Os 4 tipos de vacina que existem

As vacinas geram imunidade no organismo, pois permitem aos nossos linfócitos responder e se lembrar de uma versão atenuada de determinado patógeno.
Os 4 tipos de vacina que existem
Samuel Antonio Sánchez Amador

Escrito e verificado por el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador em 03 Maio, 2021.

Última atualização: 03 Maio, 2021

As vacinas reduziram drasticamente a carga de doenças infecciosas no mundo todo. Estudos estimam que 103 milhões de condições clínicas infantis foram evitadas apenas nos Estados Unidos entre 1924 e 2010, graças à vacinação. Por causa dessas preparações destinadas a gerar imunidade adquirida, o mundo está mais próximo da saúde global.

Um dos marcos contemporâneos mais importantes da medicina foi a erradicação da varíola por meio da vacinação. Essa doença infecciosa (causada pelo variola virus) atormentou a humanidade durante mais de 3.000 anos, ceifando 300 milhões de vidas apenas no século XX. Graças às vacinas, o mundo está livre da varíola desde 1980.

Pode soar utópico, mas foi demonstrado que uma vacina bem projetada e distribuída de forma equitativa pode, sem dúvida, eliminar uma doença da face da Terra. Se você quiser saber mais sobre as vacinas, especialmente sobre os tipos utilizados e seus fundamentos biológicos, continue lendo.

O que é uma vacina?

As vacinas salvam vidas.
As vacinas salvaram milhões de vidas.

Como é de se esperar, vamos começar lançando as bases. A Clínica Universidad Navarra (CUN) define a vacina da seguinte forma: «trata-se de um material proveniente de um microrganismo (ou célula tumoral) cuja inoculação em um organismo induz uma resistência imunitária contra uma doença específica». O referido material da vacina pode ser um natural ou sintético.

A primeira vacina do mundo foi produzida graças aos experimentos de Edward Jenner, um físico e cientista que criou a vacina contra a varíola. A história é bem conhecida nos círculos de pesquisa: um menino de 8 anos foi inoculado com uma preparação do vírus da varíola bovina e, surpreendentemente, a criança desenvolveu imunidade à varíola humana.

Por causa da semelhança entre os dois agentes virais, foi fácil estimular o sistema imunológico para combater com eficácia o vírus da varíola da nossa espécie por meio da exposição à varíola bovina. Assim, surgiu a palavra vacina, cuja raiz etimológica está no próprio termo vacca. Daqui em diante, o resto é história.

Esta descoberta foi realizada em 1796. Diz-se que o trabalho de Edward Jenner salvou mais vidas do que o de qualquer outro ser humano.

A chave está na imunidade adquirida

O portal médico StatPearls define, de forma simples e rápida, quais são os mecanismos imunológicos de uma vacina. Essas preparações afetam o sistema imunológico do paciente em 2 frentes predominantes: linfócitos B e T. Diante da exposição a um patógeno, esses corpos celulares têm o potencial de responder a um antígeno específico e se especializar.

Por meio de uma vacina, é introduzido um antígeno do microrganismo a ser combatido, ou seja, uma substância específica que desencadeia uma resposta imune, mediada por anticorpos. Quando inoculado no corpo, o antígeno atenuado do patógeno é fagocitado e desagregado pelos macrófagos, responsáveis pela ingestão de microrganismos perigosos.

Os peptídeos criados pela quebra das proteínas do microrganismo infeccioso ficam “expostos” na membrana do macrófago. Vamos poupar os detalhes imunológicos do processo, pois basta sabermos que ocorre uma “cascata” que estimula a síntese e a especialização dos diferentes tipos de linfócitos.

