Estágios do câncer de mama

Os estágios do câncer de mama são essenciais para determinar o tratamento a ser seguido. Infelizmente, alguns deles não têm cura definitiva, especialmente quando há o comprometimento de múltiplos órgãos.
Estágios do câncer de mama

Escrito por Luis Rodolfo Rojas Gonzalez, 11 Agosto, 2021

Última atualização: 12 Agosto, 2021

O diagnóstico de um nódulo maligno na mama é uma notícia impactante, tanto para as pessoas afetadas quanto para seus entes queridos. O prognóstico e as opções de tratamento dependerão das características próprias da condição. Nesse sentido, existem diferentes estágios do câncer de mama, que estão relacionados à extensão ou evolução da doença.

A determinação do estado (ou estadiamento) pode ser clínico ou patológico. A forma clínica é feita com base em diversos exames de imagem e nas biópsias realizadas. Já a determinação patológica só é possível após a cirurgia, na qual um especialista analisará o tecido extraído.

Sistema de estadiamento do câncer de mama

Os estágios do câncer de mama são muito variados.
O sistema de estadiamento do câncer de mama leva em consideração diversos fatores, entre eles a existência de metástase em certos órgãos, como o pulmão.

Os diferentes estágios do câncer de mama são determinados usando o sistema TNM. Este modelo avalia 3 características fundamentais, que são o tamanho do tumor, a extensão para os linfonodos e a metástase. Cada uma dessas características possui uma classificação precisa, que é combinada para determinar o estágio específico.

Nos últimos anos, também foi avaliada a presença de certos marcadores, como receptores de estrogênio e progesterona, bem como a produção da proteína HER2. Estudos têm revelado que esses elementos podem alterar o prognóstico dos pacientes em até 40% dos casos, por isso é importante não esquecê-los.

Tamanho do tumor (T)

O tamanho do tumor primário no câncer de mama é fundamental, pois ele influencia não apenas nos sintomas manifestados como também orienta as possíveis alterações anatômicas apresentadas. Essa categoria é dividida em números de 0 a 4, que ajudam a descrever a neoplasia com mais precisão. As subdivisões do tamanho do tumor são as seguintes:

  • Tx: é um tumor primário que não pode ser avaliado, por seu tamanho pequeno ou localização.
  • T0: significa que não existem evidências que indiquem a presença de câncer na mama avaliada.
  • Tis: esta subdivisão é usada para indicar que existe um carcinoma in situ, ductal ou lobular.
  • T1: indica a presença de uma tumoração maligna que mede menos de 2 centímetros.
  • T2: é utilizado na presença de um tumor que mede entre 2 e 5 centímetros.
  • T3: é usado para descrever a presença de qualquer tumoração maligna maior que 5 centímetros.
  • T4: Esta subdivisão é usada para estabelecer que o tumor afetou a parede torácica, a pele, ou se trata um câncer inflamatório de mama.

Linfonodos (N)

A letra N na escala TNM se refere à disseminação das células cancerosas para os gânglios linfáticos. O especialista deve levar em consideração o acometimento dos linfonodos localizados na região axilar, abaixo do esterno e próximos à clavícula.

O estudo dos linfonodos afetados é feito através da observação dos mesmos ao microscópio, após a biópsia ou remoção cirúrgica como parte do tratamento da doença. É importante definir o número de gânglios afetados e a localização deles, possibilitando encontrar as seguintes subdivisões:

  • Nx: indica que os gânglios linfáticos não puderam ser avaliados, na maioria dos casos devido a uma remoção prévia.
  • N0: pode significar 2 coisas: que não existe comprometimento dos gânglios linfáticos próximos ou que eles apresentam uma invasão de menos de 0,2 milímetros.
  • N1: usado para indicar que a doença afetou entre 1 e 3 linfonodos localizados na região axilar ou atrás do esterno.
  • N2: neste caso, o número de linfonodos axilares ou esternais varia entre 4 e 9.
  • N3: Esta subdivisão é usada quando há 10 ou mais linfonodos axilares ou esternais afetados. Também é usado quando há afetação dos linfonodos localizados acima ou abaixo da clavícula.

Metástase (M)

A metástase indica que o câncer já se espalhou para outras partes do corpo, por isso não é mais considerado um câncer em estágio inicial ou local. Esta categoria possui apenas 3 subdivisões, que são as seguintes:

  • Mx: quando a metástase para outros órgãos não pode ser avaliada.
  • M0: não há evidência de propagação para outras partes do corpo ou o tamanho da propagação é inferior a 0,2 milímetros.
  • M1: existe metástase em outros tecidos, ou seja, as células cancerosas começaram a crescer em outras áreas.

Estágios do câncer de mama

De modo geral, existem 5 estágios diferentes para o câncer de mama, listados de 0 a 4 em algarismos romanos. Eles são estabelecidos através da combinação das subclassificações do sistema TNM. À medida em que a numeração avança, mais grave será a doença.

Estágio 0

Diz-se que um câncer está no estágio 0 quando tem uma classificação Tis, N0 e M0. Nesse sentido, diz-se que um carcinoma in situ está presente, sendo ele do tipo ductal ou lobular. As células cancerosas estão presentes, no entanto, não iniciaram a invasão ao tecido circundante.

