A ligação entre azia e colesterol

Vamos te explicar por que muitas pessoas pensam que o colesterol alto e a azia estão relacionados ou têm alguma ligação entre si.
A ligação entre azia e colesterol
Saúl Sánchez

Escrito e verificado por el nutricionista Saúl Sánchez em 18 Agosto, 2021.

Última atualização: 18 Agosto, 2021

Conhecemos como colesterol um grupo de partículas responsáveis pelo transporte da gordura pelo sangue. Elas são necessárias para o bom funcionamento do organismo, sendo produzidas de forma endógena pelo fígado. Além disso, o colesterol pode ser ingerido por meio da dieta, a partir de alimentos como os ovos. Mas, o colesterol está relacionado de alguma forma à azia?

Embora por muitos anos um nível elevado de colesterol tenha sido associado a um risco aumentado de doença cardiovascular, essa relação agora mudou. Na verdade, as lipoproteínas são consideradas um marcador muito inespecífico, sendo a culpa das doenças cardíacas atribuída à inflamação promovida em excesso.

Níveis elevados de colesterol no organismo

Azia e colesterol não estão relacionados.
Para que os profissionais de saúde saibam como estão os níveis de colesterol, são necessários alguns exames de sangue. Eles medem, entre outras substâncias, as lipoproteínas.

Algumas pessoas apresentam níveis elevados de colesterol no corpo. Em geral, é possível distinguir 3 tipos principais de lipoproteínas: HDL, LDL e VLDL. A verdade é que o aumento dos níveis delas não significa necessariamente perigo, mas na maioria dos casos responde a determinações genéticas.

Dessa forma, o organismo estabelece um nível baixo de colesterol que serve para manter uma situação de homeostase (equilíbrio) no meio interno. A partir daí, a ingestão alimentar dessa substância determinará a produção endógena, ou seja, um aumento da presença de colesterol na dieta reduzirá a síntese a nível hepático e vice-versa.

Isso garante que os níveis de lipoproteínas no sangue permaneçam estáveis ao longo do tempo. No entanto, é verdade que os hábitos de vida podem influenciá-los. Por exemplo, um consumo elevado de gorduras trans pode afetar a proporção de lipoproteínas. E mais importante ainda, causar inflamação. Isso é evidenciado por um estudo publicado na revista Progress in Lipid Research.

Por outro lado, deve-se ter em mente que manter os níveis de colesterol muito altos pode levar a um aumento na incidência de cálculos biliares, especialmente em pessoas com predisposição a eles. Segundo uma pesquisa publicada na revista Current Opinion in Gastroenterology, estes cálculos geralmente existem quando há alterações no perfil da microbiota.

O baixo consumo de água e a obesidade também são fatores de risco para o aparecimento de cálculos. Até mesmo o diabetes pode influenciar na síntese deles. Por isso, não é só o nível de colesterol no sangue que importa.

Qual é a relação entre azia e colesterol alto?

Os cálculos biliares são sintomáticos em apenas 20% das pessoas que os apresentam. Nos 80% restantes, eles ficam em silêncio na maior parte do tempo. Mas quando começam a se manifestar o paciente experimenta uma dor intensa, especialmente após uma refeição farta ou com alto teor de gordura.

Algumas pessoas podem confundir os sintomas da azia com os de cálculos biliares. Porém, a fisiopatologia desse problema é totalmente diferente, além do prognóstico. Cabe destacar que os sintomas de cálculos biliares são os seguintes:

  • Dor na parte superior do abdome.
  • Dor nas costas e embaixo do ombro direito.
  • Náusea e vômito.
  • Distensão abdominal.
  • Intolerância a alimentos gordurosos.
  • Aumento da produção de gás.

Existem vários sinais de alarme que devem ser considerados. No caso de sofrer qualquer um dos sintomas seguintes, é necessário consultar um médico:

  • Calafrios.
  • Febre.
  • Icterícia (coloração amarelada da pele).
  • Fezes cor de argila.

Nesses casos, o especialista recomendará exames da função hepática, além de uma radiografia abdominal. O objetivo será detectar os cálculos e avaliar o estado do fígado. Em qualquer caso o tratamento medicamentoso costuma ser usado para resolver o problema e prevenir a progressão.

Além disso, geralmente é necessário considerar um tratamento dietético. Quando existem cálculos ou um comprometimento do fígado, é fundamental controlar a ingestão de lipídios e proteínas na dieta, bem como aumentar o consumo de água para aliviar a pressão a que esses órgãos estão sujeitos.

Qual é a verdadeira origem da azia?

Acidez estomacal e colesterol e sua relação com o helicobacter.
A azia costuma estar associada a muitos problemas gastrointestinais, especialmente à infecção por H. pylori. Em alguns casos, as consequências dessa condição podem ser graves.

