Síndrome de burnout: sintomas, causas e tratamento

3 abril, 2021
This article has been written and endorsed by la psicóloga Laura Ruiz Mitjana
A síndrome de burnout é um distúrbio característico das pessoas que trabalham no cuidado de outras pessoas. Porém, ela pode surgir em qualquer profissão, causando sintomas como cansaço físico e mental ou baixa realização pessoal.

Você conhece a síndrome de burnout? Trata-se de um transtorno que envolve uma série de alterações físicas e psicológicas decorrentes do trabalho, ou melhor dizendo, da sobrecarga de trabalho. Aparece principalmente em profissionais da saúde, mas também em policiais, professores, etc.

A avaliação de 535 pessoas em um estudo de Miranda-Lara et al. (2016), que buscava avaliar a prevalência da síndrome em profissionais da saúde, constatou que 33,8% dos trabalhadores sofriam com o transtorno e que 6,7% o apresentavam em alto grau.

Dos participantes do estudo, 44,1% apresentavam exaustão emocional, 56,4% despersonalização e 92,9% baixa realização pessoal. Esses três sintomas mencionados são os sintomas típicos do transtorno. Mas o que mais sabemos sobre ele? Por que ocorre? Como tratar? Vamos falar sobre tudo isso neste artigo.

Síndrome de burnout: o que é?

A síndrome de burnout pode levar à depressão.
Se a síndrome de burnout não for tratada, é possível que surja um quadro depressivo.

De acordo com um artigo de Pereira et al. (2002) publicado na revista Clínica y Salud, a síndrome de burnout é uma patologia que pode afetar diversas profissões: profissionais da saúde, professores, policiais

Em geral, ocorre sobretudo nas profissões que frequentemente precisam atender e interagir de forma assistencial com algum tipo de usuário ou «cliente».

Esse usuário ou cliente geralmente tem necessidades mais ou menos importantes e urgentes. Os primeiros a falar dessa síndrome foram Maslach e Jackson (1981), que a caracterizaram como uma síndrome por meio da qual se manifestava exaustação emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.

Os afetados desenvolvem sintomas muito diversos que interferem negativamente no seu funcionamento cotidiano (saúde, trabalho, vida pessoal e social). A partir de 1996, o modelo original proposto por esses autores foi modificado (Maslach, Jackson e Leiter, 1996).

Nesse novo modelo, também foram incluídos os profissionais não assistenciais, e os sintomas que os autores propuseram foram: cansaço emocional, cinismo e eficácia pessoal. Conforme veremos, essa eficácia pessoal (ou melhor, a sensação de ser eficaz ou eficiente) é muito afetada na pessoa que sofre desse transtorno.

Uma alteração física e mental

Essas primeiras definições e modelos sofreram mudanças ao longo dos anos e, atualmente, a síndrome de burnout é conhecida como uma alteração psicológica vinculada ao contexto profissional, que pode se tornar um transtorno por causa dos seus efeitos negativos para a saúde.

Uma pessoa que a apresenta pode desenvolver transtornos do humor (como a depressão ) ou transtornos de ansiedade, entre outras alterações que vamos mencionar a seguir.

Sintomas

Em cada pessoa, os sintomas desta síndrome podem variar ligeiramente (e também o seu grau de intensidade ou interferência). No entanto, há uma série de sintomas característicos, que são os seguintes:

Esgotamento físico e mental

Há um desgaste mental (esgotamento ou exaustão mental) significativo. Isso está relacionado sobretudo com o campo profissional, ou seja, decorre do próprio trabalho. Pode levar a pessoa a também desenvolver exaustão física. Assim, surge uma perda de energia.

Conforme dissemos, esse esgotamento geralmente ocorre devido ao fato de ter que realizar determinadas funções profissionais, sendo estas principalmente relacionadas a pessoas que precisam ser atendidas. É por isso que esta é uma síndrome muito típica em profissionais da saúde.

Despersonalização

É definida como uma experiência subjetiva caracterizada por uma alteração na forma habitual como a pessoa se percebe, tanto a si mesma quanto a seu próprio corpo. A pessoa com despersonalização geralmente se vê “de fora”, como se não fosse ela mesma quem estivesse vivenciando a situação.

Trata-se de uma sensação temporária em que a pessoa se sente “fora” do próprio corpo, estranha, como em um sonho, e assim por diante. Dessa forma, outro dos sintomas da síndrome de burnout é a despersonalização.

Nesse sentido, podem surgir atitudes negativas em relação aos usuários ou clientes e um aumento da irritabilidade no trabalho, além de uma perda da motivação.

Falta de realização pessoal

Outro sintoma característico dessa síndrome é a falta de realização pessoal. Por realização pessoal entendemos um sentimento de satisfação no trabalho, se se sentir útil nele, realizado, animado, etc.

Com a presença dessa síndrome, essa satisfação desaparece e a autoestima pessoal e profissional também diminui. Surge um sentimento de frustração das expectativas e sintomas de estresse em nível comportamental, físico e cognitivo.

Causas da síndrome de burnout

O que causa a síndrome de burnout? Ela é o resultado da combinação de muitas variáveis. Estas têm a ver sobretudo com o trabalho, mas também podem estar relacionadas com um momento delicado ou sensível da vida, com características pessoais específicas, com uma certa vulnerabilidade, etc.

