Conjuntivite

A conjuntivite é uma doença em uma estrutura do olho conhecida como conjuntiva. Ela pode ser causada por diversos fatores, como vírus ou bactérias, entre outros.
Conjuntivite
María Vijande

Escrito e verificado por la farmacéutica María Vijande em 31 Julho, 2021.

Última atualização: 31 Julho, 2021

A conjuntivite é uma doença ocular que pode parecer alarmante. No entanto, esse problema é comum e geralmente fácil de tratar. Além disso, com uma série de medidas preventivas fáceis, na maioria dos casos, ela pode ser evitada.

Qualquer pessoa pode ter conjuntivite. No entanto, crianças pequenas, estudantes universitários, professores e funcionários de creches têm maior probabilidade de serem infectados devido à maior proximidade e contato entre as pessoas.

De forma simplificada, trata-se da inflamação da camada transparente e fina da parte branca do olho e do interior das pálpebras. Essa cobertura é conhecida como conjuntiva.

Conhecendo um pouco sobre a estrutura do olho

O olho humano é um órgão muito complexo que recebe informações na forma de luz. Para entender melhor a conjuntivite, é importante conhecer um pouco melhor a estrutura do olho que é afetada por essa inflamação.

Nesse sentido, a conjuntiva é uma membrana mucosa transparente que recobre a parte branca do olho (esclera), que é a estrutura ocular que constitui a camada mais externa do olho. A função dela é moldar e proteger esse órgão de agentes externos. A conjuntiva também reveste o interior das pálpebras.

A conjuntiva protege o globo ocular dos agentes externos, embora também auxilie na formação dos componentes da lágrima e na defesa imunológica do olho.

Estrutura do olho.

Classificação

Como vimos, a conjuntivite é uma inflamação na conjuntiva. No entanto, essa inflamação pode ser provocada por diferentes fatores.

Nesse sentido, podemos distinguir 4 tipos de conjuntivite:

  • Alérgica.
  • Bacteriana.
  • Viral.
  • Irritativa ou tóxica.

Apesar de terem origens diferentes, elas apresentam características comuns, como vermelhidão nos olhos e aumento das secreções, embora esses sintomas sejam diferentes dependendo do tipo de conjuntivite.

Conjuntivite alérgica

Este tipo de conjuntivite é causada por irritantes oculares como pólen, poeira ou pelos de animais, em indivíduos suscetíveis. Este tipo de patologia pode ser sazonal ou ocorrer surtos ao longo do ano. Os alérgenos causam uma inflamação nos vasos sanguíneos da conjuntiva.

Além dos agentes irritantes mencionados, as lentes de contato gelatinosas também podem causar esse tipo de inflamação. Essa conjuntivite não é contagiosa.

O início dos sintomas é geralmente abrupto e bilateral, sendo o principal deles uma coceira intensa, principalmente na extremidade interna, ou seja, na parte do olho mais próxima ao nariz. Esta sensação aumenta ao coçar. Outros sintomas são:

  • Olhos lacrimejantes.
  • Visão turva temporária.
  • Inchaço das pálpebras, principalmente pela manhã.

A secreção característica desse tipo de conjuntivite é aquosa ou mucosa, dependendo da intensidade.

O diagnóstico deste tipo de conjuntivite é clínico mas, caso seja necessário, vários testes e exames podem ser realizados, incluindo:

  • Testes de eosinófilos, que são um tipo de glóbulo branco.
  • Detecção de pequenas saliências na conjuntiva ao inverter a pálpebra.
  • Testes de reação cutânea com resultado positivo para um determinado alérgeno.

O tratamento depende da condição em que se encontra a conjuntivite. A melhor opção contra o tipo alérgico é a prevenção. Para fazer isso, é essencial saber qual o alérgeno causador e tentar evitá-lo.

Em suma, para aliviar os sintomas podem ser usadas as seguintes técnicas:

  • Usar gotas lubrificantes ou lágrimas artificiais.
  • Aplicar compressas frias nos olhos.
  • Não usar infusões de camomila como remédio natural, pois elas podem conter componentes alérgicos.
  • Evitar a fumaça do tabaco.
  • Caso o médico julgue necessário podem ser administrados colírios antialérgicos e/ou corticosteroides.

