Síndrome do choque tóxico: sintomas e causas

A síndrome do choque tóxico é uma doença muito rara e fatal, que pode aparecer como uma complicação de diversas infecções. Você quer saber quais são os seus sintomas, causas e tratamento? Continue lendo!
Síndrome do choque tóxico: sintomas e causas

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 20 Março, 2021

Última atualização: 20 Março, 2021

As infecções bacterianas são um problema de saúde no mundo todo. Os microrganismos envolvidos são capazes de causar diversas doenças, muitas delas fatais. A síndrome do choque tóxico é uma doença rara, porém muito perigosa, causada por um grupo de bactérias gram-positivas.

A doença foi descoberta em 1978 e, na época, foi associada ao uso prolongado de absorventes internos. No entanto, graças às mudanças no seu processo de fabricação, a sua relação com essa patologia diminuiu bastante. Também foram descobertas outras condições médicas nas quais essa síndrome pode aparecer.

A síndrome do choque tóxico é uma doença que causa a falência de múltiplos órgãos e, por esta razão, apresenta alta mortalidade. Nesse sentido, é importante conhecer quais são as causas dessa complicação e saber como identificar os sintomas precocemente.

Causas da síndrome do choque tóxico

Atualmente, foi possível estabelecer que a maioria dos casos da doença é causada por um grupo de bactérias capazes de produzir uma exotoxina específica. Os agentes causais mais comuns os são estafilococos, especialmente o Staphylococcus aureus.

Por outro lado, estudos mostram que bactérias como o Streptococcus pyogenes são capazes de produzir a toxina, causando assim a doença. A substância em questão é conhecida pelo nome de TSST-1 (do inglês toxic shock syndrome toxin 1) e faz parte dos mecanismos de virulência das bactérias.

É importante destacar que muitas das bactérias mencionadas fazem parte da microbiota natural da pele, das mucosas, da vagina e do reto. No entanto, elas são consideradas agentes oportunistas e, portanto, podem causar infecções se encontrarem uma porta de entrada.

A colonização vaginal por Staphylococcus aureus sugeriu inicialmente que a síndrome do choque tóxico estava associada apenas ao uso de absorvente interno. Porém, atualmente se sabe que esta patologia pode se apresentar em múltiplas situações, dentre as quais se destacam as seguintes:

  • Complicação de infecções vaginais e urinárias.
  • Outras infecções, tais como abscessos, pneumonia, adenite, sinusite e superinfecção de feridas cutâneas.
  • Presença de corpos estranhos, tais como absorventes internos ou esponjas, no organismo.
  • Infecção de uma ferida após uma cirurgia.
  • Complicação da fasciíte necrosante.
  • Infecções após o parto.
A síndrome do choque tóxico pode ser desencadeada após uma infecção vaginal.

Embora as infecções vaginais geralmente sejam leves, em alguns casos, elas podem causar a síndrome do choque tóxico.

Efeito imunológico da toxina

Conforme mencionado anteriormente, a síndrome do choque tóxico é produzida pela ação da toxina TSST-1, sintetizada por algumas bactérias. A substância em questão tem múltiplos efeitos no sistema imunológico dos indivíduos, o que ocasiona o aparecimento dos sintomas característicos e da doença multiorgânica.

De um modo geral, a TSST-1 vai desencadear um processo inflamatório generalizado que afetará diversas áreas do corpo. O organismo humano é capaz de sintetizar proteínas chamadas citocinas, que participam de processos inflamatórios e imunológicos.

A toxina causará a ativação dos linfócitos T presentes na corrente sanguínea, que vão sintetizar citocinas pró-inflamatórias. Todas essas substâncias vão atuar sobre os diferentes tecidos do organismo, onde vão estimular o processo inflamatório e danificar os tecidos.

Quais são os seus sintomas?

A síndrome do choque tóxico é uma condição multissistêmica e, portanto, os sintomas apresentados podem variar bastante. A maioria dos pacientes relata sintomas gerais no início da doença, sendo um deles a febre alta, entre 39 e 40,5 ° C, que pode ser acompanhada de calafrios.

Outros sintomas gerais apresentados pela maioria dos pacientes são a hipotensão e a eritrodermia, sendo esta última uma erupção cutânea semelhante a uma queimadura solar. Além disso, também pode causar sintomas relacionados a certos sistemas, tais como:

  • Diarreia.
  • Vômitos.
  • Dores musculares.
  • Distúrbios de coagulação.
  • Confusão e alteração de consciência.

Quando a doença é causada por Streptococcus pyogenes, existe uma grande probabilidade de desenvolver uma síndrome do desconforto respiratório agudo. Por outro lado, a infecção causa danos renais graves na maioria dos casos, por isso é preciso estar atento diante do aparecimento de sintomas desta natureza.

A febre é um dos principais sintomas da síndrome do choque tóxico.
A temperatura corporal elevada pode fazer com que o médico suspeite da síndrome do choque tóxico.

Diagnóstico

A doença em questão pode ser confundida com outras patologias infecciosas que cursam com sintomas semelhantes, como, por exemplo, a meningococcemia. Além disso, a síndrome do choque tóxico é muito semelhante à doença de Kawasaki em crianças, no entanto, esta última não causa choque ou diminuição do número de plaquetas.

O médico deve usar o quadro clínico apresentado pelo paciente e diversos exames para fazer um diagnóstico preciso. Também é possível suspeitar da existência dessa complicação em casos de uma infecção preexistente, como uma pneumonia.

As amostras para os exames podem ser retiradas de diversas áreas, incluindo nariz, vagina, garganta, sangue ou qualquer ferida na pele. O isolamento de um microrganismo produtor da toxina TSST-1 será o suficiente para fazer o diagnóstico.

Tratamento da síndrome do choque tóxico

A presença dessa complicação deve ser considerada uma emergência médica e, portanto, os pacientes devem ser hospitalizados imediatamente. A terapia a ser seguida consiste na administração de antibióticos de amplo espectro enquanto se aguarda o resultado dos exames.

É necessária uma inspeção de todas as feridas cutâneas, ainda que não pareçam infectadas. Muitas áreas da pele podem necrosar e morrer, piorando ainda mais o quadro clínico apresentado. Nesse sentido, é necessária a remoção de todos esses tecidos e um tratamento com antibióticos locais.

Os pacientes também devem receber reposição adequada de líquidos e eletrólitos para tratar a hipotensão. Uma vez que os resultados dos exames forem obtidos, terá início a administração de antibióticos voltados para a eliminação da bactéria causadora da infecção.

É importante fazer o monitoramento constante de órgãos como rins, coração, fígado, pulmões e medula óssea, já que estes geralmente são os mais afetados.

É possível prevenir essa síndrome?

Atualmente, não existe uma maneira infalível de prevenir a ocorrência dessa complicação. No entanto, a aplicação de medidas como a lavagem constante das mãos e o uso de coletores menstruais ao invés de absorventes internos podem diminuir a probabilidade do seu aparecimento.

Por outro lado, caso existam feridas cirúrgicas ou de outra natureza, elas devem ser devidamente higienizadas. Além disso, é importante entrar em contato com o médico imediatamente se a lesão tiver uma má aparência, liberar fluido purulento ou se começar a aparecer febre.

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