A chave geral é que, em uma vacina, geralmente é inoculada uma forma atenuada do patógeno no organismo. Assim, o sistema imunológico do paciente pode reconhecê-lo e, quando o verdadeiro perigo entra no corpo, esse mecanismo já pode responder rapidamente em 2 frentes diferentes:

  1. Neutralizando o agente infeccioso antes que ele entre nas células do organismo. Devemos lembrar que os vírus precisam do mecanismo celular do hospedeiro para que possam se multiplicar. Se os vírus forem eliminados antes de entrarem nas células, a infecção será diretamente interrompida.
  2. Reconhecendo e destruindo as células que foram infectadas. Mesmo que algumas células sejam infectadas, se elas forem eliminadas rapidamente, o quadro geral será evitado.

Alguns marcos das vacinas

Infelizmente, o termo “vacina” tem uma certa conotação social negativa atualmente, uma vez que o desconhecimento gera medo e, às vezes, certos organismos se aproveitam disso. Para eliminar a desconfiança, vamos apresentar alguns dados que destacam a importância desses mecanismos de imunização ao longo da história. Não perca:

  1. Graças às vacinas, o último caso de varíola no mundo foi registrado em 1977. Em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Terra livre da varíola.
  2. Em 25 de agosto de 2020, a OMS declarou a África livre do vírus selvagem da poliomielite. Com mais de 9 bilhões de doses, foram evitados 1,8 milhão de casos graves.
  3. Em 2015, graças à vacina tríplice viral MMR, as Américas se declararam livres da rubéola.
  4. A mortalidade global do vírus do sarampo foi reduzida em 80% graças à vacinação.

Conforme você pode ver, a imunização é, sem dúvida, positiva para a sociedade mundial. A Organização Mundial da Saúde e outras fontes afirmam que, graças às vacinas, são evitadas cerca de 60 mortes por hora.

Os 4 tipos de vacina

Agora você já sabe do que as vacinas são capazes, qual foi o momento da sua descoberta e como elas funcionam. Por isso, vamos nos voltar para as informações fornecidas pelo portal Vaccines.gov para trazer os 4 tipos de vacina que existem atualmente. Vamos lá.

1. As vacinas vivas atenuadas

As vacinas incluem vírus vivos atenuados.
Nem todos os microrganismos podem ser modificados dessa forma.

As vacinas vivas atenuadas são as que vêm à nossa mente ao explorar este tópico. São aquelas que contêm uma versão completa do microrganismo patogênico, porém enfraquecida. Graças a isso, elas conseguem estimular uma resposta imune específica e segura no paciente, já que a sua inoculação não causa doenças em pessoas saudáveis.

Esse “enfraquecimento” é conseguido por meio da modificação genética, de acordo com o Vaccine Knowledge Project. Ela pode ser natural ou planejada por profissionais médicos, mas um dos métodos mais comuns para obtê-la são as culturas celulares consecutivas.

Por exemplo, é possível utilizar embriões de galinha para que várias gerações virais possam se replicar neles. A cada geração, o vírus sofre mutações (inconscientemente) para se especializar em galinhas e, portanto, vai perdendo a patogenicidade em relação aos humanos. Com o tempo (até 200 gerações), o patógeno perderá a sua capacidade de se replicar em células humanas.

Existem múltiplas vantagens relatadas pelo método de obtenção de imunidade por meio de vacinas vivas atenuadas. Entre elas, encontramos as seguintes:

  1. Elas ativam todas as fases da resposta imune em humanos e fornecem uma resposta de longa duração.
  2. Essas vacinas são fáceis de transportar e o seu custo de produção é baixo (devido à sua simplicidade geral).
  3. Com 1 ou 2 doses, a maioria das vacinas vivas atenuadas são capazes de proteger o paciente ao longo de toda a vida.

Infelizmente, essa metodologia também traz seus riscos. Em pessoas imunossuprimidas, é possível que o vírus enfraquecido ainda possa infectá-las de qualquer forma, com efeitos potencialmente graves. Além disso, as mutações naturais ao longo das culturas também podem fazer com que o vírus volte à virulência.

Um exemplo claro de vacina viva atenuada é a vacina tríplice viral (MMR), que fornece proteção contra rubéola, caxumba e sarampo em conjunto. Graças a ela, a incidência do sarampo é inferior a 1% da população mundial.

