Leucemia: sintomas, tipos, causas e tratamento

A leucemia é um tipo de câncer em que são produzidos linfócitos defeituosos de forma descontrolada na medula óssea. Por causa disso, as outras células sanguíneas são deslocadas.
Leucemia: sintomas, tipos, causas e tratamento
Samuel Antonio Sánchez Amador

Escrito e verificado por el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador em 10 Abril, 2021.

Última atualização: 10 Abril, 2021

Leucemia é um termo que se refere ao grupo de doenças malignas da medula óssea, um tecido mole encontrado dentro dos ossos, onde todas as células circulantes no sangue são sintetizadas. É o tipo de câncer mais comum em crianças e adolescentes, representando 1 em cada 3 cânceres nessa faixa etária.

Existem muitos tipos de leucemia: alguns são típicos de crianças, enquanto outros aparecem quase exclusivamente em adultos. O prognóstico de cada paciente dependerá inteiramente do tipo de câncer, tempo de detecção, idade, estado geral de saúde e muitos outros fatores. Se você quiser saber tudo sobre a leucemia, continue lendo.

A importância da medula óssea

A leucemia tem origem na medula óssea.
A medula óssea é um tecido muito complexo que geralmente é coletado para diagnosticar a leucemia.

A leucemia compreende um grupo de doenças cancerígenas da medula óssea. Antes de investigar a patologia em sua totalidade, é necessário entender o que torna esse tecido tão especial em uma situação normal, pelo menos do ponto de vista celular e fisiológico. Vamos lá.

A medula óssea é um tipo de tecido biológico flexível encontrado dentro de ossos longos, vértebras, costelas, esterno, ossos do crânio e pélvis. Esse conglomerado biológico representa 4% da massa corporal de um ser humano médio, valor que varia de 2,5 a 4 kg, em uma situação normal.

Conforme indicado pelo portal Sanitas, na medula óssea, estão localizadas as células-tronco hematopoéticas, que se transformam em todos os elementos celulares sanguíneos circulantes quando amadurecem. Por esse motivo, é neste tecido que são originadas as células linfoides, mieloides, os leucócitos, as hemácias e as plaquetas.

Neste local, chama a atenção a função da eritropoiese. Para ter uma ideia da essencialidade da medula óssea, basta dizer que nela são produzidos, em média, 500 bilhões de glóbulos vermelhos por dia. Por esse motivo, as doenças que envolvem essas estruturas tão essenciais costumam ter um prognóstico muito ruim.

A leucemia e seus tipos

Conforme indicado pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, o termo leucemia significa sangue branco. Os glóbulos brancos (linfócitos) são produzidos na medula óssea e nos protegem contra infecções, mas, nesse tipo de câncer, a quantidade de linfócitos circulantes cresce de maneira descontrolada.

A superprodução de glóbulos brancos defeituosos impede a síntese de glóbulos vermelhos, plaquetas e leucócitos saudáveis e funcionais. Conforme a concentração de elementos circulantes úteis para o corpo diminui, os sintomas do paciente se agravam.

As células cancerosas podem viajar para diferentes partes do corpo humano, piorando ainda mais a condição inicial. Além dessa definição simples e rápida, é interessante saber que existem muitos tipos de leucemia. Vamos falar sobre os mais relevantes nas linhas a seguir.

1. Leucemia linfoide aguda (LLA)

A leucemia linfoide aguda (LLA) é um dos 4 principais tipos de leucemia. Nela, há um aumento anormal de glóbulos brancos disfuncionais, que são chamados de linfoblastos. Eles são defeituosos e, por isso, nunca amadurecem para que se transformem em linfócitos funcionais, além de também deslocar as outras células circulantes no sangue.

Este tipo de leucemia é a forma mais comum de câncer durante a infância. A LLA constitui 25% dos processos tumorais em crianças e 75% do total de leucemias, um número nada desprezível. Conforme indicado pelo portal Pediatría Integral, observa-se uma leve predisposição do sexo masculino para apresentá-la.

Estamos diante de uma variante de excelente prognóstico, principalmente se levarmos em consideração a gravidade da patologia. Enquanto anteriormente apenas 10% dos pacientes sobreviviam após o tratamento, atualmente esse número aumentou para 80% com remissão total da doença. Veremos os possíveis tratamentos para esse câncer mais adiante.

2. Leucemia mieloide aguda (LMA)

A leucemia mieloide aguda é o tipo mais comum de leucemia em adultos. De acordo com o portal de MSD Manuals, é responsável por até 32% do total desse tipo de câncer na sociedade em geral. Na LMA, as células da linhagem mieloide (mieloblastos) se proliferam de forma anormal, invadindo a medula óssea gradativamente.

Isso causa uma insuficiência na produção de células circulantes e uma infiltração de tecidos extramedulares. Estima-se que, a cada ano, 15 habitantes por milhão de pessoas desenvolverão a leucemia mieloide aguda neste intervalo de tempo. A idade média de apresentação é de 64 anos, embora ela seja considerada comum na faixa etária de 60 a 75 anos.

3. Leucemia linfoide crônica (LLC)

A LLC difere de sua variante aguda pois, em muitos casos, a doença progride lentamente e o paciente pode não perceber nenhum sintoma durante pelo menos alguns anos após o início do processo carcinogênico.

A leucemia linfoide crônica também é caracterizada por um acúmulo de glóbulos brancos defeituosos, mas progride mais lentamente do que outros tipos de leucemia. É mais comum em idosos e pode ser tratada de várias maneiras, conforme indicado pela Clínica Mayo.

