Tipos de colesterol

Você conhece os tipos de colesterol existentes? Vamos te contar quais deles podem ser encontrados no corpo humano, bem como as funções de cada um.
Tipos de colesterol
Saúl Sánchez

Escrito e verificado por el nutricionista Saúl Sánchez em 31 Agosto, 2021.

Última atualização: 31 Agosto, 2021

O nome colesterol se refere a um grande número de lipoproteínas presentes no sangue. Elas são classificadas em vários tipos, sendo responsáveis pelo transporte de lipídios. Esses elementos são necessários para o bom funcionamento do organismo, apesar da sua má reputação.

Por muitos anos um nível alto de colesterol foi associado a um aumento do risco cardiovascular. No entanto, esse parâmetro é um marcador muito inespecífico, e a associação não é tão clara como se acreditava anteriormente.

Diferentes tipos de colesterol

A seguir vamos comentar os diferentes tipos de lipoproteínas que podem ser encontradas no sangue, bem como as funções de cada uma.

HDL

É conhecido como colesterol bom. São lipoproteínas de alta densidade que transportam a gordura dos tecidos para o fígado. A presença de um grande número desses elementos no sangue está associado a um menor risco de doenças cardiovasculares, de acordo com um estudo publicado na revista Circulation Research.

Em condições normais, uma dieta saudável favorece o aumento da concentração do colesterol HDL no sangue. A prática de esportes de forma regular também pode desencadear uma resposta semelhante. De qualquer forma o impacto é limitado, já que esses níveis são marcados por determinação genética.

LDL

É tradicionalmente conhecido como colesterol ruim ou lipoproteína de baixa densidade. Ele transporta lipídios do fígado para os tecidos.

Por muitos anos a presença de altas concentrações dessas lipoproteínas tem sido associada a um risco aumentado de aterosclerose. No entanto, a evidência atual sugere que essa relação é incerta. Isso é apontado por um estudo publicado na revista Nutrients.

De acordo com as pesquisas mais recentes, os mecanismos envolvidos no risco cardiovascular são a oxidação e a inflamação. Quando ambas ocorrem em excesso, o risco de desenvolver aterosclerose aumenta, devido ao acúmulo de lipídios presentes no sangue. No entanto, em condições de homeostase, manter os níveis de LDL elevados não é considerado perigoso.

Da mesma forma, cabe destacar que a dieta pode influenciar na quantidade de lipoproteínas LDL, mas de forma limitada. A ingestão regular de ácidos graxos do tipo insaturado, como os da série ômega 3, pode diminuir ligeiramente o número desses elementos, de acordo com pesquisa publicada no European Journal of Nutrition.

Além disso, os efeitos dos ácidos graxos saudáveis sobre os níveis de colesterol são mais significativos quando estes estão excessivamente altos. A determinação genética faz com que, como regra geral, exista uma tendência a uma situação de equilíbrio entre a produção endógena de lipoproteínas e o consumo alimentar.

Aterosclerose de colesterol.
Os mecanismos perigosos para a saúde cardiovascular são a oxidação e a inflamação, e não exatamente os níveis de colesterol.

VLDL

VLDL são lipoproteínas de densidade muito baixa. Elas se divididem em oxidadas e não oxidadas. Esse primeiro subgrupo pode ser o verdadeiro responsável pelo aumento do risco cardiovascular.

De acordo com um estudo publicado na revista Current Medicinal Chemistry, as lipoproteínas oxidadas são as principais responsáveis pela aterosclerose, que provoca sérios problemas cardiovasculares. Esses tipos de elementos aumentam em número quando o estilo de vida e a dieta não são saudáveis.

Por exemplo, o consumo regular de ácidos graxos do tipo trans demonstrou ser capaz de aumentar o risco de desenvolvimento de placas de ateroma. Isso ocorre porque esses lipídios apresentam propriedades inflamatórias.

De qualquer forma, o valor das lipoproteínas da série VLDL não se reflete na maioria dos exames de sangue, e tampouco a taxa de oxidação das mesmas.

Triglicerídeos

Os triglicerídeos não são propriamente um dos tipos de colesterol, mas esses elementos costumam ser analisados juntos. Eles são um marcador melhor em termos de doenças cardiovasculares. De fato, é recomendável que a concentração dessas substâncias não aumente acima dos intervalos saudáveis.

