas.
Em hospitais e clínicas, a coleta de amostras geralmente é realizada pela equipe de enfermagem, cabendo ao especialista em análises clínicas a análise da amostra.

Conforme indica o portal Kidshealth, o exame de sangue geralmente faz parte dos processos de rotina, mas também pode ser solicitado como exame de rastreamento ou porque o paciente não está se sentindo bem. Em geral, é indicado para o seguinte:

  • Monitorar o estado geral de saúde do paciente: conforme já dissemos, é sempre aconselhável fazer um exame de sangue todos os anos.
  • Diagnosticar uma doença: um exame pode ser sugerido quando o paciente apresenta fadiga, mal-estar, febre, inflamação, hematomas ou sangramento em qualquer parte do corpo. O exame geralmente não é o teste diagnóstico definitivo, mas permite orientar o especialista.
  • Controlar uma patologia já presente.
  • Monitorar um tratamento médico: os exames de sangue são essenciais em pacientes que fazem tratamentos que podem alterar a contagem de células na corrente sanguínea.

Portanto, se um médico pedir um exame de sangue, não se assuste. O mais normal é todos fazermos um exame anualmente e, se você não apresentar nenhum sintoma característico, o profissional não necessariamente está procurando por uma doença.

Como é feito?

Todos nós já fizemos um exame de sangue em algum momento: uma agulha, uma picada rápida, uma bola de algodão para evitar que saia mais sangue e ir para casa. Mesmo assim, o portal Líder Doctor nos dá alguns conselhos para que o exame seja tão representativo quanto possível do estado de saúde do paciente. Entre eles, encontramos os seguintes:

  1. Mantenha os seus hábitos alimentares, sem modificá-los nos dias anteriores à coleta da amostra de sangue.
  2. Faça o exame logo pela manhã, sempre em jejum. Porém, você pode beber água e tomar os medicamentos necessários para a sua saúde, a menos que o médico diga o contrário.
  3. Não fume antes do exame.
  4. Se você geralmente sente tontura durante a coleta, não seja tímido e avise as enfermeiras. Nesse caso, você provavelmente fará o exame deitado. Não tenha medo de comunicar o seu desconforto.
  5. Terminada a coleta, pressione um pouco o local da punção durante cerca de 10 minutos, com o algodão. Isso evitará o aparecimento de hematomas.

Em um piscar de olhos, o exame já estará feito. Geralmente, a quantidade adequada para a amostra é de 10 a 12 mililitros, então você quase não perceberá a extração. Uma vez que o volume necessário for coletado, o sangue será encaminhado ao laboratório para análise.

O que é avaliado no exame de sangue?

É preciso entrar na parte técnica, já que é hora de detalhar todos os parâmetros que são levados em consideração ao analisar uma amostra de sangue. Começaremos dizendo o seguinte: os resultados são divididos em duas partes, o hemograma completo e a parte bioquímica. A Associação Cultural de Diabéticos de Cáceres nos ajudará nessa tarefa.

O hemograma

Conforme indicado pela Clínica Mayo, o hemograma mede a quantidade e as variações dos elementos sanguíneos, ou seja, as células circulantes especializadas. Entre elas, encontramos as seguintes.

Eritrócitos, hemácias ou glóbulos vermelhos

Os glóbulos vermelhos são corpúsculos celulares especializados, sem núcleos e mitocôndrias, que transportam o oxigênio graças à hemoglobina. A média para os homens é de 5.000.000 e para as mulheres de 4.500.000 por milímetro cúbico. Um valor inferior ao normal desencadeia algum tipo de anemia, como a anemia falciforme.

Hematócrito

É um parâmetro semelhante, pois mede a porcentagem de glóbulos vermelhos presentes no sangue. É um bom indicador para calcular a anemia.

Termos em siglas

Incluímos três termos em uma única categoria, pois todos eles têm algo em comum. São os seguintes:

  • VCM (volume corpuscular médio): refere-se ao volume individual médio dos glóbulos vermelhos, ou seja, o seu tamanho. Quando há deficiência de ferro no paciente, esse valor tende a diminuir.
  • HCM (hemoglobina corpuscular média): a proporção de hemoglobina que cada glóbulo vermelho contém. O CHCM é um valor semelhante, pois relaciona a quantidade de hemoglobina em referência ao volume da hemácia.
  • VHS (velocidade de hemossedimentação): é um valor que indica a velocidade com que as hemácias se agregam e se sedimentam, ou seja, quanto tempo leva para se separarem do plasma.

Fórmula leucocitária

Não vamos nos alongar muito em agrupamentos numéricos, pois basta sabermos que a fórmula leucocitária quantifica a proporção de glóbulos brancos presentes no sangue. Isso inclui neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos.

Uma alteração na fórmula leucocitária pode indicar uma alergia ou processos inflamatórios, entre outros.

Plaquetas

As plaquetas são as células responsáveis por fechar as feridas, iniciar a formação de coágulos sanguíneos e prevenir a perda desse tecido por causa de uma hemorragia. A contagem normal fica entre 150.000 e 400.000 unidades por milímetro cúbico. Sua deficiência pode envolver patologias como a trombocitopenia imune.

A medição das plaquetas é uma parte essencial do exame de sangue.
A medição das plaquetas é muito útil para determinar problemas de hemostasia.

A porção bioquímica

Nesta parte do exame, não são medidos os corpos celulares circulantes típicos no sangue. Alguns dos compostos biológicos que são quantificados são os seguintes:

  • Glicose: um excesso de glicose no sangue é conhecido como hiperglicemia, uma condição típica do diabetes. Quando a produção de insulina é insuficiente ou quando ela é defeituosa, a glicose permanece na corrente sanguínea ao invés de ser usada pelas células.
  • Ureia: a ureia é excretada com a urina, que é produzida nos rins. Um excesso de ureia no sangue pode indicar uma insuficiência renal no paciente. Outros indicadores da função renal são o ácido úrico e a creatinina.
  • Colesterol: o nível de colesterol no sangue. O que todos nós conhecemos como “colesterol alto” é a presença excessiva desse lipídio no sangue, que pode se depositar nos vasos sanguíneos e gerar placas de ateroma.
  • Transaminases: as transaminases são um conjunto de enzimas que estão envolvidas no metabolismo e na produção de vários aminoácidos. Um valor alto neste parâmetro geralmente indica um mau funcionamento hepático, entre outras patologias.

Como você pode ver, a contagem de corpos celulares é tão importante quanto a de outras substâncias plasmáticas.

Muitos desses valores podem variar dependendo do paciente sem que isso seja um problema, mas, às vezes, essas alterações podem ser a primeira indicação de uma patologia subjacente.

Resumo

Conforme você pode ver, muitas coisas são medidas no exame de sangue. Desde a proporção de glóbulos vermelhos circulantes até a presença de colesterol, há uma grande variedade de parâmetros biológicos que fornecem informações muito relevantes para os médicos especialistas sobre o estado geral de saúde do paciente.

Por todos esses motivos, não é preciso se sentir mal se tiver que fazer um exame de sangue. Este é um exame que geralmente é gratuito, rápido e quase indolor, mas que pode detectar muitas alterações fisiológicas antes que se tornem um problema. Faça do exame de sangue uma rotina – você vai agradecer no futuro.

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