O que é neuroplasticidade?

29 março, 2021
This article has been written and endorsed by el biólogo Samuel Antonio Sánchez Amador
A neuroplasticidade explica a relativa reparação de certas áreas do cérebro quando ocorre uma lesão, entre outros aspectos relacionados aos processos cognitivos básicos.

Neuroplasticidade ou plasticidade neuronal são termos que se referem à capacidade do sistema nervoso humano de se modificar para formar conexões nervosas em resposta a novas informações, estimulação sensorial, desenvolvimento, disfunção e danos. Isso significa que o cérebro muda ao longo da vida em resposta ao ambiente.

Um cérebro, pesando 1.400 gramas, tem cerca de 100 bilhões de neurônios, com milhares de sinapses conduzindo informações a todos os órgãos e membros do corpo. É um sistema que é concebido como rígido na cultura geral, mas a plasticidade neural vem desafiar essa ideia.

Assim, a neuroplasticidade está associada à aprendizagem e ao desenvolvimento que ocorre durante a infância, mas a sua definição abrange muito mais e é aplicável a diversas áreas de grande interesse. Se você quer saber tudo sobre este fenômeno incrível, continue lendo.

Sobre os neurônios

Antes de entrarmos totalmente no assunto do qual vamos tratar hoje, achamos especialmente interesse consolidar certos fundamentos sobre o sistema nervoso humano. Que melhor maneira de fazer isso do que definindo a sua estrutura celular básica, o neurônio, e a sua peculiar forma de comunicação?

Um neurônio é definido como a célula representativa na funcionalidade e fisiologia do sistema nervoso, conforme indicado pelo portal Ambientech. Tem a função de transmitir impulsos elétricos (por meio de um processo denominado sinapse) do centro de informações para o órgão, tecido ou célula efetora.

As partes do neurônio

Podemos distinguir, de forma funcional, 4 partes em um neurônio. Elas são as seguintes:

  • Núcleo: localizado no corpo celular, delimitado pelo citoplasma e bastante visível. Aqui fica a informação genética do neurônio e, por isso, ele atua como um centro de armazenamento de instruções para a síntese de proteínas e seus processos metabólicos.
  • Pericário: refere-se ao citoplasma celular, ou seja, o ambiente onde se encontram as organelas. Uma das organelas mais notáveis em termos de densidade são os ribossomos, responsáveis pela síntese de proteínas. O pericário e o núcleo constituem o soma ou corpo neuronal.
  • Dendritos: são ramificações do citoplasma do corpo celular. Têm a função de receber os impulsos elétricos provenientes de outros corpos neuronais e aumentar a superfície efetiva do neurônio sem comprometer o seu volume total.
  • Axônio: é o “cabo” que sai do soma e transmite o impulso elétrico do corpo neuronal para a célula efetora. Uma vez que permanece envolvido por uma camada isolante (a bainha de mielina), permite que a informação elétrica viaje até 120 metros por segundo. Um único axônio pode chegar a medir quase um metro.

A partir desta pequena introdução, você pode ter uma ideia da forma e da função de um neurônio. Esses corpos celulares se comunicam por meio de sinapses elétricas e químicas, transmitindo as informações por meio de hiperpolarizações e despolarizações celulares com base na entrada e saída de íons através dos canais de membrana.

O cérebro de um ser humano adulto contém cerca de 100 bilhões de neurônios. Conceber a vida sem este tipo de célula é impossível.

A neuroplasticidade inclui mudanças em vários níveis estruturais.
A maioria dos neurônios tem partes bem definidas, cada uma com funções muito importantes.

O que é neuroplasticidade?

Recuperamos a definição de neuroplasticidade apresentada anteriormente, neste caso pelo portal Neurona (Academia Cognitiva: trata-se da capacidade do cérebro de reorganizar os seus padrões de conectividade neural, reajustando a sua funcionalidade ao longo do tempo a partir de mudanças externas e internas.

É uma qualidade que se apresenta ao longo da vida do indivíduo e que, além disso, é observada nos padrões normais de envelhecimento. Este termo complexo pode ser resumido em vários conceitos-chave. Entre todos os possíveis, encontramos os seguintes:

  1. Supõe-se que certos grupos neuronais possam responder para suprir as deficiências nervosas correspondentes a uma lesão.
  2. Pressupõe-se a capacidade de um neurônio para assumir o papel de outro que foi lesionado.
  3. Existe a possibilidade de reorganização neuronal e o crescimento de novas sinapses a partir de um ou mais neurônios lesionados.
  4. Existe uma capacidade adaptativa para minimizar os efeitos das lesões cerebrais por meio da modificação da sua própria organização estrutural e funcional.

Conforme você pode ver, estamos principalmente no campo da terminologia patológica. Do ponto de vista médico , o maior interesse na plasticidade neuronal é o fato de que os neurônios podem se adaptar para compensar os efeitos de uma lesão ou do comprometimento do cérebro. Mesmo assim, é necessário enfatizar que essa capacidade é limitada.

Esta “recuperação funcional” dos neurônios permite, em certa medida, aliviar os efeitos de doenças como esclerose múltipla, Parkinson, doença de Alzheimer, dislexia, distúrbio do déficit de atenção (DDA) e outras irregularidades psicológicas, conforme indicado pelo Portal Cognifit.

Processos envolvidos

Embora possa parecer um pouco complexo, achamos interessante explorar os processos neurobioquímicos e neurogenômicos envolvidos na neuroplasticidade. Estudos especializados nos ajudam a mostrá-los da maneira mais simples possível.