Conjuntivite bacteriana

Como o nome sugere, ela é causada por bactérias. Trata-se de uma infecção que pode causar sérios danos se não for tratada adequadamente. As bactérias envolvidas podem ser estafilococos, estreptococos ou haemophilus.

Esses microrganismos podem vir da própria pele do paciente, das suas vias aéreas superiores, ou serem transmitidos por outra pessoa com conjuntivite. Alguns germes raros podem ser muito graves, como a Pseudomonas aeruginosa, em pessoas que usam lentes de contato. O bacilo da difteria em crianças de 1 a 4 anos também é grave.

A secreção é mucopurulenta e o início quase assintomático. Geralmente essa secreção é amarelada ou verde-amarelada e pegajosa, localizada no mesmo canto que a conjuntivite alérgica. Em alguns casos, ela pode ser tão abundante que faz com que as pálpebras estejam grudadas quando a pessoa acorda.

Pode ser afetado apenas um olho ou ambos. É necessário ter cuidado porque essa conjuntivite é contagiosa. Outros sintomas são:

  • Coceira e dor nos olhos.
  • Hipersensibilidade à luz.
  • Sensação de areia nos olhos.

O oftalmologista geralmente prescreve gotas ou pomadas antibióticas para o tratamento. Na conjuntivite recorrente ou de difícil resolução, deve ser considerada a pssibilidade de um distúrbio no ducto lacrimal ou uma patologia infecciosa na pálpebra, como a blefaroconjuntivite.

Conjuntivite, colírio.

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Conjuntivite viral

É o tipo mais comum de conjuntivite. Ela apresenta um comportamento muito variável, mas geralmente é muito florida e com início unilateral, frequentemente se tornando bilateral após 3 a 7 dias. É causada por uma infecção viral, que pode ocorrer por diferentes vírus.

Geralmente a infecção começa em um olho e pode passar para o outro nos dias seguintes, pois é altamente contagiosa; pode ser transmitida pela tosse ou espirro.

Pacientes com conjuntivite viral geralmente apresentam desconfortos como queimação e ardência, lacrimejamento abundante e sensibilidade à luz. Às vezes, a doença é acompanhada por edema da pálpebra. A secreção neste caso é aquosa, mas pode se tornar um pouco mais espessa com o tempo.

Em geral, o diagnóstico é clínico, por meio da identificação dos sinais e sintomas na consulta. Além disso, existe um teste diagnóstico rápido para identificar o adenovírus na superfície ocular, por ser este o principal agente responsável pela conjuntivite viral.

No entanto, o uso desse teste não é muito difundido na prática clínica de rotina. Se houver suspeita de que se trata da forma bacteriana, mas sem certeza, geralmente são colhidas amostras das secreções para fazer cultura, permitindo conhecer o agente causador da doença e aplicar o tratamento antibiótico adequado.

Na maioria dos casos, a conjuntivite viral seguirá seu curso por um período de alguns dias, sem necessidade de tratamento médico. Como remédio caseiro, podem ser aplicados panos úmidos e frios nos olhos várias vezes ao dia, para aliviar os sintomas. É necessário ter cuidado para não compartilhar os panos com outras pessoas, pois, como já dissemos, essa doença é altamente contagiosa.

Portanto, o tratamento da conjuntivite viral é sintomático, com foco na melhoria da qualidade de vida do paciente e na prevenção de complicações e infecções. Nesse sentido, é importante lavar frequentemente o interior do olho de 4-5 vezes ao dia com embalagens pequenas e descartáveis de soro fisiológico.

A lavagem deve ser cuidadosa para eliminar todas as secreções. O uso de lágrimas artificiais também é útil para reduzir a coceira e o desconforto decorrentes da conjuntivite.

Conjuntivite irritativa/tóxica

É produzida por uma inflamação da borda das pálpebras ou blefarite, geralmente causada pelo uso de cosméticos ou pelo contato com substâncias irritantes presentes no ambiente, como solventes, tintas ou cloro, por exemplo.

Nesses casos o tratamento consiste em evitar esses agentes tóxicos, juntamente à administração de colírios lubrificantes, como as lágrimas artificiais.

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