Vertigem: sintomas, causas e tratamento

14 março, 2021
This article has been written and endorsed by el médico Diego Pereira
Na maioria dos casos, a vertigem é um dos sintomas de doenças neurológicas importantes.

A vertigem é descrita como uma sensação de tontura com movimentos inexistentes, que muitas vezes leva à instabilidade, náuseas e vômitos frequentes. Ela pode ocorrer esporadicamente ou de forma duradoura.

Há uma enorme variedade de causas que, dependendo da estrutura anatômica comprometida, podem ser classificadas em centrais e periféricas. Uma vez identificada a lesão, o médico pode indicar o tratamento correspondente.

Essas medidas incluem medicamentos, que são muito variados e geralmente têm outros usos clínicos mais frequentes. Se você tem interesse em saber um pouco mais sobre essa condição peculiar, preparamos o artigo a seguir para você.

O que é a vertigem?

Não há uma definição única porque este é um termo abstrato que, na verdade, combina várias sensações diferentes. Em termos gerais, trata-se de um sintoma caracterizado por uma sensação de tontura e instabilidade acompanhada por uma falsa sensação de movimento.

Não é considerada uma doença, mas o resultado de um processo de doença subjacente. Isso implica a existência de causas múltiplas que, para fins práticos, podem ser divididas em centrais e periféricas. Mais adiante, vamos detalhar esta classificação.

Para entender um pouco mais sobre a vertigem, é importante considerar as estruturas anatômicas relacionadas à sensação de estabilidade. A base da sua integridade parece estar no sistema nervoso, que incorpora estruturas cerebrais e alguns nervos que transmitem informações por meio de impulsos elétricos.

Por sua vez, dentro do ouvido interno, existem estruturas minúsculas, porém complexas, que participam desse processo. Elas são responsáveis por coletar informações graças ao movimento de pequenas partículas em seu interior, que são afetadas por movimentos rotacionais e lineares.

As estruturas dentro do ouvido são chamadas de aparelho vestibular e são constituídas pelos canais semicirculares, o utrículo e o sáculo. Elas se comunicam de diferentes maneiras e fornecem informações captadas pelo nervo vestibulococlear, também conhecido como oitavo nervo craniano. Então, essas informações são direcionadas para centros cerebrais especializados.

A vertigem pode se originar no cérebro.
Algumas causas da vertigem têm origem em problemas cerebrais.

Quão comum é essa condição?

A vertigem geralmente é uma causa comum de idas ao pronto-socorro, especialmente quando o início é abrupto e está acompanhado por outros sintomas. De acordo com um artigo de revisão recente (2019), pode se tornar o terceiro sintoma mais comum a ser tratado em diferentes níveis hospitalares.

Tanto assim que, de acordo com dados epidemiológicos dos Estados Unidos da América, a síndrome vestibular aguda associada à vertigem pode representar até 800 mil atendimentos anuais em pronto-socorro.

Na Espanha, por exemplo, existem alguns dados que permitem determinar a importância da vertigem na saúde pública. Por exemplo, este estudo realizado em 2009 na região autônoma de Valência determinou uma prevalência de 17,8 pacientes por 100.000 habitantes no ano do estudo.

Lá também se concluiu que a idade de apresentação mais comum foi entre os 50 e os 60 anos. Além disso, cerca de metade das consultas foram por sintomas vivenciados pela primeira vez.

Principais manifestações clínicas

Em geral, os pacientes relatam instabilidade ao manter os olhos abertos. Geralmente, há uma sensação de movimento, apesar de a pessoa estar imóvel, causando a perda involuntária do equilíbrio e quedas frequentes.

Em alguns casos, pode ser desencadeada por situações como o estresse, que também tem outros efeitos negativos para a saúde.

Na maioria dos casos, os pacientes precisam manter os olhos fechados para alcançar a tranquilidade, preferindo as posições de repouso para evitar o aparecimento de tonturas. Náuseas e vômitos são comuns e geralmente causam a diminuição da qualidade de vida quando se tornam persistentes.

Dependendo da causa, a vertigem pode estar associada a outros sintomas. Essas causas podem ser centrais ou periféricas, dependendo da estrutura anatômica comprometida. No primeiro caso, trata-se dos órgãos do sistema nervoso central, enquanto no segundo há uma lesão do aparelho vestibular (no ouvido interno).

Alguns dos sintomas que podem estar associados, dependendo da causa, são os seguintes:

  • Origem central: dor de cabeça, movimentos anormais e instabilidade severa. Os sintomas geralmente aparecem de forma progressiva e a duração é constante.
  • Origem periférica: predominam náuseas, vômitos e sudorese profusa. Eles geralmente são agravados pelos movimentos e aparecem de forma intermitente ou paroxística.

Causas da vertigem

A seguir, vamos resumir algumas das causas mais comuns, de acordo com a localização anatômica comprometida.

Periféricos

Algumas causas de vertigem podem ter origem no ouvido interno.
As causas periféricas de vertigem geralmente se originam nos órgãos do ouvido interno.

Nesse caso, consideraremos quatro doenças de apresentação comum.

