Germes: o que são, características e tipos

1 abril, 2021
This article has been written and endorsed by el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador
Nem todos os microrganismos são germes, mas todos os germes fazem parte de algum grupo de microrganismos. Embora os vírus e bactérias sejam os mais conhecidos, também existem outros tipos.

De acordo com o Estudo Global Burden of Disease (GBD), 95% da população mundial tem algum tipo de doença. De longe, as infecções das vias respiratórias inferiores e as doenças diarreicas causadas por germes são uma das principais causas de morbilidade e mortalidade global.

O conceito de “germe” nos rodeia por toda parte, porque, sem ir mais longe, dentro e sobre o corpo humano existem cerca de 48 bilhões de bactérias. Devido à sua presença em todo o globo, as bactérias são o segundo maior contribuinte da biomassa terrestre —depois das plantas—, acumulando 15% do total.

Portanto, alguns microrganismos são bons, alguns são neutros e outros são patógenos. Para além do campo da ecologia, você saberia dizer o que são os germes? Este termo, cada vez mais em desuso, refere-se a uma pequena fração dos seres vivos que habitam a Terra: aqueles que são microscópicos e patogênicos.

O que são os germes?

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos EUA, um germe é uma bactéria, vírus ou outro micróbio que pode causar infecções e doenças. Esses seres microscópicos são caracterizados pela sua patogenicidade potencial: este é um atributo único de cada gênero e espécie, que permite ao microrganismo em questão causar danos em hospedeiros suscetíveis.

Mais do que germes, o termo correto sempre é agente biológico patogênico. Conforme indicado pelo portal amBientech, este termo se refere a qualquer entidade biológica capaz de produzir uma doença infecciosa em um hospedeiro – seja ele um humano, uma planta ou outro animal – que esteja predisposto.

Esse ser vivo com predisposição biológica à infecção é denominado hospedeiro. Um ser vivo pode se tornar um hospedeiro para um germe com base nos seguintes parâmetros:

  1. Fatores genéticos, idade, distúrbios fisiológicos e doenças concomitantes: todos esses parâmetros podem causar depressão do sistema imunológico, o que facilita a entrada e o estabelecimento de germes.
  2. Local de residência e características ambientais: dependendo de onde um ser vivo vive, é muito mais provável que ele se torne hospedeiro de um ou outro germe. Uma coisa são os animais que um patógeno pode infectar, e outra bem diferente são aqueles à sua disposição.
  3. Comportamento e estilo de vida: parâmetros como exercícios, higiene pessoal, alimentação, contatos interpessoais, consumo de toxinas e muitos outros podem favorecer ou impedir um germe de chegar ao hospedeiro humano.

É quase impossível entender um germe ou agente biológico patogênico sem a sua contraparte hospedeira.

A relação entre os dois é uma espécie de “dança evolutiva”. O afetado desenvolve e aperfeiçoa o seu sistema imunológico para evitar infecções, enquanto o patógeno passa por mutações para contornar as novas barreiras biológicas.

Os 6 tipos de germes

Uma vez que já introduzimos o termo e a relação com o hospedeiro, estamos prontos para explorar os 6 tipos de germes. Trata-se das bactérias, vírus, fungos, protozoários, viroides e príons. Vamos lá.

1. Bactérias

As bactérias são um tipo de germe.
Um grande número de bactérias habita no sistema digestivo, muitas delas necessárias para manter uma boa saúde.

Conforme indicado pelo National Human Genome Research Institute, as bactérias são organismos procarióticos – o seu DNA celular fica livre no citoplasma -, unicelulares e cosmopolitas. Elas podem ser encontradas em quase todas as partes da Terra e têm tarefas essenciais para o ecossistema, tais como reciclar matéria orgânica e produzir oxigênio.

Além da sua acepção infecciosa, muitas bactérias são comensais do ser humano – não fazem bem nem mal – ou não se relacionam conosco.

De acordo com o Cuaderno de Cultura Científica, a quantidade de bactérias na Terra é tão grande que, juntas, elas somam 70 gigatoneladas de carbono, ou 15% do total de matéria orgânica do mundo.