1. Genética e expressão proteica

Existem produtos de genes imediatos que regulam diretamente a neuroplasticidade. Por exemplo, os genes FOX, Homer1a e NACC-1. O gene FOXP2 é expresso em circuitos motores relacionados à fala e à linguagem, influenciando o tálamo, o cerebelo e os gânglios da base, entre outras estruturas.

Mutações neste gene específico estão associadas a dificuldades de aprendizagem e fala. Além disso, em sua expressão normal, ele está envolvido na produção de sequências de movimentos orofaciais coordenados.

2. Processos neurobioquímicos

Esta seção se baseia na excitabilidade intrínseca e na plasticidade sináptica, que promovem a plasticidade neuronal em termos de potencialização e inibição em longo prazo. Vamos comentar brevemente em que consiste esse conglomerado terminológico.

Quando o ser humano se vê diante de um novo processo de aprendizagem ou experiência, o cérebro estabelece uma série de conexões neuronais, chamadas sinapses (de natureza elétrica). Essas conexões podem ser regeneradas ao longo da vida do indivíduo e, quanto mais uma experiência se repete, mais fortalecida será a sinapse envolvida.

Sobre essas bases se constrói o fenômeno da plasticidade sináptica, pois, quanto mais aprendemos sobre algo, mais facilidade temos para abordar este assunto novamente. Quando a comunicação entre os neurônios envolvidos é reforçada, o processo cognitivo ocorre mais rapidamente. Incrível, não é mesmo?

3. Neurogênese

A neurogênese pode ser definida como a formação de novos neurônios durante o desenvolvimento fetal (embriogênese). Durante muito tempo se acreditou que a neurogênese em adultos era uma impossibilidade biológica, uma vez que os neurônios formados não se dividem e sobrevivem até o fim da nossa vida.

Mesmo assim, a neurogênese pós-natal foi recentemente demonstrada em certas áreas do corpo. Isso pode ser muito importante para o desenvolvimento e refinamento dos processos de memória e aprendizagem, embora ainda tenhamos muito a descobrir como sociedade em relação a esse assunto.

A neurogênese é importante para a manutenção da homeostase cerebral e para a plasticidade e preservação da função cognitiva.

4. Plasticidade funcional compensatória

Quando ocorre uma lesão cerebral ou os neurônios de uma área específica ficam fragilizados pelo próprio envelhecimento, ocorre uma reorganização das funções perdidas em nível neuronal. Isso é feito por meio de uma série de fatores de regeneração, colateralização e rearranjo da função perdida em áreas ao redor da área afetada.

Por exemplo, foi observado que o cérebro atinge uma maximização da funcionalidade ao ativar outras vias nervosas quando as tradicionais falham, seja por causa de lesões ou pelo próprio passar do tempo. Certamente, este não é um mecanismo milagroso, mas compreendê-lo em sua totalidade é essencial para desvendar os segredos da mente humana.

A neuroplasticidade pode ajudar a tratar algumas doenças.
Algumas lesões cerebrais podem ser melhoradas graças aos mecanismos de plasticidade neuronal.

5. Plasticidade extraneuronal

Não queremos mergulhar em terminologias excessivamente complexas, mas basta sabermos que nem todos os processos de neuroplasticidade são determinados pelos neurônios. Por exemplo, as integrinas e os glicanos (compostos extracelulares) mostraram ser essenciais na plasticidade sináptica, no desenvolvimento e na regeneração nervosa.

Vantagens da neuroplasticidade

Fontes já citadas exploram as vantagens da neuroplasticidade em nossa vida a curto e longo prazo. Entre elas, encontramos as seguintes:

  1. Permite a aquisição de novas capacidades, o desenvolvimento humano, a aprendizagem e uma melhoria considerável das capacidades cognitivas ao longo do tempo.
  2. Além disso, melhora a capacidade funcional do cérebro, ajuda a aliviar certos processos patológicos, promove a recuperação de perdas sensoriais e melhora o controle motor e as habilidades de memória.
  3. Por último, mas não menos importante, este mecanismo é essencial para a recuperação da funcionalidade após uma lesão cerebral.

A neuroplasticidade é a chave para processos como a adaptabilidade à mudança, a organização e a memória. Portais como o da Asociación para el Progreso y la Dirección (APD) defendem que isso é essencial para o desenvolvimento das empresas e áreas práticas, pois melhora a capacidade de comunicação e a seleção de pessoal, entre outras coisas.

Os treinamentos cerebrais baseados na neuroplasticidade estão associados a uma maior eficiência em ambientes caracterizados por pressão, estresse e grandes responsabilidades. Embora não devamos ver esses mecanismos como a resposta para todos os desafios ou problemas, entender a adaptabilidade do cérebro é essencial para maximizar as nossas habilidades.

Além disso, a reabilitação neuropsicológica aproveita essa capacidade regenerativa para gerar novas sinapses em pacientes com lesões cerebrais, embora não haja um consenso claro sobre até que ponto esse mecanismo possa chegar. Idade, fatores genéticos, gravidade da patologia e outros fatores condicionam o processo de recuperação, muito além da plasticidade.

Resumo

Embora a neuroplasticidade seja um fenômeno fascinante e comprovado, é preciso ter cuidado. Nem todos os processos fisiológicos podem ser incluídos no guarda-chuva da regeneração neuronal, já que, sem ir mais longe, a neurogênese em adultos era desconhecida até poucos anos atrás. Ainda há um longo caminho a percorrer e terras a descobrir.

A plasticidade sináptica, a mudança dos papéis neuronais e a neurogênese são processos essenciais para entender a evolução e o desenvolvimento de pacientes com certas patologias psicológicas.

Por mais que os limites ainda estejam sendo debatidos, fica claro que esses mecanismos subjacentes são essenciais para a compreensão tanto da psique humana quanto das suas doenças.

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