Ansiedade sexual: o que é e como combatê-la

22 março, 2021
This article has been written and endorsed by la psicóloga Laura Ruiz Mitjana
A ansiedade sexual é aquela que surge no campo afetivo-sexual, seja antes, durante ou após a relação sexual. Ela pode prejudicar a autoestima, o bem-estar pessoal e até mesmo o relacionamento com o parceiro. Por que aparece e como combatê-la?

A maioria de nós já sentiu ansiedade em algum momento da vida, esse estado de tensão e hiperativação fisiológica tão desconfortável que aparece por vários motivos. No entanto, quando ela deriva das (ou interfere nas) relações sexuais, estamos falando de ansiedade sexual.

Isso pode fazer com que a pessoa deixe de desfrutar do sexo, evite praticá-lo e, até mesmo, em casos mais extremos, desenvolva uma fobia ao sexo (ou uma disfunção sexual). Neste artigo, vamos te contar em que consiste esse problema, quais sintomas ele produz, como ele afeta a vida da pessoa e como ele pode ser abordado por meio da psicoterapia.

Ansiedade sexual: o que é?

Antes de descrever a ansiedade sexual, cabe destacar que a ansiedade é uma resposta fisiológica e psicológica que surge quando sentimos que os nossos recursos pessoais são insuficientes para lidar com as demandas do ambiente.

Também pode surgir quando a pessoa se sente ameaçada por um perigo externo ou interno. Ou seja, trata-se de uma reação que manifestamos quando nos sentimos oprimidos ou sobrecarregados, seja em nível físico ou mental. No caso da ansiedade sexual, estamos falando da ansiedade relacionada à relação sexual, tanto antes quanto durante ou depois.

Este tipo de ansiedade impede a pessoa de desfrutar da sua sexualidade e leva a uma série de sintomas característicos: mal-estar, tonturas, tremores, pensamentos ruminativos, náuseas, alterações do sono e sensação de perda do controle.

Tudo isso pode impactar na autoestima e no relacionamento com o parceiro. Há múltiplas causas e vamos falar sobre as mais frequentes mais adiante.

A ansiedade sexual costuma causar problemas de relacionamento.
A ansiedade pode afetar negativamente vários aspectos de um relacionamento.

Consequências da ansiedade sexual

A ansiedade sexual interfere no bem-estar da pessoa que a apresenta. Também pode ter efeitos muito prejudiciais para a sua autoestima, autoconceito e autoconfiança.

As pessoas afetadas vivenciam as relações sexuais como uma preocupação, com um importante mal-estar associado. Isso faz com que acabem evitando-as, perdendo o interesse por elas ou se sentindo insatisfeitas.

Como resultado de tudo isso, a ansiedade sexual pode acabar levando a outros problemas ou distúrbios, tais como perda do desejo sexual, anorgasmia, problemas de lubrificação para manter uma ereção, etc. Isso dificulta a relação sexual e, como consequência, pode aumentar ainda mais a própria ansiedade (em uma espécie de ciclo vicioso).

Problemas de relacionamento

Sem dúvida, a ansiedade sexual afeta a autoestima e o bem-estar pessoal, mas também pode acabar prejudicando o relacionamento (se a pessoa estiver em um). Assim, ele pode ser afetado se também não houver uma boa comunicação ou se houver qualquer outro tipo de problema anterior.

Nestes momentos, será mais importante do que nunca nos comunicarmos com o nosso parceiro e trabalhar em equipe para enfrentar o problema.

Sintomas de ansiedade sexual

Os sintomas de ansiedade sexual são típicos da ansiedade. Assim, eles podem surgir diante da expectativa de ter relações sexuais, durante o ato sexual ou após o ato, na forma de mal-estar, sofrimento e preocupação constante. Esses sintomas incluem os seguintes:

  • Boca seca.
  • Sensação de formigamento.
  • Dificuldade para respirar.
  • Taquicardia.
  • Alterações no sono.
  • Tremores.
  • Instabilidade e tontura.
  • Sensação de perda do controle.
  • Tensão cervical ou generalizada.
  • Náuseas e vômitos.
  • Dor abdominal.
  • Transtornos digestivos.
  • Sensação de irrealidade.

Além disso, todos esses sintomas causam mal-estar para a pessoa, que sofre da ideia de fazer sexo ou durante a prática. Ou seja, eles interferem na sua vida sexual e também muitas vezes na sua vida social, pessoal e até mesmo familiar.

