Tratamento para o câncer de mama

Existem muitos tipos de tratamento para essa doença. Além da quimioterapia e cirurgia, há outros métodos eficazes que melhoram a qualidade de vida. Vamos te contar sobre eles a seguir.
Tratamento para o câncer de mama

Escrito por Josberth Johan Benitez Colmenares, 31 Maio, 2021

Última atualização: 05 Junho, 2021

O tratamento do câncer de mama é determinado considerando vários critérios. O mais importante, de acordo com as evidências, é o subtipo ao qual pertence; ainda que o estágio de desenvolvimento e a disponibilidade e preferência dos pacientes também possam ser levados em consideração.

De qualquer forma, o importante é que as pessoas diagnosticados com a doença têm várias opções de tratamento.

Estudos aprimoraram os métodos para lidar com essa condição, um resultado positivo no aumento do prognóstico após o diagnóstico. Mesmo assim, o processo é condicionado à velocidade com que são detectados seus estágios iniciais. Por isso é importante monitorar as pessoas que fazem parte dos grupos de risco.

Cirurgia para o câncer de mama

O tratamento para o câncer de mama inclui cirurgia.
A cirurgia pode ser realizada isoladamente ou em combinação com outras terapias.

As evidências indicam que a cirurgia é um dos tratamentos disponíveis mais eficazes para o câncer de mama. Geralmente é usada nos estágios I e II, por isso é a opção mais viável quando a doença é detectada nos estágios iniciais de desenvolvimento. Existem vários tipos de cirurgias para o câncer de mama, entre as principais destacamos as seguintes:

  • Lumpectomia: também conhecida como cirurgia de conservação da mama, pois se baseia na retirada direta do tumor maligno juntamente ao tecido circundante. Em todos os casos é acompanhado de radioterapia para eliminar completamente possíveis tecidos cancerígenos residuais.
  • Mastectomia: ao contrário da cirurgia anterior, neste caso todo o tecido mamário é removido. Hoje existem alternativas que visam preservar o formato da mama, como a mastectomia com preservação da pele ou a mastectomia com preservação do mamilo. Em alguns casos, deve ser feita uma cirurgia total, com retirada da pele, mamilo e aréola.

Como lembra a American Cancer Society, a escolha do tipo de mastectomia depende das características de cada tumor, do seu tamanho e localização. Estes são os procedimentos mais comuns, que às vezes podem ser complementados com o seguinte:

  • Biópsia do linfonodo sentinela: inicialmente é feita para determinar se a doença se espalhou para essa área. O Instituto Nacional do Câncer afirma que este local é o primeiro a ser infectado pela disseminação do tumor; se for encontrado tecido saudável é improvável que ele esteja presente em outros tecidos, como os da axila.
  • Dissecção dos linfonodos axilares: quando um tecido maligno é encontrado nos linfonodos sentinela, o médico geralmente realiza uma cirurgia de linfonodos nas axilas.

Mesmo que seja diagnosticada a existência de tecido canceroso em uma das mamas, as vezes pode ser realizada uma mastectomia contralateral profilática, ou seja, a retirada de ambas as mamas.

Essa operação geralmente é feita apenas em pacientes com fatores de alto risco, como as com histórico familiar ou uma predisposição genética encontrada durante uma biópsia anterior.

Tratamento de radioterapia para o câncer de mama

Estudos relatam a eficiência da radioterapia no tratamento do câncer de mama, com ampla margem de eficácia quando desenvolvida nos estágios iniciais da doença. Embora existam complicações derivadas de sua aplicação, na realidade as evidências sugerem que os benefícios das terapias modernas superam os riscos.

A radioterapia consiste em sessões de aplicação de raios X de alta frequência que destroem os tecidos mamários afetados. Pode ser usada independentemente do nível de evolução da doença. Existem muitos tipos, mas as mais usadas são as seguintes:

  • Radioterapia externa: é a mais comum de todas. Normalmente se desenvolve em sessões de 6 a 7 semanas, embora sua variante hipofracionada possa encurtar o tempo para apenas 4. O processo é semelhante -não idêntico- a um raio-X. Pode ser aplicado em toda a mama ou apenas em parte dela (chamada de irradiação parcial acelerada ).
  • Braquiterapia : também conhecida como radiação interna, envolve a colocação de um dispositivo dentro da mama que emite radiação. Existem dois tipos: intracavitário (o mais comum) e intersticial. É mais frequente após a cirurgia de conservação da mama. O tamanho e a localização determinam os resultados a serem obtidos.

Erupções cutâneas, queimaduras e fadiga são alguns dos efeitos adversos do tratamento do câncer de mama com radioterapia. Em casos raros causa complicações mais graves, embora o médico deva considerar possíveis patologias anteriores antes da sua aplicação (especialmente nos pulmões ou no coração).

Tratamento quimioterápico para o câncer de mama

Os tratamentos para câncer de mama incluem quimioterapia.
Apesar da sua eficácia, a quimioterapia também está associada a vários efeitos adversos.

O tratamento com drogas orais ou injetáveis para tratar a doença é conhecido como quimioterapia. É administrado em várias sessões, nas quais são consideradas as características e o grau de progressão do tumor maligno.

Como ele ataca todas as células de crescimento rápido, o uso desse tratamento acarreta vários efeitos colaterais. Dentre os que ocorrem a curto prazo, destacamos os seguintes:

  • Perda de cabelo.
  • Fadiga.
  • Prisão de ventre e diarréia.
  • Perda de apetite.
  • Vômito e náuseas.
  • Infecções colaterais (devido ao comprometimento do sistema imunológico).
  • Danos às redes nervosas.
  • Feridas na boca.

