Microbiota: o que é e quais são as suas funções?

Muitos tecidos do corpo humano possuem uma série de microrganismos na sua superfície, conhecidos como microbiota. Todos eles cumprem múltiplas funções de vital importância e podem ser modificados por fatores externos.
Microbiota: o que é e quais são as suas funções?

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 25 Abril, 2021

Última atualização: 25 Abril, 2021

No trato gastrointestinal, estende-se uma das principais superfícies de troca do organismo. Esta superfície permite a absorção dos nutrientes ingeridos e a defesa contra agentes nocivos. A microbiota participa ativamente desses processos. Você quer saber o que ela é e quais são as suas funções? Continue lendo!

Do ponto de vista imunológico, todos os microrganismos são considerados patógenos e devem ser eliminados do sistema. Porém, em nível gastrointestinal e em outros tecidos podemos encontrar um grande número de microrganismos que evoluíram e desenvolveram uma relação com o nosso corpo, favorecendo assim a homeostase interna.

O que é a microbiota?

A microbiota protege contra infecções.
A microbiota pode desempenhar um papel importante na defesa do organismo contra infecções por patógenos.

Os tecidos humanos são o habitat natural de uma longa e dinâmica lista de microrganismos, na sua maioria bactérias. Quando falamos em microbiota, estamos nos referindo a uma comunidade de pequenos seres vivos que são capazes de colonizar, de se adaptar e de evoluir nos tecidos do corpo, tais como pele, boca e trato gastrointestinal.

A microbiota que habita o epitélio intestinal humano é considerada uma das comunidades mais populosas do mundo, com cifras entre 1012 e 1014 unidades. Este ecossistema microscópico é composto por organismos colonizadores transitórios e outros que são colonizadores permanentes.

A relação entre os tecidos e a microbiota humana reflete um contexto simbiótico de amplo estudo. Nesse sentido, enquanto as bactérias desempenham diversas funções de proteção e metabolização, o corpo humano oferece a elas o local ideal para que possam se reproduzir e viver. De fato, essa comunidade passou a ser considerada um órgão a mais do corpo humano.

Composição da microbiota intestinal

A flora microbiana do trato gastrointestinal integra mais de 100 bilhões de bactérias que são de 500 a 1.000 espécies diferentes. A distribuição do ecossistema bacteriano é desigual, com uma menor quantidade sendo encontrada no estômago ou duodeno, enquanto o número aumenta no íleo e no intestino grosso.

As bactérias anaeróbicas estritas, que não são dependentes de oxigênio, superam o restante da microbiota intestinal. Por outro lado, os gêneros mais identificados em exames coprológicos são Bacteroides, Bifidobacterium, Eubacterium, Clostridium, Lactobacillus, Fusobacterium e diversos cocos gram-positivos anaeróbios.

No entanto, a maioria dos estudos que têm como objetivo detectar e classificar o ecossistema intestinal ainda são muito limitados. Portanto, há um grande número de gêneros e espécies que ainda não foram identificados neste ambiente.

Funções da microbiota

Atualmente, a microbiota humana autóctone não é mais considerada um comensal que não oferece nenhum benefício.

De fato, ela constitui um sistema complexo de organismos que participam ativamente na proteção, nutrição e fortalecimento do sistema imunológico.

Proteção contra agentes prejudiciais

Essa função destaca a capacidade da microbiota de atuar como uma barreira de defesa natural. Ela evita a colonização de patógenos exógenos que podem se tornar perigosos no nível da pele e das membranas mucosas do corpo.

A interferência na fixação de outros microrganismos é determinada pela competição que a microbiota oferece por espaço e aderência aos diversos tecidos. Além disso, o ecossistema autóctone diminui a taxa de nutrientes necessários para a sobrevivência e reprodução de outros agentes externos.

Da mesma forma, a flora intestinal é capaz de produzir uma grande quantidade de substâncias bactericidas, que criam um ambiente tóxico para os patógenos. Entre elas, ácidos orgânicos, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas, que formam poros nas paredes bacterianas e impedem a sua síntese.