  • Vertigem posicional paroxística benigna : geralmente é benigna e é a causa mais comum de vertigem. É caracterizada por episódios de menos de um minuto de duração desencadeados por determinadas posições. Geralmente não requer tratamento e pode se tornar mais frequente durante episódios de otite média, trauma ou idade avançada.
  • Neurite vestibular: é a inflamação do nervo vestibular. Geralmente se apresenta de forma abrupta, é unilateral e raramente apresenta sintomas associados, como o tinido ou o zumbido. Acredita-se que ocorra devido à reativação de um vírus do herpes (HSV-1) adquirido durante uma infecção anterior e geralmente ocorre nos meses mais frios do ano.
  • Doença de Ménière: é produzida pelo acúmulo de líquido dentro do ouvido interno, conhecido como endolinfa. Isso gera ataques de vertigem aguda, associados a uma diminuição temporária da capacidade auditiva e zumbidos (percepção de um bipe ou som agudo).
  • Fístula perilinfática: é um defeito anatômico que geralmente ocorre após algumas intervenções, como a estapedectomia, ou no contexto de um trauma localizado. O tratamento é cirúrgico e, na maioria dos casos, a recuperação é bem-sucedida.

Centrais

Ao contrário da seção anterior, a vertigem de origem central não tem tantas causas associadas. Geralmente se deve a duas síndromes bem diferenciadas: enxaqueca vestibular e insuficiência vertebrobasilar. Ambas compartilham uma origem vascular.

A enxaqueca vestibular é caracterizada por forte cefaleia, que não diminui com a administração de analgésicos de uso comum (como o paracetamol). Pode durar várias horas sem apresentar melhora significativa e se acredita que isso se deve à vasodilatação e constrição dos vasos cerebrais.

Assim como outras formas de enxaqueca, é caracterizada por ter vários sintomas associados. Nesse caso específico, a vertigem é o mais notável, podendo até mesmo ser ainda mais limitante do que a dor de cabeça. Isso pode ocorrer tanto com a realização de movimentos cefálicos (rotacionais) quanto em repouso.

Os pacientes podem relatar sintomas auditivos como tinido ou zumbido, diminuição da audição e intolerância a sons altos, em parte devido à dor que isso produz.

Por outro lado, a insuficiência vertebrobasilar está incluída entre as doenças cerebrovasculares. Ocorre devido à obstrução de algum ramo que supre o sistema vestibular, o que causa qualquer um dos sintomas citados anteriormente.

A diferença é a evidente deterioração da capacidade motora e sensorial que, dependendo do ramo afetado, pode ser mais ou menos evidente. Ao contrário de muitas das doenças mencionadas, esta pode ser fatal, afetando bastante os idosos. A aterosclerose geralmente está envolvida no seu aparecimento.

Diagnóstico

Embora existam exames complementares, a maioria das doenças citadas possui diagnóstico clínico. Para isso, o médico recorrerá a uma entrevista pessoal e a um exame físico neurológico, a fim de determinar a origem anatômica da lesão causadora dos sintomas.

Dependendo das manifestações clínicas, o médico pode solicitar os seguintes exames:

  • Audiometria: permite medir a qualidade da audição em pacientes que também apresentam vertigem ocasional.
  • Timpanometria: semelhante à anterior, embora busque alterações anatômicas e funcionais na orelha média e no tímpano.
  • Eletronistagmografia: por meio da avaliação dos movimentos oculares conhecidos como nistagmo, é possível determinar a causa de algumas síndromes que incluem vertigem e tontura.
  • Tomografia computadorizada: permite visualizar áreas infartadas nos primeiros momentos da insuficiência vertebrobasilar, algo muito útil para outras doenças cerebrovasculares.
  • Ressonância magnética nuclear: é uma técnica de imagem que não emite radiação e que serve para avaliar as estruturas nervosas detalhadamente.

Tratamento da vertigem

Existem opções terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas. Sua escolha depende da causa dos sintomas e, por esta razão, a automedicação geralmente não é eficaz. Os medicamentos aos quais vamos nos referir nesta seção, procuram reduzir a vertigem temporariamente.

Para isso, são utilizadas drogas que intervêm nas vias nervosas de transmissão dos estímulos relacionados ao equilíbrio. Existem outras que têm a capacidade de interagir com os receptores cerebrais e modular a atividade de certos neurotransmissores. Elas são usadas principalmente para outros fins, mas também são eficazes no tratamento da vertigem.

  • Os anti-histamínicos, conforme o nome sugere, bloqueiam os efeitos da histamina. Geralmente são usados para reduzir os sintomas alérgicos e podem induzir o sono como efeito adverso, principalmente os da primeira geração, que são mais antigos.
  • Anticolinérgicos, que atuam de forma semelhante ao grupo anterior, mas buscam bloquear os efeitos da acetilcolina.
  • Antidopaminérgicos, que servem para bloquear a função da dopamina. Eles servem para eliminar a sensação de náuseas e vômitos. Felizmente, muitos desses medicamentos também têm efeito anti-histamínico. Um exemplo é a tietilperazina.
  • Em alguns casos em que há a suspeita de uma possível causa vascular, a administração de vasodilatadores pode ser útil. Essas drogas promovem um aumento do fluxo sanguíneo para as estruturas do aparelho vestibular. A betaistina é um exemplo representativo.

Qual médico deve ser procurado?

Existem vários especialistas capazes de diagnosticar a origem da vertigem. É possível que, no pronto-socorro, o primeiro contato seja com um clínico geral, internista ou médico da família. Em casos específicos, eles poderiam encaminhar o paciente para outro profissional para um acompanhamento e para exames mais específicos.

Neurologistas, otorrinolaringologistas e geriatras são alguns desses especialistas que se dedicam às diferentes causas da vertigem.

A vertigem deve ser diagnosticada e tratada precocemente

A vertigem é um sintoma que pode ser a expressão de uma doença subjacente. Embora raramente seja fatal, geralmente causa grande diminuição da qualidade de vida. Conhecer as principais causas e procurar um médico o mais rápido possível pode ajudar a resolver o problema mais rapidamente.

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