2. As vacinas inativadas

Falar de “vida” nos vírus é algo complexo, pois eles nem mesmo possuem uma célula, o mínimo necessário para que uma estrutura seja considerada viva. Na verdade, eles são capsídeos de proteínas que contêm DNA ou RNA, capazes de se replicarem quando entram em uma célula hospedeira.

No caso das vacinas inativadas, é usada uma versão “morta” do germe, que geralmente é inativada através da aplicação de calor ou da exposição a certos produtos químicos (como a formalina). O microrganismo é incapaz de se replicar no hospedeiro, mas os seus antígenos são preservados e, portanto, os macrófagos são capazes de reconhecê-lo.

Conforme você pode imaginar, essas vacinas são usadas para imunizar contra vírus e patógenos muito perigosos, tais como os causadores da hepatite A, da poliomielite ou da raiva. Se o patógeno estiver morto, a possibilidade de que ele cause uma infecção é completamente eliminada, mas, infelizmente, a resposta imunológica é mais fraca.

Por esta razão, geralmente são necessárias várias doses de vacinação (doses de reforço) para manter a imunidade do paciente a longo prazo. Conforme indicado pelo portal Historyofvaccines.org, é obtido um efeito menor em troca de uma periculosidade nula.

3. Vacinas de subunidades, recombinantes, polissacarídeos e combinadas

Estamos diante de um grupo heterogêneo, pois, neste caso, são utilizadas partes do patógeno para gerar imunidade, mas nunca o microrganismo inteiro. Por exemplo, é possível isolar proteínas específicas do germe que vão atuar como antígenos por conta própria, evitando assim a necessidade de inocular o patógeno em sua totalidade.

Um tipo muito curioso de vacina é o que é sintetizado graças à engenharia genética. Por meio de técnicas de recombinação, é possível inserir as sequências genômicas do vírus que codificam o antígeno em outros patógenos ou células (leveduras, por exemplo), que são inoculados. Este método é conhecido como recombinação genética.

Uma vez que geralmente não são tão eficazes quanto as vacinas vivas atenuadas, às vezes é necessário administrar adjuvantes às vacinas de subunidades ou polissacarídeos. Eles ajudam a fortalecer a resposta imunológica e a promover o mecanismo de memória durante mais tempo e geralmente são a causa das reações locais incômodas.

O vírus da hepatite B, o vírus da coqueluche, o papilomavírus humano (HPV) ou o vírus da herpes zoster são combatidos com vacinas dessa categoria.

4. As vacinas com toxoides

Por último (mas não menos importante), encontramos as vacinas com toxoides. Essas vacinas contêm toxinas ou compostos químicos produzidos pela bactéria ou vírus contra os quais se deseja imunizar. Um exemplo muito claro da utilidade desse tipo de vacina é a que protege do tétano, pois o perigo é a toxina produzida pelo Clostridium tetani, não o organismo em si.

Assim, neste caso, a toxina (tetanospasmina) pode ser inativada por meio de tratamentos químicos, o que permite a sua inoculação sem que o paciente sofra os efeitos. O sistema imunológico reconhece esse agente tóxico em exposições futuras e, portanto, é capaz de responder rapidamente quando chegar a hora.

Além dos mitos

Conforme você deve ter percebido, a criação de vacinas é fácil de entender e pode ser resumida em algumas linhas. Às vezes são usados patógenos enfraquecidos, outras vezes são usados organismos mortos e, excepcionalmente, também são usadas toxinas do gérmen ou subunidades-chave que induzem a resposta do sistema imunológico.

Seja como for, a premissa é sempre a mesma: acostumar o corpo ao patógeno por meio de métodos não perigosos, para que as nossas células imunológicas saibam responder na hora certa. As vacinas são aprovadas por órgãos governamentais (como, por exemplo, a Agência Europeia de Medicamentos); portanto, não há nada a temer quando se trata de vacinação.

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