Portanto, a co-agregação de agentes externos nas superfícies epitelial e mucosa fica bastante limitada. Este fato reflete a ampla simbiose da interação hospedeiro-micróbio entre humanos e sua microbiota.

Nutrição e metabolismo

As propriedades metabolizantes são notáveis no nível da flora microscópica entérica, favorecendo todo o processo de nutrição. Os mecanismos incluem a fermentação de carboidratos não digeríveis no cólon e ceco, produzindo energia para as bactérias e ácidos graxos digeríveis pela mucosa.

Por outro lado, esses microrganismos também participam da produção de elementos essenciais, tais como vitamina K, vitamina B12, biotina, ácido fólico e ácido pantotênico. Além disso, também participam da síntese de aminoácidos por meio da metabolização da ureia e da amônia não absorvida.

Desenvolvimento e fortalecimento do sistema imunológico

Os microrganismos em geral participam de forma direta e contínua na maturação do sistema imunológico. A microbiota expressa proteínas e açúcares de superfície reconhecidos como invasores, estimulando assim o desenvolvimento dos dois tipos de imunidade do organismo: inata e adquirida.

Nesse sentido, o ecossistema autóctone oferece um campo de treinamento eficaz para o sistema imunológico que se inicia a partir do nascimento do ser humano, o que facilita a resposta ativa e imunocompetente a agentes invasores e altamente patogênicos.

Fatores que influenciam a microbiota

A microbiota pode ser afetada por alguns medicamentos.
O uso contínuo de alguns antibióticos pode causar doenças por causa da eliminação da microbiota, principalmente no sistema digestivo.

Cada pessoa tem a sua comunidade particular de microrganismos não patogênicos. Ela é determinada pelo genótipo, pela exposição pós-natal, pelo ambiente e pela alimentação.

A alimentação recebida durante os dois primeiros anos de vida é fundamental para a fixação da flora intestinal. No nascimento, o trato gastrointestinal é estéril; entretanto, ele é rapidamente colonizado no momento da amamentação e da posterior ingestão de alimentos sólidos.

Por outro lado, a exposição ambiental e o tipo de dieta de cada indivíduo favorecem a adjudicação de uma ou outra microbiota. Além disso, o uso inadequado de antibióticos favorece o aparecimento de distúrbios na composição do nosso ecossistema microscópico.

Uma relação de interdependência

A microbiota própria dos tecidos humanos é essencial para o desenvolvimento de cada indivíduo, influenciando continuamente na manutenção da homeostase.

As evidências indicam que a interação entre o hospedeiro e os microrganismos comensais é muito benéfica, favorecendo desde a nutrição até o fortalecimento do sistema imunológico.

É evidente que deve haver um equilíbrio adequado na composição da microbiota autóctone. Quando ela é alterada, podem ser desencadeados distúrbios imunológicos e alterações inflamatórias e metabólicas perigosas para a saúde.

Pode interessar a você...
Psicobióticos: o que são, para que servem e quais são os mais eficazes
Muy SaludLeia em Muy Salud
Psicobióticos: o que são, para que servem e quais são os mais eficazes

A inclusão de psicobióticos na dieta pode ter efeitos positivos, reduzindo o risco de desenvolver distúrbios relacionados ao sistema nervoso.



  • Guarner F. Papel de la flora intestinal en la salud y en la enfermedad. Nutr. Hosp.  [Internet]. 2007;22(Suppl 2):14-19.
  • Icaza-Chávez M. Microbiota intestinal en la salud y la enfermedad. Revista de Gastroenterología de México. 2013;78(4):240-248.
  • Beltrán de Heredia M. Microbiota autóctona. Farmacia Profesional. 2017; 31(2): 17-21.
  • Belkaid Y, Harrison OJ. Homeostatic Immunity and the Microbiota. Immunity. 2017 Apr 18;46(4):562-576.
  • Ruff WE, Greiling TM, Kriegel MA. Host-microbiota interactions in immune-mediated diseases. Nat Rev Microbiol. 2020 Sep;18(9):521-538.
  • Man WH, de Steenhuijsen Piters WA, Bogaert D. The microbiota of the respiratory tract: gatekeeper to respiratory health. Nat Rev Microbiol. 2017 May;15(5):259-270.