10 mitos sobre a sexualidade de acordo com a ciência

A maioria desses mitos surgem a partir de tabus ou inseguranças comuns. Felizmente, eles foram desmentidos pela ciência.

Ao longo de nossas vidas, especialmente quando atingimos a idade em que começamos a descobrir o sexo, somos expostos a diversos mitos sobre a sexualidade que podem afetar a maneira como nos relacionamos com nossos parceiros. Algumas dessas práticas se tornaram estereótipos, mas elas foram desmentidas pela ciência.

A maioria desses mitos afeta os homens e faz com que duvidem do seu desempenho se não atenderem a uma série de requisitos. Para as mulheres, muitas dessas crenças fizeram com que se mantivessem afastadas do verdadeiro prazer.

Não devemos nos esquecer de que até poucos anos atrás se acreditava que a única função da mulher era ter filhos. O sexo simplesmente pelo prazer não entrava na cabeça das pessoas.

Os 10 mitos sobre a sexualidade de acordo com a ciência

Atualmente, o panorama descrito anteriormente é menos absolutista, mas ainda aparecem mitos e crenças equivocadas que podem afetar as percepções pessoais e do casal no que diz respeito ao sexo.

Portanto, com base em evidências científicas, vamos revelar a realidade por trás dessas crenças.

1. Os homens só pensam em sexo

O que geralmente se ouve é que os homens pensam em sexo o tempo todo e sem parar. Isso varia de pessoa para pessoa, mas, na verdade, tanto homens quanto mulheres passam apenas uma pequena parte do tempo pensando em sexo… outras ocupações também são importantes!

Um estudo analisou 283 estudantes universitários que registraram os seus pensamentos relacionados a comida, sono e sexo ao longo de uma semana. Assim, foi mostrado que os homens, embora pensassem mais em sexo do que as mulheres, também passarem muito tempo pensando em comida e sono.

2. As mulheres não gostam de pornografia

Existe uma falsa crença de que as mulheres não gostam de ver pornografia. Um estudo publicado na Revista Internacional de Investigación Ambiental y Salud Pública analisou os efeitos da pornografia na resposta sexual durante a masturbação e o sexo em um grupo de mulheres.

Foi demonstrado que o uso desse conteúdo durante a masturbação diminui as dificuldades para atingir a excitação e o orgasmo.

Entre os mitos mais importantes da sexualidade está a exibição de pornografia por mulheres.
Essa prática também pode ser feita a dois para melhorar a experiência durante as relações.

3. O tamanho importa

Durante muito tempo e ao longo de diferentes gerações, espalhou-se o boato de que quanto maior o pênis, maior será o prazer. No entanto, isso não é totalmente verdade. Vamos começar definindo qual é o tamanho de um pênis pequeno.

Um estudo determinou que um pênis pequeno, candidato a um possível alongamento, é aquele que mede 4 centímetros quando flácido ou 7,5 centímetros quando ereto. Entretanto, o fato de o membro ser pequeno não significa que haja dificuldades para gerar prazer.

Na verdade, outra pesquisa apontou que as mulheres geralmente estão satisfeitas com o tamanho do membro de seus parceiros. De 100% das mulheres pesquisadas, apenas 20% indicaram que o comprimento é um aspecto importante e 1% que é muito importante. Enquanto isso, 55% das mulheres indicaram que não era algo importante e 22% que era irrelevante.

4. É ruim se masturbar

Quem nunca ouviu em algum momento da vida que se masturbar faz mal? Muitos provavelmente até mesmo acreditaram nisso.

Na verdade, no caso das mulheres, um estudo concluiu que aquelas que se masturbam têm um maior número de orgasmos e maior desejo sexual, além de melhores níveis de autoestima e satisfação conjugal. Além disso, elas precisam de menos tempo para ficarem excitadas durante os encontros sexuais.

Quanto aos homens, um estudo envolvendo 11 voluntários provou que a excitação sexual e o orgasmo induzido pela masturbação melhoram o funcionamento do sistema imunológico. Outra pesquisa realizada em 2016 observou que a ejaculação frequente pode diminuir o risco de câncer de próstata.

5. O preservativo diminui a sensibilidade

Alguns homens, mesmo atualmente, recusam-se a usar o preservativo porque atribuem a esse método de proteção uma diminuição da sensibilidade durante a relação sexual.

No entanto, um estudo publicado na revista The Journal of Sexual Medicine, no qual 500 jovens do sexo masculino com idades entre 18 e 24 anos foram entrevistados, observou que 38% deles não têm problemas de ereção ao usar preservativo.