A seguir, vamos listar algumas das características típicas de quase todas as bactérias:

  1. Assim como as células eucarióticas, as bactérias possuem citoplasma, membrana celular, ribossomos – responsáveis pela síntese de proteínas – e DNA bacteriano. De qualquer forma, neste caso o DNA fica livre no citoplasma e não é delimitado por uma membrana nuclear. As bactérias também podem possuir cápsulas, não presentes em eucariontes.
  2. As bactérias são pequenas e, por isso, devem ser vistas ao microscópio. Seu comprimento fica entre 0,5 e 5 micrômetros. Apesar do tamanho minúsculo, elas apresentam formas muito variadas, tais como cocos, bacilos e espirilos.
  3. Algumas bactérias usam torções corporais, cílios e flagelos para se moverem pelo ambiente.

Nem todas as bactérias são patogênicas, mas algumas delas são responsáveis por doenças muito graves em humanos.

Algumas bactérias conhecidas por sua capacidade infecciosa são as do gênero Salmonella, Shigella e as espécies Campylobacter jejuni, Clostridium botulinum, Staphylococcus aureus
e Vibrio cholerae.

2. Vírus

Conforme indicado pelo portal Kids Health, os vírus são ainda menores que as bactérias (de 10 a 300 nanômetros) e nem sequer são totalmente considerados como seres vivos.

Eles não têm uma estrutura celular real, pois carecem de citoplasma, ribossomos e outras organelas. A maioria dos vírus é composta de DNA ou RNA livre e um capsídeo ou capsômero, feito de proteínas.

Uma vez que não apresentam células, eles não são capazes de se reproduzir; e já que não podem se reproduzir, eles não são considerados seres vivos. Mais do que microrganismos, eles são chamados de agentes infecciosos, pois não podem viver sem o seu hospedeiro ou permanecer no ambiente durante muito tempo.

Para que ocorra a divisão celular, um microrganismo deve ter núcleo e ribossomos, que vão sintetizar as proteínas necessárias para dar origem a novas estruturas. Como os vírus não possuem esse mecanismo, eles precisam “sequestrar” as células do seu hospedeiro e se aproveitar dos seus mecanismos para que possam se replicar.

De acordo com o portal CK12, uma vez que se encontram dentro da célula infectada, os vírus utilizam o ATP, ribossomos, enzimas e outras partes da célula para se replicar, ou seja, multiplicar as suas informações genéticas e dar origem às proteínas necessárias para formar os capsídeos. Quando deixam o corpo celular, os vírus geralmente causam a sua morte ou apoptose.

Alguns dos vírus típicos que infectam humanos são os seguintes: vírus influenza A e B , papilomavírus humano (HPV, com mais de 200 variantes), norovírus , citomegalovírus e muitos outros.

A epidemiologia dos vírus

A epidemiologia é o ramo da medicina responsável por estudar a distribuição, frequência e os fatores determinantes das doenças existentes em uma determinada área geográfica, especialmente se forem causadas por vírus.

Graças a esse campo de pesquisa, sabe-se, por exemplo, que até 20% da população mundial apresenta gripe em algum momento e lugar.

3. Protozoários

Conforme indicado pela Clínica Mayo, os protozoários são seres unicelulares ligeiramente mais “avançados” na escala evolutiva. Eles se comportam mais ou menos como animais, pois caçam e coletam outros micróbios para sobreviver. Esses germes vivem em ambientes úmidos ou aquáticos, tais como águas salgadas e doces e em ambientes internos de seres vivos.

Os protozoários medem de 10 a 50 mícrons e, portanto, são muito maiores do que vírus e bactérias. Porém, a sua diversidade taxonômica for menor: são conhecidas cerca de 30.000 espécies no mundo todo.

Uma vez que são predadores, esses seres possuem cílios e flagelos e caçam algas, bactérias e micro-fungos unicelulares ou filamentosos.