No nível profissional, um ambiente ruim no trabalho, o mau relacionamento com os colegas, uma carga muito grande de trabalho, o estresse excessivo, as dificuldades para delegar e para trabalhar com pessoas (principalmente no seu cuidado) podem favorecer o aparecimento dessa síndrome. Vamos resumir todas essas causas a seguir:

Sensação de falta de controle

Pode ser traduzida como a incapacidade para influenciar decisões que afetam o próprio trabalho, relacionadas a horários, funções, carga de trabalho, definição de tarefas, etc.

Dinâmica disfuncional

A dinâmica disfuncional no trabalho, principalmente em relação aos colegas, também pode promover essa síndrome. Essas dinâmicas “tóxicas” criam muito estresse e mal-estar.

Má gestão do tempo

A gestão do tempo é essencial para evitar o estresse. Assim, se nos organizarmos mal, podemos acabar trabalhando demais e acumulando um cansaço físico e mental.

Falta de suporte social

Se, ao sairmos do trabalho (ou até mesmo dentro dele), não sentirmos que temos uma rede de apoio social para nos apoiar, os sintomas desse transtorno podem se intensificar. Assim, a pessoa pode se sentir cada vez mais sozinha e isolada, e sentir que não pode contar com ninguém para compartilhar o que está acontecendo com ela.

Expectativas profissionais pouco claras

O fato de não termos certeza sobre o que nosso chefe espera de nós, por exemplo, também pode causar muito estresse e desconforto. Ao não falar claramente com o superior, todo esse desconforto se acumula e a pessoa, além disso, pode acabar fazendo tarefas que não são da sua responsabilidade (e acumular ainda mais carga de trabalho).

Não cuidar de si mesmo o suficiente

Fora do local de trabalho, se a pessoa negligencia a própria saúde, os sintomas do transtorno podem se intensificar bastante. É por isso que será importante manter hábitos de vida saudáveis em relação à alimentação, ao sono, aos exercícios, aos horários, etc.

Tratamento

Pacientes com síndrome de burnout odem requerer atenção médica.
Consultar um psicólogo ou psiquiatra é uma excelente opção para iniciar o tratamento dessa síndrome.

Como tratar a síndrome de burnout? Mais do que um tratamento específico para este transtorno, existem medidas que podem ajudar a combatê-lo. Entre elas, encontramos:

  • Procurar apoio psicológico: se percebermos que não conseguimos lidar com os sintomas, sempre podemos procurar ajuda psicológica.
  • Fazer pequenas mudanças: tente fazer pequenas pausas durante o trabalho, passar algum tempo fora do escritório, passar tempo com os colegas, conectar-se com o que você ama no seu trabalho…
  • Praticar o autocuidado: é muito importante, nesses momentos de tanto estresse físico e emocional, cuidar de si mesmo. Portanto, mantenha uma alimentação balanceada, pratique esportes e respeite as suas horas de sono.
  • Reduzir as fontes de estresse: tente reduzir, tanto quanto possível, as fontes de estresse no trabalho e fora dele.
  • Organizar o tempo: a distribuição do tempo é a chave para reduzir esse estresse que tanto nos prejudica.
  • Encontrar momentos de desconexão: quando sair do trabalho, desconecte-se de verdade. Faça algo que você goste, ou apenas descanse. Desligue o celular, saia para caminhar, mas, acima de tudo, procure não pensar no trabalho.

Se você tem os sintomas típicos da síndrome de burnout, não hesite: ouça a si mesmo, não reprima os seus sentimentos e peça ajuda. A pior coisa que podemos fazer quando isso nos acontece é “deixar para lá“.

Prestar atenção aos nossos sintomas e analisar o que estamos passando e por que isso está acontecendo é o primeiro passo para se conscientizar e sair desse estado que tanto pode prejudicar a nossa saúde física e mental.

“Uma mente calma traz força interior e autoestima, o que é muito importante para a saúde mental.”

-Dalai Lama-

  • American Psychiatric Association (2004). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders DSM-IV-TR (Text Revision). American Psychiatric Association.
  • Bianchi, R.; Schonfeld, I.S.; Laurent, E. (2015). Burnout-depression overlap: A review. Clinical Psychology Review, 36: 28-41.
  • Maslach, C. y Jackson, S.E. (1981). Maslach Burnout Inventory, Manual. Palo Alto, University of California. Consulting Psychologists.
  • Maslach, C. y Jackson, S.E. y Leiter, M.P. (1996). Maslach Burnout Inventory Manual. Third Edition, Palo Alto, Ca.: Consulting Psychologist Press.
  • Maslach y Leiter (1997) The truth about burnout. San Francisco, CA: Jossey Bass.
  • Miranda-Lara, V.R. et al. (2016). Prevalencia del síndrome de burnout en personal de enfermería de dos instituciones de salud. Rev Enferm Inst Mex Seguro Soc., 24(2):115-22.
  • Pereira, B. et al. (2002). La evaluación específica del síndrome de Burnout en psicólogos: el “inventario de Burnout de psicólogos”. Clínica y Salud, 13(3): 257-283.
  • Santos Barrios (2017). Conoce y Supera la Despersonalización y la Desrealización: Trastorno de irrealidad. Amazon.