5. Leucemia mieloide crônica (LMC)

Na LMC, ocorre uma mudança genética ocorre em uma versão imatura das células mieloides. Essa mudança leva à mutação para um gene anormal, denominado BCR-ABL, que transforma a célula mieloide funcional em uma célula LMC. Seu crescimento é lento, mas pode se transformar em uma variante aguda de difícil tratamento.

Sintomas de leucemia

A leucemia geralmente não é tão grave em crianças.
Uma das causas mais comuns de câncer em crianças é a leucemia.

Voltamos à premissa geral nesses tipos de câncer: os linfócitos defeituosos são produzidos em massa, causando um deslocamento dos corpos celulares saudáveis no sangue.

Isso tem vários efeitos fisiológicos no organismo do paciente, que podem ser evidenciados da seguinte forma:

  • Febre ou calafrios: geralmente são sinais claros de infecção. Quando o número de glóbulos brancos funcionais circulantes diminui, o paciente tem maior probabilidade de se infectar com vírus e bactérias pelos quais não era afetado anteriormente.
  • Infecções recorrentes: a falta de glóbulos brancos funcionais leva a infecções que nunca parecem ter remissão ou que se tornam recorrentes ao longo do tempo.
  • Gânglios linfáticos inchados, além de fígado e baço aumentados: são indicativos de que as células cancerosas se espalharam para esses órgãos.
  • Tendência a sangramentos e hematomas: a falta de plaquetas no sangue faz com que a coagulação após uma lesão se torne uma tarefa muito difícil para o organismo.
  • Sudorese excessiva, principalmente à noite.
  • Aparecimento de manchas vermelhas (petéquias) na pele.
  • Dor e sensibilidade óssea.

Perda de peso, tontura e mal-estar geral são sinais clínicos que caracterizam quase todos os tipos de câncer.

Diante de qualquer um desses sintomas, é necessário consultar um médico imediatamente. Provavelmente, os sintomas não serão causados por um câncer, mas é sempre melhor prevenir do que remediar.

Causas e fatores de risco

Apesar dos avanços no campo da medicina, as causas da leucemia ainda são completamente desconhecidas, conforme indicado pela Fundação Josep Carreras.

Sabe-se que a incidência é maior no sexo masculino do que no feminino, principalmente se estivermos falando de pessoas de etnia branca, mas não foi possível obter dados suficientes para saber o porquê.

Apesar de não se saber a causa exata em cada um dos casos, foi possível registrar alguns fatores de predisposição a ela.

Ter passado por tratamentos oncológicos anteriores, ter certas doenças genéticas, ser exposto a certos produtos químicos e fumar são fatores que podem levar ao desenvolvimento de leucemia em pacientes adultos.

Quando a leucemia surge por causa de uma quimioterapia ou radioterapia, ela é considerada uma leucemia secundária.

Tratamento

O prognóstico de uma pessoa com leucemia depende muito da idade em que ela é detectada. Por exemplo, apenas 35% das pessoas com mais de 20 anos que apresentam LLA sobrevivem 5 anos após o diagnóstico.

A taxa para pacientes recém-nascidos, crianças e adolescentes (menores de 20 anos) é bem melhor, pois a sobrevida chega a 89%.

No entanto, de acordo com a associação Cancer.net, cerca de 4 em cada 10 pessoas diagnosticadas com leucemia linfoide aguda (LLA) são adultas. Nestes casos, o prognóstico é mais reservado, pois se baseia na idade, condição prévia, condição física geral e outras patologias concomitantes do paciente.

Os tratamentos mais comuns usados para combater a leucemia são os seguintes:

  • Quimioterapia: são usados certos produtos químicos para destruir as células cancerosas no paciente. A citarabina (citosina arabinosídeo ou ara-C) e a daunorrubicina (daunomicina) são alguns dos medicamentos mais comuns nesse tipo de abordagem.
  • Terapia biológica: são usados diversos mecanismos para “guiar” o sistema imunológico do paciente, fazendo assim com que ele combata as células cancerosas.
  • Radioterapia: usa raios X ou outros feixes de alta energia para matar as células cancerosas. A radiação pode ser sistêmica ou local, dependendo da extensão do câncer.

Transplante de células-tronco

Na maioria dos casos, a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia podem interromper a formação de linfócitos defeituosos, aliviando assim os sintomas e impedindo a progressão do câncer por bastante tempo.

No entanto, mesmo que todos os sinais clínicos desapareçam, há uma chance de que a doença reapareça com o passar do tempo.

O transplante de células-tronco é usado para substituir as células progenitoras da medula óssea que foram destruídas durante a doença ou o tratamento.

Esse transplante pode ser autógeno (células do próprio paciente de áreas não afetadas pelo câncer) ou alogênico, ou seja, proveniente da medula óssea de uma pessoa saudável.

O transplante alogênico é sempre melhor em nível teórico, pois há o risco de se coletar células cancerosas em um autógeno. Infelizmente, o corpo do paciente pode rejeitar as células do doador, levando a uma série de sintomas graves e até mesmo mesmo fatais. Por esse motivo, os transplantes alogênicos não são considerados para pessoas muito fragilizadas.

A leucemia é uma doença diversa e complexa

A leucemia é um tipo de câncer que causa arrepios apenas de ouvir o seu nome, pois ela geralmente está associada a uma morte quase certa.

Felizmente, por causa dos avanços na medicina e nas técnicas de atendimento ao paciente, a morte nem sempre é o fim do caminho: lembre-se de que mais de 80% dos jovens com leucemia podem ser totalmente curados.

No caso dos pacientes adultos e idosos, o prognóstico é muito mais reservado, mas nem por isso é fatal.

A quimioterapia e a radioterapia podem manter o crescimento de linfócitos defeituosos sob controle, aumentando bastante a qualidade de vida do paciente. Diante do câncer, desistir nunca é uma opção.

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