Viver com câncer de pulmão

Enfrentar um câncer de pulmão vai muito além do tratamento padrão que muitas pessoas associam à doença. Descubra que outras coisas podem ser feitas a esse respeito.
Viver com câncer de pulmão

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 09 Agosto, 2021

Última atualização: 10 Agosto, 2021

Viver com câncer de pulmão envolve lidar com muitas mudanças emocionais e físicas. O primeiro passo é assimilar a doença e iniciar o tratamento. O segundo inclui uma série de mudanças no dia a dia que permitem tolerar melhor as terapias, controlar as emoções e promover a qualidade de vida.

Lembre-se de que é impossível oferecer um prognóstico exato para a evolução da doença. A idade, estado de saúde, condições subjacentes e as características do tumor maligno determinam a possível progressão esperada para a condição. Enquanto aguarda o resultado das terapias, você pode considerar as sugestões que apresentaremos a seguir.

A importância de parar de fumar no câncer de pulmão

Viver com câncer de pulmão significa parar de fumar.
Muitas pessoas acreditam que parar de fumar com o diagnóstico de câncer de pulmão é “desnecessário”. No entanto, a ciência mostra o contrário.

De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), até 90% dos casos de câncer de pulmão são diagnosticados em pacientes fumantes. Se for esse o seu caso, após o diagnóstico é importante abandonar o hábito de fumar. Você pode se perguntar por que parar de fumar se já está com câncer. Responderemos a esta pergunta de acordo com a Cleveland Clinic :

  • Fumar piora os efeitos colaterais do tratamento: fadiga, inflamação dos pulmões, náuseas e vômitos são sequelas comuns durante o tratamento do câncer de pulmão. Se você não abandonar o cigarro eles serão mais intensos e persistentes.
  • O tratamento é menos eficaz: da mesma forma, manter esse hábito pode dificultar a eficácia de algumas terapias utilizadas para combater a doença. Por exemplo, o fumo retarda a cicatrização das feridas após a cirurgia. Também existem evidências de que ele altera a maneira como o organismo assimila a quimioterapia.
  • Você se arrisca a ter recaídas: se o tratamento for bem-sucedido mas você continua com esse hábito, podem acontecer recaídas. Lembre-se de que fumar não é um fator de risco apenas para câncer de pulmão, como também para câncer de boca, fígado, pâncreas, laringe, garganta, rim e muitos outros.

É por esse motivo que os pesquisadores consideram o abandono do tabagismo como parte do tratamento integral desse tipo de câncer. Com isso é possível reduzir os riscos e melhorar o prognóstico das terapias, além de trazer outros benefícios à saúde.

Gestão psicossocial para viver com câncer de pulmão

O câncer não é apenas um obstáculo do ponto de vista físico, como também emocional. Um estudo publicado em 2001 na revista Psychooncology comparou a prevalência de sofrimento psíquico em pessoas com 14 tipos de câncer. De acordo com os resultados, o câncer de pulmão é o que gera as maiores complicações, com prevalência de 43,4%.

Os sentimentos podem ser muito variados: angústia, ansiedade, raiva, culpa ou medo. Os pesquisadores sugerem que um em cada quatro pacientes desenvolve depressão, de forma que a terapia de suporte deve fazer parte do tratamento principal. Entre as coisas que você pode fazer, destacamos as seguintes:

  • Iniciar sessões com um profissional de psicologia (sozinho ou na companhia de familiares).
  • Compartilhar emoções, expectativas e previsões com seu círculo interno de relações.
  • Participar de grupos de apoio para pacientes que foram diagnosticados com a doença.
  • Manter um diário com os acontecimentos relacionados à condição.
  • Assimilar a doença (o que inclui não escondê-la da família e amigos e aderir ao tratamento).

Lidar com os sentimentos é mais difícil nas primeiras semanas após o diagnóstico, por isso é importante trabalhar a partir desse momento para controlar, aceitar e compartilhar seu estado emocional. Comece com o seu círculo próximo e, em seguida, considere expandir esse compartilhamento com outras pessoas (profissionais de terapia e grupos de apoio).

Nutrição e esportes para viver com câncer de pulmão

Esses são dois elementos muito importantes quando se vive com câncer de pulmão. Conforme nos lembra a Roy Castle Lung Cancer Foundation, muitos pacientes limitam as atividades físicas porque as associam a um pior prognóstico da doença. Nada está mais longe da realidade. Praticar esportes ajuda de diferentes maneiras, incluindo para:

  • Melhorar a maneira como o corpo tolera, responde e se recupera do tratamento.
  • Reduzir o estresse e a ansiedade.
  • Ajudar a dormir.
  • Aumentar o apetite.
  • Melhorar os níveis de energia.
  • Ajudar a relaxar, planejar metas e se sentir bem consigo mesmo.

Se você incluir a atividade física aos seus hábitos, estará neutralizando dois sintomas inerentes ao câncer de pulmão: fadiga e falta de apetite. Isso ocorre naturalmente, sem a necessidade de drogas no processo. Os exercícios a serem escolhidos dependem da habilidade de cada um. Podem ser práticas de alongamento, caminhadas, agachamentos e assim por diante. Faça o planejamento com a ajuda do seu especialista.

Por outro lado, é importante não negligenciar a alimentação. Estudos apoiam o uso de terapia nutricional para neutralizar alguns efeitos adversos do tratamento, bem como para manter os pacientes saudáveis. Suplementos de vitamina A e betacaroteno têm sido associados a um pior prognóstico (especialmente em fumantes), portanto, devem ser evitados.

Dicas para pacientes com câncer de pulmão

Viver com câncer de pulmão pode ser mais fácil com o apoio de entes queridos.
O apoio da família é muito importante para lidar melhor com essa situação, especialmente quando os sintomas são graves.

Parar de fumar, cuidar de sua saúde emocional, praticar esportes e manter uma dieta balanceada não são as únicas coisas que você deve fazer para viver com câncer de pulmão. A Lung Cancer Canada recomenda que os pacientes considerem os seguintes hábitos:

  • Fazer uma lista das atividades difíceis que pioram os sintomas. Por exemplo, curvar-se em um determinado ângulo ou ficar em pé por um longo tempo.
  • Condicionar sua casa para facilitar o acesso aos objetos que usados com frequência. Dessa forma, você evita fazer um esforço extra para alcançá-los.
  • Seguir seu próprio ritmo para realizar as atividades diárias. Evite acelerar sem motivo.
  • Eliminar ou simplificar as tarefas domésticas.
  • Considerar buscar a ajuda de terceiros para reduzir o esforço que feito dentro ou fora de casa (limpar e dirigir, por exemplo).
  • Planejar as tarefas semanais para combiná-las com o tratamento.

É importante incluir essas modificações de forma gradual. Dessa forma elas terão um impacto menor na sua vida e permitirão uma adaptação mais fácil. Já que você deve analisar todas as possibilidades, considere também o que fazer se a balança não estiver a seu favor. Para isso você pode seguir as recomendações da American Lung Association.

Viver com câncer de pulmão representa um desafio para os pacientes. É importante trilhar este caminho na companhia de entes queridos, trabalhando cada sentimento que vai sendo assimilado no processo. Confie no seu especialista e no tratamento que vocês concordam que é a melhor opção para lidar com a doença.

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