Este é um dos estágios iniciais do câncer de mama, então o prognóstico é positivo de acordo com diversos estudos. O tratamento cirúrgico conservador tem mostrado bons resultados, sendo necessária uma mastectomia radical no caso de grandes tumores.

Estágio I

O estágio I é outra etapa que indica que o câncer não progrediu tanto. Ele começou a invadir o tecido circundante, mas ainda se limita à mama e é de tamanho pequeno. Esta etapa pode ser dividida em 2 categorias diferentes, que são as seguintes:

  • Ia: trata-se de um tumor classificado como T1, N0, M0, sendo por isso menor que 2 centímetros, e não apresenta disseminação linfática ou metástase.
  • Ib: é um tumor T0 ou T1, N1, Mo, ou seja, se espalhou para menos de 3 gânglios axilares ou esternais com acometimento menor que 2 milímetros, podendo ou não estar presente um tumor primário.

Durante esses etapas, um dos métodos diagnósticos preferidos são os exames de imagem, como a mamografia e o ultrassom da mama. O prognóstico também costuma ser bom na maioria dos casos, dependendo da presença de receptores hormonais e da produção da proteína HER2.

Estágio II

Os estágios do câncer de mama levam em consideração os gânglios linfáticos.
A presença de células tumorais nos linfonodos pode piorar significativamente o prognóstico, pois revela uma extensão maior da doença.

Esta etapa é caracterizada por apresentar um tumor de tamanho considerável, atingindo em média mais de 5 centímetros. Em alguns casos o câncer está limitado à mama, mas ele pode afetar até 3 linfonodos. Este estágio também possui 2 subdivisões, que são as seguintes:

  • IIa: existem duas possibilidades diferentes, a primeira é que o tumor seja semelhante ao estágio Ib, mas o comprometimento dos linfonodos tem uma extensão maior que 2 milímetros. Já a segunda se refere a um tumor T2, N0, M0, ou seja, um tumor entre 2 e 5 centímetros sem extensão ganglionar.
  • IIb: é um tumor T2, N1, M0, ou seja, com tamanho entre 2 e 5 centímetros e uma extensão de até no máximo 3 linfonodos. Também pode se tratar de um tumor T3, N0, M0, o que significa que ele é maior que 5 centímetros, mas não apresenta comprometimento dos linfonodos ou metástase.

O tamanho grande dos tumores nesta categoria os torna mais fáceis de serem detectados com o autoexame das mamas. O câncer já começou a se espalhar nesta fase, por isso é necessário iniciar o tratamento o mais rápido possível para evitar que a doença progrida.

Estágio III

É um dos estágios mais avançados do câncer de mama, pouco antes de começar a metástase para órgãos distantes. Nesse ponto da doença podem ser encontrados: um grande tumor, uma extensa disseminação linfática e o comprometimento de tecidos adjacentes, como a parede torácica e a pele. Este estágio é dividido em 3 subcategorias, dependendo da gravidade do quadro:

  • IIIa: é um tumor de qualquer tamanho que afetou entre 4 e 9 linfonodos, se tratando portanto de um T0, T1 ou T2, N2, M0. Também pode ser um tumor maior que 5 centímetros com extensão até no máximo 3 linfonodos, ou seja, uma neoplasia T3, N1, M0 de acordo com a escala TNM.
  • IIIb: é um tumor de qualquer tamanho que atingiu a parede torácica, gerou uma ulceração na pele ou se tornou um câncer inflamatório. Além disso, pode haver o comprometimento de até 9 linfonodos, sendo por isso classificado pelo TNM como T4, N0, N1 ou N2, M0.
  • IIIc: é uma neoplasia de qualquer tamanho que conseguiu se espalhar para 10 ou mais linfonodos, mas ainda não ocorreu metástase. Nesse sentido, ele é classificado de acordo com o TNM como T, N3, M0.

Estágio IV

De todos os estágios do câncer de mama este é o mais avançado e, portanto, o de pior prognóstico. No estágio IV, a doença se espalhou para além da mama, afetando outros órgãos. Infelizmente, estudos mostram que não existe uma cura definitiva, embora existam diversos tratamentos que melhoram a qualidade de vida.

Entre os órgãos mais frequentemente afetados pelo câncer metastático estão os ossos e o fígado. Muitos tipos de câncer têm probabilidade de metástase, portanto o monitoramento e o controle adequados são importantes.

O tratamento é importante em todas os estágios

Os estágios do câncer de mama estão diretamente relacionados à progressão da doença e ao seu prognóstico. Nesse sentido, os estágios mais avançados têm um prognóstico muito ruim, por isso é importante evitar que a doença chegue a esse extremo.

São múltiplas as opções terapêuticas que podem ser a cura definitiva nos estágios iniciais da doença, o que ressalta a importância do diagnóstico precoce. É sempre aconselhável fazer check-ups médicos constantes, além do autoexame mensal das mamas. Além disso, um médico de ser consultado presença de quaisquer sintomas estranhos.

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