É importante destacar que é possível que o colesterol esteja em níveis abaixo dos recomendados, enquanto os triglicerídeos estejam bem acima. A interpretação desses contextos não é fácil.

Em uma situação de excesso de triglicerídeos no sangue costuma ser recomendada uma intervenção na dieta. Esses elementos respondem de forma mais satisfatória à mudança na dieta do que o colesterol.

A perda de peso, a redução no consumo de alimentos fritos e ultraprocessados e a restrição de açúcares simples na dieta geralmente se traduzem em uma diminuição significativa dos níveis de triglicerídeos no sangue. Se esses elementos forem acompanhados pela prática de atividade física de forma regular, o resultado melhora ainda mais.

Qual é a influência da dieta sobre os tipos de colesterol?

Por muitos anos a ingestão semanal de gorduras, ovos e outros produtos foi limitada para manter os níveis de colesterol sob controle. Dessa forma, pretendia-se melhorar o estado de saúde e reduzir o risco cardiovascular. No entanto, as evidências atuais não apoiam essa teoria. De fato, é proposto que uma dieta com baixo teor de gordura pode ser contraproducente.

Os estudos mais recentes afirmam que a ingestão de colesterol dietético ou gorduras do tipo cis tem pouca influência sobre os níveis de lipoproteínas no sangue. Um maior consumo desses elementos apenas produziria uma diminuição em sua síntese endógena.

No entanto, existe um tipo de lipídio na dieta que pode influenciar negativamente na concentração de lipoproteínas. Eles já foram mencionados, são ácidos graxos do tipo trans. De qualquer forma, o efeito não é tão significativo nos níveis de colesterol total quanto na taxa de oxidação das próprias lipoproteínas.

É possível alcançar, através de hábitos de vida saudáveis, um perfil lipídico muito mais adequado. Isso nem sempre se traduz em redução dos níveis de HDL ou LDL, mas sim na diminuição da inflamação e oxidação no organismo.

Para atingir este objetivo, é imprescindível garantir o consumo regular de alimentos frescos, especialmente vegetais. Esses alimentos possuem fitonutrientes de caráter antioxidante e anti-inflamatório. Também os peixes oleosos, óleos vegetais crus e frutas oleosas são consideradas positivas.

Por outro lado, é fundamental praticar exercícios físicos regularmente. A atividade física não apenas melhora o perfil lipídico, mas também aumenta a eficiência do coração e dos vasos sanguíneos no desempenho de suas funções.

Peixe azul.
Os peixes azuis são recomendados em quase todas as dietas, pois fornecem substâncias que regulam a oxidação dos lipídios.

Suplementos para controlar o nível de colesterol

Além de prestar atenção aos hábitos de vida, existem alguns suplementos dietéticos que podem impactar positivamente no perfil lipídico. Um exemplo disso são os produtos com curcumina. Esse fitonutriente está presente na cúrcuma, e seu consumo está associado a uma melhora no estado de saúde.

De forma geral, o consumo de temperos culinários pode ajudar a prevenir problemas cardiovasculares e evitar patologias, como o diabetes tipo 2. Além disso, é sempre aconselhável manter um bom estado de composição corporal.

Foi demonstrado que o sobrepeso e obesidade alteram os níveis normais de colesterol. Além disso, essa condição provoca um aumento na inflamação sistêmica, que pode originar uma maior oxidação das frações de VLDL.

Colesterol: diferentes tipos de lipoproteínas necessárias para o organismo

Um número bastante grande de lipoproteínas que transportam gorduras através do sangue são conhecidos pelo nome de colesterol. A presença delas no organismo é necessária para garantir uma boa saúde.

Porém, é realmente decisivo garantir que os níveis de oxidação e inflamação sistêmica sejam controlados. Desse modo, a incidência de aterosclerose é reduzida, e os lipídios do sangue têm menor uma probabilidade de formar placas que condicionem o fluxo sanguíneo.

Para alcançar uma redução efetiva do risco cardiovascular, é fundamental propor uma alimentação saudável, priorizando o consumo de alimentos frescos em detrimento dos ultraprocessados. Além disso, a prática de atividade física deve ser promovida regularmente.

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