Também se sabe que a quimioterapia pode causar problemas cognitivos, mesmo quando administrada em doses padrão. Os mais importantes são dificuldade para manter a concentração e os problemas da memória. Estes efeitos são complementados por sequelas de longo prazo, como:

  • Desenvolvimento de distúrbios psicológicos (como estresse ou depressão).
  • Lesão cardíaca.
  • Redução na densidade óssea (que pode levar à osteoporose).
  • Infertilidade (tanto em homens quanto mulheres).

A presença ou ausência desses elementos varia em cada paciente e de acordo com as características da doença. É importante que antes de iniciar o tratamento de quimioterapia você esteja ciente deles e de outras sequelas que podem surgir no processo.

Terapia hormonal para o câncer de mama

Alguns tipos de câncer, como câncer positivo para receptores de estrogênio ou câncer positivo para receptores de progesterona, são particularmente sensíveis aos hormônios.

Por isso, o médico pode usar uma terapia de bloqueio hormonal, para ajudar a interromper o crescimento ou evitar que ele se desenvolva novamente (quando a terapia é aplicada após a cirurgia).

É usado de forma personalizada, e depende se a mulher já passou ou não da menopausa. Entre seus efeitos colaterais, destacamos suores noturnos e ondas de calor, embora também possa ocorrer secura vaginal. As duas terapias mais utilizadas são os seguintes:

  • Moduladores seletivos do receptor de estrogênio (conhecidos como SERMs ).
  • Inibidores da aromatase (conhecidos como IAs ).

Às vezes, a terapia de supressão ovariana também pode ser usada, sendo feita cirurgicamente ou com injeções de medicamentos.

Terapia direcionada contra o câncer de mama

É um processo mais recente e que tem menos efeitos adversos do que outros tratamentos de câncer de mama. Estudos associam seu uso a resultados promissores, embora geralmente ela seja aplicada em conjunto com outras terapias.

Como o nome indica, elas são baseadas em atacar especificamente as anomalias das células cancerosas. Por exemplo, elas são comumente usados para interromper o fator de crescimento epidérmico humano 2, uma proteína que é produzida de forma anormal por células malignas. Para isso, são utilizados fármacos micromoleculares ou anticorpos monoclonais.

O National Cancer Institute lembra que os efeitos adversos da sua aplicação são fadiga, diarreia e hipertensão, entre outros.

Conselho final

Embora não faça parte do tratamento do câncer de mama, deve-se ressaltar que a cirurgia de reconstrução mamária é uma opção para quem já teve que se submeter à mastectomia. Pode ser feita em paralelo a esta intervenção ou posteriormente e utiliza implantes para conseguir uma melhor aparência das mamas.

Como as evidências sugerem uma relação entre a doença e a depressão, também é conveniente incluir monitoramento psicológico após o diagnóstico ter sido feito.

A saúde mental, muitas vezes, é negligenciada ao passar por esses processos, embora a mediação de um profissional possa melhorar a qualidade de vida e o entendimento do câncer como uma realidade.

Pode interessar a você...
Sintomas de câncer de pele
Muy Salud
Leia em Muy Salud
Sintomas de câncer de pele

O câncer de pele é uma das patologias neoplásicas mais comuns. Ele possui diversas formas de apresentação e pode se manifestar em diferentes partes...



  • Ahles, T. A., & Saykin, A. Cognitive effects of standard-dose chemotherapy in patients with cancer. Cancer investigation. 2001; 19(8): 812-820.
  • Den Hollander, P., Savage, M. I., & Brown, P. H. Targeted therapy for breast cancer prevention. Frontiers in oncology. 2013; 3, 250.
  • Maughan, K. L., Lutterbie, M. A., & Ham, P. Treatment of breast cancer. American family physician. 2010; 81(11): 1339-1346.
  • Moulder, S., & Hortobagyi, G. N. Advances in the treatment of breast cancer. Clinical Pharmacology & Therapeutics. 2008; 83(1): 26-36.
  • Sánchez, C., Bustos, M., Camus, M., Álvarez, M., Goñi, I., & León, A. ¿Es curable el cáncer de mama en etapa precoz?: Resultados del tratamiento combinado con cirugía, radioterapia y quimioterapia. Revista médica de Chile. 2007; 135(4): 427-435.
  • Senkus-Konefka, E., & Jassem, J. Complications of breast-cancer radiotherapy. Clinical Oncology. 2006; 18(3): 229-235.
  • Somerset, W., Stout, S. C., Miller, A. H., & Musselman, D. Breast cancer and depression. Oncology (Williston Park, NY). 2004; 18(8): 1021-34.
  • Schrader, M., Heicappell, R., Müller, M., Straub, B., & Miller, K. Impact of chemotherapy on male fertility. Oncology Research and Treatment. 2001; 24(4): 326-330.
  • Taylor, C., Correa, C., Duane, F. K., Aznar, M. C., Anderson, S. J., Bergh, J., … & Early Breast Cancer Trialists’ Collaborative Group. Estimating the risks of breast cancer radiotherapy: evidence from modern radiation doses to the lungs and heart and from previous randomized trials. Journal of Clinical Oncology. 2017; 35(15): 1641.
  • Waks, A. G., & Winer, E. P. Breast cancer treatment: a review. Jama. 2019; 321(3): 288-300.