Carbamazepina: usos e efeitos colaterais

Um dos medicamentos mais utilizados no tratamento das convulsões é a carbamazepina. No entanto, ela pode causar danos multissistêmicos se a dose recomendada for excedida.

Os psicofármacos são medicamentos utilizados no tratamento de patologias psiquiátricas e do sistema nervoso. Dentre esses fármacos, há um grupo chamado de antiepilépticos, que são usadas para tratar as convulsões. A carbamazepina pertence a esse grupo de medicamentos; porém, quais são os seus usos e efeitos colaterais?

A epilepsia é um dos distúrbios mais comuns na área da neurologia. Esta doença gera uma atividade anormal no cérebro que causa convulsões na maioria dos casos. A epilepsia também pode levar a comportamentos anormais, sensações incomuns e perda da consciência.

Infelizmente, este é um problema neurológico muito comum e estudos afirmam que ele afeta entre 2% e 4% da população em geral. No entanto, existe uma grande variedade de medicamentos capazes de controlar os sintomas apresentados por essas pessoas e reduzir o seu impacto no dia a dia.

O que é a carbamazepina?

A carbamazepina é indicada para pacientes com epilepsia.
Este medicamento é de uso comum em pacientes com epilepsia.

Conforme mencionado anteriormente, a carbamazepina é um medicamento pertencente ao grupo dos antiepilépticos, utilizado no controle de convulsões e outras condições psiquiátricas. Este composto tem grande capacidade de distribuição por todo o organismo, desde o líquido cefalorraquidiano até a saliva e o leite materno.

Entre a população que mais usa este medicamento, destacam-se as crianças, embora os efeitos colaterais que ela gera neste grupo possam ser mais graves. Nesse sentido, é de vital importância manter um controle rigoroso dos níveis plasmáticos do medicamento para evitar o seu aparecimento.

A carbamazepina está disponível em uma ampla variedade de apresentações, sendo que cada uma delas pode ser usada para tratar diferentes patologias. Dessa forma, é possível encontrá-la em comprimidos, comprimidos mastigáveis, comprimidos de liberação prolongada e suspensão, todos com uma dosagem muito variada.

Para que é usada?

O medicamento em questão é útil no tratamento de convulsões parciais e tônico-clônicas, ou seja, aquelas que podem causar espasmos musculares severos e perda de consciência. Geralmente, esses são um dos sintomas mais característicos e graves da epilepsia.

Por outro lado, a carbamazepina é o tratamento de escolha para a neuralgia do nervo trigêmeo e a neuralgia do nervo glossofaríngeo. Essas patologias envolvem a inflamação do quinto e do nono par craniano, respectivamente, o que gera uma dor aguda de forte intensidade.

Este medicamento também pode ajudar no tratamento das seguintes patologias:

  • Episódios de mania.
  • Transtorno bipolar.
  • Episódios mistos de mania e depressão.
  • Síndrome de abstinência de álcool.

Mecanismo de ação do medicamento

O mecanismo de ação desse medicamento ainda não foi totalmente elucidado. No entanto, sabe-se que a carbamazepina diminui a liberação de glutamato nas terminações nervosas, um neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central (SNC).

A diminuição na liberação do neurotransmissor gera uma estabilização das membranas neuronais, o que pode explicar o seu efeito antiepiléptico. O composto também diminui a liberação de outros neurotransmissores, tais como dopamina e noradrenalina, explicando assim o seu efeito antipsicótico.

Por outro lado, a carbamazepina inibe a transmissão sináptica no núcleo do trigêmeo, o que ajuda a reduzir a dor apresentada na nevralgia. Por fim, o medicamento possui propriedades anticolinérgicas, relaxantes musculares, antiarrítmicas e sedativas.

Como a carbamazepina é administrada?

A forma de ingestão do medicamento dependerá da forma de apresentação que estiver sendo utilizada. De um modo geral, devem ser tomadas de 2 a 4 doses do medicamento por dia, de preferência durante ou após cada refeição. No entanto, é importante não exceder a dose recomendada pelo especialista.

De acordo com a bula interna do medicamento, a dose inicial do composto pode variar de acordo com a doença a ser tratada. Para pacientes com epilepsia, a dose inicial fica entre 100 e 200 miligramas, no máximo duas vezes ao dia.

