Medicamentos para o colesterol: usos e efeitos colaterais

Os medicamentos para o colesterol são úteis quando todas as outras medidas para reduzir o LDL e os triglicerídeos do sangue já falharam. Você quer saber quais são os seus usos e efeitos colaterais? Continue lendo!

A maioria das doenças cardiovasculares está associada à presença de níveis elevados de colesterol. Mudanças no estilo de vida ajudam a diminuir a quantidade desse composto no sangue. Às vezes, essas alterações não são eficazes, por isso o uso de medicamentos para o colesterol se torna necessário.

O colesterol é uma substância que pode ser sintetizada pelo organismo e que também é obtida através da alimentação. É um composto muito útil para o corpo, pois faz parte da membrana de todas as células e é o precursor dos hormônios esteroides, dos ácidos biliares e da vitamina D.

A substância em questão pode ser transportada na forma de lipoproteínas no sangue. Essas lipoproteínas podem ser de baixa densidade (LDL) ou de alta densidade (HDL). Vários estudos mostraram a relação entre níveis elevados de colesterol total e LDL com a morbimortalidade por causas cardíacas.

Usos dos medicamentos para o colesterol

Os medicamentos para o colesterol previnem ataques cardíacos.
Muitos desses medicamentos previnem o desenvolvimento de eventos cardiovasculares fatais.

O principal uso desse grupo de medicamentos é a redução dos níveis sanguíneos de LDL e triglicerídeos. Além disso, alguns deles são capazes de aumentar os níveis sanguíneos de HDL, que é conhecido como “colesterol bom”, pois ajuda o fígado a eliminar o colesterol prejudicial.

Nesse sentido, esses compostos são utilizados no tratamento de uma condição denominada hipercolesterolemia. Esta doença é caracterizada pela presença de níveis elevados de colesterol total e triglicerídeos no sangue associados ao estilo de vida.

Os medicamentos para o colesterol também são úteis para o tratamento de uma condição hereditária conhecida como hipercolesterolemia familiar. Essa condição aparece por causa de um defeito no cromossomo 19 em crianças, que gera níveis muito elevados de LDL e aumenta a probabilidade de ataques cardíacos em idades precoces.

Finalmente, esses medicamentos também são usados por pacientes com doença coronariana para melhorar o seu prognóstico. É importante saber que o LDL é conhecido como “colesterol ruim” porque tende a se acumular nos vasos sanguíneos e, assim, produzir a aterosclerose.

Quais são os medicamentos para o colesterol?

Atualmente, existem muitos compostos usados para reduzir os níveis de colesterol sérico. Todos eles possuem mecanismos de ação distintos, porém o efeito obtido será semelhante. Dessa forma, dentre os principais medicamentos utilizados, destacam-se:

Estatinas

As estatinas provavelmente são os medicamentos mais usados para reduzir os níveis de colesterol no sangue. Esse grupo de medicamentos é muito útil, pois diminui os níveis de LDL e triglicerídeos no sangue; por sua vez, eles também são capazes de aumentar as concentrações de HDL.

O mecanismo de ação das estatinas é muito simples: elas inibem a enzima hepática hidroxi-meti-glutaril coenzima A (CoA) redutase. Essa enzima faz parte da etapa inicial na síntese do colesterol. Uma vez inibida, o fígado não consegue sintetizar essa substância e é forçado a eliminar o colesterol localizado no sangue.

De um modo geral, as estatinas são compostos muito seguros. No entanto, elas podem causar efeitos colaterais, tais como dores musculares, problemas digestivos e confusão mental. Dentre as estatinas mais utilizadas, destacam-se as seguintes:

  • Atorvastatina.
  • Sinvastatina.
  • Lovastatina.
  • Fluvastatina.

Sequestradores de ácidos biliares

Outros medicamentos usados para o colesterol são as resinas sequestradoras de ácidos biliares. A principal função desses compostos é diminuir os níveis de LDL no sangue, porém, eles não afetam os níveis de triglicerídeos ou de HDL.

Em condições normais, o organismo reabsorve o colesterol e os ácidos biliares presentes no intestino para a síntese da bile. Os sequestradores de ácidos biliares se ligam aos compostos presentes na luz intestinal, evitando assim a sua reabsorção e promovendo a sua excreção através das fezes.

Todo esse processo força o fígado a usar o colesterol na forma de LDL presente no sangue para a síntese de novos ácidos biliares. Esses compostos são muito úteis. Um dos principais representantes é a colestiramina, que demonstrou uma capacidade de redução do colesterol de até 36%.

Os efeitos colaterais dos sequestradores de ácidos biliares podem variar desde dor abdominal até náuseas e vômitos. Em alguns casos, eles podem gerar distúrbios metabólicos como a acidose hiperclorêmica; porém, estes casos são raros.

Fibratos

Os fibratos são medicamentos derivados do ácido fíbrico que são prescritos para reduzir os níveis séricos de triglicerídeos. No entanto, eles também são capazes de aumentar os níveis de HDL, reduzindo assim o acúmulo de colesterol nos vasos sanguíneos.

O mecanismo de ação desses medicamentos se concentra na alteração dos núcleos de certas células, o que provoca a lipólise das células ricas em triglicerídeos. Isso reduz o número de células capazes de gerar aterosclerose e a posterior obstrução da luz vascular.

O efeito farmacológico dos fibratos é observado a partir da segunda semana de tratamento. Estudos demonstraram a sua eficácia na redução dos triglicerídeos em até 55% e do colesterol em até 25%. Esses medicamentos para o colesterol são bem tolerados e os efeitos colaterais mais comuns são os gastrointestinais.

Inibidores da absorção de colesterol

Os medicamentos para o colesterol são variados.
Todos esses medicamentos devem ser prescritos por um especialista.

Uma parte do colesterol que circula no sangue é proveniente da dieta, da bile e da descamação do epitélio intestinal, que entra na corrente sanguínea por meio da absorção intestinal. Nesse sentido, os medicamentos inibidores da absorção de colesterol são benéficos para a redução dos níveis séricos.

O principal representante desses medicamentos é a ezetimiba; acredita-se que ela inibe uma proteína transportadora do epitélio intestinal. A inibição em questão impede que o colesterol presente na luz intestinal seja incorporado ao corpo, favorecendo assim a sua excreção através das fezes.

A ezetimiba tem uma meia-vida de aproximadamente 22 horas, o que permite obter resultados benéficos com apenas uma dose diária. No entanto, esse medicamento é contraindicado em caso de insuficiência hepática e, além disso, também pode causar dores de estômago, dores musculares e fadiga em alguns pacientes.

Uma dieta balanceada é fundamental

O uso de medicamentos para reduzir o colesterol sérico apresenta ótimos resultados em pouco tempo. No entanto, o tratamento inicial da hipercolesterolemia consiste em fazer mudanças na dieta e no estilo de vida das pessoas.

Na maioria dos casos, uma dieta balanceada e uma diminuição do sedentarismo geralmente é o suficiente para reduzir os níveis de LDL e triglicerídeos. O uso dos medicamentos citados é destinado àqueles pacientes nos quais as mudanças na dieta não geram a diminuição desejada dos níveis de colesterol total.

Portanto, é de vital importância manter um acompanhamento médico constante. Só assim será possível detectar o aumento dos níveis de colesterol e proceder ao tratamento adequado. Lembre-se de que níveis elevados de LDL estão intimamente relacionados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

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