De acordo com a pesquisa, os 32% que afirmaram ter problemas com o uso do preservativo podem ter dificuldades devido a uma possível disfunção erétil subjacente, que pode ser de origem psicológica ou fisiológica, mas que, de qualquer forma, não estaria relacionada ao uso deste método.

6. Engolir o sêmen é prejudicial

O sexo oral é uma das práticas mais comuns entre os casais, embora engolir o sêmen tenha sido um tabu durante muito tempo. De fato, já foi dito que consumir esse fluido corporal é prejudicial para a saúde.

Embora ainda haja muito a ser investigado, alguns estudos sugerem que, nessa substância, existe uma proteína que afeta as áreas do cérebro feminino que regulam a ovulação. Ou seja, isso significa que, ao engolir o sêmen, um sinal seria enviado ao hipotálamo e à glândula pituitária, que induzem a saída do óvulo.

Entre outros efeitos, isso também causaria uma ação antidepressiva e uma notável melhora na aparência dos cabelos e unhas.

Na verdade, o certo é que essa é uma prática que fica nas mãos de casais que confiam uns nos outros, pois não se pode negar que, através desse fluido, podem ser transmitidos microrganismos. Estes incluem o HIV (vírus da imunodeficiência humana), o HPV ( papilomavírus humano ), os vírus da hepatite B e C, o herpes e a clamídia.

Um dos principais mitos sobre a sexualidade se refere aos benefícios do sexo oral.
Em casais com bons níveis de confiança, essa prática pode ser muito agradável e segura.

7. A vasectomia causa impotência

A vasectomia é um método anticoncepcional em que os dutos seminais, ou seja, aqueles que transportam os espermatozoides, são cortados e fechados. Um dos mitos sobre a sexualidade é que esta pequena cirurgia causaria impotência e, por esta razão, muitos homens se recusam a aceitá-la.

A Clínica Mayo menciona em um artigo alguns dos riscos que podem ocorrer ao se submeter a esta cirurgia. No entanto, é especialmente enfatizado que não há efeitos sobre o desempenho sexual ou a percepção de masculinidade. Na verdade, é ressaltado que alguns homens relataram uma maior satisfação sexual.

Além disso, também são desmentidos outros mitos relacionados ao suposto envolvimento dos órgãos sexuais. É indicado que nem os testículos nem o pênis ou outras partes do corpo sofrem lesões que impeçam um desempenho sexual adequado.

8. Os brinquedos sexuais são para os insatisfeitos

Alguns casais podem ter dificuldades íntimas ao pensar em usar brinquedos sexuais, como os vibradores. Isso ocorre por causa do mito de que esse tipo de objeto é de uso exclusivo de mulheres insatisfeitas com os seus parceiros, o que não é verdade.

Um estudo realizado nos Estados Unidos apontou que, na verdade, mulheres e homens têm crenças positivas sobre o uso de vibradores. As mulheres indicaram que essa ferramenta as ajuda a se excitar, lubrificar e atingir o orgasmo com mais facilidade, reduzindo a dor em determinadas práticas.

9. Durante a gravidez, não é permitido

Estudos descobriram que um grande número de casais se abstém do sexo por medo de prejudicar o bebê ou para evitar o aborto espontâneo. Isso ocorre porque foi criado um mito em torno do fato de que as gestantes devem descansar e evitar maiores esforços.

Mesmo assim, descobriu-se que ter relações sexuais durante a gravidez é muito agradável. Isso ocorre porque as mulheres experimentam um aumento da lubrificação e da sensibilidade, pois há uma maior vascularização das áreas genitais.

A Clínica Mayo destaca que, durante esta fase, o sexo pode ser praticado de forma confortável, desde que não haja diagnósticos que o impeçam.

10. Os idosos não fazem sexo

É comum ouvir muitos jovens dizerem que é preciso aproveitar a juventude para fazer sexo porque, na terceira ou quarta idade, isso será impossível. Estudos apontam que é evidente que a velhice traz mudanças fisiológicas, mas que isso não implica a cessação da atividade sexual, rompendo com outro dos mitos sobre a sexualidade.

Os idosos podem aprender a desfrutar das suas mudanças físicas e se adaptar às novas realidades. Assim, eles podem continuar a apreciar o sexo que vai além da penetração.

Estar ciente das limitações (e possibilidades) quanto às relações sexuais é vital para evitar frustrações com o passar dos anos.

Não se deixe afetar pelos mitos sobre a sexualidade

Além desses, há muitos outros mitos sobre a sexualidade que a ciência vem desmentindo. Dessa forma, cada vez mais pessoas podem viver a sua sexualidade sem tabus e preconceitos que possam afetar negativamente as suas experiências sexuais.

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