Também há repercussões na própria autoestima, no bem-estar e na relação consigo mesmo. Portanto, conforme veremos mais adiante, será importante trabalhar todos esses aspectos na terapia.

A ansiedade sexual pode levar a problemas psicológicos.
Algumas pessoas com ansiedade sexual podem ter maior propensão a se isolar e a se envolver em comportamentos depressivos.

Possíveis causas

A ansiedade sexual pode aparecer por várias razões. Deixando de lado as causas orgânicas e enfocando as psicológicas, encontramos as seguintes:

  • Falta de segurança e autoconfiança.
  • Experiências traumáticas relacionadas ao sexo.
  • Pouca confiança no parceiro (por exemplo, como resultado de uma infidelidade).
  • Insatisfação com o relacionamento do casal.
  • Disfunções sexuais.
  • Problemas de autoestima.
  • Estresse e preocupações.
  • Problemas emocionais.

Sexualidade e autoestima

A sexualidade está relacionada à satisfação pessoal e ao autoconceito. Ou seja, é muito difícil separar o autoconceito ou a autoestima da sexualidade (seja consigo mesmo ou com o outro).

É por isso que, muitas vezes, por trás da ansiedade sexual, encontramos problemas de autoestima, insegurança pessoal e falta de confiança no parceiro, entre outros.

Afinal, quando o nosso autoconceito está prejudicado, podemos nos sentir incapazes de manter uma relação sexual satisfatória, por causa do medo de não gostar do outro ou de não “se sentir bom o suficiente”.

“Amar a si mesmo é o começo de um romance para toda a vida.”

-Oscar Wilde-

Por outro lado, o medo de não “atender às expectativas” do outro também pode levar ao surgimento dessa ansiedade. Muitas vezes, associados a tudo isso, encontramos pensamentos irracionais relacionados ao sexo, a si mesmo ou ao relacionamento com o parceiro. Por isso é tão importante trabalhar nisso por meio da psicoterapia, conforme veremos a seguir.

Como combater a ansiedade sexual

A ansiedade sexual geralmente aparece como consequência de fatores psicológicos ou relacionais,

Portanto, se não houver nenhum problema médico ou orgânico para explicá-la, o melhor a fazer é consultar um profissional de saúde mental que possa nos ajudar. Isso, mais uma vez, depois que as possíveis causas médicas forem descartadas por um especialista.

Com a psicoterapia, é recomendável trabalhar individualmente e também com a terapia de casal, se houver um parceiro. O objetivo será descobrir as causas dessa ansiedade sexual e começar a trabalhá-las.

Além disso, será importante trabalhar com o paciente todos os pensamentos disfuncionais ou pouco realistas associados ao seu problema ou à sexualidade em geral.

Aspectos a serem explorados

Nesse sentido, é preciso explorar quais variáveis originam e mantêm o problema, podendo haver pensamentos irracionais, comportamentos de evitação, baixa autoestima, má comunicação do casal, conflitos não resolvidos, ciúmes, infidelidades, inseguranças diversas, pouca confiança no parceiro ou experiências traumáticas.

Uma vez que as causas e os fatores que mantêm o problema tiverem sido identificados, é possível começar a trabalhá-los.

Importância da percepção do paciente

Aqui será importante que o paciente consiga expressar como se sente, como percebe o seu problema, com o que ele o associa, por que pensa que ele aparece ou se intensifica, etc. É importante investigar a sua motivação para a mudança, quais expectativas tem em relação à terapia (o que espera dela), se já pediu ajuda antes, etc.

Uma vez que todas essas informações forem coletadas, é possível começar a trabalhar com o paciente por meio de diferentes técnicas psicológicas, como, por exemplo, a reestruturação cognitiva (para identificar e modificar pensamentos disfuncionais), a terapia de exposição e a validação emocional.

  • American Psychiatric Association –APA- (2014). DSM-5. Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales. Madrid: Panamericana.
  • Belloch, A., Sandín, B. y Ramos, F. (2010). Manual de Psicopatología. Volumen I y II. Madrid: McGraw-Hill.
  • Cáceres, C. (2013). Diversidad sexual, salud y ciudadanía. Artículo especial, Rev Perú Med Exp Salud Pública: 698-704.
  • Morgado, I. (2007). Emociones e inteligencia social: las claves para una alianza entre los sentimientos y la razón. Barcelona: Editorial Ariel.
  • Pérez, M., Fernández, J.R., Fernández, C. y Amigo, I. (2010). Guía de tratamientos psicológicos eficaces I y II. Madrid: Pirámide.