Embora nem todos os protozoários sejam patogênicos para os seres humanos, alguns deles são muito perigosos. Além disso, muitos usam vetores invertebrados para chegar até nós, tais como mosquitos, carrapatos ou sanguessugas.

Algumas das doenças causadas por protozoários mais comuns são as seguintes:

  • Malária: é causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos através da picada de um mosquito. Estima-se que a malária afete mais de 200 milhões de pessoas em países de baixa renda, causando 400.000 mortes anualmente.
  • Tripanossomíase (doença do sono): doença causada por protozoários do gênero Trypanosoma. Essa patologia se desloca em ondas epidemiológicas, mas felizmente a sua incidência global diminuiu consideravelmente.
  • Leishmaniose: causada por protozoários do gênero Leishmania. Essa doença varia desde formas leves – que afetam a pele, formando bolhas – até quadros fatais, que causam inflamação e danificam o fígado e o baço de forma irreversível.

Conforme você deve ter visto, muitas doenças causadas por protozoários são transmitidas através da picada de insetos e outros artrópodes. Por isso, a sua prevalência aumenta bastante nas regiões tropicais, onde o índice de biodiversidade é alto.

4. Fungos

Os fungos são responsáveis por muitos problemas de saúde.
Os fungos são responsáveis por muitos problemas de saúde, alguns deles fatais em pacientes imunossuprimidos.

O reino Fungi abrange todos os fungos, desde bolores a leveduras, passando por formadores de cogumelos e muitos outros tipos. Eles diferem das plantas por serem heterótrofos – obtêm a sua energia a paritr da matéria orgânica – e porque a sua parede celular é composta de quitina, não de celulose.

Os fungos patogênicos são aqueles que prejudicam o homem, a maioria deles de tamanho microscópico, apesar de serem eucariontes. A micologia médica é responsável por estudar e prevenir os efeitos das infecções de cerca de 300 espécies deste reino que podem nos afetar.

Alguns dos fungos considerados germes pertencem ao grupo dos dermatófitos. De acordo com o SEIMC, são patógenos que se instalam nas camadas superficiais da pele, cabelos e unhas. Alguns atacam a queratina, enquanto outros concentram a sua atenção em estruturas mais especializadas.

Impingem, infecções ungueais e candidíase são considerados alguns tipos de patologias causadas por dermatófitos. Além desses, também existem outros fungos que causam doenças muito mais graves, como a aspergilose pulmonar. Nessa patologia fatal, as hifas do fungo crescem nos pulmões do paciente.

5. Viroides

Dedicaremos pouco tempo a esses germes, pois são agentes biológicos patogênicos raros e um pouco difíceis de entender. Os viroides são semelhantes aos vírus, porém ainda mais simples. Carecem de lipídios e proteínas e, portanto, são compostos apenas por uma curta cadeia cíclica de RNA.

Estão no degrau mais baixo da escala biológica, pois não podem ser mais simples e é impossível classificá-los como seres vivos. Os viroides são patógenos típicos das plantas, uma vez que foram descritas cerca de 300 espécies deles que afetam as plantas superiores.

6. Príons

Um príon é uma proteína mal dobrada capaz de transmitir a sua forma não funcional a outras proteínas. Essas proteínas causam encefalopatias espongiformes transmissíveis, como o famoso surto epidemiológico da doença da vaca louca. É surpreendente que uma estrutura tão simples possa gerar patogenicidade em humanos, não é mesmo?

Os germes são complexos e altamente variados

Assim, apresentamos aqui os 6 tipos de germes que existem na Terra, além de todas as suas características e exemplos de doenças que eles podem causar.

Sem dúvida, os agentes virais e bacterianos levam a melhor no que diz respeito à infecciosidade, mas não podemos nos esquecer dos fungos e os protozoários.

Finalmente, é muito interessante saber que estruturas básicas como os viroides e príons podem chegar a acabar com a vida das pessoas. Eles nem mesmo são considerados entidades celulares e, portanto, encontrar a razão biológica da sua existência é um verdadeiro enigma.