Embora o colesterol alto e formação de cálculos possam ser confundidos com azia, esses são problemas bastante distintos. Este último geralmente se caracteriza por uma ineficiência na função do esfíncter esofágico, o que gera refluxo e desconforto. Isto é afirmado por uma pesquisa publicada na revista Missouri Medicine.

As dores próprias dessa patologia também podem ser experimentadas devido à existência de uma hérnia de hiato ou uma colonização pela bactéria Helicobacter pylori. Em todos estes casos é necessária uma intervenção a nível alimentar. O mesmo acontece nas situações em que o excesso de colesterol causa cálculos nas vias biliares.

Em ambos cenários é necessário propor uma dieta de fácil digestão, com teor moderado de gordura. Os lipídios introduzidos na alimentação devem ser do tipo cis, evitando-se sempre os trans. Estes últimos geram um aumento na inflamação, que pode piorar os sintomas. Por isso é necessário evitar alimentos ultraprocessados e pré-preparados da dieta alimentar.

Ao mesmo tempo, é essencial controlar a ingestão de proteínas. No caso de azia causada por gastrite, aumentar um pouco a ingestão de proteínas geralmente é bom para restaurar o tecido danificado. A coisa muda quando o problema existente são os cálculos. Será necessário avaliar primeiro a função hepática, pois se houverem problemas nesse órgão será necessário limitar a ingestão de proteínas, em alguns casos.

É possível reduzir o colesterol por meio da dieta?

Um dos debates mais notórios no campo da nutrição diz respeito à eficácia da dieta alimentar para intervir nos níveis de colesterol. É claro que uma mudança nos hábitos alimentares protege o indivíduo contra o desenvolvimento de muitas doenças. No entanto, a influência dos alimentos nos níveis de lipoproteínas ainda gera muitas dúvidas.

Até o momento, foi possível demonstrar que o consumo de colesterol na dieta não influencia os níveis desse elemento no plasma. Por isso, foi liberalizada a presença de ovos na alimentação, que até poucos anos atrás era limitada a 3 ou 4 unidades por semana.

Da mesma forma, foi proposto que a introdução de lipídios insaturados na dieta poderia reduzir os níveis de lipoproteínas no sangue, pelo menos aquelas pertencentes à fração LDL. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Clinical Cardiology, a suplementação com ácidos graxos da série ômega-3 pode ajudar a melhorar o perfil lipídico do paciente.

O que está claro é que é fundamental aumentar a presença de vegetais na alimentação. Além do nível específico de colesterol, os fitonutrientes contidos nesses produtos reduzem os estados inflamatórios e oxidativos do organismo, protegendo-o contra o desenvolvimento de muitas patologias crônicas e complexas.

Como intervir para reduzir a acidez?

É possível intervir na alimentação para reduzir a azia causada por alterações no esôfago ou situações de gastrite. Neste caso, existem vários tratamentos que podem ser realizados. O mais comum de todos é propor uma dieta de fácil digestão, o que aumenta a velocidade do esvaziamento gástrico.

Para atingir esse objetivo, é necessário evitar refeições muito fartas, dividindo o total de calorias diárias em várias doses de pequeno volume. Nesse caso, também será prioritário enfatizar a ingestão de produtos de origem vegetal, principalmente aqueles com altas concentrações de água e fitonutrientes.

Será necessário restringir todos os alimentos ou substâncias que possam ser irritantes, como café, cacau, frutas cítricas, comidas picantes… Porém, a tolerância individual pode ser testada, já que nem todas as pessoas reagem da mesma maneira a estes tipos de alimentos.

Pode ser benéfico considerar a suplementação com probióticos, especialmente nos casos de refluxo. Existem evidências que indicam que gerar uma mudança no perfil da microbiota traz benefícios a nível gastrointestinal, reduzindo os problemas associados à digestão. Agora, escolher a cepa ideal de bactéria para consumir pode não ser uma tarefa fácil.

Nestes casos, é recomendável visitar um especialista. Em primeiro lugar para avaliar se existe algum quadro de disbiose que possa estar afetando negativamente o processo digestivo. Também é possível escolher o melhor suplemento probiótico para tratar corretamente o problema e obter resultados vantajosos a médio e longo prazo.

Azia e colesterol alto, dois problemas que não estão relacionados

Como você pôde ver, não existe uma relação direta entre colesterol alto e azia. No entanto, é verdade que manter um nível alto de lipoproteínas pode aumentar o risco de desenvolver cálculos biliares, o que pode gerar uma série de sintomas que são confundidos com a azia.

Por isso, para garantir que o risco de desenvolver algum desses problemas seja reduzido, é necessário otimizar a dieta. Apostar num cardápio saudável, rico em vegetais e produtos frescos diminui consideravelmente o número de doenças gastrointestinais, renais e cardiovasculares.

Além disso, é sempre aconselhável praticar exercícios físicos regularmente. Manter um bom estado de composição corporal também é considerado decisivo para evitar estados inflamatórios que podem gerar problemas de saúde a médio prazo. Acima de tudo é importante priorizar o exercício de força muscular.

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