Para adultos, a dose do medicamento pode ser aumentada para entre 800 e 1200 miligramas por dia. Por sua vez, para as crianças, a dosagem pode aumentar até no máximo 400 ou 600 miligramas por dia, dependendo do peso da criança.

No tratamento da neuralgia, a dose usual varia de 200 a 400 miligramas diários; no entanto, a dose pode ser aumentada até que a dor diminua. Finalmente, a dose usual para o tratamento da mania fica entre 400 e 600 miligramas por dia.

Efeitos colaterais

Assim como acontece com todos os medicamentos comercializados, a carbamazepina pode causar o aparecimento de certos efeitos adversos. No entanto, eles são transitórios, não limitantes e desaparecem após alguns dias e, por isso, não costumam interferir na execução das atividades diárias.

Dentre os sintomas colaterais mais frequentes associados ao consumo desse medicamento, destacam-se os seguintes:

  • Perda da coordenação muscular.
  • Tontura.
  • Sonolência.
  • Fadiga.
  • Reações cutâneas alérgicas.
  • Lesões na pele.
  • Dores de cabeça.

Por sua vez, estudos mostram que os efeitos colaterais em crianças não diferem muito dos apresentados em adultos. Os efeitos colaterais mais comuns nessa faixa etária são sonolência, perda de coordenação e vertigem. No entanto, também podem ocorrer graves doenças dermatológicas, hematológicas e hepáticas.

Advertências e contraindicações

A carbamazepina não deve ser consumida durante a gravidez.
As gestantes não devem tomar carbamazepina.

A carbamazepina é totalmente contraindicada para os pacientes que apresentem algum tipo de alergia ao princípio ativo ou a algum dos excipientes. Além disso, também é contraindicada para pessoas com doenças cardiovasculares ou com histórico de doenças hematológicas graves.

Este medicamento é seguro tanto para crianças quanto para idosos; no entanto, o médico deve ser consultado, pois pode ser necessário ajustar a dose.

As mulheres grávidas ou que estiverem amamentando devem consultar o médico antes de utilizar este medicamento. Ele se distribui por todos os tecidos do organismo e, portanto, pode afetar o bebê de forma significativa. Este medicamento pode causar defeitos congênitos, tais como espinha bífida e malformações no crânio e na face.

Também é importante informar o especialista caso sejam utilizados outros tipos de medicamentos, principalmente se for um psicofármaco, para evitar a interação medicamentosa. Finalmente, é preciso estar atento diante da presença de quaisquer sintomas que indiquem danos a um órgão específico.

Carbamazepina: um medicamento com alguns efeitos colaterais

A carbamazepina é um medicamento muito útil no tratamento das convulsões e de outras condições psiquiátricas. É muito seguro na maioria dos casos, até mesmo para crianças e idosos. Porém, o seu consumo indiscriminado pode causar danos a órgãos importantes, tais como fígado e pâncreas.

Por esse motivo, é de vital importância consumi-lo apenas sob prescrição médica e seguindo as orientações precisas dadas pelo especialista. Caso seja observado algum sintoma desfavorável que não desapareça após alguns dias, é necessário consultar o médico para descartar complicações graves.

  • Figueroa Duarte A, Campell Araujo Ó. Aspectos psicosociales de la epilepsia. Arch. Neurocien. (Mex., D.F.) 2004; 9( 3 ): 135-142.
  • Mennickent S, Vega M, Godoy C, León D. Relación entre niveles de carbamazepina en saliva y plasma: Estudio piloto. Rev. méd. Chile. 2007; 135( 3 ): 335-340.
  • Agencia Española de Medicamento y Productos Sanitarios. Prospecto interno: Carbamazepina 200 mg comprimidos EFG. Documento disponible en: https://cima.aemps.es/cima/dochtml/p/62620/P_62620.html#introducci-n.
  • Beydoun A, DuPont S, Zhou D, Matta M, Nagire V, Lagae L. Current role of carbamazepine and oxcarbazepine in the management of epilepsy. Seizure. 2020 Dec;83:251-263.
  • Djordjevic N, Jankovic SM, Milovanovic JR. Pharmacokinetics and Pharmacogenetics of Carbamazepine in Children. Eur J Drug Metab Pharmacokinet. 2017 Oct;42(5):729-744.
  • Gierbolini J, Giarratano M, Benbadis SR. Carbamazepine-related antiepileptic drugs for the treatment of epilepsy – a comparative review. Expert Opin Pharmacother. 2016;17(7):885-8.